No fim da década de 80 e durante toda a década de 90, a Bahia pôde acompanhar todo o talento de Márcio Thola nos principais eventos do estado.
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O primeiro título foi o de campeão baiano mirim, em 88. Em 92 foi campeão baiano open e em 96 foi campeão baiano profissional, desbancando nomes de peso do estado como Armando Daltro e Christiano Spirro.
Muitas pessoas o achavam mais talentoso do que o próprio Mandinho e Spirro.
Ao contrário de seus principais rivais, Thola não estendeu sua carreira de competidor Brasil afora, participando de etapas do circuito mundial.
Márcio não chegou nem a firmar seu nome no cenário nacional. Ficou só pela Bahia mesmo, onde tornou-se o primeiro atleta a conquistar o tricampeonato baiano profissional. O atleta levou o circuito nos anos de 96, 97 e 98.
Thola chegou a disputar algumas etapas de importantes circuitos, com destaque para uma etapa do Nordestino Profissional, onde escovou o paraibano Fábio Gouveia na praia do Francês (AL), no ano de 1992.
?Esse campeonato foi muito legal. Fiquei em terceiro lugar na Pro e em segundo na categoria Amador. Não ganhei a etapa, mas tirei o melhor brasileiro do mundo?, relembra o baiano.
“Cheguei até a ganhar uma passagem para o Hawaii em um campeonato, mas não tive coragem de ir porque já viajava bastante e sentia muita falta da família. Acabei perdendo a passagem”, lamenta Thola.
Esta oportunidade foi única na vida do competidor, pois o atleta teve de começar a trabalhar para bancar sua própria carreira devido a falta de patrocínio e acabou tendo de abrir mão de várias horas diárias de treino, o que o afetou bastante.
A última competição que Márcio participou foi o 3º Festival de Surf do Pescador, em 2004, onde chegou até a final da categoria Open. O atleta, que estava um tempo sem competir, ficou muito feliz com o resultado e comemorou bastante, mesmo não tendo vencido o evento.
Quase um mês depois, mais precisamente no dia 4 de julho de 2004, Márcio Thola passou sem dúvidas, a pior experiência de toda a sua vida.
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O atleta sofreu um acidente de trânsito e, além de perder um membro inferior, sofreu uma hemorragia interna, fraturas no bacia e em um dos braços.
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“Tudo aconteceu no caminho de casa. Estava conduzindo minha moto, quando um Fiat Prêmio ultrapassou um ônibus de forma indevida e eu acabei colidindo no fundo dele. Por a pista estar molhada, contribuiu para a colisão. A queda foi muito rápida e o condutor do veículo não me socorreu. Poucos minutos depois, a mãe de Armando Daltro, dona Linda Daltro, estava passando pelo local, me reconheceu, parou o carro e chamou o SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). Ela ficou segurando minha cabeça e me falou algumas palavras de conforto até a ambulância do SAMU chegar?, conta o baiano.
?Ao dar entrada no hospital, tive uma parada cardíaca, já estava com várias fraturas na perna esquerda, uma abertura na bacia em torno de 25 centímetros e um dos braços fraturado. Devido a todas essas fraturas e a abertura na bacia, sofri uma hemorragia interna e fui submetido a uma nova bateria de exames para saber se os orgãos não tinham sido afetados. Alguns médicos já estavam desanimados com a minha situação, pois já tinha feito duas cirurgias e já havia amputado minha perna esquerda. Ainda tive de fazer uma laparastomia para saber se não tinha comprometido nenhum orgão vital”, relembra Thola.
Depois de um mês em coma no hospital, Márcio acordou e uma psicóloga deu a notícia do fato ocorrido. “Quando ela me deu a notícia, a ficha não caiu, pois minha vida era o surf, mas logo depois pensei, se Deus me deixou vivo é porque tenho algum propósito aqui na terra”, comenta.
Quando saiu do hospital, Márcio teve de usar um aparelho por um período de quatro meses para fechar a bacia, sendo que abriu cerca de 25 centímetros e só fechou cerca de 20 cm. Futuramente, terá de realizar uma nova cirurgia por ainda ter uma abertura de 5 cm na bacia.
Segundo o médico que acompanha o caso, Márcio ainda teve de implantar uma placa no braço esquerdo pelo fato de começar a usar moletas e o osso do membro não ter calcificado.
“Mesmo com todo esse fato eu ainda tenho amigos, família e uma mulher especial com quem convivo há mais de seis anos e me dá total estímulo para viver. Ela me ajuda em tudo o que peço e, mesmo com o seu trabalho de enfermeira, tem bastante tempo para ficar de olho em mim e me dar puxões de orelha quando me esforço demais”, fala o surfista pirata, como é chamado entre os amigos hoje em dia.
Apesar de todo o acontecido, Márcio ainda espera, quem sabe um dia, poder ter o prazer de entrar no mar e dropar uma onda. Enquanto esse dia não chega, Márcio volta suas atenções para a lan house que montou com sua mulher e diz manter-se diariamente atualizado sobre tudo o que ocorre no surf através do Waves.Terra.

