Pedro Manga

Gaudério destemido

Pedro Manga em ação na temida bancada de Teahupoo, Tahiti. Foto: Maiko Mou / Haumaru.com.

Quando o gaúcho Pedro Aguiar está no outside e o mar está bombando, significa que a session terá momentos de emoção.

 

Destemido, o free surfer mais conhecido como Manga já passou por dentro de muitos salões cabulosos em picos como Pipeline, Backdoor e Teahupoo.


Nascido em Porto Alegre, Pedro “Manga” começou a realizar o sonho de viajar o mundo atrás de ondas perfeitas logo depois de ser aprovado no vestibular para estudar Administração.


De 2000 pra cá, o gaúcho já visitou México, Indonésia, Estados Unidos, Hawaii, Tahiti, Austrália, África do Sul e parte da Europa.

Free surfer gaúcho começou a rodar o mundo depois de ser aprovado no vestibular. Foto: Bruno Lemos / Lemosimages.com.


Ele já passou também por maus momentos em sua carreira. Em 2010, Manga sofreu um acidente de trânsito no Tahiti que acabou impedindo seu trabalho na temporada havaiana de 2010 / 2011.


Ano passado, Manga deu a volta por cima com uma grande atuação no big swell que paralisou a etapa do World Tour em Teahupoo, Tahiti.


Com duas ondas de responsa, ele entrou na briga pelo prêmio do Billabong XXL. De volta ao Hawaii neste inverno, ele levou uma vaca sinistra em Pipe e sofreu várias lesões nas vértebras e bacia.


Enquanto prepara seu retorno ao outside, Manga concedeu uma entrevista ao amigo Thiago Rausch e falou sobre os melhores e piores momentos da sua carreira como free surfer.


Para começar, conte um pouco do seu início no surf e como era a vida em Porto Alegre antes de se jogar pelo mundo?
Crescendo em Porto Alegre, minha vida era parecida com a vida de muitos adolescentes que vivem em cidades grandes. Ia à escola todos os dias durante a semana e, como Porto fica a algumas horas da praia, surf só em alguns finais de semana ou nas férias de verão. Durante a maior parte do ano, meu único contato com o surf eram as revistas e televisão. Ao longo da adolescência, ficava imaginando como seria viver viajando o mundo atrás de ondas perfeitas. Não sabia exatamente como faria, mas tinha a intenção de experimentar isso.
 
E sua família sempre apoiou? O que seus familiares dizem quando te veem num mar em Teahupoo com ondas pesadas?

Meus pais estudaram a vida inteira, sendo que meu pai trabalha até hoje com ensino. Então, eles sempre disseram para me concentrar nos estudos. No início, tive que intercalar minhas viagens com a faculdade em Porto Alegre. Então, até 2007, mais ou menos, tinha a faculdade de Administração que eu tentava levar adiante, mais pra agradar minha família que qualquer outra coisa. Mas, mesmo pra mim era difícil imaginar que eu fosse viver do surf. Parecia loucura largar os estudos de uma hora pra outra. Tive que ir levando o surf em paralelo com a faculdade por alguns anos, até que surgiu um patrocínio e, depois disso, acabei largando a faculdade de vez. Hoje em dia, ao me verem em Teahupoo gigante, acho que meus familiares ficam contentes por eu estar feliz. Talvez um pouco preocupados com o tamanho das ondas, mas felizes de uma forma geral.

 

Quais são seus ídolos na vida e no esporte? E de que forma eles te inspiraram?
Tenho muitos ídolos. Meu pai e minha mãe são os maiores, por me ensinarem através do amor deles. Minha mãe é uma daquelas pessoas que passa o dia inteiro fazendo favores e resolvendo problemas de outras pessoas, pelo simples prazer de estar ajudando. No esporte, eu admiro todos aqueles que fazem algo por amor. É inspirador pra mim ver as pessoas se divertindo, independente do nível em que estejam.

Você acampou sozinho por um bom tempo na beira da praia em Teahupoo e na Austrália, dormiu na areia de Puerto Escondido, México, sem a menor segurança e conforto, apenas com a certeza e o sonho de pegar altas ondas. Conta o que significa para você essa vibe do surf que te fez encarar feliz da vida essas situações que seriam roubadas épicas para qualquer ser humano “normal”?
Na verdade, foi um prazer viver esses “ sacrifícios”. Não que minha vida hoje em dia seja muito mais sofisticada, mas era realmente uma vida sem conforto. O que importava naquele momento era estar sendo honesto comigo mesmo e viver o que eu havia sonhado por anos. Durante minha primeira ida para a Califórnia, percebi que mesmo trabalhando e economizando quase todo o meu salário, era difícil conseguir juntar grana para pagar todos os custos de uma trip. Então, passei a me preocupar somente em conseguir juntar o suficiente para comprar uma passagem aérea e chegar aos picos. Uma vez nos lugares, ia conhecendo gente e tentava encontrar algum lugar para acampar de graça, de preferência. Assim, conseguia ficar meses pegando onda em alguns dos melhores picos do mundo. Em alguns momentos eu me questionava se aquilo estava certo, se ficar distante da família e vivendo daquela forma valeria a pena. Mas a resposta vinha quando eu terminava o dia satisfeito, feliz com o que havia vivido.

 

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Gaúcho mira o canudo Off-The-Wall. Foto: Bruno Lemos / Lemosimages.com.

Falando em roubadas, quais foram as mais sinistras que você já enfrentou? E quais foram os aprendizados com elas?
Acho que as maiores roubadas foram no mar mesmo. Vacas e quebra-cocos gigantes que tomei na cabeça, em cima de corais. Acho que foi onde realmente senti na pele a verdadeira expressão “roubada”.

 

 

Sem falar em um acidente de trânsito que me atrasou legal – quebrei o fêmur e fiquei um ano parado. Hoje em dia me sinto grato por estar inteiro e poder fazer tudo que gosto. 

Há quanto tempo você viaja pelo mundo? Quais foram os países que já conheceu?

Comecei a viajar só depois que terminei a escola e passei no vestibular. Isso em 2000, então são 12 anos. Conheci México, Indonésia, Estados Unidos, Hawaii, Tahiti, Austrália, África do Sul e parte da Europa.

Nessas trips todas, teve algum problema com localismo em algum lugar? Conhecendo você imagino que não. Diz aí qual é o segredo para surfar tranquilo em qualquer lugar do mundo?
Nunca tive problemas com locais. O negócio é não ficar azarando as ondas dos outros e saber aceitar o fato de que a prioridade será sempre dos locais.

Qual foi o maior aprendizado em relação ao valor da vida e das coisas, com tantas culturas diferentes que já conheceu?
Sou grato ao surf por ter me dado a oportunidade de viver tanta coisa e conhecer muita gente em tão pouco tempo. Aprendi muito através do contato com as pessoas e das inúmeras experiências que mudaram minha vida. O maior aprendizado foi entender que só temos que nos sentir bem a cada momento e aproveitar da melhor forma possível esse mistério enorme que chamamos de vida.

Viajando por lugares onde a mãe-natureza literalmente comanda as ações, você sente e vê os impactos ambientais cada vez mais fortes no mundo de hoje. O que tem a dizer a respeito?
Fico triste ao ver a forma como tratamos a natureza. Tento me manter otimista, mas é difícil quando vemos os absurdos que estamos cometendo…

O que passa na sua cabeça num dia de surf com ondas pesadas em Teahupoo?
Sei lá. Quando chego ao pico, tento me concentrar em pegar as ondas e não pensar no que pode dar errado. Prefiro nem olhar muito para não travar… Durante a sessão, tento agir como se fosse qualquer outro dia. Tento relaxar e me divertir.

Como foi a emoção de ter sido eleito a melhor capa da revista Fluir de 2010?

Foi bem legal, principalmente pelo fato de 2010 ter sido um ano difícil pra mim, por causa de uma lesão grave que sofri. Eu estava no hospital de Papeete (Tahiti) me recuperando da cirurgia, na maior deprê, quando saiu a capa. Foi como se tivessem me dado uma pílula de felicidade, não podia ter acontecido em um momento melhor.

 

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Pedro Manga entra na briga pelo Billabong XXL com duas bombas em Teahupoo. Foto: Aleko Stergiou.

Em agosto passado você estava presente em Teahupoo no maior mar da história do temido pico taitiano. Esse dia foi considerado o mar mais perigoso da história do big surf até então. Você foi um dos destaques na água, surfando várias ondas e tendo reconhecimento mundial com tamanha coragem e performance. Conta um pouco da vibe desse dia.
Acordei com o dia clareando e fui encontrar o Gordo (Felipe Cesarano), meu parceiro de tow in, que disse que estaria me esperando na marina de Teahupoo. Ele havia chegado na noite anterior e estava hospedado a 5 quilômetros de Teahupoo, em Vairao. Quando fui encontrá-lo de manhã cedo, para minha frustração ele não tinha chegado ainda ao nosso ponto de encontro. Então fui fazer um check no pico sozinho mesmo, de jet, com o dia clareando.

Manga e seu inseparável parceiro Felipe Cesarano, o “Gordo”. Foto: Bruno Lemos / Lemosimages.com.

 

Vi que o mar já estava gigantesco e bem de Oeste, o que quer dizer que a onda fecha no final. Não tinha ninguém pegando onda ainda, apenas um ou dois barcos e jet skis no canal. As cenas que vi foram meio perturbadoras. Apesar de lindas, as ondas estavam mais mutantes que o normal, e praticamente todas fechavam rápido demais no final. Eu não tinha muita ideia do tamanho que estava, pois não tinha ninguém na onda para que pudesse ter uma referência, mas era óbvio que tinha 5 metros pra cima…

Fiquei uns 10 minutos assistindo. Achei melhor parar de olhar e ir esperar por Gordinho na marina. Tive que esperar mais de uma hora, e, quando chegou ele disse que rolou problema com o jet da galera que ia dar carona pra ele até Teahupoo, etc… Mas esse atraso não fez diferença nenhuma, pois quando chegamos de volta ao pico, não havia ninguém ainda pegando onda.

 

Eu e Gordo assistimos a uma série detonando na bancada, e achamos melhor ir ao pico e surfar, pois ficar olhando era assustador demais. Ficamos alguns minutos tentando decidir quem iria primeiro. Um dizia ao outro: “Pode ir você primeiro, não tem problema não, tranquilo”. Até que Gordinho pulou do jet e foi pra corda. Acabou que abrimos o pico no dia mais sinistro da história em Teahupoo. Acabei por ficar mais de 10 horas na água naquele dia. Coloquei Gordinho na onda da vida dele, na qual ele se machucou, e depois de levá-lo até a ambulância, coloquei mais dois malucos nas ondas das suas vidas – Anthony Walsh e o local Manu.

Foi demais ver as expressões no rosto desses caras depois dessas ondas. Até Gordinho, que saiu todo arrebentado, ficou amarradão, com um sorriso meio bizarro na cara… Também acabei pegando algumas ondas legais, mas fiquei mais contente mesmo foi com a forma com que me senti à vontade e saí ileso depois de uma session de 10 horas. Minha melhor onda foi a última. Fiquei vendo a bancada de coral embaixo da prancha o tempo todo enquanto estava na boca do tubão. Depois ela baforou e não vi mais nada. Só sei que a onda fechou e fui para o fundo. Bati no coral de costas, mas eu estava de colete e capacete. Então, nem me machuquei. Depois disso vi que já era 5 da tarde e eu estava exausto. Não tinha comido nada o dia inteiro. Achei que estava de bom tamanho e tirei o time de campo.

Uma onda sua nesse dia está concorrendo ao prêmio máximo do surf de ondas grandes, o Billabong XXL, o Oscar do surf mundial das big waves. Foi essa sua última onda? Conte mais sobre ela e como você se sente sendo indicado para esta premiação.
Sim, a onda que está concorrendo ao XXL foi minha última naquele dia. Como eu disse, foi tudo muito rápido, eu lembro mais da bancada de coral que eu conseguia ver embaixo da minha prancha o tempo todo. Eu só estava concentrado em me manter na base da onda e não ser puxado pra cima… Foi uma satisfação enorme receber essa indicação. Alguns dias depois do swell, recebi uma mensagem no Facebook do pessoal da Billabong XXL perguntando qual era minha cidade natal e se eu preferia ser chamado de Pedro Aguiar ou de Pedro Manga. Não sei como chegaram até mim, mas provavelmente estavam assistindo a session nos barcos no canal. Devem ter visto a minha onda e descobriram quem era. Sei que não tenho chance de ganhar, pois as ondas dos concorrentes estão bem melhores, mas mesmo assim acho legal ter sido lembrado.

Todo o mundo do surf estava ligado nessa session, já que a etapa do World Tour estava acontecendo ali e foi interrompida pelo swell monstro. Teve até webcast ao vivo para os quatro cantos do planeta. Você tem noção da façanha que você e os outros malucos protagonizaram, já que milhões de pessoas assistiam ao vivo pela internet, e ainda que os melhores surfistas do mundo estavam ali, apenas assistindo apavorados, e até mesmo Kelly Slater nem em seus mais remotos sonhos ou pesadelos pensou em estar surfando com vocês?
Pra falar a verdade, foi uma surpresa pra mim que quase nenhum dos tops quis cair na água com a galera. Alguns dias antes do swell, quando vi que ia quebrar gigante, achei que estaria o maior crowd, chegou a me dar um desânimo. Imaginei que os tops todos iriam querer pegar pelo menos uma bomba, mas não foi o que aconteceu. Quando o dia chegou, ninguém quis nada com aquele mar… O único que pegou uma foi Julian Wilson. Os demais tops do Tour ficaram todos no canal assistindo.

 

E como foi ver Bruce Irons perder as calças e ficando peladão depois de uma vaca bizarra naquele dia?
Eu e Gordinho passamos por cima da onda de Bruce na hora que ele largou a corda e apontou a prancha em direção à praia. Foi com certeza a cena mais chocante que vimos, tanto eu quanto Gordo concordamos. A onda era uma muralha gigantesca e virou lip praticamente inteira, foi bizarro. Bruce é um dos caras mais técnicos do mundo, mesmo assim não conseguiu entender o que estava acontecendo naquela onda, acabou embicando e tomou o caldo da vida. Nem o vi sendo resgatado pelado. Ainda bem que não tive essa visão lamentável.

 

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Manga sofre lesões nas vértebras e bacia depois de levar esta bomba em Pipe. Foto: Bruno Lemos / Lemosimages.com.

Anos atrás, você me falou que não tinha a intenção de ser big rider e nem fazer tow in, porque seu maior objetivo sempre foi apenas pegar os melhores e mais profundos tubos na remada, que é mais difícil. O que rolou para mudar de ideia?
Não mudei de ideia, gosto de ondas perfeitas. E onda perfeita, pra mim, é um tubo que abre. Não tenho tanto interesse em ir surfar num lugar em que sei que não vou sair na baforada. E o jet ski, na minha visão, é pra onda que não dá pra remar. Teahupoo gigante é exatamente esse caso.

Conte como foi seu acidente em dezembro passado, em Pipeline, Hawaii, e como está a recuperação?

Free surfer gaúcho em total harmonia com o túnel cristalino em Teahupoo. Foto: Aleko Stergiou.

Fui explodido pela onda e bati no fundo com uma força que nunca havia batido. Foi uma pancada seca na lateral da bacia e nas costas. Minha perna esquerda ficou bamba devido à pancada no glúteo. Na hora, achei que podia ter acontecido algo realmente sinistro. Por um segundo, o pior passou pela minha cabeça. Mas, embaixo da água mesmo mexi os pés e vi que estava tudo certo, foi uma felicidade enorme e até dei uma relaxada. Quando subi do caldo veio mais uma espuma grande na cabeça. Depois disso consegui puxar minha prancha pelo leash e peguei um espumão até a areia. Uma vez na beira da praia, consegui ficar de pé, mas não conseguia caminhar, pois minha perna esquerda não estava respondendo. Rastejei praia acima um pouco e fiquei deitado na areia esperando alguém vir me ajudar. O engraçado é que a praia estava lotada, todos me vendo ali deitado, mas tive que esperar alguns minutos para virem me ajudar. Depois veio um salva-vidas e uns turistas que me carregaram praia acima.

Como foi a situação de sair da água sozinho com a coluna afetada, sem a ajuda de ninguém? Sério que os salva-vidas se omitiram a dar socorro e ainda te mandaram pra casa?
Foi uma das experiências mais intensas da minha vida, desde o momento em que percebi que estava numa situação complicada na onda, até a hora em que cheguei à areia. Foi tudo muito rápido, mas pareceu uma eternidade. Uma quantidade enorme de coisas passou pela minha cabeça. Primeiro, pensei que eu pudesse sair ileso, pois sou um otimista por natureza. Um segundo depois, quiquei no reef e, por alguns instantes, fiquei apreensivo. Achei que podia ter acontecido algo realmente grave, mas em seguida mexi os pés e já fiquei aliviado. Durante o caldo me lembrei de um amigo taitiano que sofreu uma lesão na mesma parte do corpo, e lembrei do meu amigo Inaldo, que acertou forte o fundo em Pipe uns anos atrás. Os salva-vidas me examinaram e acharam que não era nada de mais, então me mandaram pra casa, mas quando cheguei em casa a dor começou a me preocupar. Então, pedi que me levassem ao hospital. Lá fizeram raios-x e viram que tinha lesões nos ossos da região, tanto na bacia quanto nas vértebras da coluna, mas a medula estava intacta, pra minha sorte…

Você vinha sendo apontado e reconhecido pela mídia especializada e fãs do esporte como um dos maiores destaques da temporada havaiana até se machucar botando pra baixo e pra dentro nos maiores mares, sem medo de ser feliz e com uma confiança espantosa na água. Faça uma rápida análise de sua temporada no Hawaii antes e depois do acidente.
Minha temporada este ano durou pouco. Na primeira semana já entrou um swell grande para Pipe e fiz uma session irada. Peguei uma das direitas mais pesadas da minha vida no Backdoor, mas não completei o tubo. Mesmo assim, foi uma das melhores sensações da minha vida remar numa onda de tal porte, e depois de um drop pesado, entrar num salão gigante. No dia seguinte, caí em Pipe e me machuquei.

Algum dia lá em Porto Alegre, você desenhando ondas nos cadernos no colégio, imaginou tudo isso que está acontecendo em sua vida de free surfer profissional? Você almejava chegar onde chegou?
Eu sonhava com isso. Penso que se você sonha o suficiente com alguma coisa, mais cedo ou mais tarde acaba virando realidade.

Quais são seus patrocínios e apoios hoje?
Meu único patrocínio hoje em dia é a Free Surf.

Fale um pouco de seus sonhos e da importância deles em sua vida. Qual foi o último que realizou e qual é o próximo?
Sonhos criam o nosso destino, só não podemos deixar nossos sonhos morrerem pelo caminho. Agora, quero recuperar minha forma física e voltar pra água bem. Eu diria que esse é o meu maior sonho no momento. Também estou mentalizando surfar Jaws na remada. Encomendei uma prancha 12 pés que já está pronta aqui no Hawaii, pedi ao shaper fazer 11’11, na verdade. Gosto desse número, mas acho que só vou estreá-la na temporada que vem. Ah, e quero pegar uma onda que ainda não peguei em Teahupoo. Um tubo mais gigante e deep e sair na baforada. Só isso (muitos risos)!!

O que significa o surf em sua vida e como ele ajudou a fazer de você este ser de impressionante e notável paz de espírito?
O surf me deu a oportunidade de viajar e aprender muito. As experiências proporcionadas por mais de uma década de viagens me trouxeram um conhecimento que jamais teria adquirido na rotina de Porto Alegre, eu imagino. Experiências daquelas que alteram nossa percepção das coisas, do que somos e estamos fazendo aqui.

Que conselho você daria a alguém que sonha seguir os seus passos? Além de consultar um psiquiatra, é claro.
(Risos)! Cara, não sou muito bom para conselhos, mas eu diria pra deixar o medo e a ansiedade de lado e ir adiante. Abração. Valeu!

 

Thiago Rausch e Pedro Manga contam com patrocínios da Extreme Board Shop e Free Surf.

 


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    ATUALIZAÇÃO: 21/08/2026, às 12h36 (horário de Brasília) Victor Bernardo e sua esposa, Johnni, apresentam evolução no quadro de saúde após o grave acidente de carro sofrido na Califórnia, nos Estados Unidos. Os dois já passaram por cirurgias e, segundo Mike Townsend, manager do surfista, estão conscientes, de bom humor e otimistas. Victor sofreu uma fratura na perna e um ferimento grave acima do joelho. O brasileiro passou por uma nova cirurgia na quarta-feira. Inicialmente, os médicos instalaram uma estrutura externa para estabilizar a perna, mas o equipamento já foi retirado. Segundo Townsend, a evolução indica a possibilidade de uma recuperação mais rápida do que se imaginava inicialmente. Johnni também passou por uma cirurgia considerada bem-sucedida. Ela sofreu uma hemorragia interna no abdômen e fraturas na face em consequência do acidente. Os ferimentos foram tratados cirurgicamente. De acordo com Townsend, os dois permanecem positivos diante de tudo o que enfrentaram nos últimos dias. Até o momento, nenhum deles tem previsão de alta hospitalar. Abaixo, você confere a matéria publicada originalmente sobre o acidente: O guarujaense Victor Bernardo e a esposa, Johnni, permanecem hospitalizados depois de sofrerem um grave acidente de carro na Califórnia, nos Estados Unidos, na noite do último domingo (16). O veículo em que o casal estava se envolveu em uma colisão com um caminhão. Vitinho foi levado de helicóptero ao hospital. O surfista sofreu uma fratura na perna e precisará passar por cirurgia. Johnni foi transportada de ambulância e também permanece sob cuidados médicos. De acordo com as informações divulgadas até o momento, o quadro dela inspira mais atenção, mas não há risco de morte. As circunstâncias exatas da colisão e o local onde ela aconteceu não foram divulgados. O cineasta Logan Dulien, amigo do casal, afirmou que o acidente poderia ter sido fatal e que os dois deverão enfrentar um longo período de recuperação. A notícia mobilizou a comunidade internacional do surfe nas redes sociais. Mick Fanning, Coco Ho, Kanoa Igarashi, Raimana Van Bastolaer e Mikey February estão entre os nomes que manifestaram apoio ao casal. Natural do Guarujá (SP), Victor Bernardo, conhecido também como Vitinho, ganhou projeção ainda jovem no surfe brasileiro. Em 2013, aos 16 anos, conquistou o título brasileiro Pro Junior, em uma geração que também revelou nomes como Italo Ferreira e Caio Ibelli. Ao longo da carreira, disputou etapas do circuito de acesso à elite mundial e competições em diferentes países. Nos últimos anos, Victor passou a dedicar maior parte da carreira ao free surf e à produção de conteúdo ligado ao surfe. O brasileiro se estabeleceu na Califórnia e continuou diretamente ligado ao esporte. Victor nasceu em 8 de fevereiro de 1997 e tem a Praia do Tombo, no Guarujá, como sua onda favorita. Neste momento, toda a equipe do Waves deseja muita força a Victor e Johnni e torce por uma recuperação completa e tranquila do casal. Veja mais sobre Vitinho: Album Surf retrata perfeição Novo capítulo da Album Victor Bernardo inspirado no Havaí Victor Bernardo poderoso Victor Bernardo performático Sopa de peixe Victor Bernardo na estileira Papo com Victor Bernardo Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br)

    Surfista brasileiro Victor Bernardo e sua esposa Johnni são hospitalizados após colisão nos Estados Unidos. Atleta sofreu fratura na perna e precisa passar por cirurgia.

    Teahupoo mostrou mais uma vez por que é uma das etapas mais aguardadas do Circuito Mundial. Tubos, notas altas, baterias apertadas e eliminações de alguns dos principais nomes da temporada marcaram a sétima parada do Championship Tour 2026, o Outerknown Tahiti Pro. Seth Moniz e Erin Brooks ficaram com os títulos. Para o Brasil, o grande destaque foi Italo Ferreira, que chegou às semifinais e deixou a Polinésia Francesa na liderança do ranking mundial. Primeira vitória de Seth Moniz Seth Moniz viveu em Teahupoo o maior momento de sua carreira no Championship Tour. Em sua sétima temporada na elite, o havaiano conquistou sua primeira vitória no CT ao derrotar Griffin Colapinto na decisão. A campanha foi construída desde o Round 1. No caminho até o título, Seth passou por Eimeo Czermak, Yago Dora, Barron Mamiya e Alan Cleland antes de encontrar Italo Ferreira nas semifinais. Depois de superar o brasileiro, derrotou Griffin na decisão. Na final, Seth venceu por 18,17 a 14,67, garantindo o primeiro troféu de sua carreira no CT. O resultado também provocou uma grande mudança em sua temporada: ele saltou 12 posições e chegou ao 19º lugar no ranking. Italo veste a lycra amarela Italo Ferreira chegou ao último dia de competição como principal esperança brasileira e avançou às semifinais ao derrotar Ethan Ewing nas quartas. O potiguar começou a bateria com um tubo para 5,33 e depois encontrou uma onda que rendeu 7,17. Na reta final, ainda conseguiu um 8,33 para fechar a disputa com 15,50 pontos contra 11,94 do australiano. Na semifinal contra Seth Moniz, Italo chegou a abrir boa vantagem. O brasileiro liderava por 12,50 a 5,50, mas o havaiano cresceu na parte final da bateria, recebeu 7,83 e 7,93 e virou o confronto. Seth avançou com 15,76 contra 13,83, enquanto Italo terminou a etapa na terceira colocação. Mesmo eliminado, o saldo do brasileiro foi importante na corrida pelo título mundial. Com os 6.085 pontos conquistados em Teahupoo, Italo chegou a 39.930 pontos e abriu 5.000 de vantagem sobre Leonardo Fioravanti, vice-líder. O Brasil ainda ocupa quatro das cinco primeiras posições do ranking: além de Italo na liderança, Yago Dora aparece em terceiro, Miguel Pupo em quarto e Gabriel Medina em quinto. Erin Brooks vira final e conquista o título No feminino, Erin Brooks protagonizou uma reação na decisão contra Anat Lelior. A israelense abriu vantagem e chegou à metade da bateria com duas ondas excelentes, 8,33 e 8,00. Brooks reagiu primeiro com um 8,27 e depois encontrou outro tubo para 8,93, assumindo a liderança. A canadense venceu por 17,20 a 16,33. Foi a primeira vitória de Erin como integrante fixa do Championship Tour. A canadense, de 19 anos, havia começado o Finals Day eliminando a atual campeã mundial e defensora do título da etapa, Molly Picklum, e depois passou por Isabella Nichols na semifinal. Com o resultado, Brooks subiu sete posições e chegou ao 11º lugar do ranking. Anat Lelior também deixou Teahupoo com o maior resultado de sua carreira. O vice-campeonato representou a primeira final de um surfista de Israel no Championship Tour. Slater desafia o tempo Aos 54 anos, Kelly Slater foi um dos grandes personagens da etapa. O 11 vezes campeão mundial eliminou Gabriel Medina em um dos confrontos mais aguardados do campeonato e fez isso com uma atuação que entrou para os destaques do ano. Slater somou 19,06 pontos na bateria, mostrando mais uma vez sua sintonia com Teahupoo. Sua campanha terminou nas oitavas de final, diante de Jack Robinson, mas não antes de o norte-americano voltar a deixar sua marca no campeonato onde construiu alguns dos maiores momentos de sua carreira. Brasileiros em Teahupoo Além da semifinal de Italo, João Chianca, Alejo Muniz e Miguel Pupo chegaram às oitavas de final. Miguel foi superado por Griffin Colapinto, enquanto Chumbinho e Alejo também se despediram nesta fase. Gabriel Medina havia sido eliminado anteriormente por Kelly Slater. No feminino, Luana Silva caiu no Round 2 diante da portuguesa Yolanda Hopkins. Próxima parada: Fiji Encerrado o Tahiti Pro, o Championship Tour permanece no Pacífico Sul. A próxima etapa será disputada em Cloudbreak, Fiji, com janela entre 25 de agosto e 4 de setembro. “A gente segue na disputa. É uma longa jornada e tenho que colocar o pezinho no chão para trabalhar campeonato a campeonato” Italo Ferreira, campeão mundial de 2019 Italo chega à próxima etapa com a lycra amarela, mas evita antecipar qualquer possibilidade de disputa pelo segundo título mundial. O brasileiro já definiu também seu próximo objetivo: conquistar pela primeira vez a etapa de Fiji. Ranking Mundial após 7 etapas 1 Italo Ferreira (BRA) — 39.930 pontos2 Leonardo Fioravanti (ITA) — 34.9303 Yago Dora (BRA) — 33.9504 Miguel Pupo (BRA) — 30.4505 Gabriel Medina (BRA) — 28.6106 Ethan Ewing (AUS) — 28.5757 George Pittar (AUS) — 26.7058 Griffin Colapinto (EUA) — 26.2909 Samuel Pupo (BRA) — 25.64010 Liam O’Brien (AUS) — 23.18515 João Chianca (BRA) — 19.04517 Filipe Toledo (BRA) — 18.15024 Alejo Muniz (BRA) — 13.96030 Mateus Herdy (BRA) — 10.240 Chaves de baterias Masculino Round 1 1 Ramzi Boukhiam (MAR) 8.17 x 3.93 Oscar Berry (AUS)2 Luke Thompson (AFS) 5.50 x 0.77 Matthew McGillivray (AFS)3 Seth Moniz (HAV) 14.50 x 14.17 Eimeo Czermak (TAH)4 Eli Hanneman (HAV) 4.53 x 16.23 Kelly Slater (EUA) Round 2 1 Kauli Vaast (FRA) 13.50 x 10.16 Crosby Colapinto (EUA)2 Samuel Pupo (BRA) 5.00 x 6.00 Alan Cleland (MEX)3 Yago Dora (BRA) 14.33 x 15.97 Seth Moniz (HAV)4 Marco Mignot (FRA) 7.84 x 9.07 Barron Mamiya (HAV)5 Filipe Toledo (BRA) 1.63 x 4.06 Connor O’Leary (JAP)6 Italo Ferreira (BRA) 9.17 x 1.87 Luke Thompson (AFS)7 Liam O’Brien (AUS) 9.33 x 7.83 Jake Marshall (EUA)8 Ethan Ewing (AUS) 14.17 x 12.33 Joel Vaughan (AUS)9 Leonardo Fioravanti (ITA) 13.50 x 15.67 Ramzi Boukhiam (MAR)10 Morgan Cibilic (AUS) 15.90 x 17.83 João Chianca (BRA)11 Kanoa Igarashi (JAP) 4.00 x 7.07 Alejo Muniz (BRA)12 George Pittar (AUS) 14.16 x 7.50 Cole Houshmand (EUA)13 Gabriel Medina (BRA) 16.10 x 19.06 Kelly Slater (EUA)14 Jack Robinson (AUS)

    Seth Moniz conquista primeira vitória no CT, Erin Brooks vence entre as mulheres e Italo Ferreira deixa o Taiti na liderança do ranking após chegar às semifinais do Outerknown Tahiti Pro 2026.

    A próxima chamada o Outerknown Tahiti Pro 2026 acontece nesta segunda-feira (10) às 14h (de Brasília). Depois de mais de um mês de paralisação desde o Rio Pro, em Saquarema, o Championship Tour da WSL retorna para uma das ondas mais desafiadoras do planeta: Teahupoo, no Taiti. Clique aqui para assistir ao vivo no site da WSL Clique aqui para saber tudo sobre a etapa de Teahupoo A janela de competição acontece entre os dias 8 e 18 de agosto. Uma das solicitações mais frequentes desde o lançamento da nova plataforma foi o retorno dos comentários e debates em tempo real durante as etapas do Circuito Mundial. Por isso, o Waves volta a abrir o espaço para a comunidade acompanhar, comentar e trocar opiniões ao longo das baterias. Durante muitos anos, esse encontro entre surfistas fez parte da cobertura dos eventos no Waves. Agora, a tradição retorna renovada, mantendo o que sempre foi mais importante: a participação da comunidade. Feito de surfista para surfista, o Waves acredita que acompanhar uma etapa vai muito além de assistir às baterias. É também comentar o que acontece nas entrelinhas, discutir as notas, defender seus favoritos e trocar ideias com outros apaixonados por surfe. Ranking Mundial após 7 etapas 1 Italo Ferreira (BRA) — 39.930 pontos2 Leonardo Fioravanti (ITA) — 34.9303 Yago Dora (BRA) — 33.9504 Miguel Pupo (BRA) — 30.4505 Gabriel Medina (BRA) — 28.6106 Ethan Ewing (AUS) — 28.5757 George Pittar (AUS) — 26.7058 Griffin Colapinto (EUA) — 26.2909 Samuel Pupo (BRA) — 25.64010 Liam O’Brien (AUS) — 23.18515 João Chianca (BRA) — 19.04517 Filipe Toledo (BRA) — 18.15024 Alejo Muniz (BRA) — 13.96030 Mateus Herdy (BRA) — 10.240 Chaves de baterias Masculino Round 1 1 Ramzi Boukhiam (MAR) 8.17 x 3.93 Oscar Berry (AUS)2 Luke Thompson (AFS) 5.50 x 0.77 Matthew McGillivray (AFS)3 Seth Moniz (HAV) 14.50 x 14.17 Eimeo Czermak (TAH)4 Eli Hanneman (HAV) 4.53 x 16.23 Kelly Slater (EUA) Round 2 1 Kauli Vaast (FRA) 13.50 x 10.16 Crosby Colapinto (EUA)2 Samuel Pupo (BRA) 5.00 x 6.00 Alan Cleland (MEX)3 Yago Dora (BRA) 14.33 x 15.97 Seth Moniz (HAV)4 Marco Mignot (FRA) 7.84 x 9.07 Barron Mamiya (HAV)5 Filipe Toledo (BRA) 1.63 x 4.06 Connor O’Leary (JAP)6 Italo Ferreira (BRA) 9.17 x 1.87 Luke Thompson (AFS)7 Liam O’Brien (AUS) 9.33 x 7.83 Jake Marshall (EUA)8 Ethan Ewing (AUS) 14.17 x 12.33 Joel Vaughan (AUS)9 Leonardo Fioravanti (ITA) 13.50 x 15.67 Ramzi Boukhiam (MAR)10 Morgan Cibilic (AUS) 15.90 x 17.83 João Chianca (BRA)11 Kanoa Igarashi (JAP) 4.00 x 7.07 Alejo Muniz (BRA)12 George Pittar (AUS) 14.16 x 7.50 Cole Houshmand (EUA)13 Gabriel Medina (BRA) 16.10 x 19.06 Kelly Slater (EUA)14 Jack Robinson (AUS) 18.20 x 17.40 Callum Robson (AUS)15 Griffin Colapinto (EUA) 19.60 x 8.50 Rio Waida (IND)16 Miguel Pupo (BRA) 13.50 x 1.94 Mateus Herdy (BRA) Round 3 1 Kauli Vaast (FRA) 12.00 x 12.34 Alan Cleland (MEX)2 Seth Moniz (HAV) 12.10 x 9.04 Barron Mamiya (HAV)3 Connor O’Leary (JAP) 10.33 x 11.66 Italo Ferreira (BRA)4 Liam O’Brien (AUS) 6.66 x 7.67 Ethan Ewing (AUS)5 Ramzi Boukhiam (MAR) 14.00 x 9.10 João Chianca (BRA)6 Alejo Muniz (BRA) 2.10 x 13.66 George Pittar (AUS)7 Kelly Slater (EUA) 8.46 x 15.00 Jack Robinson (AUS)8 Griffin Colapinto (EUA) 16.67 x 15.17 Miguel Pupo (BRA) Quartas de final 1 Alan Cleland (MEX) 1.50 x 13.66 Seth Moniz (HAV)2 Italo Ferreira (BRA) 15.50 x 11.94 Ethan Ewing (AUS)3 Ramzi Boukhiam (MAR) 17.74 x 8.84 George Pittar (AUS)4 Jack Robinson (AUS) 11.50 x 11.83 Griffin Colapinto (EUA) Semifinais 1 Seth Moniz (HAV) 15.76 x 13.83 Italo Ferreira (BRA)2 Ramzi Boukhiam (MAR) 8.37 x 15.40 Griffin Colapinto (EUA) Final 1 Seth Moniz (HAV) 18.17 x 14.67 Griffin Colapinto (EUA) Feminino Round 1 1 Sally Fitzgibbons (AUS) 1.67 x 4.16 Anat Lelior (ISR)2 Tya Zebrowski (FRA) 2.00 x 6.90 Erin Brooks (CAN)3 Isabella Nichols (AUS) 8.77 x 7.13 Vahine Fierro (FRA)4 Stephanie Gilmore (AUS) 3.90 x 4.73 Yolanda Hopkins (POR)5 Alyssa Spencer (EUA) 5.00 x 1.93 Bella Kenworthy (EUA)6 Bettylou Sakura Johnson (HAV) 4.44 x 6.00 Brisa Hennessy (CRC)7 Nadia Erostarbe (ESP) 8.67 x 4.66 Francisca Veselko (POR)8 Tyler Wright (AUS) 4.57 x 5.34 Kelia Gallina (TAH) Round 2 1 Caroline Moore (HAV) 8.90 x 11.83 Erin Brooks (CAN)2 Molly Picklum (AUS) 9.50 x 3.56 Alyssa Spencer (EUA)3 Sawyer Lindblad (EUA) 6.67 x 7.16 Isabella Nichols (AUS)4 Lakey Peterson (EUA) 4.73 x 4.90 Nadia Erostarbe (ESP)5 Gabriela Bryan (HAV) 1.46 x 12.73 Anat Lelior (ISR)6 Caroline Marks (EUA) 5.50 x 8.27 Kelia Gallina (TAH)7 Luana Silva (BRA) 3.97 x 10.17 Yolanda Hopkins (POR)8 Caity Simmers (EUA) 13.50 x 1.33 Brisa Hennessy (CRC) Quartas de final 1 Erin Brooks (CAN) 13.50 x 3.27 Molly Picklum (AUS)2 Isabella Nichols (AUS) 7.83 x 7.26 Nadia Erostarbe (ESP)3 Anat Lelior (ISR) 9.50 x 6.53 Kelia Gallina (TAH)4 Yolanda Hopkins (POR) 12.33 x 6.90 Caity Simmers (EUA) Semifinais 1 Erin Brooks (CAN) 15.10 x 11.17 Isabella Nichols (AUS)2 Anat Lelior (ISR) 12.50 x 3.43 Yolanda Hopkins (POR) Final 1 Erin Brooks (CAN) 17.20 x 16.33 Anat Lelior (ISR))

    Confira ao vivo o Outerknown Tahiti Pro 2026 e participe dos comentários e debates no nosso fórum, durante as etapas da WSL.

    Etapa Natal chegou ao fim neste domingo nas areias da Praia de Miami com vitórias de Daniella Rosas e Douglas Silva. Com status QS 4.000 da World Surf League (WSL), a etapa é válida tanto para o ranking sul-americano 2026/27 da WSL South America quanto para o Circuito BB na temporada. O domingo começou com as Quartas de Final masculina, seguidas pelas Semifinais nos dois naipes, e na sequência foi a vez da grande decisão em ambas as categorias, com aumento de tempo para 35 minutos por confronto para dar mais tranquilidade aos competidores na escolha das ondas no litoral potiguar. Douglas Silva desbanca líder do ranking para celebrar a vitória Em um duelo entre Santa Catarina e Pernambuco, Douglas Silva (BRA) conquistou sua primeira vitória no Circuito Banco do Brasil de Surfe, superando o catarinense Luan Wood (BRA), líder do ranking do QS sul-americano e do Circuito BB, embalado pelo título da etapa de Imbituba. Em uma final eletrizante na Praia de Miami, Douglas começou forte e abriu a disputa com uma onda 8,50, e Luan respondeu logo na sequência, marcando 8,07 pontos ao trabalhar muito bem as manobras de base-lip. Luan precisava de 7,14 pontos para virar o resultado e ainda teve uma última oportunidade quando os dois surfistas conseguiram pegar ondas a menos de 30 segundos do fim, mas o  catarinense recebeu 6,50 e não conseguiu a virada, confirmando Douglas Silva como grande campeão da etapa de Natal. “Primeiramente, agradecer a Deus por esse momento. Estou muito feliz, estava me sentindo bem desde o começo do evento. Estava leve. Quero agradecer a todos pela torcida, aos meus patrocinadores que acreditam no meu sonho e no meu futuro, ao meu coach Alan… Aproveitar pra dar um feliz Dia dos Pais pra todo mundo. Muito feliz de sair com a primeira vitória no Circuito BB. Seguir firme e forte trabalhando, o trabalho não para”, celebra o campeão, que completa: “Eu sempre falo pra todo mundo que nossa vida é ganha nos mínimos detalhes e é algo que eu tenho trabalhado bastante com meu coach. Estamos ajudando muito isso. 1% melhor a cada dia. Deus colocou pessoas boas na minha vida e está dando certo. A gente trabalha todos os dias para que dê certo e a gente está colhendo os resultados“. Trajetória impecável começa nas semifinais As semifinais masculinas do Circuito Banco do Brasil de Surfe – Etapa Natal colocaram frente a frente dois dos surfistas que mais se destacaram no evento. Douglas Silva eliminou o campeão da etapa de 2025, Israel Junior (BRA), por 16,84 a 12,67 pontos, deixando o potiguar em combinação. O duelo foi marcado pelo confronto entre dois aerialistas: Israel ainda arriscou mais um superman, repetindo o feito das quartas, mas foi Douglas quem construiu a vitória com um surfe de borda muito forte, tanto de backside quanto de frontside, garantindo duas notas de critério excelente (8,67 e 8,17).  Em grande fase, Douglas chegou à decisão com uma campanha praticamente perfeita em Natal. Antes da final, Dodô já mostrava confiança em suas declarações:  “Eu tô muito leve, muito tranquilo. Eu realmente vim aqui pra sair com o título, estou muito focado nessa etapa (…) Essa é minha meta“. Na semifinal anterior, Luan Wood confirmou o favoritismo e superou Rafael Barbosa (BRA) por 14,70 a 13,67, garantindo vaga na decisão. Luan chegou a Natal na liderança do ranking depois das duas primeiras etapas e vinha de uma sequência consistente: no sábado, venceu suas duas baterias, incluindo uma onda 7,67 que foi decisiva para avançar às quartas. Rafael também chegou forte, ocupando posição de destaque no ranking e tendo como antecedente recente um duelo apertado contra Luan. A vitória colocou Luan na final contra Douglas, em um confronto que reúne o líder do QS sul-americano e o atleta que chega embalado por um dos melhores momentos da temporada. Peruana supera Maria Eduarda Cesar e conquista o título  A final feminina do Circuito Banco do Brasil de Surfe – Etapa Natal colocou frente a frente experiência e nova geração. De um lado, Maria Eduarda Cesar (BRA), uma das promessas do surfe brasileiro com apenas 18 anos, disputando a primeira final de sua carreira no Circuito BB. Do outro, a peruana Daniella Rosas (PER), atleta olímpica, tricampeã sul-americana da WSL e atual campeã do circuito Banco do Brasil, que chegou à segunda final em duas etapas disputadas em 2026. Em 2025, Daniella foi ainda campeã em São Sebastião e em Imbituba. Em uma decisão de 30 minutos, Dani venceu por 9,07 a 9,84 pontos, administrando bem a escolha das ondas e a prioridade nos minutos finais. Duda apostou principalmente nas direitas em frente ao palanque, mas a peruana foi mais eficiente na leitura do mar. O resultado reforça a consistência de Daniella em eventos no Brasil.  “Estou super agradecida. Poder ganhar aqui é super especial. Venho de uma sequência não muito boa no Challenger, mas estou feliz de poder ganhar aqui. Em Imbituba não foi meu grande dia (na final contra a Sophia Medina), e aqui fiquei o mais tranquila possível e ajustei meus erros. Estou feliz e agradecida”, celebra a campeã, que projeta os próximos passos:  “Agora vou pra casa, porque faz muito tempo que não vou pra lá. Saio para a Espanha, depois volto para o Brasil para a etapa do Espírito Santo… Tenho bons resultados no Brasil e quero manter isso constante. Estou totalmente focada nos Challengers. Esse ano me sinto muito melhor, estou super feliz em todos os sentidos. Agradecida de estar aqui, de ganhar aqui. A verdade é que estou muito feliz”, finaliza Dani.  Atleta BB, Tainá Hinckel (BRA) e Alexia Monteiro (BRA) encerraram suas participações na semifinal, terminando o evento em terceiro lugar no geral.  Resultados Circuito Banco do Brasil de Surfe em Etapa Natal Masculino Quartas de final 1 Luan Wood (BRA) 11.60 x 8.70 Wesley Leite (BRA)2 Rafael Barbosa (BRA) 13.50 x 12.23 Gabriel Klaussner (BRA)3 Israel Junior (BRA) 14.00 x 12.03 Ryan Kainalo (BRA)4 Douglas Silva (BRA) 15.10 x

    Pernambucano Douglas Silva conquista primeira vitória no Circuito Banco do Brasil, e peruana Daniella Rosas vence no feminino na etapa de Natal, disputada na Praia de Miami (RN).

    A Defesa Civil mantém alertas para ventos fortes nesta sexta-feira (7) em áreas do litoral de São Paulo e do Rio de Janeiro, com rajadas que podem chegar a 100 km/h no litoral paulista. A situação já provocou ventos de 97,2 km/h em Itanhaém, no litoral sul de São Paulo, durante a noite de quinta-feira (6). Clique aqui para ver a previsão das ondas em SP Clique aqui para ver a previsão das ondas no RJ No estado de São Paulo, a previsão é de alerta vermelho nesta sexta e no sábado (8), com destaque para o litoral, a faixa leste e regiões de serra. A Defesa Civil chegou a enviar alertas severos aos celulares da população do litoral sul e da Baixada Santista até Bertioga. A força do vento já pôde ser sentida em diferentes pontos da costa paulista. Além dos 97,2 km/h registrados em Itanhaém na noite de quinta, os ventos chegaram a 90 km/h em Mongaguá no período noturno. Na manhã desta sexta, Caraguatatuba registrou rajadas de 49,3 km/h. Também houve registros de 37,6 km/h em Santos, 36,7 km/h em Cananéia, 31,2 km/h em Mongaguá e 31,1 km/h em Ilhabela. A Baixada Santista está entre as regiões com previsão de ventos fortes e maior risco no estado. Bertioga, Caraguatatuba, São Sebastião e Ubatuba suspenderam as aulas da rede pública nesta sexta-feira. Segundo a Defesa Civil, a ventania pode provocar queda de árvores e placas, destelhamentos, interrupções no fornecimento de energia, dificuldades no tráfego, impactos em aeroportos e agitação marítima. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Agência SP (@agenciaspoficial) Rio de Janeiro também recebe alerta No Rio de Janeiro, a Defesa Civil estadual também emitiu um alerta severo para ventos e chuva forte na manhã desta sexta-feira. A mensagem enviada aos celulares alertou para vento forte nas próximas horas e orientou a população a evitar deslocamentos. A cidade do Rio entrou em Estágio 2 ainda na noite de quinta-feira, diante da previsão de intensificação dos ventos entre quinta e domingo (9). As aulas das redes municipal e estadual foram suspensas nesta sexta por precaução. As condições para um vendaval se intensificaram com a combinação entre um ciclone e uma frente fria, e os ventos podem passar dos 90 km/h na Região Metropolitana do Rio. Para esta sexta, a previsão indica rajadas fortes, entre 52 e 76 km/h, e muito fortes, acima de 76 km/h, a partir da manhã. Atenção redobrada no litoral A ventania está associada à chegada de um ciclone extratropical à região Sul do país e exige atenção especial de quem está no litoral. Além dos ventos fortes, há previsão de ressaca. No estado de São Paulo, nove das 16 regiões administrativas estão em alerta vermelho, incluindo Santos e o Vale do Paraíba e litoral norte. Além dos riscos provocados pelo vento em terra, a Defesa Civil paulista inclui a agitação marítima entre os possíveis impactos das condições meteorológicas. O cenário reforça a necessidade de atenção de quem pretende frequentar praias ou realizar atividades no mar durante o período de maior intensidade dos ventos. No domingo (9), a previsão para São Paulo passa para alerta amarelo, com as rajadas se deslocando gradualmente em direção ao Rio de Janeiro. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Corpo de Bombeiros Militar/ RJ (@corpodebombeiros_rj)

    Litoral paulista está entre as áreas de maior atenção nesta sexta-feira (7), enquanto Rio de Janeiro também recebe alerta para ventos fortes. Rajadas já chegaram a 97,2 km/h em Itanhaém.

    O Circuito Banco do Brasil de Surfe retorna ao Rio Grande do Norte para mais uma etapa da temporada de 2026. Entre os dias 7 e 9 de agosto, a Praia de Miami, em Natal, recebe pela terceira vez uma das principais etapas do calendário da WSL South America, válida pelo Qualifying Series (QS) 4.000. E, entre os principais nomes da competição, um atleta chega cercado de expectativa: o potiguar Mateus Sena, campeão da etapa em 2024 e um dos favoritos para repetir o feito diante da torcida. Em cinco anos, o Circuito Banco do Brasil de Surfe consolidou-se como a principal plataforma de desenvolvimento do surfe profissional sul-americano. Já foram 21 etapas realizadas, mais de duas mil inscrições e mais de 700 atletas únicos, de 15 nacionalidades, reforçando a importância da competição para a formação de novos talentos. “Cada etapa do Circuito Banco do Brasil de Surfe representa muito mais do que uma competição. É uma oportunidade de fortalecer o surfe brasileiro, criar caminhos para a nova geração de atletas e aproximar ainda mais o esporte das comunidades onde ele nasceu e se desenvolveu. Natal reúne todos esses elementos o que faz elevar a expectativa de realizar mais um grande evento e seguir consolidando o circuito como a principal plataforma de desenvolvimento do surfe profissional na América do Sul”, evidencia Ivan Martinho, presidente da WSL América Latina. O Rio Grande do Norte tem tradição na modalidade, revelando nomes como Italo Ferreira, campeão olímpico e mundial da WSL, Jadson André, que permaneceu por 13 temporadas na elite do Championship Tour, além de atletas como Joca Junior, Marcelo Nunes, Danilo Costa, Aldemir Calunga, Alan Jhones e Israel Junior. Agora, Mateus Sena busca escrever mais um capítulo dessa história. Foi justamente na Praia de Miami que o surfista viveu um dos momentos mais marcantes da carreira. Em 2024, conquistou o título da etapa e também da temporada do Circuito Banco do Brasil de Surfe. Na decisão, arrancou uma nota 8.50 na última onda, a menos de dois minutos do fim da bateria, para virar sobre Adauto Sena e levantar o troféu diante da praia lotada. “A conquista de 2024 foi um dos momentos mais marcantes da minha carreira. Foi o primeiro título sul-americano da história do Rio Grande do Norte em um evento desse porte, e isso torna essa vitória ainda mais especial. Guardo lembranças muito boas daquele dia, com minha família, meus amigos e todas as pessoas que me viram crescer acompanhando da praia. Tudo isso me dá ainda mais confiança, porque sei que já consegui uma vez e agora vou em busca de repetir esse resultado”, destaca Mateus. No ano seguinte, a tradição foi mantida com mais um título potiguar, desta vez conquistado por Israel Junior. Agora, em 2026, os dois surfistas entram na disputa com a chance de se tornarem os primeiros bicampeões da etapa de Natal. Competindo novamente diante da família, dos amigos e da torcida local, Mateus afirma chegar mais preparado para lidar com a responsabilidade de correr em casa. “Depois de já ter vencido uma etapa, chego mais leve, focado e tranquilo, sabendo que o trabalho foi feito. Me preparei da melhor forma, cuidando da alimentação, treinando o corpo e a mente, dentro e fora da água, e isso me dá muita confiança. Poder contar com minha família, meus amigos e com as pessoas que me viram crescer, na praia onde tudo começou, torna esse momento ainda mais especial. Espero poder retribuir todo esse apoio com um grande resultado”, afirma. Além do aspecto esportivo, o surfista destaca o impacto que a realização de uma etapa da WSL pode gerar para o estado e para os jovens atletas da região. “É muito importante para o desenvolvimento do surfe no Rio Grande do Norte. O estado tem ondas de qualidade e muitos surfistas talentosos que ainda não estão no radar do cenário nacional e internacional. Um evento desse porte cria oportunidades para que esses atletas mostrem seu potencial. Além disso, o histórico recente mostra a força do surfe potiguar, com títulos conquistados em 2024 e 2025 por atletas da casa. Espero que este ano a gente possa manter essa tradição”.

    Campeão do circuito em 2024 na Praia de Miami, natalense Mateus Sena volta a competir em casa em busca de manter a hegemonia potiguar em etapa do Circuito Banco do Brasil.

    O surfe contemporâneo, com sua indústria bilionária e recente status olímpico, muitas vezes ofusca uma verdade histórica profunda: suas raízes não são ocidentais, tampouco puramente recreativas. É exatamente essa lacuna cultural que o jornalista e antropólogo Luciano Meneghello busca preencher em seu novo livro, Surfe e Ancestralidade. A obra chega ao mercado como um relato histórico e um manifesto literário que promete transformar a maneira como a comunidade esportiva enxerga o oceano e a própria prancha. Em 2020, ele lançou seu primeiro livro, Raiz (revisado e ampliado em 2025), uma obra que narrou a saga dos polinésios que, há 3.500 anos, desbravaram 22,5 milhões de km² no Pacífico guiados apenas pelas estrelas, aves e ondas. Foi dessa cultura umbilicalmente ligada à natureza que nasceram esportes como a canoagem polinésia, o stand up paddle e o surfe. Inquieto com o apagamento das origens indígenas do surfe no Havaí pré-colonial, o autor tomou uma decisão corajosa: voltou aos bancos universitários para cursar Antropologia na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O resultado foi uma monografia aprovada com nota máxima unânime, que agora ganha vida nas páginas de Surfe e Ancestralidade. A decolonização das águas O ponto central da obra está na desconstrução do estereótipo do surfe como uma atividade de lazer desfrutada por uma juventude branca de classe média. Meneghello nos convida a entender o heʻe nalu, a milenar prática havaiana de deslizar sobre as ondas, com sua própria cosmologia, integrada a uma relação de poder e conexão com o meio ambiente. Com uma narrativa envolvente, o autor detalha como operam os processos de apropriação cultural e a subsequente “turistificação” promovida pela indústria. A obra propõe uma decolonização do olhar sobre as águas, oferecendo ao leitor, seja ele um surfista profissional ou de fim de semana, um novo nível de respeito pelo esporte. Fruto de anos de pesquisa e imersão etnográfica nas ilhas de O’ahu e Maui, o livro revela como o povo nativo (Kānaka Maoli) passou a utilizar as zonas de surfe (po‘ina nalu) como territórios de soberania em resposta aos processos coloniais que mudaram drasticamente a realidade das ilhas havaianas. O autor traça uma linha do tempo fascinante que vai das sofisticadas pranchas ancestrais de madeira até as tensões políticas modernas, culminando no poderoso “Renascimento Havaiano” e na épica jornada da canoa Hōkūleʻa. Surfe e Ancestralidade transporta o surfe de uma técnica esportiva, que movimenta hoje um mercado bilionário, para uma “epistemologia da paisagem marinha”. Ele oferece aos praticantes a oportunidade de reconectar o ser humano ao fluxo do meio ambiente, em um processo capaz de “pacificar o branco” apontando caminhos para uma vida mais presente e conectada com o mundo real. Como adquirir a obra Surfe e Ancestralidade está sendo lançado diretamente pelo autor. Os interessados em adquirir o livro e acompanhar os bastidores dessa pesquisa podem entrar em contato e realizar a compra através do perfil oficial no Instagram: @surfeeancestralidade.

    Antropólogo Luciano Meneghello propõe releitura das origens do surfe, resgatando a cultura polinésia e questionando a visão ocidental que transformou a prática em esporte e indústria.

    No início da década de 1980, Paulo Bittencourt, o Biteka, decidiu seguir rumo ao Oceano Pacífico. O objetivo era simples e, ao mesmo tempo, imenso: encontrar grandes ondas da maneira que seu orçamento permitia. Mais do que chegar ao Peru e ao Equador, queria viver cada quilômetro daquela aventura. A viagem começou na histórica Estação da Luz, em São Paulo, seguindo de trem até Corumbá, no Mato Grosso do Sul. Dali atravessou a fronteira a pé até Puerto Quijarro, na Bolívia, onde embarcou no lendário Trem da Morte. Levava duas pranchas especialmente construídas pelo mestre Oracio Cocada para enfrentar as ondas do Pacífico: uma 7’2″ e uma 5’11” biquilha em EPS, ambas com inovadoras longarinas de madeira de cinco centímetros, produzidas com madeira cuidadosamente selecionada na Mata Atlântica. Na mochila cabia apenas o indispensável. Entre poucas roupas estavam sua faixa de Taekwondo, um nunchaku e os ensinamentos do mestre Taney Campos. Para Biteka, surfe e artes marciais sempre caminharam lado a lado, uma ligação que ele hoje reconhece também na forte presença do jiu-jitsu entre surfistas de todo o mundo. O Trem da Morte seguia lentamente por cerca de 600 quilômetros até Santa Cruz de la Sierra. Os bancos eram de ripas de madeira e, a cada parada, embarcavam indígenas, comerciantes, famílias, galinhas e mercadorias. O vagão ia ficando cada vez mais cheio. Em alguns momentos, mães colocavam seus filhos pequenos em seu colo para descansar durante a viagem. Antes mesmo de alcançar o mar, a aventura já se revelava nas pessoas encontradas pelo caminho. Depois de alguns dias de descanso e de treinos em uma academia de Taekwondo, seguiu de ônibus para Cochabamba. As pranchas viajavam amarradas sobre o bagageiro enquanto a antiga Rota 7 serpenteava pelas montanhas, desfiladeiros e curvas da Cordilheira dos Andes. Dois dias depois, partiu para La Paz. Na subida da Cordilheira, a locomotiva parecia lutar contra a montanha. A velocidade diminuía enquanto a altitude retirava o oxigênio de passageiros e motor. O soroche – mal das montanhas – aproximava desconhecidos, que dividiam remédios, conselhos e solidariedade. Ali compreendeu por que aquela ferrovia carregava um nome tão marcante. Em La Paz, impressionaram a resistência do povo andino, os carregadores transportando enormes volumes pelas ladeiras, os tecidos coloridos e a delicada arte em prata. Antes de deixar o litoral brasileiro, havia separado algumas conchas das praias pela beleza de suas formas. Trocá-las por pequenas peças de prata tornou-se uma das lembranças mais especiais da viagem e uma inesperada aproximação entre duas culturas ligadas pelo mar. A viagem prosseguiu margeando o Lago Titicaca. Os Caballitos de Totora, construídos com junco, pareciam ligar a história dos povos andinos às primeiras formas de deslizar sobre as águas do Pacífico. Ao cruzar a fronteira entre Bolívia e Peru, retirou as pranchas da capa para explicar às autoridades o que era o surfe. Olhou ao redor e, sem perceber, as lágrimas começaram a cair. Eram lágrimas de alegria. Depois de tantos quilômetros percorridos, o Oceano Pacífico finalmente estava ao seu alcance. A partir dali começava outra grande aventura: Punta Hermosa, Punta Rocas, Chicama, Máncora, Montañita e Galápagos. Histórias que ficarão para outro capítulo. Ao recordar essa jornada, Biteka ajuda a preservar a memória de um tempo em que viajar era aceitar o desconhecido, aprender com diferentes culturas e descobrir que, muitas vezes, o caminho era tão importante quanto o destino. Uma época que convida a refletir sobre a verdadeira essência do surfe: a aventura, o respeito à natureza e a busca constante pela evolução. Paulo Bittencourt (Biteka), nascido em Santos (SP), é surfista desde a década de 1970. Aos 65 anos continua surfando, filmando e produzindo documentários independentes sobre as culturas do surfe. Acompanhe as publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

    Conheça a história de Paulo Bittencourt, o Biteka, que cruzou a América do Sul rumo ao Pacífico em uma jornada que se tornou um marco de aventura, resiliência e paixão pelo surfe.