Gabriel Medina

Campanha brilhante

Gabriel Medina tem apenas 20 anos e já possui vários recordes na elite mundial. É o brasileiro com mais tempo na liderança do ranking e o detentor do maior número de vitórias no Tour (cinco), contra quatro de Adriano de Souza e Fabio Gouveia.

Medina também possui o maior número de triunfos numa mesma temporada entre os brazucas. Com o título histórico no Billabong Pro Tahiti, ele já soma três títulos em 2014 e disparou isolado na liderança do Tour.

O ano de 2014 começou de forma impecável para o atleta de Maresias, São Sebastião (SP). Medina deu um show nas direitas de Snapper Rocks e tornou-se o primeiro brasileiro a vencer uma etapa masculina na Gold Coast australiana.

Em seguida, foi quinto colocado em Margaret River, nono em Bells Beach e amargou um 13lugar no Rio de Janeiro, perdendo para o sul-africano Travis Logie nos últimos segundos da bateria.

Depois do Rio, Medina perdeu a liderança do ranking para Kelly Slater, mas a volta por cima veio em Fiji, onde o atleta novamente colocou o Brasil no topo do pódio pela primeira vez na etapa.

Na sexta prova, o garoto prodígio debutou em Jeffreys Bay com um respeitável quinto lugar. Para disparar ainda mais na liderança, Medina abusou dos tubos em Teahupoo e conquistou uma vitória épica depois de derrotar Slater na finalíssima em condições extremas.

Foi a décima vez que eles se enfrentaram em baterias na história do WCT. Com o show na última segunda-feira, Medina conseguiu igualar o placar em cinco a cinco, mas o brasileiro leva vantagem em batalhas homem-a-homem (3 a 1).

Medina possui uma incrível média de 15.02 pontos em baterias na temporada e venceu 27 duelos na elite em 2014. Ao todo, o brasileiro já embolsou US$ 1.131.600 em premiações na ASP.

 

Perspectivas dos especialistas

Renato Hickel (Tour Manager da ASP): “Ainda é cedo no ano. Medina tem que continuar fazendo exatamente o que fez até aqui: focar somente em cada etapa, dosar o gás nas baterias (Kelly Slater atingiu o épice na semi contra John John), ou seja, competir de maneira inteligente. Título mundial não se ganha somente com talento. Tem que ter equipamento ajustado, preparação física e principalmente mental. Ser constante (sem resultados ruins nos nove que contam). É o segredo do jogo. Kelly ganhou três etapas no ano passado e Mick foi campeão. No ano anterior foi o mesmo no título do Joel. Ele sabe disso e está longe de estar morto, assim como Mick e Joel. Que venha Trestles, e que venha outra vitoria de Gabriel!.”

Fabio Gouveia (ex-Top do WCT e colunista do Waves): “Antes de o ano começar, estava apostando minhas fichas no Mineiro devido a todo o seu foco e experiência. Mas não que deixasse de apostar também em Gabriel, pois em minha mente tinha seu período de aprendizado, mesmo em cima de sua ‘precocidade’. Mas só agora me toquei de que ele já está em seu quarto ano no Tour, é isso? O bicho veio para arrombar portas, quebrar tabus. Depois do início do ano, e em especial antes desse evento começar, comentei com alguns amigos sobre sua escalada e relatei que se ele vencesse esse evento, a turma não mais iria segurá-lo. Medina já vem surfando muito bem em ondas de responsa, como em seu primeiro quinto lugar em Pipe. Nos próximos, acredito que irá manter sua consistência, pois além de todas as peripécias, sua estrela está brilhando, tudo conspirando para um futuro campeão.”

Tulio Brandão (colunista do Waves): “Medina dobrou os críticos mais inflexíveis. Entortou-os na bancada mais violenta do mundo. Venceu o rei em king’s land, no mais épico dos eventos. Já tem lugar na história. Mas ainda há 40 mil pontos em jogo, não tem nada decidido. Não preciso dizer, até porque ele é um dos melhores competidores que já vi em cena, não importa o esporte, mas esta é a hora de redobrar a atenção, de concentração máxima, sobretudo pelo fato de termos, adiante, etapas em que ele aparece na short list de favoritos. Confirmar o favoritismo nem sempre é mais fácil que surpreender o mundo. Dito isso, dá para bancar: Medina trilha um caminho seguro, inédito, para conquistar o primeiro título mundial do Brasil.”

Edinho Leite (jornalista da ESPN Brasil e colaborador da FLUIR): “Sua tática, técnica, além da retrospectiva, lhe garantem vantagem nas próximas etapas. Em Pipeline, ora bolas, vejam o que ele fez em Teahupoo. Além dessas probabilidades mensuráveis, há outro ponto a incluir. A estrela de campeão que brilha sobre ele nesse momento especial. Suas vitórias, conquistadas com talento, inteligência competitiva e foco, vieram também da conspiração universal a que ele atrelou seu objetivo. Acho improvável que Gabriel Medina perca o tão sonhado título mundial esse ano. Se um acaso desastroso vier a ocorrer, todos lembrarão deste ano como sendo dele. Kelly Slater que o diga depois desse Tahiti.”

Renan Rocha (ex-Top do WCT e narrador da ESPN Brasil): “”Minhas perspectivas são as melhores possíveis, porque ele venceu as etapas nas ondas em que ele não tinha experiência e seria mais cobrado pela mídia e pelos atletas. Ou seja, a partir de agora ele é franco favorito, porque mesmo não vencendo, com certeza, vai tirar resultado expressivo para o título mundial. O único que pode roubar a cena é o Kelly, mas ainda não tem vitória este ano e o Medina já tem três. Sensacional, parabéns a toda a família Medina e aos patrocinadores. Viva!.”

Perfil de Gabriel Medina

Em dezembro de 2011, logo depois da vitória de Gabriel Medina no Rip Curl Search em San Francisco (EUA), a FLUIR publicou um perfil do talentoso surfista, então com 17 anos. O texto foi bastante elogiado por Medina nas redes sociais. “Melhor matéria que já tive até hoje”, postou o Top naquela época. Confira abaixo a íntegra da reportagem e relembre a trajetória do fenômeno.

INSTINTO MATADOR*

(por Ader Oliveira)

Sabe aquele garoto da escola que joga giz ou papel nos amigos na sala de aula e fica sério, fingindo que não foi ele? Que adora brincar e, mesmo quando leva um cascudo, não para de zoar e até chora, mas desafia e diz que não doeu? Intenso, irreverente, brincalhão e incansável. O impressionante talento de Gabriel Medina sobre a prancha também é reflexo da sua personalidade. Nascido em São Paulo e criado na praia de Maresias, São Sebastião, o garoto de 17 anos, magro, alto e até meio desengonçado, vem chocando o mundo com atuações fantásticas nas competições e no free surf.

Gabriel é o mais jovem surfista a vencer uma etapa do Circuito Mundial. Mal entrou no Tour e já venceu duas das quatro provas que disputou (até o fechamento desta edição), com direito a duas vitórias expressivas contra Kelly Slater. Isso não é tudo. Além dos troféus, ele caiu nas graças da mídia, dos juízes e de surfistas do mundo inteiro, fato praticamente inédito para um competidor brasileiro. Verdade seja dita. Jamais um Top brasileiro foi tão exaltado pelos estrangeiros.

Medina começou a aparecer para o mundo em uma etapa de nível 6 estrelas do Circuito Mundial disputada na praia Mole, Florianópolis (SC). No dia 12 de julho de 2009, com apenas 15 anos, ele tornou-se o mais jovem surfista a vencer uma etapa do WQS depois de derrotar o experiente Neco Padaratz na final. Desde então, o garoto não parou de aprontar. Dois meses depois, chamou a atenção dos Tops do World Tour com uma fantástica apresentação no King of the Groms, competição disputada paralelamente à etapa do WT em Hossegor, França. Foram duas notas 10 na final contra o conterrâneo Caio Ibelli, dando-se ao luxo de descartar 9.70, 7.67, 7.50 e 7.00. Em novembro do mesmo ano, tornou-se campeão pan-americano na categoria Júnior ao vencer a competição em Olivença, Bahia. Em janeiro de 2010, viajou até a Nova Zelândia para protagonizar um verdadeiro espetáculo no Mundial Sub-18, em Piha. Na final, ele somou notas 10 e 9.90, descartando 9.46, 8.50, 8.20 e 7.40.

Rumo à elite Depois de ficar em terceiro no Mundial Pro Junior, em Narrabeen, Austrália, Gabriel passou a trabalhar forte com o objetivo de chegar à elite mundial. O primeiro ano na divisão de acesso serviu para ganhar experiência. Gabriel teve como melhores resultados o vice-campeonato no Costão do Santinho (SC) e o terceiro lugar nas etapas da praia Mole (SC) e Zarautz, Espanha. Em 2011, ele iniciou uma forte arrancada rumo ao World Tour com uma bela vitória no Prime em Imbituba (SC). Dali em diante, foi só alegria. Ficou em segundo no Prime em Ericeira, Portugal, levou a categoria Pro Junior e também a etapa 6 estrelas em Lacanau, França, antes de fechar com chave de ouro sua classificação ao WT com o título do 6 estrelas em Zarautz, Espanha.

A estreia de Gabriel Medina como Top 32 do World Tour em Trestles, Califórnia (EUA), gerou uma grande expectativa. Apesar de ter ido mal na primeira fase, na bateria dominada por Adriano de Souza, ele recuperou-se com tranquila vitória sobre Travis Logie na repescagem. Em seguida, na terceira fase, errou alguns aéreos e viu o australiano Josh Kerr conseguir uma virada na última onda, bastante contestada pela torcida.

Se alguém ainda tinha dúvida de que Medina era aquilo tudo que a mídia tanto exaltava, ela acabou logo em seguida, na França. Dois anos depois da épica vitória no King of the Groms, Medina estava de volta a Hossegor, desta vez para uma prova de fogo. O garoto não se intimidou com a pressão e deu uma dura nos marmanjos. Na quarta fase, teve seu primeiro encontro com Kelly Slater, um sonho que tinha desde criança. “Eu sempre quis derrotá-lo. Cresci vendo Kelly vencer todo mundo, então sempre sonhei em um dia enfrentá-lo”, revela Gabriel. A primeira batalha foi marcada por uma grande polêmica e gerou o início de uma rivalidade entre o maior surfista de todos os tempos e a nova sensação mundial. Para muitos, Slater foi valorizado demais pelos juízes e não merecia avançar direto às quartas-de-final. Mas, o troco estava guardado. Medina nem precisou entrar na água na repescagem, já que seu adversário, o francês Jeremy Flores, havia sofrido uma forte contusão no tornozelo.

Trocos e tiques Na revanche, Medina deixou Slater desnorteado e dominou o duelo com notas 7.33 e 9.33, descartando 6.83 e 6.27, notas superiores aos 3.33 e 5.27 obtidos pelo melhor surfista de todos os tempos. “O mar tinha mais direita naquele dia. Quando veio a primeira onda, ele tentou me passar e remamos com muita força. Ele ainda tentou me dar a volta e não conseguiu. Comecei bem e ele ficou perdido, caiu nas ondas que pegou”, lembra Gabriel. O garoto de São Sebastião conta que Slater não tentou intimidá-lo, mas agia de forma estranha no outside enquanto estava perdendo, uma espécie de tique nervoso. “Ele ficava fazendo uns gestos com os braços, nem sei explicar como eram. Nunca tinha visto isso, só sei que era muito estranho, bizarro!”, se diverte Medina, tentando imitar o ídolo e rival.

Na semifinal, foi a vez de outro veterano amargar uma combination. A vítima foi Taylor Knox, derrotado de forma ainda mais avassaladora. Medina extrapolou nos aéreos e acertou uma rabetada espetacular. Em um dos voos, arrancou a primeira nota 10 da competição. Para completar o show, somou 9.57 e descartou 8.17. Em desespero com o incrível show do jovem brasileiro, Taylor até fez uma interferência proposital em Medina, que não deu mole e ainda trocou de base na onda para divertir o público.

O bicho pegou na final contra Julian Wilson. Medina tinha 7.83 no somatório e arrepiou uma esquerda nos instantes finais, arrancando 9.17 dos juízes. Julian vinha bem com 8.50 e 7.50, mas o dia era mesmo do brasileiro, incontestavelmente o melhor surfista do campeonato. Assim como Slater, Medina também tinha um gostinho de vingança no duelo contra Julian. “Ele havia me derrotado na final do Prime em Ericeira. Agora está 1×1!”, brinca Gabriel. 

Se você mexe com Gabriel Medina, está comprando uma briga que só vai terminar quando ele estiver em vantagem. Ele não é de falar, e sim de agir. Conheço Gabriel há muito tempo, mas só aprendi essa lição no início deste ano, na Austrália. Enquanto ele tirava um cochilo no apartamento alugado por Heitor Alves e Raoni Monteiro, o “QG” da galera brazuca, resolvi fazer uma brincadeira. Como ele geralmente dorme com a boca muito aberta e os olhos revirados, parecendo um “morto”, as imagens ficaram engraçadas. Postei as fotos no Facebook para tirar uma onda com ele, mas me dei mal. Frio e calculista, assim como nas baterias, ele aguardou tranquilamente a primeira oportunidade para devolver a brincadeira. No dia seguinte, lá estava eu tirando meu cochilo, quando ele aproveitou o momento para usar uma banana e fazer umas fotos para me sacanear. Não bastasse isso, na sequencia ele pegou meu Facebook aberto e postou no meu perfil a imagem de um stripper, como se eu tivesse colocado. A partir dali, apelidei-o de “Furacão” e prometi que nunca mais o provocaria.


Provocou, levou
Assim como Kelly Slater e Julian Wilson na França, outros adversários se deram mal contra o garoto na água. Na quarta fase do Prime em Imbituba, Medina, Damien Hobgood e Royden Bryson lutavam para escapar da repescagem. Com 16.17 pontos, Hobgood estava na frente e era ameaçado por Medina, que tinha 16 pontos. O norte-americano passou a marcar o garoto e fez algumas provocações: “Está vendo como é bom marcar? Você não gosta de marcar? Vamos lá!”, falou Damien. Gabriel saiu da água chorando de raiva. Depois de passar pela repescagem, ele reencontrou Damien nas quartas e deu o troco. Logo na primeira onda, aplicou um aéreo rodando muito alto na frente do adversário, arrancando um 10 unânime dos juízes. Não satisfeito, Medina somou ainda 9.73 para devolver com juros e correção monetária a provocação do oponente. Outro vitima de Medina foi o australiano Joel Parkinson. No início do ano, na Gold Coast, ele rabeou uma onda do garoto no free surf e ainda deu uma dura depois de quase chocar-se com Medina em Snapper Rocks. Aquilo ficou guardado na memória de Medina e ele esperou por meses até dar uma lição no aussie. 

No Rip Curl Pro Search em San Francisco, Califórnia (EUA), o cenário foi perfeito para o brasileiro mostrar que não havia esquecido a rabeada. Depois de confirmar a supremacia contra Slater nas quartas e Knox na semi, assim como aconteceu na França, ele mais uma vez encontrou um australiano na final, desta vez Joel Parkinson. A maior quantidade de direitas e a escassez de esquerdas na final em Ocean Beach pareciam favorecer o aussie. Mas Medina nem se abalou. Com fortes pancadas de backside, ele aplicou um duro golpe em Parko e não deu chance alguma ao adversário rabeador.

“Não gosto de onda grande” Apesar das vitórias e de toda badalação da mídia internacional, Medina sabe que tem muito o que aprender. Ainda não está acostumado a surfar com pranchas grandes e considera a etapa de Bell’s Beach, onde competiu como convidado no início do ano, a mais complicada do Tour. “É uma onda muito estranha. Às vezes você dá uma manobra pra dentro e ela corre. Também acontece de você mandar uma pra frente e ela engordar. Tem de estar bem acostumado e com a prancha certa”, avalia Medina.

Ele sentiu muita dificuldade ao enfrentar Owen Wright na repescagem, na vizinha bancada de Winkipop. “Era a minha primeira vez em Winkipop. A direita estava grande e rápida. Havia surfado com uma prancha grande em Bells e me dei mal, então resolvi pegar uma pequena, mas a direção de prova resolveu colocar as baterias em Winkipop. Não me achei no outside e o Owen estava mais acostumado, tinha a prancha certa. Eu me arrasei”, confessa. As ondas pesadas também são obstáculo para o jovem brasileiro. “Eu não gosto de onda grande. Quando estou com uma prancha maior, não consigo manobrar do jeito que quero. Eu até estava conversando com Owen sobre isso e ele falou a mesma coisa, que também não gosta de onda grande e prefere um mar com até 2 metros. Mas, se tiver de cair em um mar pesado, eu vou, principalmente quando é campeonato. Sei que posso pegar um mar gigante e, no WT, todo mundo tem de estar preparado para isso”, garante o prodígio.

A onda de Pipeline, que encerra o Tour, ainda é um desafio para ele. “Nem lembro direito como é a onda. O que lembro é do crowd e que conseguia pegar uma ou duas ondas em duas horas de surf. Este ano acho que vou pegar mais, né? Só eu e outro cara na água… Estou esperando muito por esse momento. Tomara que esteja terral, com altos tubos!” A juventude, as vitórias e a supremacia contra Kelly Slater têm despertado a curiosidade de muitos jornalistas. Mas Gabriel ainda tem dificuldade para lidar com todo esse assédio. No dia seguinte ao título do Rip Curl Pro Search, dezenas de jornalistas o procuravam pela internet. Seu email e sua página no Facebook estavam repletos de mensagens e perguntas. Pouquíssimos tiveram sucesso. “Não é que não goste de responder, mas é chato ficar repetindo as mesmas coisas. Ainda mais depois de um campeonato cansativo, com tantas baterias. No outro dia já tem um monte de email com 50 perguntas e você tem de responder tudo. Ainda não aprendi a lidar com isso”, admite o garoto.

Infância e família Gabriel tinha apenas 8 anos quando seus pais se separaram definitivamente. A relação entre Simone Medina e o ex-marido era marcada por altos e baixos, inclusive estavam separados quando Gabriel nasceu. Seu pai biológico ainda vive em São Sebastião, mas raramente eles se veem. Quem o acompanha e não desgruda do seu pé é Charles Serrano, um paulista que conheceu Simone em Maresias e assumiu o papel de pai. Charlão, como é conhecido, é um companheiro inseparável de Gabriel nos campeonatos. Uma mistura de pai, amigo, irmão, cozinheiro, videomaker, técnico e empresário. “Ele me ajuda muito. Sem falar que cozinha muito bem, é um cardápio humano!”, brinca Medina. “Ele me treina, dá uns toques antes da bateria. Sinto-me bem confortável viajando com ele, parece que estou em casa.” A família sempre teve forte ligação com o surf. Simone é praticante de bodyboarding, enquanto Charles pega onda de pranchinha. Gabriel tem dois irmãos: Felipe, 15, e Sofia, 6, esta última fruto da união de Charles e Simone. Assim que passou a viver com a família Medina, Charles acompanhou os primeiros movimentos do garoto sobre a prancha. “Sabe quando você percebe que a pessoa nasceu com um dom? Assim que ele começou a ficar de pé, notei que ele tinha uma pegada diferente dos outros”, afirma Charles.

Com apenas um ano de prática, Gabriel estreou nas competições disputando o Circuito Sebastianense. Meses depois, foi ao Santinho (SC) disputar o Rip Curl Grom Search e ficou em segundo lugar na categoria Grommet. Na etapa seguinte, em Búzios (RJ), Medina subiu outro degrau e chegou ao topo do pódio, desbancando seus principais rivais na época – Jessé Mendes e Sidney Guimarães. Era uma rápida evolução para uma criança de 11 anos que não tinha patrocínio, mas surfava com uma logomarca da Quiksilver no bico da prancha para divulgar a loja de Charles em Maresias – hoje padronizada pela Rip Curl. O primeiro patrocínio de Gabriel veio dois anos depois, com as marcas Echo e Vans.

Depois ele entrou para a equipe da Volcom, que perdeu o fenômeno em 2009, justamente quando ele começou a ganhar projeção no cenário internacional. “Naquela época, eles até tentaram segurar o Gabriel, mas optamos pela Rip Curl, pela estrutura que tem em termos mundiais. A marca sabia do talento dele e até onde poderia chegar. É a empresa certa para um cara que quer vencer, que não quer ficar acomodado”, diz Charles. Quando Medina causou os primeiros impactos, propostas começaram a chegar ao atleta, mas ele renovou seu contrato até 2016. Desde a sua entrada na Rip Curl, é nítida a atenção que a marca dispensa a Gabriel. Nas etapas do Circuito Mundial, os chefes de equipe Gary Dunne e Ryan Fletcher estão sempre de olho, acompanhando cada passo da nova sensação do World Tour. Nos dois últimos anos, Medina foi convidado pela marca para disputar a tradicional etapa em Bells Beach. Também foi chamado para o Rip Curl Pro 2010 em Portugal, mas não pôde participar devido aos estudos.

Com a campanha “Super Medina”, a Rip Curl trabalha cada vez mais forte a imagem do garoto brasileiro, que completa 18 anos em 22 de dezembro deste ano. Não há como negar que ele precisa evoluir em alguns aspectos, mas não é exagero afirmar que tem enorme potencial para trazer o inédito e sonhado título mundial ao Brasil. Medina já provou que, para ele, o céu é o limite.

*Texto publicado pela FLUIR em dezembro de 2011.

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    ATUALIZAÇÃO: 21/08/2026, às 12h36 (horário de Brasília) Victor Bernardo e sua esposa, Johnni, apresentam evolução no quadro de saúde após o grave acidente de carro sofrido na Califórnia, nos Estados Unidos. Os dois já passaram por cirurgias e, segundo Mike Townsend, manager do surfista, estão conscientes, de bom humor e otimistas. Victor sofreu uma fratura na perna e um ferimento grave acima do joelho. O brasileiro passou por uma nova cirurgia na quarta-feira. Inicialmente, os médicos instalaram uma estrutura externa para estabilizar a perna, mas o equipamento já foi retirado. Segundo Townsend, a evolução indica a possibilidade de uma recuperação mais rápida do que se imaginava inicialmente. Johnni também passou por uma cirurgia considerada bem-sucedida. Ela sofreu uma hemorragia interna no abdômen e fraturas na face em consequência do acidente. Os ferimentos foram tratados cirurgicamente. De acordo com Townsend, os dois permanecem positivos diante de tudo o que enfrentaram nos últimos dias. Até o momento, nenhum deles tem previsão de alta hospitalar. Abaixo, você confere a matéria publicada originalmente sobre o acidente: O guarujaense Victor Bernardo e a esposa, Johnni, permanecem hospitalizados depois de sofrerem um grave acidente de carro na Califórnia, nos Estados Unidos, na noite do último domingo (16). O veículo em que o casal estava se envolveu em uma colisão com um caminhão. Vitinho foi levado de helicóptero ao hospital. O surfista sofreu uma fratura na perna e precisará passar por cirurgia. Johnni foi transportada de ambulância e também permanece sob cuidados médicos. De acordo com as informações divulgadas até o momento, o quadro dela inspira mais atenção, mas não há risco de morte. As circunstâncias exatas da colisão e o local onde ela aconteceu não foram divulgados. O cineasta Logan Dulien, amigo do casal, afirmou que o acidente poderia ter sido fatal e que os dois deverão enfrentar um longo período de recuperação. A notícia mobilizou a comunidade internacional do surfe nas redes sociais. Mick Fanning, Coco Ho, Kanoa Igarashi, Raimana Van Bastolaer e Mikey February estão entre os nomes que manifestaram apoio ao casal. Natural do Guarujá (SP), Victor Bernardo, conhecido também como Vitinho, ganhou projeção ainda jovem no surfe brasileiro. Em 2013, aos 16 anos, conquistou o título brasileiro Pro Junior, em uma geração que também revelou nomes como Italo Ferreira e Caio Ibelli. Ao longo da carreira, disputou etapas do circuito de acesso à elite mundial e competições em diferentes países. Nos últimos anos, Victor passou a dedicar maior parte da carreira ao free surf e à produção de conteúdo ligado ao surfe. O brasileiro se estabeleceu na Califórnia e continuou diretamente ligado ao esporte. Victor nasceu em 8 de fevereiro de 1997 e tem a Praia do Tombo, no Guarujá, como sua onda favorita. Neste momento, toda a equipe do Waves deseja muita força a Victor e Johnni e torce por uma recuperação completa e tranquila do casal. Veja mais sobre Vitinho: Album Surf retrata perfeição Novo capítulo da Album Victor Bernardo inspirado no Havaí Victor Bernardo poderoso Victor Bernardo performático Sopa de peixe Victor Bernardo na estileira Papo com Victor Bernardo Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br)

    Surfista brasileiro Victor Bernardo e sua esposa Johnni são hospitalizados após colisão nos Estados Unidos. Atleta sofreu fratura na perna e precisa passar por cirurgia.

    Teahupoo mostrou mais uma vez por que é uma das etapas mais aguardadas do Circuito Mundial. Tubos, notas altas, baterias apertadas e eliminações de alguns dos principais nomes da temporada marcaram a sétima parada do Championship Tour 2026, o Outerknown Tahiti Pro. Seth Moniz e Erin Brooks ficaram com os títulos. Para o Brasil, o grande destaque foi Italo Ferreira, que chegou às semifinais e deixou a Polinésia Francesa na liderança do ranking mundial. Primeira vitória de Seth Moniz Seth Moniz viveu em Teahupoo o maior momento de sua carreira no Championship Tour. Em sua sétima temporada na elite, o havaiano conquistou sua primeira vitória no CT ao derrotar Griffin Colapinto na decisão. A campanha foi construída desde o Round 1. No caminho até o título, Seth passou por Eimeo Czermak, Yago Dora, Barron Mamiya e Alan Cleland antes de encontrar Italo Ferreira nas semifinais. Depois de superar o brasileiro, derrotou Griffin na decisão. Na final, Seth venceu por 18,17 a 14,67, garantindo o primeiro troféu de sua carreira no CT. O resultado também provocou uma grande mudança em sua temporada: ele saltou 12 posições e chegou ao 19º lugar no ranking. Italo veste a lycra amarela Italo Ferreira chegou ao último dia de competição como principal esperança brasileira e avançou às semifinais ao derrotar Ethan Ewing nas quartas. O potiguar começou a bateria com um tubo para 5,33 e depois encontrou uma onda que rendeu 7,17. Na reta final, ainda conseguiu um 8,33 para fechar a disputa com 15,50 pontos contra 11,94 do australiano. Na semifinal contra Seth Moniz, Italo chegou a abrir boa vantagem. O brasileiro liderava por 12,50 a 5,50, mas o havaiano cresceu na parte final da bateria, recebeu 7,83 e 7,93 e virou o confronto. Seth avançou com 15,76 contra 13,83, enquanto Italo terminou a etapa na terceira colocação. Mesmo eliminado, o saldo do brasileiro foi importante na corrida pelo título mundial. Com os 6.085 pontos conquistados em Teahupoo, Italo chegou a 39.930 pontos e abriu 5.000 de vantagem sobre Leonardo Fioravanti, vice-líder. O Brasil ainda ocupa quatro das cinco primeiras posições do ranking: além de Italo na liderança, Yago Dora aparece em terceiro, Miguel Pupo em quarto e Gabriel Medina em quinto. Erin Brooks vira final e conquista o título No feminino, Erin Brooks protagonizou uma reação na decisão contra Anat Lelior. A israelense abriu vantagem e chegou à metade da bateria com duas ondas excelentes, 8,33 e 8,00. Brooks reagiu primeiro com um 8,27 e depois encontrou outro tubo para 8,93, assumindo a liderança. A canadense venceu por 17,20 a 16,33. Foi a primeira vitória de Erin como integrante fixa do Championship Tour. A canadense, de 19 anos, havia começado o Finals Day eliminando a atual campeã mundial e defensora do título da etapa, Molly Picklum, e depois passou por Isabella Nichols na semifinal. Com o resultado, Brooks subiu sete posições e chegou ao 11º lugar do ranking. Anat Lelior também deixou Teahupoo com o maior resultado de sua carreira. O vice-campeonato representou a primeira final de um surfista de Israel no Championship Tour. Slater desafia o tempo Aos 54 anos, Kelly Slater foi um dos grandes personagens da etapa. O 11 vezes campeão mundial eliminou Gabriel Medina em um dos confrontos mais aguardados do campeonato e fez isso com uma atuação que entrou para os destaques do ano. Slater somou 19,06 pontos na bateria, mostrando mais uma vez sua sintonia com Teahupoo. Sua campanha terminou nas oitavas de final, diante de Jack Robinson, mas não antes de o norte-americano voltar a deixar sua marca no campeonato onde construiu alguns dos maiores momentos de sua carreira. Brasileiros em Teahupoo Além da semifinal de Italo, João Chianca, Alejo Muniz e Miguel Pupo chegaram às oitavas de final. Miguel foi superado por Griffin Colapinto, enquanto Chumbinho e Alejo também se despediram nesta fase. Gabriel Medina havia sido eliminado anteriormente por Kelly Slater. No feminino, Luana Silva caiu no Round 2 diante da portuguesa Yolanda Hopkins. Próxima parada: Fiji Encerrado o Tahiti Pro, o Championship Tour permanece no Pacífico Sul. A próxima etapa será disputada em Cloudbreak, Fiji, com janela entre 25 de agosto e 4 de setembro. “A gente segue na disputa. É uma longa jornada e tenho que colocar o pezinho no chão para trabalhar campeonato a campeonato” Italo Ferreira, campeão mundial de 2019 Italo chega à próxima etapa com a lycra amarela, mas evita antecipar qualquer possibilidade de disputa pelo segundo título mundial. O brasileiro já definiu também seu próximo objetivo: conquistar pela primeira vez a etapa de Fiji. Ranking Mundial após 7 etapas 1 Italo Ferreira (BRA) — 39.930 pontos2 Leonardo Fioravanti (ITA) — 34.9303 Yago Dora (BRA) — 33.9504 Miguel Pupo (BRA) — 30.4505 Gabriel Medina (BRA) — 28.6106 Ethan Ewing (AUS) — 28.5757 George Pittar (AUS) — 26.7058 Griffin Colapinto (EUA) — 26.2909 Samuel Pupo (BRA) — 25.64010 Liam O’Brien (AUS) — 23.18515 João Chianca (BRA) — 19.04517 Filipe Toledo (BRA) — 18.15024 Alejo Muniz (BRA) — 13.96030 Mateus Herdy (BRA) — 10.240 Chaves de baterias Masculino Round 1 1 Ramzi Boukhiam (MAR) 8.17 x 3.93 Oscar Berry (AUS)2 Luke Thompson (AFS) 5.50 x 0.77 Matthew McGillivray (AFS)3 Seth Moniz (HAV) 14.50 x 14.17 Eimeo Czermak (TAH)4 Eli Hanneman (HAV) 4.53 x 16.23 Kelly Slater (EUA) Round 2 1 Kauli Vaast (FRA) 13.50 x 10.16 Crosby Colapinto (EUA)2 Samuel Pupo (BRA) 5.00 x 6.00 Alan Cleland (MEX)3 Yago Dora (BRA) 14.33 x 15.97 Seth Moniz (HAV)4 Marco Mignot (FRA) 7.84 x 9.07 Barron Mamiya (HAV)5 Filipe Toledo (BRA) 1.63 x 4.06 Connor O’Leary (JAP)6 Italo Ferreira (BRA) 9.17 x 1.87 Luke Thompson (AFS)7 Liam O’Brien (AUS) 9.33 x 7.83 Jake Marshall (EUA)8 Ethan Ewing (AUS) 14.17 x 12.33 Joel Vaughan (AUS)9 Leonardo Fioravanti (ITA) 13.50 x 15.67 Ramzi Boukhiam (MAR)10 Morgan Cibilic (AUS) 15.90 x 17.83 João Chianca (BRA)11 Kanoa Igarashi (JAP) 4.00 x 7.07 Alejo Muniz (BRA)12 George Pittar (AUS) 14.16 x 7.50 Cole Houshmand (EUA)13 Gabriel Medina (BRA) 16.10 x 19.06 Kelly Slater (EUA)14 Jack Robinson (AUS)

    Seth Moniz conquista primeira vitória no CT, Erin Brooks vence entre as mulheres e Italo Ferreira deixa o Taiti na liderança do ranking após chegar às semifinais do Outerknown Tahiti Pro 2026.

    A próxima chamada o Outerknown Tahiti Pro 2026 acontece nesta segunda-feira (10) às 14h (de Brasília). Depois de mais de um mês de paralisação desde o Rio Pro, em Saquarema, o Championship Tour da WSL retorna para uma das ondas mais desafiadoras do planeta: Teahupoo, no Taiti. Clique aqui para assistir ao vivo no site da WSL Clique aqui para saber tudo sobre a etapa de Teahupoo A janela de competição acontece entre os dias 8 e 18 de agosto. Uma das solicitações mais frequentes desde o lançamento da nova plataforma foi o retorno dos comentários e debates em tempo real durante as etapas do Circuito Mundial. Por isso, o Waves volta a abrir o espaço para a comunidade acompanhar, comentar e trocar opiniões ao longo das baterias. Durante muitos anos, esse encontro entre surfistas fez parte da cobertura dos eventos no Waves. Agora, a tradição retorna renovada, mantendo o que sempre foi mais importante: a participação da comunidade. Feito de surfista para surfista, o Waves acredita que acompanhar uma etapa vai muito além de assistir às baterias. É também comentar o que acontece nas entrelinhas, discutir as notas, defender seus favoritos e trocar ideias com outros apaixonados por surfe. Ranking Mundial após 7 etapas 1 Italo Ferreira (BRA) — 39.930 pontos2 Leonardo Fioravanti (ITA) — 34.9303 Yago Dora (BRA) — 33.9504 Miguel Pupo (BRA) — 30.4505 Gabriel Medina (BRA) — 28.6106 Ethan Ewing (AUS) — 28.5757 George Pittar (AUS) — 26.7058 Griffin Colapinto (EUA) — 26.2909 Samuel Pupo (BRA) — 25.64010 Liam O’Brien (AUS) — 23.18515 João Chianca (BRA) — 19.04517 Filipe Toledo (BRA) — 18.15024 Alejo Muniz (BRA) — 13.96030 Mateus Herdy (BRA) — 10.240 Chaves de baterias Masculino Round 1 1 Ramzi Boukhiam (MAR) 8.17 x 3.93 Oscar Berry (AUS)2 Luke Thompson (AFS) 5.50 x 0.77 Matthew McGillivray (AFS)3 Seth Moniz (HAV) 14.50 x 14.17 Eimeo Czermak (TAH)4 Eli Hanneman (HAV) 4.53 x 16.23 Kelly Slater (EUA) Round 2 1 Kauli Vaast (FRA) 13.50 x 10.16 Crosby Colapinto (EUA)2 Samuel Pupo (BRA) 5.00 x 6.00 Alan Cleland (MEX)3 Yago Dora (BRA) 14.33 x 15.97 Seth Moniz (HAV)4 Marco Mignot (FRA) 7.84 x 9.07 Barron Mamiya (HAV)5 Filipe Toledo (BRA) 1.63 x 4.06 Connor O’Leary (JAP)6 Italo Ferreira (BRA) 9.17 x 1.87 Luke Thompson (AFS)7 Liam O’Brien (AUS) 9.33 x 7.83 Jake Marshall (EUA)8 Ethan Ewing (AUS) 14.17 x 12.33 Joel Vaughan (AUS)9 Leonardo Fioravanti (ITA) 13.50 x 15.67 Ramzi Boukhiam (MAR)10 Morgan Cibilic (AUS) 15.90 x 17.83 João Chianca (BRA)11 Kanoa Igarashi (JAP) 4.00 x 7.07 Alejo Muniz (BRA)12 George Pittar (AUS) 14.16 x 7.50 Cole Houshmand (EUA)13 Gabriel Medina (BRA) 16.10 x 19.06 Kelly Slater (EUA)14 Jack Robinson (AUS) 18.20 x 17.40 Callum Robson (AUS)15 Griffin Colapinto (EUA) 19.60 x 8.50 Rio Waida (IND)16 Miguel Pupo (BRA) 13.50 x 1.94 Mateus Herdy (BRA) Round 3 1 Kauli Vaast (FRA) 12.00 x 12.34 Alan Cleland (MEX)2 Seth Moniz (HAV) 12.10 x 9.04 Barron Mamiya (HAV)3 Connor O’Leary (JAP) 10.33 x 11.66 Italo Ferreira (BRA)4 Liam O’Brien (AUS) 6.66 x 7.67 Ethan Ewing (AUS)5 Ramzi Boukhiam (MAR) 14.00 x 9.10 João Chianca (BRA)6 Alejo Muniz (BRA) 2.10 x 13.66 George Pittar (AUS)7 Kelly Slater (EUA) 8.46 x 15.00 Jack Robinson (AUS)8 Griffin Colapinto (EUA) 16.67 x 15.17 Miguel Pupo (BRA) Quartas de final 1 Alan Cleland (MEX) 1.50 x 13.66 Seth Moniz (HAV)2 Italo Ferreira (BRA) 15.50 x 11.94 Ethan Ewing (AUS)3 Ramzi Boukhiam (MAR) 17.74 x 8.84 George Pittar (AUS)4 Jack Robinson (AUS) 11.50 x 11.83 Griffin Colapinto (EUA) Semifinais 1 Seth Moniz (HAV) 15.76 x 13.83 Italo Ferreira (BRA)2 Ramzi Boukhiam (MAR) 8.37 x 15.40 Griffin Colapinto (EUA) Final 1 Seth Moniz (HAV) 18.17 x 14.67 Griffin Colapinto (EUA) Feminino Round 1 1 Sally Fitzgibbons (AUS) 1.67 x 4.16 Anat Lelior (ISR)2 Tya Zebrowski (FRA) 2.00 x 6.90 Erin Brooks (CAN)3 Isabella Nichols (AUS) 8.77 x 7.13 Vahine Fierro (FRA)4 Stephanie Gilmore (AUS) 3.90 x 4.73 Yolanda Hopkins (POR)5 Alyssa Spencer (EUA) 5.00 x 1.93 Bella Kenworthy (EUA)6 Bettylou Sakura Johnson (HAV) 4.44 x 6.00 Brisa Hennessy (CRC)7 Nadia Erostarbe (ESP) 8.67 x 4.66 Francisca Veselko (POR)8 Tyler Wright (AUS) 4.57 x 5.34 Kelia Gallina (TAH) Round 2 1 Caroline Moore (HAV) 8.90 x 11.83 Erin Brooks (CAN)2 Molly Picklum (AUS) 9.50 x 3.56 Alyssa Spencer (EUA)3 Sawyer Lindblad (EUA) 6.67 x 7.16 Isabella Nichols (AUS)4 Lakey Peterson (EUA) 4.73 x 4.90 Nadia Erostarbe (ESP)5 Gabriela Bryan (HAV) 1.46 x 12.73 Anat Lelior (ISR)6 Caroline Marks (EUA) 5.50 x 8.27 Kelia Gallina (TAH)7 Luana Silva (BRA) 3.97 x 10.17 Yolanda Hopkins (POR)8 Caity Simmers (EUA) 13.50 x 1.33 Brisa Hennessy (CRC) Quartas de final 1 Erin Brooks (CAN) 13.50 x 3.27 Molly Picklum (AUS)2 Isabella Nichols (AUS) 7.83 x 7.26 Nadia Erostarbe (ESP)3 Anat Lelior (ISR) 9.50 x 6.53 Kelia Gallina (TAH)4 Yolanda Hopkins (POR) 12.33 x 6.90 Caity Simmers (EUA) Semifinais 1 Erin Brooks (CAN) 15.10 x 11.17 Isabella Nichols (AUS)2 Anat Lelior (ISR) 12.50 x 3.43 Yolanda Hopkins (POR) Final 1 Erin Brooks (CAN) 17.20 x 16.33 Anat Lelior (ISR))

    Confira ao vivo o Outerknown Tahiti Pro 2026 e participe dos comentários e debates no nosso fórum, durante as etapas da WSL.

    Etapa Natal chegou ao fim neste domingo nas areias da Praia de Miami com vitórias de Daniella Rosas e Douglas Silva. Com status QS 4.000 da World Surf League (WSL), a etapa é válida tanto para o ranking sul-americano 2026/27 da WSL South America quanto para o Circuito BB na temporada. O domingo começou com as Quartas de Final masculina, seguidas pelas Semifinais nos dois naipes, e na sequência foi a vez da grande decisão em ambas as categorias, com aumento de tempo para 35 minutos por confronto para dar mais tranquilidade aos competidores na escolha das ondas no litoral potiguar. Douglas Silva desbanca líder do ranking para celebrar a vitória Em um duelo entre Santa Catarina e Pernambuco, Douglas Silva (BRA) conquistou sua primeira vitória no Circuito Banco do Brasil de Surfe, superando o catarinense Luan Wood (BRA), líder do ranking do QS sul-americano e do Circuito BB, embalado pelo título da etapa de Imbituba. Em uma final eletrizante na Praia de Miami, Douglas começou forte e abriu a disputa com uma onda 8,50, e Luan respondeu logo na sequência, marcando 8,07 pontos ao trabalhar muito bem as manobras de base-lip. Luan precisava de 7,14 pontos para virar o resultado e ainda teve uma última oportunidade quando os dois surfistas conseguiram pegar ondas a menos de 30 segundos do fim, mas o  catarinense recebeu 6,50 e não conseguiu a virada, confirmando Douglas Silva como grande campeão da etapa de Natal. “Primeiramente, agradecer a Deus por esse momento. Estou muito feliz, estava me sentindo bem desde o começo do evento. Estava leve. Quero agradecer a todos pela torcida, aos meus patrocinadores que acreditam no meu sonho e no meu futuro, ao meu coach Alan… Aproveitar pra dar um feliz Dia dos Pais pra todo mundo. Muito feliz de sair com a primeira vitória no Circuito BB. Seguir firme e forte trabalhando, o trabalho não para”, celebra o campeão, que completa: “Eu sempre falo pra todo mundo que nossa vida é ganha nos mínimos detalhes e é algo que eu tenho trabalhado bastante com meu coach. Estamos ajudando muito isso. 1% melhor a cada dia. Deus colocou pessoas boas na minha vida e está dando certo. A gente trabalha todos os dias para que dê certo e a gente está colhendo os resultados“. Trajetória impecável começa nas semifinais As semifinais masculinas do Circuito Banco do Brasil de Surfe – Etapa Natal colocaram frente a frente dois dos surfistas que mais se destacaram no evento. Douglas Silva eliminou o campeão da etapa de 2025, Israel Junior (BRA), por 16,84 a 12,67 pontos, deixando o potiguar em combinação. O duelo foi marcado pelo confronto entre dois aerialistas: Israel ainda arriscou mais um superman, repetindo o feito das quartas, mas foi Douglas quem construiu a vitória com um surfe de borda muito forte, tanto de backside quanto de frontside, garantindo duas notas de critério excelente (8,67 e 8,17).  Em grande fase, Douglas chegou à decisão com uma campanha praticamente perfeita em Natal. Antes da final, Dodô já mostrava confiança em suas declarações:  “Eu tô muito leve, muito tranquilo. Eu realmente vim aqui pra sair com o título, estou muito focado nessa etapa (…) Essa é minha meta“. Na semifinal anterior, Luan Wood confirmou o favoritismo e superou Rafael Barbosa (BRA) por 14,70 a 13,67, garantindo vaga na decisão. Luan chegou a Natal na liderança do ranking depois das duas primeiras etapas e vinha de uma sequência consistente: no sábado, venceu suas duas baterias, incluindo uma onda 7,67 que foi decisiva para avançar às quartas. Rafael também chegou forte, ocupando posição de destaque no ranking e tendo como antecedente recente um duelo apertado contra Luan. A vitória colocou Luan na final contra Douglas, em um confronto que reúne o líder do QS sul-americano e o atleta que chega embalado por um dos melhores momentos da temporada. Peruana supera Maria Eduarda Cesar e conquista o título  A final feminina do Circuito Banco do Brasil de Surfe – Etapa Natal colocou frente a frente experiência e nova geração. De um lado, Maria Eduarda Cesar (BRA), uma das promessas do surfe brasileiro com apenas 18 anos, disputando a primeira final de sua carreira no Circuito BB. Do outro, a peruana Daniella Rosas (PER), atleta olímpica, tricampeã sul-americana da WSL e atual campeã do circuito Banco do Brasil, que chegou à segunda final em duas etapas disputadas em 2026. Em 2025, Daniella foi ainda campeã em São Sebastião e em Imbituba. Em uma decisão de 30 minutos, Dani venceu por 9,07 a 9,84 pontos, administrando bem a escolha das ondas e a prioridade nos minutos finais. Duda apostou principalmente nas direitas em frente ao palanque, mas a peruana foi mais eficiente na leitura do mar. O resultado reforça a consistência de Daniella em eventos no Brasil.  “Estou super agradecida. Poder ganhar aqui é super especial. Venho de uma sequência não muito boa no Challenger, mas estou feliz de poder ganhar aqui. Em Imbituba não foi meu grande dia (na final contra a Sophia Medina), e aqui fiquei o mais tranquila possível e ajustei meus erros. Estou feliz e agradecida”, celebra a campeã, que projeta os próximos passos:  “Agora vou pra casa, porque faz muito tempo que não vou pra lá. Saio para a Espanha, depois volto para o Brasil para a etapa do Espírito Santo… Tenho bons resultados no Brasil e quero manter isso constante. Estou totalmente focada nos Challengers. Esse ano me sinto muito melhor, estou super feliz em todos os sentidos. Agradecida de estar aqui, de ganhar aqui. A verdade é que estou muito feliz”, finaliza Dani.  Atleta BB, Tainá Hinckel (BRA) e Alexia Monteiro (BRA) encerraram suas participações na semifinal, terminando o evento em terceiro lugar no geral.  Resultados Circuito Banco do Brasil de Surfe em Etapa Natal Masculino Quartas de final 1 Luan Wood (BRA) 11.60 x 8.70 Wesley Leite (BRA)2 Rafael Barbosa (BRA) 13.50 x 12.23 Gabriel Klaussner (BRA)3 Israel Junior (BRA) 14.00 x 12.03 Ryan Kainalo (BRA)4 Douglas Silva (BRA) 15.10 x

    Pernambucano Douglas Silva conquista primeira vitória no Circuito Banco do Brasil, e peruana Daniella Rosas vence no feminino na etapa de Natal, disputada na Praia de Miami (RN).

    A Defesa Civil mantém alertas para ventos fortes nesta sexta-feira (7) em áreas do litoral de São Paulo e do Rio de Janeiro, com rajadas que podem chegar a 100 km/h no litoral paulista. A situação já provocou ventos de 97,2 km/h em Itanhaém, no litoral sul de São Paulo, durante a noite de quinta-feira (6). Clique aqui para ver a previsão das ondas em SP Clique aqui para ver a previsão das ondas no RJ No estado de São Paulo, a previsão é de alerta vermelho nesta sexta e no sábado (8), com destaque para o litoral, a faixa leste e regiões de serra. A Defesa Civil chegou a enviar alertas severos aos celulares da população do litoral sul e da Baixada Santista até Bertioga. A força do vento já pôde ser sentida em diferentes pontos da costa paulista. Além dos 97,2 km/h registrados em Itanhaém na noite de quinta, os ventos chegaram a 90 km/h em Mongaguá no período noturno. Na manhã desta sexta, Caraguatatuba registrou rajadas de 49,3 km/h. Também houve registros de 37,6 km/h em Santos, 36,7 km/h em Cananéia, 31,2 km/h em Mongaguá e 31,1 km/h em Ilhabela. A Baixada Santista está entre as regiões com previsão de ventos fortes e maior risco no estado. Bertioga, Caraguatatuba, São Sebastião e Ubatuba suspenderam as aulas da rede pública nesta sexta-feira. Segundo a Defesa Civil, a ventania pode provocar queda de árvores e placas, destelhamentos, interrupções no fornecimento de energia, dificuldades no tráfego, impactos em aeroportos e agitação marítima. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Agência SP (@agenciaspoficial) Rio de Janeiro também recebe alerta No Rio de Janeiro, a Defesa Civil estadual também emitiu um alerta severo para ventos e chuva forte na manhã desta sexta-feira. A mensagem enviada aos celulares alertou para vento forte nas próximas horas e orientou a população a evitar deslocamentos. A cidade do Rio entrou em Estágio 2 ainda na noite de quinta-feira, diante da previsão de intensificação dos ventos entre quinta e domingo (9). As aulas das redes municipal e estadual foram suspensas nesta sexta por precaução. As condições para um vendaval se intensificaram com a combinação entre um ciclone e uma frente fria, e os ventos podem passar dos 90 km/h na Região Metropolitana do Rio. Para esta sexta, a previsão indica rajadas fortes, entre 52 e 76 km/h, e muito fortes, acima de 76 km/h, a partir da manhã. Atenção redobrada no litoral A ventania está associada à chegada de um ciclone extratropical à região Sul do país e exige atenção especial de quem está no litoral. Além dos ventos fortes, há previsão de ressaca. No estado de São Paulo, nove das 16 regiões administrativas estão em alerta vermelho, incluindo Santos e o Vale do Paraíba e litoral norte. Além dos riscos provocados pelo vento em terra, a Defesa Civil paulista inclui a agitação marítima entre os possíveis impactos das condições meteorológicas. O cenário reforça a necessidade de atenção de quem pretende frequentar praias ou realizar atividades no mar durante o período de maior intensidade dos ventos. No domingo (9), a previsão para São Paulo passa para alerta amarelo, com as rajadas se deslocando gradualmente em direção ao Rio de Janeiro. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Corpo de Bombeiros Militar/ RJ (@corpodebombeiros_rj)

    Litoral paulista está entre as áreas de maior atenção nesta sexta-feira (7), enquanto Rio de Janeiro também recebe alerta para ventos fortes. Rajadas já chegaram a 97,2 km/h em Itanhaém.

    O Circuito Banco do Brasil de Surfe retorna ao Rio Grande do Norte para mais uma etapa da temporada de 2026. Entre os dias 7 e 9 de agosto, a Praia de Miami, em Natal, recebe pela terceira vez uma das principais etapas do calendário da WSL South America, válida pelo Qualifying Series (QS) 4.000. E, entre os principais nomes da competição, um atleta chega cercado de expectativa: o potiguar Mateus Sena, campeão da etapa em 2024 e um dos favoritos para repetir o feito diante da torcida. Em cinco anos, o Circuito Banco do Brasil de Surfe consolidou-se como a principal plataforma de desenvolvimento do surfe profissional sul-americano. Já foram 21 etapas realizadas, mais de duas mil inscrições e mais de 700 atletas únicos, de 15 nacionalidades, reforçando a importância da competição para a formação de novos talentos. “Cada etapa do Circuito Banco do Brasil de Surfe representa muito mais do que uma competição. É uma oportunidade de fortalecer o surfe brasileiro, criar caminhos para a nova geração de atletas e aproximar ainda mais o esporte das comunidades onde ele nasceu e se desenvolveu. Natal reúne todos esses elementos o que faz elevar a expectativa de realizar mais um grande evento e seguir consolidando o circuito como a principal plataforma de desenvolvimento do surfe profissional na América do Sul”, evidencia Ivan Martinho, presidente da WSL América Latina. O Rio Grande do Norte tem tradição na modalidade, revelando nomes como Italo Ferreira, campeão olímpico e mundial da WSL, Jadson André, que permaneceu por 13 temporadas na elite do Championship Tour, além de atletas como Joca Junior, Marcelo Nunes, Danilo Costa, Aldemir Calunga, Alan Jhones e Israel Junior. Agora, Mateus Sena busca escrever mais um capítulo dessa história. Foi justamente na Praia de Miami que o surfista viveu um dos momentos mais marcantes da carreira. Em 2024, conquistou o título da etapa e também da temporada do Circuito Banco do Brasil de Surfe. Na decisão, arrancou uma nota 8.50 na última onda, a menos de dois minutos do fim da bateria, para virar sobre Adauto Sena e levantar o troféu diante da praia lotada. “A conquista de 2024 foi um dos momentos mais marcantes da minha carreira. Foi o primeiro título sul-americano da história do Rio Grande do Norte em um evento desse porte, e isso torna essa vitória ainda mais especial. Guardo lembranças muito boas daquele dia, com minha família, meus amigos e todas as pessoas que me viram crescer acompanhando da praia. Tudo isso me dá ainda mais confiança, porque sei que já consegui uma vez e agora vou em busca de repetir esse resultado”, destaca Mateus. No ano seguinte, a tradição foi mantida com mais um título potiguar, desta vez conquistado por Israel Junior. Agora, em 2026, os dois surfistas entram na disputa com a chance de se tornarem os primeiros bicampeões da etapa de Natal. Competindo novamente diante da família, dos amigos e da torcida local, Mateus afirma chegar mais preparado para lidar com a responsabilidade de correr em casa. “Depois de já ter vencido uma etapa, chego mais leve, focado e tranquilo, sabendo que o trabalho foi feito. Me preparei da melhor forma, cuidando da alimentação, treinando o corpo e a mente, dentro e fora da água, e isso me dá muita confiança. Poder contar com minha família, meus amigos e com as pessoas que me viram crescer, na praia onde tudo começou, torna esse momento ainda mais especial. Espero poder retribuir todo esse apoio com um grande resultado”, afirma. Além do aspecto esportivo, o surfista destaca o impacto que a realização de uma etapa da WSL pode gerar para o estado e para os jovens atletas da região. “É muito importante para o desenvolvimento do surfe no Rio Grande do Norte. O estado tem ondas de qualidade e muitos surfistas talentosos que ainda não estão no radar do cenário nacional e internacional. Um evento desse porte cria oportunidades para que esses atletas mostrem seu potencial. Além disso, o histórico recente mostra a força do surfe potiguar, com títulos conquistados em 2024 e 2025 por atletas da casa. Espero que este ano a gente possa manter essa tradição”.

    Campeão do circuito em 2024 na Praia de Miami, natalense Mateus Sena volta a competir em casa em busca de manter a hegemonia potiguar em etapa do Circuito Banco do Brasil.

    O surfe contemporâneo, com sua indústria bilionária e recente status olímpico, muitas vezes ofusca uma verdade histórica profunda: suas raízes não são ocidentais, tampouco puramente recreativas. É exatamente essa lacuna cultural que o jornalista e antropólogo Luciano Meneghello busca preencher em seu novo livro, Surfe e Ancestralidade. A obra chega ao mercado como um relato histórico e um manifesto literário que promete transformar a maneira como a comunidade esportiva enxerga o oceano e a própria prancha. Em 2020, ele lançou seu primeiro livro, Raiz (revisado e ampliado em 2025), uma obra que narrou a saga dos polinésios que, há 3.500 anos, desbravaram 22,5 milhões de km² no Pacífico guiados apenas pelas estrelas, aves e ondas. Foi dessa cultura umbilicalmente ligada à natureza que nasceram esportes como a canoagem polinésia, o stand up paddle e o surfe. Inquieto com o apagamento das origens indígenas do surfe no Havaí pré-colonial, o autor tomou uma decisão corajosa: voltou aos bancos universitários para cursar Antropologia na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O resultado foi uma monografia aprovada com nota máxima unânime, que agora ganha vida nas páginas de Surfe e Ancestralidade. A decolonização das águas O ponto central da obra está na desconstrução do estereótipo do surfe como uma atividade de lazer desfrutada por uma juventude branca de classe média. Meneghello nos convida a entender o heʻe nalu, a milenar prática havaiana de deslizar sobre as ondas, com sua própria cosmologia, integrada a uma relação de poder e conexão com o meio ambiente. Com uma narrativa envolvente, o autor detalha como operam os processos de apropriação cultural e a subsequente “turistificação” promovida pela indústria. A obra propõe uma decolonização do olhar sobre as águas, oferecendo ao leitor, seja ele um surfista profissional ou de fim de semana, um novo nível de respeito pelo esporte. Fruto de anos de pesquisa e imersão etnográfica nas ilhas de O’ahu e Maui, o livro revela como o povo nativo (Kānaka Maoli) passou a utilizar as zonas de surfe (po‘ina nalu) como territórios de soberania em resposta aos processos coloniais que mudaram drasticamente a realidade das ilhas havaianas. O autor traça uma linha do tempo fascinante que vai das sofisticadas pranchas ancestrais de madeira até as tensões políticas modernas, culminando no poderoso “Renascimento Havaiano” e na épica jornada da canoa Hōkūleʻa. Surfe e Ancestralidade transporta o surfe de uma técnica esportiva, que movimenta hoje um mercado bilionário, para uma “epistemologia da paisagem marinha”. Ele oferece aos praticantes a oportunidade de reconectar o ser humano ao fluxo do meio ambiente, em um processo capaz de “pacificar o branco” apontando caminhos para uma vida mais presente e conectada com o mundo real. Como adquirir a obra Surfe e Ancestralidade está sendo lançado diretamente pelo autor. Os interessados em adquirir o livro e acompanhar os bastidores dessa pesquisa podem entrar em contato e realizar a compra através do perfil oficial no Instagram: @surfeeancestralidade.

    Antropólogo Luciano Meneghello propõe releitura das origens do surfe, resgatando a cultura polinésia e questionando a visão ocidental que transformou a prática em esporte e indústria.

    No início da década de 1980, Paulo Bittencourt, o Biteka, decidiu seguir rumo ao Oceano Pacífico. O objetivo era simples e, ao mesmo tempo, imenso: encontrar grandes ondas da maneira que seu orçamento permitia. Mais do que chegar ao Peru e ao Equador, queria viver cada quilômetro daquela aventura. A viagem começou na histórica Estação da Luz, em São Paulo, seguindo de trem até Corumbá, no Mato Grosso do Sul. Dali atravessou a fronteira a pé até Puerto Quijarro, na Bolívia, onde embarcou no lendário Trem da Morte. Levava duas pranchas especialmente construídas pelo mestre Oracio Cocada para enfrentar as ondas do Pacífico: uma 7’2″ e uma 5’11” biquilha em EPS, ambas com inovadoras longarinas de madeira de cinco centímetros, produzidas com madeira cuidadosamente selecionada na Mata Atlântica. Na mochila cabia apenas o indispensável. Entre poucas roupas estavam sua faixa de Taekwondo, um nunchaku e os ensinamentos do mestre Taney Campos. Para Biteka, surfe e artes marciais sempre caminharam lado a lado, uma ligação que ele hoje reconhece também na forte presença do jiu-jitsu entre surfistas de todo o mundo. O Trem da Morte seguia lentamente por cerca de 600 quilômetros até Santa Cruz de la Sierra. Os bancos eram de ripas de madeira e, a cada parada, embarcavam indígenas, comerciantes, famílias, galinhas e mercadorias. O vagão ia ficando cada vez mais cheio. Em alguns momentos, mães colocavam seus filhos pequenos em seu colo para descansar durante a viagem. Antes mesmo de alcançar o mar, a aventura já se revelava nas pessoas encontradas pelo caminho. Depois de alguns dias de descanso e de treinos em uma academia de Taekwondo, seguiu de ônibus para Cochabamba. As pranchas viajavam amarradas sobre o bagageiro enquanto a antiga Rota 7 serpenteava pelas montanhas, desfiladeiros e curvas da Cordilheira dos Andes. Dois dias depois, partiu para La Paz. Na subida da Cordilheira, a locomotiva parecia lutar contra a montanha. A velocidade diminuía enquanto a altitude retirava o oxigênio de passageiros e motor. O soroche – mal das montanhas – aproximava desconhecidos, que dividiam remédios, conselhos e solidariedade. Ali compreendeu por que aquela ferrovia carregava um nome tão marcante. Em La Paz, impressionaram a resistência do povo andino, os carregadores transportando enormes volumes pelas ladeiras, os tecidos coloridos e a delicada arte em prata. Antes de deixar o litoral brasileiro, havia separado algumas conchas das praias pela beleza de suas formas. Trocá-las por pequenas peças de prata tornou-se uma das lembranças mais especiais da viagem e uma inesperada aproximação entre duas culturas ligadas pelo mar. A viagem prosseguiu margeando o Lago Titicaca. Os Caballitos de Totora, construídos com junco, pareciam ligar a história dos povos andinos às primeiras formas de deslizar sobre as águas do Pacífico. Ao cruzar a fronteira entre Bolívia e Peru, retirou as pranchas da capa para explicar às autoridades o que era o surfe. Olhou ao redor e, sem perceber, as lágrimas começaram a cair. Eram lágrimas de alegria. Depois de tantos quilômetros percorridos, o Oceano Pacífico finalmente estava ao seu alcance. A partir dali começava outra grande aventura: Punta Hermosa, Punta Rocas, Chicama, Máncora, Montañita e Galápagos. Histórias que ficarão para outro capítulo. Ao recordar essa jornada, Biteka ajuda a preservar a memória de um tempo em que viajar era aceitar o desconhecido, aprender com diferentes culturas e descobrir que, muitas vezes, o caminho era tão importante quanto o destino. Uma época que convida a refletir sobre a verdadeira essência do surfe: a aventura, o respeito à natureza e a busca constante pela evolução. Paulo Bittencourt (Biteka), nascido em Santos (SP), é surfista desde a década de 1970. Aos 65 anos continua surfando, filmando e produzindo documentários independentes sobre as culturas do surfe. Acompanhe as publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

    Conheça a história de Paulo Bittencourt, o Biteka, que cruzou a América do Sul rumo ao Pacífico em uma jornada que se tornou um marco de aventura, resiliência e paixão pelo surfe.