O surf é um esporte em que foco, paciência e um pouco de sorte se fazem fundamentais. Isso, sem falar na correria que é o WCT. Quando existe uma competição em jogo, os níveis de treinamento e trabalho exigem que o atleta se doe de corpo e alma. Miguel Pupo não avançou por pouco em muitas das baterias que perdeu neste ano. Poucos dias antes de chegar à França, depois do Hurley Pro Trestles, o surfista garantiu que isso não afetará seu desempenho na água.
“Já estamos acostumados à rotina de viagem e competições. Eu já vinha surfando bem nas outras etapas e por detalhes não passei as baterias. As expectativas sempre são boas. Estou focado para melhorar meu desempenho em cada etapa e, na França, não vai ser diferente”. Quanto à derrota em Trestles, a razão foi simples: “Faltou onda (risos). Infelizmente, minha bateria foi de poucas ondas e, no surf, estamos sujeitos à falta de ondas no momento em que mais precisamos”.
No round 5, Pupo enfrentou o australiano Adrian Buchan. Logo de início, pegou a melhor onda da bateria, um 8.77 resultante de duas rasgadas em perfeita rotação e, para terminar, um longo floater na espuma. Precisando apenas de um 6.74, teve o azar de não encontrar outra onda boa. Miguel explica que o repertório de manobras não depende só dele.
“Eu gosto de entubar, dar aéreos e colocar pressão nas manobras. Na Califórnia eu usei muito meu backside e pressão nas manobras, cada mar apresenta uma condição e nós temos que nos adaptar para apresentar a melhor performance independente do mar”.
Muitos se perguntam por que Miguel arrisca poucos aéreos durante o WCT, manobra com a qual tem muita afinidade. O surfista explica: “O aéreo é sempre uma manobra mais arriscada de completar. Muitas vezes, é melhor ir para um surf mais seguro e de pressão, mas, quando a onda proporciona uma ‘rampa’, eu sempre tento voar. Os aéreos dependem muito da onda, do momento da bateria, etc”.
Vencedor de importantes etapas do WQS, campeão do Pro Junior 2010 e irmão mais velho dos herdeiros de Wagner Pupo, ex-Top do circuito nacional, Miguel já entrou no WCT com peso nas costas. Por muitos, é considerado uma das maiores promessas do surf mundial. A razão da frustração dos fãs é a ausência de vitórias nas etapas do circuito. Miguel conta que muitos fatores entram em questão nos resultados.
“A dificuldade é ter que estar sempre se adaptando às condições que cada lugar oferece pro surf. Embora muita gente não ache, o circuito e a rotina de viagens e competições são desgastantes. Temos atletas que estão no Tour há mais tempo e já conhecem certos picos mais que outros. Esse ano, surfei em J-Bay pela primeira vez, enquanto muitos do Tour já haviam competido lá mais de uma vez”. E completa: “Sei do meu potencial e tenho pessoas na equipe que acreditam em mim, então, a ideia é continuar trabalhando focado que os resultados uma hora vão aparecer e a gente vai brigar pelo título de cada etapa”.
Sem dúvidas, a rotina de quem compete no WCT é bem diferente da vida de um freesurfer. Os desafios sobem a níveis extraordinários. Tudo é um grande espetáculo que exige grande esforço dos atletas que nele atuam. Para terminar, perguntei a Miguel o que ele faria se tivesse dois meses de férias, a partir de agora, para fazer o que quisesse. O surfista contou que já tem planos.
“Primeiro uma viagem para algum lugar da América Central com meus amigos para surfar e dar risada. Aliás, já é uma coisa que estou planejando e pode ser que em janeiro de 2015 aconteça. Também gostaria de ir para Nova Iorque com a minha família, curtir e passear nesse lugar que eu sempre sonhei em conhecer”.
No Quiksilver Pro France, Miguel entrará no mar na bateria de número nove. O paulista brigará com Kolohe Andino e Dion Atkinson por uma vaga no round 3.