Billabong Rio Pro

Força Aérea Brasileira

 

Filipe Toledo sobrevoa a Barra e tira nota 10. Foto: © ASP / Smorigo.

Nem o clima frio com chuvas ocasionais impediu que um grande público comparecesse à praia para assistir o verdadeiro show dos melhores surfistas do mundo no longo sábado do Billabong Rio Pro na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro (RJ).

 

O jovem paulista Filipe Toledo, 18 anos, acertou dois aéreos sensacionais na mesma onda para arrancar a primeira nota 10 unânime dos cinco juízes no Rio de Janeiro esse ano. Kelly Slater já havia surfado tubos incríveis no Postinho para fazer o maior placar do ano no ASP World Tour, 19,67 pontos de 20 possíveis.

 

O 11 vezes campeão mundial vai abrir o domingo decisivo da etapa brasileira do WCT, às 8 horas, em mais um duelo contra Adriano de Souza, que conquistou a primeira vaga para as quartas de final.

Mas, quem roubou a cena no sábado foi mesmo Filipe Toledo. Coincidentemente, ele totalizou exatos 18,43 pontos nas duas baterias que disputou, sempre usando os aéreos como arma mortal, mas pegando bons tubos também no Postinho.

 

A primeira foi contra o australiano Josh Kerr e na segunda conquistou a última vaga direta para as quartas de final mandando o bicampeão mundial Mick Fanning e o sul-africano Jordy Smith para a repescagem com a primeira nota 10 unânime do Billabong Rio Pro 2013. Antes, Smith já havia recebido o primeiro 10 do campeonato em um tubo fantástico, mas um dos cinco juízes achou que valeu 9,90.

“Foi a minha primeira onda nota 10 no WCT e não tenho palavras pra definir o que eu estou sentindo”, disse Filipe Toledo.

 

“Eu já tinha competido com eles nesta mesma fase em Bells Beach (Austrália) e ter vencido essa bateria foi um grande prazer. Sobre o 10, eu vi a onda vindo e sabia que poderia ser boa. Jordy (Smith) estava com a prioridade (de escolha da onda), mas muito distante de mim. Aí, na hora que eu dropei já pensei que ia ser animal pra dar um aéreo. Fui com tudo e dei o primeiro aéreo, que foi bem alto. Quando voltei, já vi aquela junção levantada e mandei outro aéreo rodando. Acertei os dois e foi demais”.

Os dois notas 10 voltam a se enfrentar na última bateria das quartas de final, pois Jordy Smith derrotou o irlandês Glenn Hall no duelo que fechou o longo sábado do Billabong Rio Pro, que começou às 7 horas e só terminou quase à noite na Barra da Tijuca.

 

Na etapa passada, em Bells Beach, o sul-africano levou a melhor sobre Filipe Toledo, que quer dar o troco agora que compete em casa com o apoio de toda a torcida brasileira que já vibrou bastante com ele no sábado.

A primeira bateria do dia será um verdadeiro clássico entre Kelly Slater e Adriano de Souza, que venceram as duas primeiras etapas do ASP World Tour 2013 na Austrália. É um confronto direto pela liderança do ranking mundial, defendida pelo maior ídolo do esporte.

 

Mineirinho já venceu o Billabong Rio Pro em 2011, quando a etapa brasileira do WCT retornou ao Rio de Janeiro depois de oito anos em Santa Catarina. Adriano começou o sábado ganhando um duelo verde-amarelo com Miguel Pupo e depois mandou Taj Burrow e Nat Young para a repescagem.

“Eu estava muito focado antes da bateria e sabia que o Taj Burrow seria duro de bater”, disse Adriano de Souza, depois da sua segunda vitória no sábado. “Taj surfou muito, mas consegui me manter focado e no final escutei o locutor dizendo que ele tinha surfado uma onda incrível. Só que dei sorte de ele ter feito interferência naquela onda e eu acabei vencendo. Esse campeonato aqui no Brasil é super importante para mim e vim para cá 100% preparado para conseguir um bom resultado”.

Na segunda disputa por classificação direta às quartas de final, os favoritos Kelly Slater e Gabriel Medina acabaram surpreendidos pelo australiano Adrian Buchan, mas não desperdiçaram a segunda chance na repescagem. Slater despachou o australiano Taj Burrow e Medina soltou os aéreos para eliminar o americano Nat Young.

“Neste sábado eu tive que surfar três baterias. A primeira foi muito boa”, quando fez o maior placar do ano no WCT, disse Slater.  “A segunda disputa foi muito ruim e a terceira agora deu tudo certo”, contou Kelly Slater. “Na verdade eu não queria surfar essa minha última bateria. Estava achando o mar muito ruim e queria ter esperado ao menos uns 30 minutos para ver melhor as condições. Mas, depois das baterias de Filipe Toledo e Jordy Smith, que tiraram duas notas 10, deu pra ver que ainda havia boas ondas. Taj pegou bons tubos e tive a sorte de acertar aquele aéreo 8,5. Por isso estou feliz de estar nas quartas de final. Não vim para cá no ano passado, quando deu bons tubos aqui também e espero que seja assim no último dia”, resumiu o surfista da Flórida.

Slater começou o sábado surfando tubos fantásticos contra o também norte-americano Patrick Gudauskas. Ele quase conseguiu o primeiro 10 do campeonato logo em sua primeira onda, mas apenas três dos cinco juízes deram nota máxima e a média ficou em 9,97, que já era a maior do Billabong Rio Pro 2013 até ali.

 

Depois, ele pegou outro tubão que valeu nota 9,70 para totalizar incríveis 19,67 pontos de 20 possíveis. Acabou superando o maior placar do ano no WCT, que era os 19,37 pontos dele mesmo nas semifinais da etapa que abriu a temporada na Gold Coast, Austrália.

Já Gabriel Medina tem a chance de vingar a derrota sofrida para Adrian Buchan na terceira quarta de final, pois eles voltam a se enfrentar agora em um duelo homem a homem. “Estou muito feliz por estar nas quartas de final. Já é o meu melhor resultado esse ano e aqui no Rio também. Estou surfando confiante, acertando meus aéreos, as ondas e o vento estão ajudando bastante. Também quero agradecer a todos que estão me apoiando e torcendo por mim. Neste domingo é final e vou fazer de tudo pra conseguir um bom resultado”.

Os outros candidatos ao título do terceiro desafio do ASP World Tour 2013 são o bicampeão mundial Mick Fanning e o havaiano Sebastian Zietz, que disputam o terceiro duelo das quartas de final. A grande surpresa do sábado foi a derrota do atual campeão mundial Joel Parkinson para o irlandês Glenn Hall na terceira fase da competição. Parko foi finalista da etapa brasileira no ano passado, quando só perdeu para o havaiano John John Florence, que está contundido e não veio defender o título no Brasil.

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