Fotógrafo Motaury é homenageado em Floripa

O fotógrafo paulista Motaury Porto, radicado há alguns anos em Florianópolis, completa 25 anos de carreira.

 

Para comemorar, ele está sendo homenageado na mostra Casa Nova, que desde 2001 exibe anualmente na capital catarinense as últimas novidades em arquitetura, decoração, design e paisagismo.

 

Realizada pela RBS-Eventos e Abreu Jr. Arquitetura, este ano a mostra conta com 48 ambientes e mais de 90 profissionais participando do evento, que segue até o dia 5 de junho no Bistrô Alameda Casa Rosada (na subida do morro da Lagoa da Conceição).

 

Em um dos ambientes, a garagem (logo no início da mostra), os arquitetos Robson Nascimento, Cristiana Bez Dellpizzo e Juliano Ribas prestam homenagem ao fotógrafo Motaury.

 

“Motaury é nosso amigo e quisemos fazer uma homenagem a ele. Então nos inspiramos na natureza da casa para entrarmos com o tema surf, que tem tudo a ver com Floripa e com o trabalho do fotógrafo, que retrata as maravilhas desta ilha”, diz Cristiana.

 

Confira a íntegra do texto com a biografia de Motaury na exposição, assinado pelo jornalista Felipe Fernandes, editor do jornal Drop:
 
“Final dos anos 70, no Colégio Santo Américo, em São Paulo – os amigos Motaury Porto, Alberto Alves e Mike, Taiu, Bruno Alves entre outros, eram referências entre os alunos mais jovens como era o meu caso e o de alguns pouquíssimos garotos da minha idade ou mais novos, que já surfavam ou andavam de skate. Naquela época marcas brasileiras não existiam, só havia mercado de surf nos EUA, Hawaii e Austrália. Infinity e Santa Cruz eram as sensações no skate. Stubbies, Off Shore, Hang-Ten, Town & Country, Lighthning Bolt  eram as de surf. Em São Paulo só tinha a surf shop Terral, no bairro Alto de Pinheiros, e a Surf Center, no Guarujá.

 

Esses  amigos, já faziam história, porque partiam para surf trips, explorando o litoral paulista e, o melhor de tudo é que registravam momentos de ação em boas fotos, levando-se em conta a época. Surf só era visto nas revistas norte-americanas Surfing e Surfer. Eles eram muito originais, a contra-cultura, pois tinham um visual rebelde para época, com cabelos mais compridos e se vestiam com roupas largadonas. Foi assim que tomei conhecimento do nome Motaury e soube a respeito das fotos que ele fazia dos amigos surfando; algo de vanguarda.

 

Passados quase trinta anos, hoje somos mais próximos do que antes, no colégio, pois há algum tempo ele vem ajudando o Jornal Drop sempre que é solicitado. Traz não apenas fotos maravilhosas de ondas, mas também o editorial passando seu conhecimento nos textos que escreve para serem publicados, ao lado daquelas imagens de ondas perfeitas, que valem por mais de mil palavras.

 

Antes de falar mais sobre o talento deste ilustre personagem na fotografia, porém, preciso destacar para você, que não o conhece, uma coisa importante: Motaury é um ser humano iluminado por natureza, algo parecido como as fotos dele, que recebem luz certa, ressaltando cores e sempre bem focalizadas, além do bom enquadramento. Sua personalidade hoje difere muito daquele Motaury do tempo de colégio. Ele é um dos fotógrafos mais sérios, talentosos e gente boa que conheço, com um astral sempre em alta e muita disposição para fotografar coisas belas, como natureza, pessoas, moda, surf e até casamento, uma nova área, a qual ele chega para contribuir com sua experiência, atendendo os noivos em Santa Catarina, principalmente.

 

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Sua relação profissional com a natureza se intensificou com sua vinda para Florianópolis, onde vive desde 1988. Saiu de São Paulo, porque jamais conseguiria só fotografar em ambientes fechados, nos estúdios fotográficos. Para um jovem profissional que já tinha identificado seu talento, Santa Catarina era o melhor estúdio a céu aberto que poderia existir, para um paulista viver.

 

Enquanto mudanças na Ilha foram acontecendo com a chegada do progresso, Motaury manteve-se voltado para registrar diversos esportes, não apenas surf, mas também motocross, bodyboard, skate, sandboard e muitos outros. Até hoje, conserva o espírito jovem e pratica surf, que para ele é muito mais que um esporte, trata-se de um estilo de vida, que ele incorporou completamente, desde 1976, quando ganhou sua primeira prancha de fibra, com shape do havaiano Mark Jackola.

 

O surf levou Motaury para conhecer mais de vinte países banhados pelo mar. Por isso, ele conseguiu um vasto arquivo, que pouca gente possui, com momentos históricos do esporte e as melhores ondas. Viagens memoráveis foram documentadas por ele e saíram na Revista Fluir, a mais importante publicação no Brasil, na qual ele colabora desde o número 1. Ele tem milhares imagens e aumenta esse número a cada ano. Para mim, uma de suas fotos mais lindas foi feita no Havaí, em Pipeline, com uma onda quebrando solitária e a sinalização de perigo, numa placa cravada na areia. Essa onda retrata o cúmulo da perfeição de Pipeline e pode mostrar porque é este o pico mais desejado do planeta.

 

Sua primeira experiência com a fotografia foi em 1972, então com 8 anos de idade. Ele ficava mexendo na câmera Rolleiflex da mãe, com as já maravilhosas lentes Carl Zeiss. Mas aquilo não era um brinquedo de criança, então seus pais lhe deram a Kodak Instamatic, quando fez seus primeiros retratos da família, em preto-e-branco. “Algumas fotos saíram com o dedo na frente e fora de enquadramento”, disse Motaury.

 

Aperfeiçoando a técnica, seu talento foi notado quando ainda estudava no colégio (Rio Branco/SP). Lá, organizou a primeira exposição, intitulada “Pantanal Mato-grossense”. Desta exposição, saiu uma imagem que disputou um concurso no Foto Cine Clube Bandeirantes, em 79, recebendo Menção Honrosa e publicada em sua edição nº 245, sendo posteriormente exposta no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo, na “Primeira Bienal da Fotografia de Natureza Brasileira”.

 

Dali em diante, nunca mais parou de trabalhar. Contribuiu com muitas revistas do Brasil (Iris Foto, Fluir, Hardcore, Venice Mag, Trip, Alma Surf, Jornal Drop, National Geographic Brasil, Fotografe Melhor, etc) e realizou fotos publicitárias. Foi contratado por empresas de moda para fotografar anúncios de campanhas, realizou exposições em museus importantes, como o MASP (Museu de Arte de São Paulo) e MIS (Museu da Imagem e do Som, em São Pulo).

Tentou, mas não conseguiu largar de vez a profissão. Foi só por um determinado período, porque, segundo ele, “a família surgiu, os filhos vieram e a atenção voltou-se para outra direção: tempo de construir e plantar”. Com a “filharada” mais crescida, voltou a fotografar. Recomeçou com alguns trabalhos para a Editora Mares do Sul, e em junho de 99. No seu retorno à fotografia, Motaury chegou equipado com a lente Nikon 800mm/5.6 ED, que foi do Bruno Alves (irmão de Alberto), fundador da revista Fluir, excelente fotógrafo e outro grande amigo dele.

 

Já na era digital, ele registrou o domínio Motaury.com na Internet. Adquiriu material de última geração da Cannon e considera que está com muita vontade de produzir. ‘Com ajuda de Deus, eu vibro com as oportunidades e perspectivas de uma vida inteira ainda para registrar em minhas lentes’, disse ele.”

 

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