Billabong Rio Pro

Jason, quiropraxista do WCT

 

Jason Gilbert atende  Adriano de Souza durante o Billabong Rio Pro 2013 na Barra da Tijuca (RJ). Foto: Lohran Anguera Lima / Near The Ocean.

Jason Gilbert, nascido na Austrália e sempre com um sorriso no rosto, é quiropraxista do WCT há mais de 15 anos.

 

 

Durante o Billabong Rio Pro 2013, o australiano concedeu uma entrevista exclusiva ao Waves para contar como começou seu envolvimento com o surf e sua relação com os atletas da elite

 

Ele também aproveitou para lembrar de momentos dramáticos vividos no Rio de Janeiro há dois anos.


Como começou a sua história como quiropraxista do WCT?

Desde quando muito jovem, eu já surfava e fazia corridas de longa distância. Com 11 anos de idade, tive uma crise de dor na coluna. Fiquei fora da água por um bom tempo. Num dia, estava sentindo bastante dor, mas tentei surfar mesmo assim.

 

 

Kelly Slater durante atendimento no posto médico do WCT no Rio. Foto: Lohran Anguera Lima / Near The Ocean.

Dentro da água também estava Tom Carroll. Ao notar minha dificuldade para surfar, ele disse: “Vá a um quiropraxista”. Fui duas vezes e me senti muito melhor. Isso me deixou apaixonado por essa prática. Como eu amava o surf e a quiropraxia, na faculdade encontrei uma maneira de combinar as duas coisas.

 

 

Comecei então a trabalhar no Coca-Cola Classic, em North Narrabeen e em Manly Beach. E assim foi a minha primeira experiência com o WCT. Perdi um pouco de contato, mas, quando vim morar no Brasil em 1998, voltei a trabalhar no WCT, que na época acontecia na Prainha.

Como é o retorno dos atletas em relação ao trabalho com eles?

É muito bom! E cada vez melhor. Porque a cada ano que se passa eu os conheço melhor. Além disso, eu consigo aprimorar as minhas técnicas com o tempo. Como convivo vários anos seguidos com os atletas, eles adquirem confiança no meu trabalho. Sinto que, de uns anos para cá, o reconhecimento tem sido maior, o que é extremamente gratificante para mim.

Durantes todos esses anos no WCT, qual foi a situação mais dramática?

Foi há dois anos, quando Michel Bourez contundiu a cervical durante uma bateria aqui no Rio de Janeiro. Enquanto ele estava dentro da água, não sabíamos a gravidade da lesão. Ao ser retirado da água, ele estava com adormecimento nas mãos. Foi imediatamente encaminhado ao hospital e fez uma ressonância magnética para verificar a possibilidade de lesões neurológicas. No final das contas, ele havia fraturado duas vértebras, sem maiores complicações. Mas até eu saber que estava tudo bem, fiquei bastante preocupado.

Você consegue se lembrar de algum trabalho que tenha feito na recuperação de algum atleta?

Em 2011, na etapa de Portugal, Mineirinho sofreu contusão no joelho no início da competição. A partir daí, antes e depois de todas as suas baterias, trabalhamos fortemente para tentar recuperá-lo. O legal foi ele conseguir ser campeão daquela etapa. Isso me deixou muito feliz!

Existe algum atleta com quem você tenha uma maior relação?

Não, todos são iguais. Não trato ninguém diferente. Dos 32 atletas da elite, uns 25 procuram atendimento constantemente. Então é claro que, de certa forma, tenho mais contato com estes. Mas gosto de todos e o tratamento sempre será igualitário.

E o Kelly?

É igual a todos os outros. Já são muitos anos atendendo o Kelly, então acabo conhecendo mais aspectos da vida e da história dele.

E os brasileiros?

O tratamento também é o mesmo. Mas noto que quando estou atendendo em eventos fora do Brasil e falo em português, ocorre uma maior afinidade entre nós. Tenho uma relação muito boa com todos.

Como você enxerga a parte médica da etapa do Brasil?

É excelente! A maioria dos surfistas irá concordar com isso. Aqui temos uma massagista e dois quiropraxistas. Todos de primeira linha. A equipe, a estrutura e o atendimento são tão bons ou até melhores do que a parte médica de outras etapas do tour.

Sabemos que alterações estão ocorrendo tanto na ASP quanto nas etapas. Como você avalia as mudanças que podem surgir na equipe médica?

Acho que só tende a melhorar. Não entendo muito das mudanças planejadas na ASP, mas, pelo que me explicaram, são mudanças que vão melhorar toda a parte médica. Atualmente, cada etapa tem um patrocinador diferente, que é responsável pela contratação da equipe médica. Alguns patrocinadores escolhem a equipe X, outros escolhem a equipe Y. Então, às vezes ocorre descontinuidade do tratamento e do acompanhamento do atleta de um evento para outro, o que não é bom para o profissional da saúde, muito menos para o atleta.

Quais as lesões mais frequentes no centro médico do WCT?

O tipo de lesão mais frequente mudou de uns 20 anos para cá, com a entrada dessa nova geração composta por Gabriel Medina, John John Florence, Josh Kerr e Jordy Smith. Agora, as lesões mais comuns são no tornozelo e joelho, decorrentes dos aéreos. São lesões agudas, geralmente causadas por entorses ou ruptura de ligamentos. Há 20 anos, as lesões mais comuns eram na cervical, na lombar e no quadril, embora ainda sejam lesões muito frequentes nos surfistas.

Equipe médica pode torcer?

Não sei se pode ou não. Mas acho que não tem necessidade de torcer, pois, como temos uma relação igual com todos, é bom ver qualquer um deles ganhar. Mas, se eu chego perto de torcer para alguém, é quando o atleta se machuca, e eu acompanho ou trato a sua lesão. É muito bom ver esse atleta vencer. (risos)

Brasil ou Austrália, você consegue escolher?

 

Passei metade da minha vida no Brasil e metade na Austrália. Então eu me sinto tão brasileiro quanto australiano. Às vezes, quando vou à Austrália, me sinto mais latino do que australiano. (Risos)

 

Lohran Anguera Lima é editor do blog Near the Ocean.

 

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