Batalhador de nascença

Jihad coroado na África

Jihad Khodr exibe o checão do Mr Price Pro 2007, conquistado em Durban, África do Sul. Foto: © Cestari / Mr Price Pro.

Cansado de bater na trave, terminar o ano fora dos top 15 do WQS e deixar de atingir a expectativa que há tempos gira em torno de si, o paranaense Jihad Khodr vem mostrando nos dois últimos anos que é sim um dos maiores nome do surf brasileiro na atualidade.
 
Quando ficou de fora do WCT em 2006 – ao perder a vaga na última bateria da última etapa do WQS de 2005, nos reunimos com a direção da Quiksilver e decidimos deixar de lado a chance de participar como convidado de algumas etapas do WCT.

Não era justo mandá-lo para os campeonatos para ficar na areia esperando sobrar alguma vaga.
 
Além disso a experiência de outros atletas na mesma situação mostrou que o correto era focar novamente no WQS e deixar o WCT para aqueles campeonatos que não fossem atrapalhar o ano.
 
Tínhamos também o circuito brasileiro e logo na primeira etapa, um vice-campeonato. Na segunda, vitória. Na terceira outro vice. No fim do ano, o título de campeão brasileiro. Os críticos estavam errados. E ele, para sempre, terá esta conquista no currículo.
 
Valeu ainda a experiência de disputar cinco etapas do WCT e mostrar que tem condições, sim, de ser um brasileiro para estar na elite e ainda disputando uma colocação da metade para cima do ranking.
 
Mas pra falar a real, a alegria de Jihad não estava completa. Sabia que entrar para o WCT continua sendo a principal meta na carreira de um surfista profissional.
 
Mas os americanos não deixaram ele competir nas duas últimas etapas no Havaí. E o campeão, que estava em 26º no WQS, viu a chance de entrar, novamente bater na trave.
                                              
Começou 2007 e logo de cara fizemos um pacto. Decidimos que agora seria tudo ou nada. Mais um ano na fila, e o impacto sobre a cabeça do “melhor atleta do Brasil” não seria nada bom. 
  
Foi o melhor começo de temporada no WQS do nosso muçulmano. Conversando, o circuito brasileiro não seria o foco. As ondas não ajudaram e foi então que nos concentramos no mundial. Mas na terceira etapa, mês passado em Ubatuba veio a vitória e de quebra a liderança.

 

O bicampeonato virou uma possibilidade. Porém, novamente a alegria não foi completa em Itamambuca.
 
Quando fomos para o aeroporto para embarcar para África, uma fato muito legal aconteceu. Jeremy Flores estava em Matinhos com a Bruna Schmitz, aproveitando a folga do CT entre Chile e África.
 
Em Curitiba, Jihad embarcou ao lado de Jeremy e a Bruna; e na conversa no Check in qualquer problema passado foi resolvido. E Jihad me abraçou e disse: “vou ganhar este campeonato para você”!
 
Eu e ele sabíamos que as direitas de Durban é um dos picos onde o surf do campeão se destaca. Até geograficamente existe similaridade com Matinhos. E não deu outra. Com uma sequência impressionante de notas acima de 9.0, Jihad foi vencendo grandes nomes do surf mundial até encontrar com Jeremy na final.
 
Na última disputa o paranaense repetiu o que fez no campeonato todo. E levou. Subiu para terceiro no ranking e agora é questão de buscar mais dois resultados e carimbar a tão sonhada vaga.
 
E se nas etapas do circuito brasileiro em Maresias e Barra da Tijuca, o sol brilhar para nós, porque não sonhar com o título de bicampeão? Aí sim a alegria deste árabe, filho de libanês e muçulmano, mas verdadeiramente brasileiro, estará completa.

 

 

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)