Os fundos artificiais que podem melhorar a formação das ondas estão cada vez mais próximos de se tornar realidade em Santos, graças a um projeto que prevê a geração de energia elétrica com a força das ondas. Assim, além dos benefícios para o esporte, turismo e comércio, as ondas perfeitas podem tornar o Quebra-mar o primeiro parque público auto-sustentável do Brasil.
O autor do projeto é o engenheiro cível Nelson Parente Junior, santista de 47 anos e surfista desde 1968. Ele gostaria de ter cursado oceanografia e sua paixão pelo mar o levou ao Laboratório de Hidráulica do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas da USP), onde fez estudos e teve acesso a muitos trabalhos utilizados na engenharia portuária.
A idéia consiste em instalar um conjunto de tubos subterrâneos, vasocomunicantes, com uma extremidade no fundo mar e a outra em
terra. Com isso, quando uma onda passa pela extremidade submersa, o nível da água aumenta na extremidade em terra e movimenta a coluna d?água e o ar acima do tubo, gerando energia mecânica que pode ser transformada em elétrica. Quanto mais altas as ondas, maior o potencial energético, por isso os tubos são instalados delineando a linha da arrebentação.
Para potencializar o sistema, uma bancada pode ser colocada antes dos tubos, acentuando o ângulo do banco de areia para as ondas ficarem ainda mais altas ao encontrá-lo. O que além de gerar mais energia, faria a alegria dos surfistas, pois as ondas ficariam mais cavadas e com seções mais bem definidas.
Para o autor do projeto, o ideal seria implantar o projeto em caráter de estudo, com objetivo inicial de tornar auto-sustentável o novo parque As Ondas 21, que está sendo construído no Quebra-mar. ?Assim poderíamos avaliar o custo da eficiência energética?, explica ele, ressaltando que para suprir a inconstância das ondas, o projeto prevê a utilização integrada de energia solar e eólica.
?O Quebra-mar de Santos é uma referência nacional no saneamento, com o emissário, No esporte, com o surf; e será no turismo e lazer, com a urbanização. No futuro próximo, pode ser também no incentivo à ciência e à sustentabilidade, marcando mais uma vez o pioneirismo santista nesta área?, finaliza Parente.
Para a Associação Santos de Surf, a melhora das ondas já causaria uma verdadeira revolução na cidade. Pois mesmo com as limitações climáticas e geográficas de região, é possível melhorar consideravelmente as ondas. O suficiente para coloca-las entre as mais cobiçadas do Brasil, atraindo eventos internacionais e aumentando bruscamente a demanda de turismo e comércio.
Se isso ainda pode gerar energia de forma limpa e sustentável, passa a ser interessante para toda a sociedade. Por isso, o movimento em prol da sustentabilidade energética e melhora das ondas deve ser a próxima grande campanha da entidade.
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