Às vezes planos são feitos para serem mudados. Partimos para filmar uma surf trip na Austrália e terminamos na Indonésia.
Nate Leal (videomaker) e eu (fotógrafo) saímos da Califórnia até Sydney já preparados para pegar outro voo até Brisbane, onde encontraríamos os surfistas Ozzie Wright, Noa Deane e Mitch Coleborn, e o videomaker aussie Mikey Mallalieu.
No entanto, durante o longo voo pelo Pacífico, as previsões tornaram-se sombrias, por assim dizer. No aeroporto de Sydney, alinhamos de última hora voos, acomodação e transfers para uma misteriosa ilha da Indonésia, muito pouco frequentada.
A previsão estava melhor do que a Austrália tinha para nos fornecer, e às vezes, você também precisa tirar os surfistas da zona de conforto e pegar a estrada.
A Indonésia é uma jornada distante para qualquer um que saia da Califórnia, mas, uma vez que você pega vários aviões, três horas de van, duas horas de ferry-boat e trinta minutos finais de carro, você está falando de uma jornada bem distante. Então, você começa a rezar para que as ondas valham a pena.
Os dias seguintes foram uma missão de ida e volta entre uma esquerda e uma direita situadas em uma enorme baía, com um visual pitoresco emoldurando as fotos. Os meninos preferiram atacar as seções robustas da direita.
Depois de algumas investidas, a direita não produziu as imagens que gostaríamos, então a esquerda tornou-se nosso pão com manteiga. Trabalhamos duro para conseguir boas imagens e ficamos felizes com o resultado, mas ainda não era o que esperávamos da viagem. As sessões apenas nos deixaram mais famintos por mais ondas.
Acordamos no último dia cheio da trip com um swell muito maior. A maré estava a nosso favor, e os ventos eram suficientemente leves para que pudéssemos enxergar do barco um tubo pesado, que quebrava longe da costa, em uma baía profunda e cercada de penhascos. A maré seca parecia deixar o lugar bem afiado. Era dropar, entubar e sair logo da onda, se não, já poderia planejar o encontro com os corais.
Pulamos amarradões do barco direto para o lineup. Em um primeiro momento, a maré parecia realmente baixa, e de repente uma série maluca pegou os rapazes de surpresa no outside. Apesar de divertidas, as ondas que vimos anteriormente pareciam ter desaparecido. Para piorar, fomos pegos por uma tempestade sinistra, que começou a encher nosso bote de água.
Depois de 20 minutos de chuva torrencial, foi como alguma força superior dissesse: “Ei, deixe-me ajudá-lo aqui”, e a chuva parou como um toque no interruptor de luz. Logo, um leve vento terral começou a entrar e as ondas começaram a bombar. Como se fosse um feitiço, as condições passaram a ser épicas.
Surfamos por seis horas seguidas em várias seções da onda. Era o surfe de todos os tempos no qual estávamos esperando. Assistimos incrédulos à filmagem naquela noite. Na manhã seguinte, acordamos de cabeça feita. As ondas tinham acabado e nós também. Era hora de ir para casa. Viagem completa.
Horas de filmagem e milhares de histórias. Qual seria o próximo passo? Ryan Thomas ajustou as imagens para o que se tornaria Osmo Thrombo, um mix de filme B com ação, aventura, comédia, manicômio, enfim, a experiência mais bizarra de nossas vidas.