Diretamente do Hawaii, o shaper da Original Surf, Leandro Repenning, nos retrata o dia-a-dia dos irmãos Jairo e Igor Lumertz, que junto com Leandro e outros brazucas fazem o possível para viver no North Shore e surfar algumas das maiores e melhores ondas do planeta.
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Para quem tem aquela preguiça na hora de decidir se vale o surf, ou acha dificuldade em coisas pequenas, vale a leitura desta matéria até o final, pois esta galera largou o conforto da sua base no Rio Grande do Sul e foi atrás de um verdadeiro sonho, vivendo intensamente todos os momentos das suas vidas, e não apenas esperando que ela passe como um filme em câmera lenta. Confira abaixo.
Conheço o Jairo e o Igor de longa data, temos amigos em comum. Eu e o Jairo estudamos juntos no segundo grau, às vezes eu ia com eles a Mariluz no inverno e lembro que Igor era um piá de uns 10 ou 12 anos, mas já acompanhava a galera nos banhos ressaqueados do inverno gaúcho.
Com o tempo perdi o contato com essa galera. O Igor veio pro Hawaii e logo depois o Jairo. Ficava sabendo deles pelos amigos e às vezes encontrava o Flavio, irmão mais velho deles que um dia me deu o email do Jairo.
Quando estava em San Diego, eu já tinha o plano de vir para o Hawaii, então contatei o Jairo, para ver se me dava uma força ao menos na chegada, mas o cara, como sempre, com a maior boa vontade, me deu a maior força por aqui.
Cheguei ao Aeroporto de Honolulu em um sábado de tarde e o cara já estava lá me esperando, como sempre ativadão para o surf, só passamos em casa, larguei as malas, peguei a prancha, uma bermuda e já caímos na água, o primeiro banho já foi um Rocky Point clássico!
A Mansão Lumertz, como a galera fala, é bem baixada, bem grande, tem quatro quartos onde moramos eu, o Jairo e mais dois brasileiros do Paraná.
Quando cheguei aqui o Pedra já tinha ido embora, mas o Vini Fornari estava aqui, e sempre pinta uma visita de vez em quando.
O dia-a-dia é bem corrido por aqui no North Shore, geralmente o trabalho é pesado para a galera brasileira.
Na primeira segunda-feira no Hawaii, eu já estava começando a trabalhar na fazenda de cebola que o Jairo trabalha há anos e o Igor também trabalhou muito tempo.
A fazenda é pequena, mas o trampo é puxado, começa bem cedo e a correria é grande. Plantar, colher, lavar, embalar a cebola japonesa, entre outras atividades, é o dia-a-dia por lá. De vez em quando pinta uns serviços gerais também. Até a galera que vem de férias por aqui pega junto no pesado para dar uma reforçada no orçamento.
O lugar é bem legal, perto da casa da galera, em cima do vale de Waimea e se consegue ver o oceano.
Quando o swell bomba se ouve as ondas lá na fazenda, acho que em uma distância de uns 15 quilômetros do mar. Quando isso acontece acaba o trabalho, a galera pega a Waimeagun e se joga na baía.
O Jairo e o Igor continuam os mesmos dos tempos de Mariluz, ou até mais ativados ainda, antes do dia clarear já estão no estacionamento de Waimea com tudo pronto, isso se já não estiverem dentro da água.
No último swell, o Jairo já tava dropando antes mesmo do sol nascer.
Não é por nada que sempre se ouve uma galera de respeito por lá falando o nome deles no outside de Waimea.
Um dia saí do mar antes deles, o que é normal, por serem os primeiros a entrar e os últimos a saírem, e fiquei por ali curtindo a praia, descobri que até o tiozinho que limpa a praia e varre Sunset conhece e admira os caras.
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Fiquei conversando um pouco com o coroa gente boa que elogiou o surf deles. Saiu até uma foto na revista Water, de página dupla com o Jairo dropando uma da série com uma galera local, que já adotou os caras por aqui, pelo go for it e humildade deles.
O Ken é o americano dono da fazenda, ele tem 60 anos e é hoje um ex-surfista, agora o esporte dele é trabalhar na fazenda, pegando no peado junto com a gurizada.
Ele sabe que a galera está aqui pelo surf, então está sempre perguntando pelo swell para fazer a agenda de trabalho da semana, por isso não fica muito apegado aos dias da semana, quando tem onda boa é dia off no trabalho, quando não tem onda (o que é difícil no inverno daqui) se trabalha, mas geralmente se acha um tempo pra dar pelo menos um banho por dia, nem que seja no horário do almoço ou final de tarde, às vezes bem cedo na manhã.
Geralmente na segunda e terça-feira o bicho pega, pois na quarta é o dia da entrega do produto, então agente já adianta um pouco o trampo no sábado e no domingo, geralmente depois do surf da manhã.
Com esse dia-a-dia de surf e trampo, a galera já chega quebrada em casa, agiliza um rango, sempre com aquela cebolinha, e ainda faz várias outras funções, eu verifico e passo a previsão do surf pra galera do site, além de um shapezinho de vez em quando.
O Jairo ainda vai para o jiu-jitsu duas ou três vezes por semana. O Igor tá se dedicando à pintura em air brush, fazendo altos trabalhos, além de editar as fotos e vídeos para o Dakazera.
Geralmente na Sexta ou Sábado, o Vitor Marçal, salva-vidas de Waimea, bota pilha na galera para um treino de canoe surf, se as condições forem boas para a canoa. A remada é puxada, mas é uma experiência muito legal e um grande exercício.
Se o mar está baixo, o que é difícil essa época, rola um surf de longboard em Chun’s Reef, um pico alucinante, especial para longboard.
Aqui no porão da mansão Lumertz tem o shaperoom Cuscabarone Surfboards, de onde saem as Waimeaguns e outros foguetes da galera, já renovei meu quiver aqui usando o equipamento do Jairo, a laminação é feita fora pelo Horácio, um brasileiro que tem o melhor trabalho de laminação artesanal no North Shore.
A galera também faz um mergulho de vez em quando, ou vai procurar um secret spot pra fugir da crowd.
Já achamos uns picos e vimos outros com potencial bom, só temos que acertar o vento e swell, mas para chegar nesses picos, às vezes rola uma caminhada de uns 30 a 40 minutos, mas vale pelo visual e possibilidade de pegar um mar clássico só com os brothers na água.
De vez em quando a galera faz aquele churrasquinho para relembrar o Rio Grande, mas é essa a rotina por aqui, muito trabalho dentro e fora da água, contato e respeito com a natureza, a galera aqui sempre procurando reciclar o máximo possível para manter esse paraíso que é o Hawaii do jeito que está.
Só tenho a agradecer aos Lumertz brothers, que me dão aquela força e passam a experiência de várias temporadas aqui nesse paraíso.
Valeu galera!
Aloha!