Cansado de bater na trave, terminar o ano fora dos top 15 do WQS e deixar de atingir a expectativa que há tempos gira em torno de si, o paranaense Jihad Khodr vem mostrando nos dois últimos anos que é sim um dos maiores nome do surf brasileiro na atualidade.
Quando ficou de fora do WCT em 2006 – ao perder a vaga na última bateria da última etapa do WQS de 2005, nos reunimos com a direção da Quiksilver e decidimos deixar de lado a chance de participar como convidado de algumas etapas do WCT.
Não era justo mandá-lo para os campeonatos para ficar na areia esperando sobrar alguma vaga.
Além disso a experiência de outros atletas na mesma situação mostrou que o correto era focar novamente no WQS e deixar o WCT para aqueles campeonatos que não fossem atrapalhar o ano.
Tínhamos também o circuito brasileiro e logo na primeira etapa, um vice-campeonato. Na segunda, vitória. Na terceira outro vice. No fim do ano, o título de campeão brasileiro. Os críticos estavam errados. E ele, para sempre, terá esta conquista no currículo.
Valeu ainda a experiência de disputar cinco etapas do WCT e mostrar que tem condições, sim, de ser um brasileiro para estar na elite e ainda disputando uma colocação da metade para cima do ranking.
Mas pra falar a real, a alegria de Jihad não estava completa. Sabia que entrar para o WCT continua sendo a principal meta na carreira de um surfista profissional.
Mas os americanos não deixaram ele competir nas duas últimas etapas no Havaí. E o campeão, que estava em 26º no WQS, viu a chance de entrar, novamente bater na trave.
Começou 2007 e logo de cara fizemos um pacto. Decidimos que agora seria tudo ou nada. Mais um ano na fila, e o impacto sobre a cabeça do “melhor atleta do Brasil” não seria nada bom.
Foi o melhor começo de temporada no WQS do nosso muçulmano. Conversando, o circuito brasileiro não seria o foco. As ondas não ajudaram e foi então que nos concentramos no mundial. Mas na terceira etapa, mês passado em Ubatuba veio a vitória e de quebra a liderança.
O bicampeonato virou uma possibilidade. Porém, novamente a alegria não foi completa em Itamambuca.
Quando fomos para o aeroporto para embarcar para África, uma fato muito legal aconteceu. Jeremy Flores estava em Matinhos com a Bruna Schmitz, aproveitando a folga do CT entre Chile e África.
Em Curitiba, Jihad embarcou ao lado de Jeremy e a Bruna; e na conversa no Check in qualquer problema passado foi resolvido. E Jihad me abraçou e disse: “vou ganhar este campeonato para você”!
Eu e ele sabíamos que as direitas de Durban é um dos picos onde o surf do campeão se destaca. Até geograficamente existe similaridade com Matinhos. E não deu outra. Com uma sequência impressionante de notas acima de 9.0, Jihad foi vencendo grandes nomes do surf mundial até encontrar com Jeremy na final.
Na última disputa o paranaense repetiu o que fez no campeonato todo. E levou. Subiu para terceiro no ranking e agora é questão de buscar mais dois resultados e carimbar a tão sonhada vaga.
E se nas etapas do circuito brasileiro em Maresias e Barra da Tijuca, o sol brilhar para nós, porque não sonhar com o título de bicampeão? Aí sim a alegria deste árabe, filho de libanês e muçulmano, mas verdadeiramente brasileiro, estará completa.