Durante o mês de março, parte da equipe da marca Weird, junto com o cinegrafista Pablo Aguiar e amigos, levaram o espírito aventureiro ao gelado e contrastado litoral chileno.
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O objetivo da viagem era a produção de dois filmes de surf – “Darkside”, documentário da marca Weird relacionado à evolução do surf de aéreos e seu movimento underground, e também do filme independente de Pablo, videomaker envolvido em ambos os projetos.
Reuniram-se à produção os surfistas Marlon Klein, Etam Paese, Caetano Vargas, o fotógrafo Nicolas Delavy, o empecilho Santiago Roig e algumas personalidades locais, que ao longo da trajetória mostraram imensa simpatia, acolhendo os ?semi-mendigos?.
Chile possui uma tradição de ótimas ondas, uma economia estável e um dos governos com maior credibilidade da América Latina.
Sua cultura é bastante variada, que pode ser vista ao longo de sua costa, passando de locais onde o poder aquisitivo é bastante alto e as praias contam com infra-estrutura de primeiro mundo, até paisagens áridas e desertas.
Logo na chegada, diferenciando-se dos grupos que se dirigia para conferir os campeonatos que aconteciam na região Sul do país, a equipe se encontrou na cidade de Viña del Mar, mais precisamente na praia de Reñaca, localizada na região central do Chile.
O local é freqüentado pela alta sociedade chilena, com praias repletas de mulheres lindas, pubs e bangalôs luxuosos, tudo regado à trilha sonora local que se resume basicamente ao ?Reggae Ton? (batida praticamente insuportável misturando reggae ao rap em espanhol).
As ondas de Reñaca parecem com as valas de Ipanema (RJ), com fortes ondas quebrando no raso, com apenas algumas abrindo e proporcionando manobras aéreas.
Como a chegada coincidiu com o último final de semana de férias dos chilenos, a praia estava repleta com promoções como as da cerveja Heineken. As moças da promoção Heiniken com certeza deixarão saudades!
Após quatro dias no luxuoso balneário, onde uma pessoa com prancha de surf é praticamente vista como extra-terrestre (talvez fossemos apenas nós, com nosso semblante acabado logo no começo da viagem), a equipe se dirigiu um pouco ao Norte, até a cidade de La Serena, onda indicada pelo local Christian Dumundo.
Em La Serena encontramos uma direita de água cristalina, que quebra sobre uma encosta de pedras e fundo de areia preta. As ondas estavam pequenas, aliás, o menor mar da viagem, que não ficou abaixo dos 4 pés. Ficamos apenas dois dias em La Serena, já que o próximo destino seria o deserto do Atacama.
Localizado a 15 horas ao Norte de Santiago, viajando em ônibus, tínhamos um vasto conhecimento de como chegar a esse secret, para o qual as coordenadas eram dadas por Marlon.
?Cara, a gente tem que pegar um ônibus para o norte e pedir para o motorista parar no meio do nada, onde agente vai ver uma casinha igual à do desenho ?Coragem o cão covarde??, explica Marlon.
Dentro de todas estas indicações, a equipe entrou em um ônibus rumo ao Norte do Atacama, com a esperança de que esse restaurante ainda existisse, uma vez que Marlon havia surfado no local há três anos e hoje em dia nem os motoristas sabiam muito sobre a região.
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O local não possui energia elétrica, água potável, água para banho, comida, vegetação ou pessoas. Apenas areia, areia, mais areia, uma onda inacreditável e areia.
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Portanto, após uma pequena compra de mantimentos no supermercado, barraca pronta e a ansiedade de encontrar o local, a equipe conseguiu apenas uma passagem para os seis andarilhos.
Quando chegamos à meia noite, com tudo escuro, obviamente não conseguimos reconhecer o local, e o ônibus passou direto pelo restaurante, nos forçando a parar na próxima cidade, dormir na rodoviária e tentar voltar no dia seguinte.
Tanto esforço teria sido em vão, se não fosse o fato de na chegada no dia seguinte, encontrar o maldito restaurante, e ainda melhor, uma direita perfeita que parece muito a Lower Trestles de gala e sem ninguém.
Desacreditados com o potencial da onda, a equipe armou as barracas em tempo recorde e logo entrou na direita que quebra sobre uma bancada rasa de pedras cobertas por ouriços. A água era transparente e não tão fria como no Sul do Chile.
A onda de alto desempenho proporcionou um incrível acervo de material fotográfico, assim como filmagens de alta qualidade com luz extraordinária.
Marlon Klein destacou-se pelo surf estiloso e calmo, destruindo as ondas de 5 a 6 pés nas séries, mostrando a qualidade e experiência de seu surf.
Caetano Vargas também desencantou no local. Parecia possuído pelo demônio. Ele surfou com uma linha forte e cheia de estilo, aproveitando em 100% o potencial das direitas.
Etam, por sua vez, mostrou o seu surf ?trickster?, praticando aéreos de backside, milhões de chop-hops, varials e ainda estreou a manobra kerrupt flip de backside.
No canto esquerdo avistávamos uma espuma grande, onde parecia quebrar uma esquerda. Em um dos dias fomos conferir, e entraram na água Santi, Etam Paese e Marlon. A onda era duas vezes o tamanho da direita, com esquerdas de até 8 pés, quebrando em uma bancada repleta de pedras, assustadora e sem ninguém. Apenas um lobo marinho conferia a qualidade das ondas.
Marlon protagonizou a pior vaca da trip, ao dropar de backside e botar para dentro no meio das pedras.
Etam e Santi caíram com suas airboards 4?10, dificultando um pouco o surf. Sem falar que o Santi perdeu a prancha em uma vaca, que foi parar nas pedras e milagrosamente salva por Caetano, recuperando a única prancha levada para a viagem.
Talvez por muita sorte, ou pela constância do local, renderam inúmeras manobras para os filmes, e a equipe estava agradecida por encontrar o local dos sonhos, mesmo com algumas complicações que fazem a viagem valer a pena, como a falta de luz para carregar as câmeras, falta de banho durante cinco dias, sede, fome, frio durante a noite e calor do sol sem nuvens durante o dia.
Contudo, o Atacama foi marcante, pelas pessoas que conhecemos como o local Chico Chris, e Momo, surfista profissional que encontramos no pico, a comida das obesas cozinheiras do restaurante e toda a vida que levamos nesse local que antes era um cemitério Inca, o que rendia noites assustadoras graças às histórias que nos contavam deste mítico local.
Já no último dia 8 de março era hora de desarmar a barraca, e dirigir-se à região Sul, destino: Pichilemu.
A cidade surf chilena, onde a equipe faria contato novamente com a civilização, o que renderá uma segunda parte da viagem.
Aguardem por novos relatos da passagem da barca brasileira pelo litoral chileno.
Tricksters united for destruction.

