Foto: Roberto Schmid.
A praia de Camburi, um paraíso localizado no litoral norte de São Paulo, no município de São Sebastião, é famosa por suas ótimas ondas e pelas paisagens – distribuídas por toda sua extensão.
Do canto direito para o esquerdo podemos ver o Rio Camburi fluindo estreitamente em direção ao mar, formando ecossistemas chamados de “fluviomarinhos”, resultado da interação do mar com a vegetação litorânea, apresentada desde a rasteira vegetação de Praias e Dunas, até grandes Florestas de Restinga, todas preciosas áreas naturais que tem funções ecológicas e asseguram a qualidade de vida das pessoas.
Entretanto, a qualidade desses ecossistemas encontram-se em perigo e sob muita pressão ao longo da margem do rio, uma possível consequência do acúmulo de lixo e esgotos despejao pelas ocupações existentes ao longo da bacia hidrográfica.
Recentemente, em janeiro de 2017, os biólogos Luccas Rigueiral e Guilherme Bertuzo, moradores da região, realizaram uma vistoria para avaliar qual era a real situação do rio, depois de um surto de contaminação que ocorreu durante a temporada de fim de ano, quando muitos banhistas adoeceram – possivelmente em função da contaminação do rio.
Este problema motivou a produção de um vídeo (abaixo) que revela os dados coletados.
Em pouco tempo, o clipe repercutiu com força nas redes sociais e, assim, começou um movimento de preocupação, dando, enfim, a devida atenção ao sofrimento do Meio Ambiente.
Durante a subida pelo rio, os biólogos relatam a quantidade absurda de resíduos sólidos na superfície e podas de bambú-gigante, jogados diretamente no rio ou carregados até ele. Além disso, a água tinha aparência ruim, encontrando-se turva e fétida, principalmente onde encontravam-se canos, responsáveis pelo despejo de líquidos diretamente ou em córregos que se juntam ao rio.
De acordo com os biólogos, uma parte potencialmente grande das pessoas que habitam as margens do rio e seus arredores contribui para a sua poluição, que não providenciam uma fossa adequada – melhor método de contenção de esgoto na região.
A contaminação era algo que o biólogo Luccas já alertava depois de realizar em 2014 sua pesquisa sobre a balneabilidade – a qualidade da água para banhistas no mar – da Praia de Camburi e o rio, concluindo que, o rio contribuía com que o canto esquerdo fosse 15 vezes mais poluído com coliformes fecais que o canto direito, onde não há a presença da água do rio, tudo com a contribuição do biólogo Guilherme, que realizou sua pesquisa em 2016 a respeito da deposição de resíduos sólidos nas praias ao longo do ano, fenômeno que se intensifica muito na alta temporada do turismo.
Agora, juntamente da população e da Associação de Surf, Cultura e Meio Ambiente de Camburi (ASCAM) que tem como seu Presidente o biólogo e Gestor Ambiental, Edson M. Lobato, estão buscando alternativas para a implantação de saneamento básico, visando a reversão dessa poluição crescente através de ações que tornem as águas do Rio Camburi mais limpas, um bem do ecossistema e para as pessoas que vivem e frequentam Camburi.