Gabriel Medina

Campanha brilhante

Gabriel Medina tem apenas 20 anos e já possui vários recordes na elite mundial. É o brasileiro com mais tempo na liderança do ranking e o detentor do maior número de vitórias no Tour (cinco), contra quatro de Adriano de Souza e Fabio Gouveia.

Medina também possui o maior número de triunfos numa mesma temporada entre os brazucas. Com o título histórico no Billabong Pro Tahiti, ele já soma três títulos em 2014 e disparou isolado na liderança do Tour.

O ano de 2014 começou de forma impecável para o atleta de Maresias, São Sebastião (SP). Medina deu um show nas direitas de Snapper Rocks e tornou-se o primeiro brasileiro a vencer uma etapa masculina na Gold Coast australiana.

Em seguida, foi quinto colocado em Margaret River, nono em Bells Beach e amargou um 13o lugar no Rio de Janeiro, perdendo para o sul-africano Travis Logie nos últimos segundos da bateria.

Depois do Rio, Medina perdeu a liderança do ranking para Kelly Slater, mas a volta por cima veio em Fiji, onde o atleta novamente colocou o Brasil no topo do pódio pela primeira vez na etapa.

Na sexta prova, o garoto prodígio debutou em Jeffreys Bay com um respeitável quinto lugar. Para disparar ainda mais na liderança, Medina abusou dos tubos em Teahupoo e conquistou uma vitória épica depois de derrotar Slater na finalíssima em condições extremas.

Foi a décima vez que eles se enfrentaram em baterias na história do WCT. Com o show na última segunda-feira, Medina conseguiu igualar o placar em cinco a cinco, mas o brasileiro leva vantagem em batalhas homem-a-homem (3 a 1).

Medina possui uma incrível média de 15.02 pontos em baterias na temporada e venceu 27 duelos na elite em 2014. Ao todo, o brasileiro já embolsou US$ 1.131.600 em premiações na ASP.

 

Perspectivas dos especialistas

Renato Hickel (Tour Manager da ASP): “Ainda é cedo no ano. Medina tem que continuar fazendo exatamente o que fez até aqui: focar somente em cada etapa, dosar o gás nas baterias (Kelly Slater atingiu o épice na semi contra John John), ou seja, competir de maneira inteligente. Título mundial não se ganha somente com talento. Tem que ter equipamento ajustado, preparação física e principalmente mental. Ser constante (sem resultados ruins nos nove que contam). É o segredo do jogo. Kelly ganhou três etapas no ano passado e Mick foi campeão. No ano anterior foi o mesmo no título do Joel. Ele sabe disso e está longe de estar morto, assim como Mick e Joel. Que venha Trestles, e que venha outra vitoria de Gabriel!.”

Fabio Gouveia (ex-Top do WCT e colunista do Waves): “Antes de o ano começar, estava apostando minhas fichas no Mineiro devido a todo o seu foco e experiência. Mas não que deixasse de apostar também em Gabriel, pois em minha mente tinha seu período de aprendizado, mesmo em cima de sua ‘precocidade’. Mas só agora me toquei de que ele já está em seu quarto ano no Tour, é isso? O bicho veio para arrombar portas, quebrar tabus. Depois do início do ano, e em especial antes desse evento começar, comentei com alguns amigos sobre sua escalada e relatei que se ele vencesse esse evento, a turma não mais iria segurá-lo. Medina já vem surfando muito bem em ondas de responsa, como em seu primeiro quinto lugar em Pipe. Nos próximos, acredito que irá manter sua consistência, pois além de todas as peripécias, sua estrela está brilhando, tudo conspirando para um futuro campeão.”

Tulio Brandão (colunista do Waves): “Medina dobrou os críticos mais inflexíveis. Entortou-os na bancada mais violenta do mundo. Venceu o rei em king’s land, no mais épico dos eventos. Já tem lugar na história. Mas ainda há 40 mil pontos em jogo, não tem nada decidido. Não preciso dizer, até porque ele é um dos melhores competidores que já vi em cena, não importa o esporte, mas esta é a hora de redobrar a atenção, de concentração máxima, sobretudo pelo fato de termos, adiante, etapas em que ele aparece na short list de favoritos. Confirmar o favoritismo nem sempre é mais fácil que surpreender o mundo. Dito isso, dá para bancar: Medina trilha um caminho seguro, inédito, para conquistar o primeiro título mundial do Brasil.”

Edinho Leite (jornalista da ESPN Brasil e colaborador da FLUIR): “Sua tática, técnica, além da retrospectiva, lhe garantem vantagem nas próximas etapas. Em Pipeline, ora bolas, vejam o que ele fez em Teahupoo. Além dessas probabilidades mensuráveis, há outro ponto a incluir. A estrela de campeão que brilha sobre ele nesse momento especial. Suas vitórias, conquistadas com talento, inteligência competitiva e foco, vieram também da conspiração universal a que ele atrelou seu objetivo. Acho improvável que Gabriel Medina perca o tão sonhado título mundial esse ano. Se um acaso desastroso vier a ocorrer, todos lembrarão deste ano como sendo dele. Kelly Slater que o diga depois desse Tahiti.”

Renan Rocha (ex-Top do WCT e narrador da ESPN Brasil): “”Minhas perspectivas são as melhores possíveis, porque ele venceu as etapas nas ondas em que ele não tinha experiência e seria mais cobrado pela mídia e pelos atletas. Ou seja, a partir de agora ele é franco favorito, porque mesmo não vencendo, com certeza, vai tirar resultado expressivo para o título mundial. O único que pode roubar a cena é o Kelly, mas ainda não tem vitória este ano e o Medina já tem três. Sensacional, parabéns a toda a família Medina e aos patrocinadores. Viva!.”

Perfil de Gabriel Medina

Em dezembro de 2011, logo depois da vitória de Gabriel Medina no Rip Curl Search em San Francisco (EUA), a FLUIR publicou um perfil do talentoso surfista, então com 17 anos. O texto foi bastante elogiado por Medina nas redes sociais. “Melhor matéria que já tive até hoje”, postou o Top naquela época. Confira abaixo a íntegra da reportagem e relembre a trajetória do fenômeno.

INSTINTO MATADOR*

(por Ader Oliveira)

Sabe aquele garoto da escola que joga giz ou papel nos amigos na sala de aula e fica sério, fingindo que não foi ele? Que adora brincar e, mesmo quando leva um cascudo, não para de zoar e até chora, mas desafia e diz que não doeu? Intenso, irreverente, brincalhão e incansável. O impressionante talento de Gabriel Medina sobre a prancha também é reflexo da sua personalidade. Nascido em São Paulo e criado na praia de Maresias, São Sebastião, o garoto de 17 anos, magro, alto e até meio desengonçado, vem chocando o mundo com atuações fantásticas nas competições e no free surf.

Gabriel é o mais jovem surfista a vencer uma etapa do Circuito Mundial. Mal entrou no Tour e já venceu duas das quatro provas que disputou (até o fechamento desta edição), com direito a duas vitórias expressivas contra Kelly Slater. Isso não é tudo. Além dos troféus, ele caiu nas graças da mídia, dos juízes e de surfistas do mundo inteiro, fato praticamente inédito para um competidor brasileiro. Verdade seja dita. Jamais um Top brasileiro foi tão exaltado pelos estrangeiros.

Medina começou a aparecer para o mundo em uma etapa de nível 6 estrelas do Circuito Mundial disputada na praia Mole, Florianópolis (SC). No dia 12 de julho de 2009, com apenas 15 anos, ele tornou-se o mais jovem surfista a vencer uma etapa do WQS depois de derrotar o experiente Neco Padaratz na final. Desde então, o garoto não parou de aprontar. Dois meses depois, chamou a atenção dos Tops do World Tour com uma fantástica apresentação no King of the Groms, competição disputada paralelamente à etapa do WT em Hossegor, França. Foram duas notas 10 na final contra o conterrâneo Caio Ibelli, dando-se ao luxo de descartar 9.70, 7.67, 7.50 e 7.00. Em novembro do mesmo ano, tornou-se campeão pan-americano na categoria Júnior ao vencer a competição em Olivença, Bahia. Em janeiro de 2010, viajou até a Nova Zelândia para protagonizar um verdadeiro espetáculo no Mundial Sub-18, em Piha. Na final, ele somou notas 10 e 9.90, descartando 9.46, 8.50, 8.20 e 7.40.

Rumo à elite Depois de ficar em terceiro no Mundial Pro Junior, em Narrabeen, Austrália, Gabriel passou a trabalhar forte com o objetivo de chegar à elite mundial. O primeiro ano na divisão de acesso serviu para ganhar experiência. Gabriel teve como melhores resultados o vice-campeonato no Costão do Santinho (SC) e o terceiro lugar nas etapas da praia Mole (SC) e Zarautz, Espanha. Em 2011, ele iniciou uma forte arrancada rumo ao World Tour com uma bela vitória no Prime em Imbituba (SC). Dali em diante, foi só alegria. Ficou em segundo no Prime em Ericeira, Portugal, levou a categoria Pro Junior e também a etapa 6 estrelas em Lacanau, França, antes de fechar com chave de ouro sua classificação ao WT com o título do 6 estrelas em Zarautz, Espanha.

A estreia de Gabriel Medina como Top 32 do World Tour em Trestles, Califórnia (EUA), gerou uma grande expectativa. Apesar de ter ido mal na primeira fase, na bateria dominada por Adriano de Souza, ele recuperou-se com tranquila vitória sobre Travis Logie na repescagem. Em seguida, na terceira fase, errou alguns aéreos e viu o australiano Josh Kerr conseguir uma virada na última onda, bastante contestada pela torcida.

Se alguém ainda tinha dúvida de que Medina era aquilo tudo que a mídia tanto exaltava, ela acabou logo em seguida, na França. Dois anos depois da épica vitória no King of the Groms, Medina estava de volta a Hossegor, desta vez para uma prova de fogo. O garoto não se intimidou com a pressão e deu uma dura nos marmanjos. Na quarta fase, teve seu primeiro encontro com Kelly Slater, um sonho que tinha desde criança. “Eu sempre quis derrotá-lo. Cresci vendo Kelly vencer todo mundo, então sempre sonhei em um dia enfrentá-lo”, revela Gabriel. A primeira batalha foi marcada por uma grande polêmica e gerou o início de uma rivalidade entre o maior surfista de todos os tempos e a nova sensação mundial. Para muitos, Slater foi valorizado demais pelos juízes e não merecia avançar direto às quartas-de-final. Mas, o troco estava guardado. Medina nem precisou entrar na água na repescagem, já que seu adversário, o francês Jeremy Flores, havia sofrido uma forte contusão no tornozelo.

Trocos e tiques Na revanche, Medina deixou Slater desnorteado e dominou o duelo com notas 7.33 e 9.33, descartando 6.83 e 6.27, notas superiores aos 3.33 e 5.27 obtidos pelo melhor surfista de todos os tempos. “O mar tinha mais direita naquele dia. Quando veio a primeira onda, ele tentou me passar e remamos com muita força. Ele ainda tentou me dar a volta e não conseguiu. Comecei bem e ele ficou perdido, caiu nas ondas que pegou”, lembra Gabriel. O garoto de São Sebastião conta que Slater não tentou intimidá-lo, mas agia de forma estranha no outside enquanto estava perdendo, uma espécie de tique nervoso. “Ele ficava fazendo uns gestos com os braços, nem sei explicar como eram. Nunca tinha visto isso, só sei que era muito estranho, bizarro!”, se diverte Medina, tentando imitar o ídolo e rival.

Na semifinal, foi a vez de outro veterano amargar uma combination. A vítima foi Taylor Knox, derrotado de forma ainda mais avassaladora. Medina extrapolou nos aéreos e acertou uma rabetada espetacular. Em um dos voos, arrancou a primeira nota 10 da competição. Para completar o show, somou 9.57 e descartou 8.17. Em desespero com o incrível show do jovem brasileiro, Taylor até fez uma interferência proposital em Medina, que não deu mole e ainda trocou de base na onda para divertir o público.

O bicho pegou na final contra Julian Wilson. Medina tinha 7.83 no somatório e arrepiou uma esquerda nos instantes finais, arrancando 9.17 dos juízes. Julian vinha bem com 8.50 e 7.50, mas o dia era mesmo do brasileiro, incontestavelmente o melhor surfista do campeonato. Assim como Slater, Medina também tinha um gostinho de vingança no duelo contra Julian. “Ele havia me derrotado na final do Prime em Ericeira. Agora está 1×1!”, brinca Gabriel. 

Se você mexe com Gabriel Medina, está comprando uma briga que só vai terminar quando ele estiver em vantagem. Ele não é de falar, e sim de agir. Conheço Gabriel há muito tempo, mas só aprendi essa lição no início deste ano, na Austrália. Enquanto ele tirava um cochilo no apartamento alugado por Heitor Alves e Raoni Monteiro, o “QG” da galera brazuca, resolvi fazer uma brincadeira. Como ele geralmente dorme com a boca muito aberta e os olhos revirados, parecendo um “morto”, as imagens ficaram engraçadas. Postei as fotos no Facebook para tirar uma onda com ele, mas me dei mal. Frio e calculista, assim como nas baterias, ele aguardou tranquilamente a primeira oportunidade para devolver a brincadeira. No dia seguinte, lá estava eu tirando meu cochilo, quando ele aproveitou o momento para usar uma banana e fazer umas fotos para me sacanear. Não bastasse isso, na sequencia ele pegou meu Facebook aberto e postou no meu perfil a imagem de um stripper, como se eu tivesse colocado. A partir dali, apelidei-o de “Furacão” e prometi que nunca mais o provocaria.


Provocou, levou
Assim como Kelly Slater e Julian Wilson na França, outros adversários se deram mal contra o garoto na água. Na quarta fase do Prime em Imbituba, Medina, Damien Hobgood e Royden Bryson lutavam para escapar da repescagem. Com 16.17 pontos, Hobgood estava na frente e era ameaçado por Medina, que tinha 16 pontos. O norte-americano passou a marcar o garoto e fez algumas provocações: “Está vendo como é bom marcar? Você não gosta de marcar? Vamos lá!”, falou Damien. Gabriel saiu da água chorando de raiva. Depois de passar pela repescagem, ele reencontrou Damien nas quartas e deu o troco. Logo na primeira onda, aplicou um aéreo rodando muito alto na frente do adversário, arrancando um 10 unânime dos juízes. Não satisfeito, Medina somou ainda 9.73 para devolver com juros e correção monetária a provocação do oponente. Outro vitima de Medina foi o australiano Joel Parkinson. No início do ano, na Gold Coast, ele rabeou uma onda do garoto no free surf e ainda deu uma dura depois de quase chocar-se com Medina em Snapper Rocks. Aquilo ficou guardado na memória de Medina e ele esperou por meses até dar uma lição no aussie. 

No Rip Curl Pro Search em San Francisco, Califórnia (EUA), o cenário foi perfeito para o brasileiro mostrar que não havia esquecido a rabeada. Depois de confirmar a supremacia contra Slater nas quartas e Knox na semi, assim como aconteceu na França, ele mais uma vez encontrou um australiano na final, desta vez Joel Parkinson. A maior quantidade de direitas e a escassez de esquerdas na final em Ocean Beach pareciam favorecer o aussie. Mas Medina nem se abalou. Com fortes pancadas de backside, ele aplicou um duro golpe em Parko e não deu chance alguma ao adversário rabeador.

“Não gosto de onda grande” Apesar das vitórias e de toda badalação da mídia internacional, Medina sabe que tem muito o que aprender. Ainda não está acostumado a surfar com pranchas grandes e considera a etapa de Bell’s Beach, onde competiu como convidado no início do ano, a mais complicada do Tour. “É uma onda muito estranha. Às vezes você dá uma manobra pra dentro e ela corre. Também acontece de você mandar uma pra frente e ela engordar. Tem de estar bem acostumado e com a prancha certa”, avalia Medina.

Ele sentiu muita dificuldade ao enfrentar Owen Wright na repescagem, na vizinha bancada de Winkipop. “Era a minha primeira vez em Winkipop. A direita estava grande e rápida. Havia surfado com uma prancha grande em Bells e me dei mal, então resolvi pegar uma pequena, mas a direção de prova resolveu colocar as baterias em Winkipop. Não me achei no outside e o Owen estava mais acostumado, tinha a prancha certa. Eu me arrasei”, confessa. As ondas pesadas também são obstáculo para o jovem brasileiro. “Eu não gosto de onda grande. Quando estou com uma prancha maior, não consigo manobrar do jeito que quero. Eu até estava conversando com Owen sobre isso e ele falou a mesma coisa, que também não gosta de onda grande e prefere um mar com até 2 metros. Mas, se tiver de cair em um mar pesado, eu vou, principalmente quando é campeonato. Sei que posso pegar um mar gigante e, no WT, todo mundo tem de estar preparado para isso”, garante o prodígio.

A onda de Pipeline, que encerra o Tour, ainda é um desafio para ele. “Nem lembro direito como é a onda. O que lembro é do crowd e que conseguia pegar uma ou duas ondas em duas horas de surf. Este ano acho que vou pegar mais, né? Só eu e outro cara na água… Estou esperando muito por esse momento. Tomara que esteja terral, com altos tubos!” A juventude, as vitórias e a supremacia contra Kelly Slater têm despertado a curiosidade de muitos jornalistas. Mas Gabriel ainda tem dificuldade para lidar com todo esse assédio. No dia seguinte ao título do Rip Curl Pro Search, dezenas de jornalistas o procuravam pela internet. Seu email e sua página no Facebook estavam repletos de mensagens e perguntas. Pouquíssimos tiveram sucesso. “Não é que não goste de responder, mas é chato ficar repetindo as mesmas coisas. Ainda mais depois de um campeonato cansativo, com tantas baterias. No outro dia já tem um monte de email com 50 perguntas e você tem de responder tudo. Ainda não aprendi a lidar com isso”, admite o garoto.

Infância e família Gabriel tinha apenas 8 anos quando seus pais se separaram definitivamente. A relação entre Simone Medina e o ex-marido era marcada por altos e baixos, inclusive estavam separados quando Gabriel nasceu. Seu pai biológico ainda vive em São Sebastião, mas raramente eles se veem. Quem o acompanha e não desgruda do seu pé é Charles Serrano, um paulista que conheceu Simone em Maresias e assumiu o papel de pai. Charlão, como é conhecido, é um companheiro inseparável de Gabriel nos campeonatos. Uma mistura de pai, amigo, irmão, cozinheiro, videomaker, técnico e empresário. “Ele me ajuda muito. Sem falar que cozinha muito bem, é um cardápio humano!”, brinca Medina. “Ele me treina, dá uns toques antes da bateria. Sinto-me bem confortável viajando com ele, parece que estou em casa.” A família sempre teve forte ligação com o surf. Simone é praticante de bodyboarding, enquanto Charles pega onda de pranchinha. Gabriel tem dois irmãos: Felipe, 15, e Sofia, 6, esta última fruto da união de Charles e Simone. Assim que passou a viver com a família Medina, Charles acompanhou os primeiros movimentos do garoto sobre a prancha. “Sabe quando você percebe que a pessoa nasceu com um dom? Assim que ele começou a ficar de pé, notei que ele tinha uma pegada diferente dos outros”, afirma Charles.

Com apenas um ano de prática, Gabriel estreou nas competições disputando o Circuito Sebastianense. Meses depois, foi ao Santinho (SC) disputar o Rip Curl Grom Search e ficou em segundo lugar na categoria Grommet. Na etapa seguinte, em Búzios (RJ), Medina subiu outro degrau e chegou ao topo do pódio, desbancando seus principais rivais na época – Jessé Mendes e Sidney Guimarães. Era uma rápida evolução para uma criança de 11 anos que não tinha patrocínio, mas surfava com uma logomarca da Quiksilver no bico da prancha para divulgar a loja de Charles em Maresias – hoje padronizada pela Rip Curl. O primeiro patrocínio de Gabriel veio dois anos depois, com as marcas Echo e Vans.

Depois ele entrou para a equipe da Volcom, que perdeu o fenômeno em 2009, justamente quando ele começou a ganhar projeção no cenário internacional. “Naquela época, eles até tentaram segurar o Gabriel, mas optamos pela Rip Curl, pela estrutura que tem em termos mundiais. A marca sabia do talento dele e até onde poderia chegar. É a empresa certa para um cara que quer vencer, que não quer ficar acomodado”, diz Charles. Quando Medina causou os primeiros impactos, propostas começaram a chegar ao atleta, mas ele renovou seu contrato até 2016. Desde a sua entrada na Rip Curl, é nítida a atenção que a marca dispensa a Gabriel. Nas etapas do Circuito Mundial, os chefes de equipe Gary Dunne e Ryan Fletcher estão sempre de olho, acompanhando cada passo da nova sensação do World Tour. Nos dois últimos anos, Medina foi convidado pela marca para disputar a tradicional etapa em Bells Beach. Também foi chamado para o Rip Curl Pro 2010 em Portugal, mas não pôde participar devido aos estudos.

Com a campanha “Super Medina”, a Rip Curl trabalha cada vez mais forte a imagem do garoto brasileiro, que completa 18 anos em 22 de dezembro deste ano. Não há como negar que ele precisa evoluir em alguns aspectos, mas não é exagero afirmar que tem enorme potencial para trazer o inédito e sonhado título mundial ao Brasil. Medina já provou que, para ele, o céu é o limite.

*Texto publicado pela FLUIR em dezembro de 2011.

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    A mesma edição do Big Wave Challenge que colocou Rodrigo Koxa novamente no topo das ondas gigantes também premiou um nome da nova geração. Aos 16 anos, Ian Pegoraro, surfista nascido e criado em Maui, no Havaí, venceu a categoria Young Gun (Under 18 Performer), destinada a atletas com menos de 18 anos. A conquista veio depois de Ian encarar Jaws, em Peʻahi, na remada. Desta vez, sem o auxílio de jet ski, o jovem surfista entrou na onda usando apenas a própria força para ganhar velocidade e descer uma das paredes mais respeitadas do surfe de ondas grandes. “Entrar em Jaws na remada era algo que eu queria muito fazer. É um desafio diferente e mostra o quanto estou evoluindo. Ganhar o Young Gun torna esse momento ainda mais especial”, afirma Ian. A relação do garoto com Jaws, porém, começou antes. Em uma experiência anterior no pico havaiano, Ian foi rebocado para uma onda pelo brasileiro Yuri Soledade, enquanto o pai, Laerte Pegoraro, o Nena, acompanhava e orientava o filho dentro da água. Raízes brasileiras Apesar de ter nascido e crescido em Maui, Ian mantém forte ligação com o Brasil. Os pais nasceram em São Paulo e foram criados na Praia do Tombo, no Guarujá (SP), onde os avós do surfista continuam morando. “Ele cresceu no Havaí, mas sempre teve essa ligação com o Brasil. A Praia do Tombo faz parte da nossa história e é muito legal ver o Ian levando um pouco dessa história para o surfe de ondas grandes”, diz Nena. Ian atualmente treina com o brasileiro Alex Blau, big rider de Mavericks, e com Daniel Hardam, ex-surfista profissional. A preparação inclui trabalho específico para ondas grandes e também atividades como skate e jiu-jitsu brasileiro. No skate, o jovem já conquistou pódios no CASL National Championships. No jiu-jitsu, é faixa amarela e disputou competições como Hawaii Triple Crown, NAGA Hawaii e IBJJF. No surfe competitivo, aparece atualmente na 12ª colocação do Ohana Surf Circuit. Noite brasileira Ian recebeu o prêmio no mesmo evento em que Rodrigo Koxa, do Guarujá, foi anunciado vencedor da categoria Men’s Biggest Wave. O brasileiro levou o troféu pela onda surfada em Nazaré, Portugal, em dezembro de 2025, com medição preliminar de 29,15 metros, marca que ainda passa pelo processo de homologação. Para Ian, a vitória no Young Gun reforça justamente a conexão entre os dois lugares presentes em sua trajetória. “Eu sou de Maui, foi onde cresci e aprendi a surfar, mas o Brasil sempre esteve presente na minha família. Quero continuar evoluindo, surfar ondas maiores e representar os dois lugares”, afirma.

    Aos 16 anos, Ian Pegoraro entra em Jaws na remada e conquista o prêmio sub-18 do Big Wave Challenge; surfista de Maui tem raízes na Praia do Tombo (SP).

    O surfe brasileiro tem mais um representante confirmado na elite mundial. Nesta sexta-feira (9), Ryan Kainalo garantiu matematicamente sua classificação para o Championship Tour (CT) de 2027 ao avançar da rodada dos 64 do EDP Ericeira Pro, em Portugal. O surfista de Ubatuba (SP) é o primeiro atleta do Challenger Series 2026 a assegurar uma vaga para a próxima temporada.  A conquista chega menos de uma semana depois de Ryan vencer o Banco do Brasil São Sebastião Pro, em Maresias (SP), e assumir a liderança do ranking do Challenger Series. A vitória no litoral paulista foi decisiva para colocar o brasileiro em posição privilegiada na corrida pelo CT, e o avanço em Portugal confirmou matematicamente a classificação.  Sequência de vitórias Ryan chega à elite mundial embalado por dois títulos consecutivos. Em agosto, venceu o Pantín QS 6000, na Espanha. Na sequência, conquistou o São Sebastião Pro, sua primeira vitória em uma etapa do Challenger Series. Em Maresias, o brasileiro teve um Finals Day perfeito. Superou Lucca Mesinas nas quartas de final, dominou Oscar Berry na semifinal e derrotou Alister Reginato na decisão por 14.50 a 5.83. Com o título, assumiu a liderança do ranking e ficou muito perto de garantir sua vaga no CT. A confirmação veio nesta sexta-feira, durante a quarta etapa do Challenger Series, em Ericeira. O resultado encerra a espera do brasileiro e garante sua estreia na principal divisão do surfe mundial em 2027. Da base à elite mundial A trajetória de Ryan Kainalo no surfe profissional começou a ganhar força ainda na adolescência. Aos 15 anos, em 2022, passou a disputar o Circuito Banco do Brasil de Surfe, competição que acompanhou seu desenvolvimento ao longo dos últimos cinco anos. Nesse período, participou de 19 das 22 etapas realizadas pelo circuito, acumulando experiência e resultados que ajudaram a construir seu caminho até a elite. Ryan também conquistou dois títulos consecutivos do Pro Junior da WSL South America, em 2023 e 2024, consolidando-se como um dos principais nomes da nova geração brasileira. Aos 20 anos, completa a trajetória pelas categorias de base, pelo Qualifying Series (QS) e pelo Challenger Series (CS) até alcançar o Championship Tour. “No começo da temporada o foco era a classificação, mas não sabia que ela viria assim. De um jeito tão bom. Tenho certeza que isso vai ser muito importante pra mim, estou realmente sem acreditar, estou muito feliz. Queria agradecer muito a minha equipe, meus patrocinadores, minha família, meus treinadores, meu psicólogo. Agora é continuar o trabalho que está só começando”, comemora Ryan Kainalo.  Nova geração brasileira A classificação de Ryan representa mais um passo na renovação do surfe brasileiro na elite mundial. O atleta de Ubatuba chega ao CT depois de uma trajetória construída nas competições nacionais e internacionais, com títulos nas categorias de base e nas divisões de acesso da WSL. O brasileiro agora se prepara para disputar sua primeira temporada entre os melhores surfistas do planeta, em 2027. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br)

    Primeiro atleta a confirmar classificação pelo Challenger Series 2026, Ryan Kainalo avança no EDP Ericeira Pro, em Portugal, e garante presença na elite mundial aos 20 anos.

    O jornalismo de surfe brasileiro perdeu um de seus pioneiros. Castro Pereira morreu na última quarta-feira (7), em Porto Alegre (RS). Figura conhecida e respeitada no surfe gaúcho desde o final dos anos 1970, o jornalista dedicou boa parte de sua trajetória à divulgação do esporte, acompanhando competições, revelando personagens e registrando histórias que ajudaram a construir a memória do surfe no Sul do Brasil. Castro também fez parte da história do Waves, onde assinou matérias e contribuiu para a cobertura do surfe brasileiro. Sua passagem pelo site integra uma trajetória dedicada à comunicação do esporte, especialmente à valorização dos atletas, competições e personagens do surfe gaúcho. Sua atuação na comunicação começou muito antes da popularização da internet. Durante os anos 1980, Castro produzia boletins sobre as condições do tempo e do mar diretamente das praias de Torres, no litoral norte gaúcho, para a Rádio Ipanema FM, de Porto Alegre. As informações chegavam aos ouvintes por telefone público, numa época em que acompanhar as ondas à distância era um desafio. Também trabalhou na Rádio Atlântida FM e colaborou com jornais, revistas e publicações especializadas. Além das previsões e notícias, acompanhava campeonatos e ajudava a dar visibilidade a surfistas que despontavam no cenário regional. Entre os atletas daquela geração estavam Rodrigo “Pedra” Dornelles, seu irmão Fogo, Cupim, Sandro Neto, Adrian Trials, Felipinho e Tuca Gianotti, nomes que ajudaram a consolidar o surfe gaúcho nas décadas de 1980 e 1990. O jornalista Máurio Borges, que também foi colunista do Waves e tem uma longa trajetória na cobertura do surfe brasileiro, recordou a história do amigo em uma homenagem publicada nas redes sociais. Entre as lembranças, destacou a final do SuperSurf na Praia da Joaquina, em Florianópolis (SC), disputada entre os gaúchos Daison Pereira e Rodrigo “Pedra” Dornelles. “Lembro da sua alegria durante a final do SuperSurf, na Praia da Joaquina, quando dois gaúchos, Daison Pereira e Rodrigo ‘Pedra’ Dornelles, decidiram o título. Ele dizia que aquele era o melhor momento do surfe dos Pampas”, escreveu Máurio. Castro também acreditava no potencial de Pedra para competir no circuito mundial, previsão que acabou se concretizando. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda a paixão do amigo pela leitura e as boas lembranças de uma viagem que fizeram juntos até o Chuí para produzir material para o Surf Guia 2000. Além do trabalho jornalístico, Castro participou da organização de eventos e de iniciativas voltadas à preservação ambiental das praias. Ligado à cidade de Guaíba (RS), manteve vínculos com a imprensa local, onde colaborou com diversos jornais e também incentivou a divulgação do skate. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda o lado pessoal do amigo, descrito como alguém de fala calma, bem-humorado, apaixonado por livros e sempre disposto a compartilhar histórias. Castro enfrentava um câncer de próstata, segundo relato de Rodrigo “Pedra” Dornelles a Máurio Borges. A causa oficial da morte não foi informada. Sua partida deixa uma lacuna entre os profissionais que ajudaram a construir a comunicação do surfe brasileiro, especialmente em uma época em que o esporte ainda tinha pouco espaço na mídia tradicional. O Waves lamenta a morte de Castro Pereira e presta solidariedade aos familiares, amigos e colegas. Fica o reconhecimento a um jornalista que ajudou a contar a história do surfe e que também deixou sua contribuição registrada nas páginas do nosso site.

    Jornalista e ex-colaborador do Waves, Castro Pereira morreu na quarta-feira (7). Pioneiro da comunicação do surfe no Sul do Brasil, ajudou a registrar a história do esporte desde os anos 1970.

    A Seleção Brasileira está convocada para o ISA World Surfing Games 2026. A Confederação Brasileira de Surf anunciou nesta segunda-feira (5) os seis atletas que representarão o país entre os dias 6 e 15 de novembro, em Punta Rocas, no Peru, na competição que abre o ciclo classificatório do surfe para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. No masculino, o Brasil será representado por Yago Dora, Italo Ferreira e Miguel Pupo. Os três são os brasileiros mais bem colocados no ranking do Championship Tour em 2026. Yago, atual campeão mundial, lidera a classificação; Italo ocupa a terceira posição; e Miguel chegou ao quarto lugar depois da vitória em Trestles. O time feminino terá Luana Silva, Laura Raupp e Tainá Hinckel. Luana é a única brasileira no CT, enquanto Laura garantiu presença como campeã brasileira de 2025. Sophia Medina seria a representante vinda do Challenger Series, mas recusou a convocação, abrindo a vaga para Tainá, a próxima brasileira no ranking. Segundo a Confederação, os critérios de convocação priorizam os três melhores atletas brasileiros no ranking do CT da temporada. Caso as vagas não sejam preenchidas, passam a valer na sequência o Challenger Series, considerando o melhor brasileiro até a 40ª posição, bem como o ranking brasileiro de 2025. Vaga extra em Los Angeles Além das medalhas individuais em Punta Rocas, o ISA World Surfing Games terá peso direto na composição das equipes para os Jogos Olímpicos de 2028. O país campeão por equipes no masculino conquista uma vaga olímpica extra, assim como o campeão por equipes no feminino. A vaga pertence ao país, e não ao atleta que obtiver o resultado. Normalmente, cada nação poderá levar até dois surfistas por gênero aos Jogos, mas esse número pode chegar a três caso o país conquiste uma das vagas extras por equipes nos ISA World Surfing Games de 2026 ou 2027. O Brasil conhece bem esse caminho. Em Paris 2024, foi o único país a competir com o número máximo de atletas tanto no masculino quanto no feminino depois de vencer os títulos por equipes do ISA World Surfing Games 2024 nas duas categorias. As medalhas olímpicas do surfe em Los Angeles 2028 serão disputadas entre 15 e 23 de julho, em Lower Trestles, na Califórnia, palco onde Miguel Pupo venceu recentemente uma etapa do CT 2026. Seleção Brasileira MasculinoYago DoraItalo FerreiraMiguel Pupo FemininoLuana SilvaLaura RauppTainá Hinckel Como funciona a classificação para Los Angeles 2028 Para o Brasil, a classificação olímpica passa por diferentes caminhos, que seguem uma ordem de prioridade. O principal será o Championship Tour de 2028: o ranking considerado entre 15 de agosto de 2027 e 15 de junho de 2028 distribuirá oito vagas masculinas e oito femininas, com limite de um atleta por país em cada gênero. O segundo caminho será o ISA World Surfing Games 2028, que classificará outros sete homens e sete mulheres, novamente com apenas uma vaga por país em cada gênero. Na prática, por essas duas vias, um país poderá garantir até dois surfistas no masculino e dois no feminino: um pelo CT e outro pelo Mundial da ISA. É aí que os Mundiais de 2026 e 2027 ganham importância especial. O país campeão por equipes em cada gênero recebe uma vaga olímpica adicional, o que abre a possibilidade de chegar a Los Angeles com três atletas no masculino e/ou três no feminino. Essa vaga pertence ao país, e não ao surfista que conquistar o resultado. No caso brasileiro, caberá ao COB e à Confederação Brasileira de Surfe definir posteriormente quem ocupará a posição. Outro caminho para os brasileiros será os Jogos Pan-Americanos de 2027, também programados para Punta Rocas. Os campeões masculino e feminino garantem classificação para Los Angeles 2028, mas a vaga deixa de ser utilizada caso o atleta posteriormente se classifique por uma via considerada superior, como o CT ou o ISA World Surfing Games 2028. O sistema ainda prevê vagas por competições continentais, país-sede e universalidade. Entre elas estão os Jogos Asiáticos de 2026, vagas para África e Oceania pelo ISA Games 2027, o Campeonato Europeu de 2027 e vagas destinadas aos Estados Unidos como anfitriões, caso o limite máximo por país ainda não tenha sido preenchido.

    Yago Dora, Italo Ferreira, Miguel Pupo, Luana Silva, Laura Raupp e Tainá Hinckel representam o Brasil de 6 a 15 de novembro em Punta Rocas, na abertura do ciclo olímpico para Los Angeles 2028.

    O Finals Day teve as melhores condições de toda a semana na Praia de Maresias, em São Sebastião (SP). Ondas de aproximadamente 1,5 metro, boa formação e vento terral receberam as disputas a partir das quartas de final neste sábado (3), no encerramento da terceira etapa do Challenger Series 2026. No fim do dia, a festa foi brasileira. Ryan Kainalo superou Alister Reginato na decisão masculina, garantiu o título e deixou Maresias na liderança do ranking. No feminino, a australiana Charli Hately derrotou a portuguesa Francisca Veselko. Ambos conquistaram 10.000 pontos no ranking. Ryan voa e assume a liderança Único brasileiro a chegar ao Finals Day, Ryan Kainalo teve um sábado perfeito em Maresias. Depois de superar o peruano Lucca Mesinas nas quartas de final, o paulista dominou o australiano Oscar Berry na semifinal e chegou à primeira decisão da carreira no Challenger Series. Na final contra Alister Reginato, Ryan abriu sua conta com um aéreo alto para receber 6.83. Depois, conectou três manobras fortes na parte crítica da onda e arrancou 7.67, chegando a 14.50 pontos. Reginato terminou com 5.83 e, a quatro minutos do fim, ainda precisava de 9.17 para virar a bateria. Ryan administrou a vantagem até a buzina e, ao sair da água, correu para abraçar o pai. “Estou muito feliz, ainda digerindo tudo isso. Foi um dia inesquecível. A praia estava cheia, a torcida brasileira é diferente de tudo. Energia surreal. Estou muito feliz, de verdade”, celebra Ryan Kainalo. O brasileiro já havia produzido um dos grandes momentos do dia na semifinal contra Oscar Berry. Ryan acertou um aéreo full rotation para receber 8.50, maior nota masculina do Finals Day, colocou o australiano em combinação e venceu por 14.20 x 3.73. Com os 10.000 pontos da vitória, o surfista de 20 anos assumiu a liderança do Challenger Series e deu um passo importante na corrida por uma vaga no Championship Tour de 2027. Charli Hately leva o feminino No feminino, Charli Hately também alcançou a primeira decisão da carreira no Challenger Series e aproveitou a oportunidade. A australiana de 17 anos derrotou Francisca Veselko por 14.33 x 10.67 na final, com notas 7.83 e 6.50. Charli mostrou paciência para encontrar as melhores direitas de Maresias e atacou as ondas com um backside potente. “É loucura. Não consigo acreditar que venci. Coloquei minha cabeça no lugar, peguei as ondas e agora tudo parece surreal. Sou muito grata. A todos em casa, à minha família, a todos que estão torcendo. Sou muito agradecida”, afirma Hately. A campanha teve ainda uma virada importante na semifinal. Charli passou os primeiros 20 minutos atrás de Anat Lelior, mas encontrou as ondas na reta final, marcou 7.33 e 6.50 e avançou com 13.83 x 10.97. Com o título, a australiana somou 10.000 pontos e saltou para a décima colocação do Challenger Series, com 11.940 pontos. Francisca assume vice-liderança Vice-campeã em Maresias, Francisca Veselko também deixou São Sebastião em posição importante na corrida pelo CT. A portuguesa eliminou Teresa Bonvalot nas quartas e teve uma grande atuação contra Sally Fitzgibbons na semifinal. Francisca marcou 8.83 em uma sequência de fortes manobras de frontside e venceu por 13.50 x 7.10. A nota foi a maior do feminino em toda a competição. Com os 7.800 pontos do segundo lugar, Francisca assumiu a vice-liderança do Challenger Series, atrás apenas da australiana Sierra Kerr. Números do São Sebastião Pro O feminino teve 635 ondas surfadas em 31 baterias. Francisca Veselko foi a única atleta a alcançar uma nota de critério excelente, com o 8.83 da semifinal. Charli Hately veio na sequência com 7.83 na final, mesma nota alcançada anteriormente por Sanoa Dempfle-Olin. Kana Nakashio teve a maior somatória feminina da competição, 14.40, ainda no Round das 32. Entre os homens, foram 1.092 ondas surfadas em 47 baterias. Jackson Bunch ficou com a maior nota da competição, 8.83 no Round dos 64. Ryan Kainalo veio na sequência com o 8.50 da semifinal, seguido pelo 8.33 de Joel Vaughan no Round das 32. Resultados a partir das oitavas de final Masculino Oitavas de final 1 – Oscar Berry (AUS) 9.67 x Kade Matson (EUA) 5.662 – Charly Quivront (FRA) 12.00 x Joel Vaughan (AUS) 9.963 – Lucca Mesinas (PER) 10.14 x Jackson Bunch (HAV) 9.604 – Ryan Kainalo (BRA) 11.50 x Yago Dominguez (ESP) 10.105 – Alonso Correa (PER) 10.00 x Beyrick De Vries (NED) 7.836 – Kei Kobayashi (JAP) 12.83 x Jett Schilling (EUA) 9.777 – Alister Reginato (AUS) 9.50 x Crosby Colapinto (EUA) 8.338 – Ian Gentil (HAV) 9.17 x Owen Moss (EUA) 7.80 Quartas de final 1 – Oscar Berry (AUS) 13.50 x Charly Quivront (FRA) 9.672 – Ryan Kainalo (BRA) 12.67 x Lucca Mesinas (PER) 11.003 – Alonso Correa (PER) 11.73 x Kei Kobayashi (JAP) 4.934 – Alister Reginato (AUS) 12.84 x Ian Gentil (HAV) 11.50 Semifinais 1 – Ryan Kainalo (BRA) 14.20 x Oscar Berry (AUS) 3.732 – Alister Reginato (AUS) 14.33 x Alonso Correa (PER) 9.57 Final 1 – Ryan Kainalo (BRA) 14.50 x Alister Reginato (AUS) 5.83 Feminino Oitavas de final 1 – Kiara Goold (PYF) 12.13 x Sierra Kerr (AUS) 10.172 – Anat Lelior (ISR) 10.00 x Amuro Tsuzuki (JAP) 8.743 – Charli Hately (AUS) 11.60 x Anon Matsuoka (JAP) 11.134 – Eweleiula Wong (HAV) 11.07 x Sol Aguirre (PER) 7.335 – Francisca Veselko (POR) 9.50 x Ziggy Aloha Mackenzie (AUS) 8.676 – Teresa Bonvalot (POR) 5.27 x India Robinson (AUS) 5.137 – Sally Fitzgibbons (AUS) 12.00 x Sanoa Dempfle-Olin (CAN) 9.668 – Kana Nakashio (JAP) 7.60 x Sophia Medina (BRA) 7.03 Quartas de final 1 – Anat Lelior (ISR) 10.50 x Kiara Goold (PYF) 8.172 – Charli Hately (AUS) 11.24 x Eweleiula Wong (HAV) 8.173 – Francisca Veselko (POR) 13.16 x Teresa Bonvalot (POR) 9.704 – Sally Fitzgibbons (AUS) 10.97 x Kana Nakashio (JAP) 8.43 Semifinais 1 – Charli Hately (AUS) 13.83 x Anat Lelior (ISR) 10.972 – Francisca Veselko (POR) 13.50 x Sally Fitzgibbons (AUS) 7.10 Final 1 – Charli Hately (AUS) 14.33 x Francisca Veselko (POR)

    Charli Hately conquista título feminino e Ryan Kainalo assume topo do Challenger Series, com vitória no Banco do Brasil São Sebastião Pro, em Maresias (SP).

    A Praia de Paúba, na Costa Sul de São Sebastião (SP), recebe neste sábado (3) a nona edição do Paúba Super Tubos. A competição reúne 56 surfistas convidados em um dos picos mais técnicos do Litoral Norte paulista, com transmissão ao vivo durante todo o dia. Conhecida pelas ondas fortes, rápidas e tubulares que quebram próximas à faixa de areia, Paúba deve oferecer condições de alto nível para os competidores. A previsão divulgada pela organização indica ondas com mais de 1 metro de altura. A disputa acontece em categoria única e exclusivamente para convidados, selecionados pelo nível técnico necessário para enfrentar as características da onda. O formato conta com seis fases e começou com 40 atletas no Round 1. Os 16 classificados avançam e encontram outros competidores já posicionados na chave. As semifinais e a grande final estão previstas para o período da tarde, com os horários sujeitos a alterações de acordo com as condições do mar. A lista de participantes ainda pode receber nomes que disputam o Challenger Series da WSL em Maresias. Segundo a organização, atletas eliminados antes das finais da competição internacional poderão participar do Paúba Super Tubos. Além das disputas dentro d’água, o evento movimenta a Praia de Paúba e a Costa Sul de São Sebastião, com a presença de atletas, equipes e público. A competição conta com apoio da Prefeitura de São Sebastião, por meio da Secretaria de Esportes.

    Nona edição do Paúba Super Tubos reúne 56 surfistas neste sábado (3), nas ondas tubulares da Costa Sul de São Sebastião; acompanhe a transmissão ao vivo.

    O Banco do Brasil São Sebastião Pro chega neste sábado (3) ao Finals Day na Praia de Maresias, em São Sebastião (SP). A chamada está marcada para 6h30 (Brasília), com possibilidade de início das baterias às 7h05. As quartas de final abrem o caminho para a definição dos campeões da terceira etapa do Challenger Series 2026. O Brasil terá apenas um representante no último dia. Ryan Kainalo garantiu vaga nas quartas ao vencer o espanhol Yago Dominguez por 11,50 x 10,10 em uma bateria decidida nos minutos finais. O brasileiro liderou boa parte do confronto, perdeu a primeira posição perto do fim e precisou melhorar sua segunda nota para avançar. Na última oportunidade, encontrou a onda necessária e recuperou a liderança com notas 6,50 e 5,00. Ryan mira liderança do Challenger Series Além de seguir na briga pelo título em Maresias, Ryan Kainalo pode deixar a etapa na liderança do ranking do Challenger Series. Com a eliminação do havaiano Jackson Bunch nas oitavas, o brasileiro assume a primeira colocação caso alcance a final. Nas quartas, Ryan enfrenta o peruano Lucca Mesinas, que eliminou Bunch por 10,14 x 9,60. O duelo será o único confronto sul-americano da rodada. “Foi uma bateria muito difícil. O mar está muito difícil, as ondas estão sem parede, e quando ele virou a bateria em cima de mim, sabia que seria muito complicado achar uma onda boa. Mas acreditei e deu tudo certo”, comemorou Ryan após a classificação. Sophia Medina se despede No feminino, Sophia Medina foi eliminada pela japonesa Kana Nakashio na última bateria das oitavas. Nakashio venceu por 7,60 x 7,03 e avançou para enfrentar a australiana Sally Fitzgibbons nas quartas. A líder do ranking, Sierra Kerr, também ficou pelo caminho. A australiana precisava de mais duas vitórias para confirmar matematicamente a classificação ao Championship Tour de 2027, mas foi superada pela taitiana Kiara Goold por 12,13 x 10,17. Destaques do último dia Kei Kobayashi teve a maior nota masculina desta sexta-feira ao marcar 8,00 pontos na vitória sobre Jett Schilling. O japonês enfrenta Alonso Correa nas quartas. Entre as mulheres, Sally Fitzgibbons avançou com 12,00 pontos de somatório diante de Sanoa Dempfle-Olin e segue na busca pela reclassificação para o Championship Tour. Próxima chamada A próxima chamada do Banco do Brasil São Sebastião Pro acontece neste sábado (3), às 6h30 (Brasília), com possibilidade de início das baterias às 7h05, na Praia de Maresias. O Finals Day começa pelas quartas de final e termina com a definição dos campeões masculino e feminino da etapa. O Finals Day começa pelas quartas de final e termina com a definição dos campeões masculino e feminino da etapa. O Finals Day começa pelas quartas de final e termina com a definição dos campeões masculino e feminino da etapa. Baterias do Banco do Brasil São Sebastião Pro 2026 Feminino Round das 32 1 – Sierra Kerr (AUS) 12.10 x Amuro Tsuzuki (JAP) 11.60 x Isla Huppatz (AUS) 8.97 x Bella Kenworthy (EUA) 7.902 – Anat Lelior (ISR) 11.30 x Kiara Goold (PYF) 11.00 x Tya Zebrowski (FRA) 10.83 x Moana Jones Wong (HAV) 5.703 – Charli Hately (AUS) 12.77 x Sol Aguirre (PER) 12.24 x Vahine Fierro (FRA) 12.10 x Talia Swindal (EUA) 10.334 – Eweleiula Wong (HAV) 11.24 x Anon Matsuoka (JAP) 10.00 x Laura Raupp (BRA) 8.53 x Brisa Hennessy (CRC) 7.635 – Francisca Veselko (POR) 12.20 x India Robinson (AUS) 12.16 x Eden Walla (EUA) 11.04 x Maria Salgado (POR) 8.936 – Teresa Bonvalot (POR) 10.96 x Ziggy Aloha Mackenzie (AUS) 10.40 x Lucy Darragh (AUS) 8.34 x Sophie McCulloch (AUS) 8.037 – Sally Fitzgibbons (AUS) 12.56 x Sophia Medina (BRA) 11.66 x Daniella Rosas (PER) 10.33 x Ellie Harrison (AUS) 9.778 – Kana Nakashio (JAP) 14.40 x Sanoa Dempfle-Olin (CAN) 13.83 x Kirra Pinkerton (EUA) 13.67 x Alyssa Spencer (EUA) 11.37 Oitavas de final 1 – Kiara Goold (PYF) 12.13 x Sierra Kerr (AUS) 10.172 – Anat Lelior (ISR) 10.00 x Amuro Tsuzuki (JAP) 8.743 – Charli Hately (AUS) 11.60 x Anon Matsuoka (JAP) 11.134 – Eweleiula Wong (HAV) 11.07 x Sol Aguirre (PER) 7.335 – Francisca Veselko (POR) 9.50 x Ziggy Aloha Mackenzie (AUS) 8.676 – Teresa Bonvalot (POR) 5.27 x India Robinson (AUS) 5.137 – Sally Fitzgibbons (AUS) 12.00 x Sanoa Dempfle-Olin (CAN) 9.668 – Kana Nakashio (JAP) 7.60 x Sophia Medina (BRA) 7.03 Quartas de final 1 – Kiara Goold (PYF) x Anat Lelior (ISR)2 – Charli Hately (AUS) x Eweleiula Wong (HAV)3 – Francisca Veselko (POR) x Teresa Bonvalot (POR)4 – Sally Fitzgibbons (AUS) x Kana Nakashio (JAP) Masculino Round dos 32 1 – Kade Matson (EUA) 13.06 x Charly Quivront (FRA) 12.77 x Reef Heazlewood (AUS) 12.26 x Douglas Silva (BRA) 12.172 – Joel Vaughan (AUS) 15.26 x Oscar Berry (AUS) 10.43 x Shohei Kato (JAP) 10.03 x Jacob Willcox (AUS) 9.873 – Jackson Bunch (HAV) 13.33 x Yago Dominguez (ESP) 11.97 x Hiroto Ohhara (JAP) 10.87 x Winter Vincent (AUS) 9.934 – Ryan Kainalo (BRA) 11.40 x Lucca Mesinas (PER) 11.27 x Jake Marshall (EUA) 9.36 x Lennix Smith (AUS) 7.905 – Alonso Correa (PER) 13.40 x Jett Schilling (EUA) 12.97 x Deivid Silva (BRA) 11.53 x Jack Robinson (AUS) 8.606 – Kei Kobayashi (JAP) 12.83 x Beyrick De Vries (NED) 9.80 x Connor Slijpen (AFS) 9.03 x Mihimana Braye (PYF) 5.737 – Alister Reginato (AUS) 11.96 x Owen Moss (EUA) 11.50 x Adin Masencamp (AFS) 10.57 x Levi Slawson (EUA) 8.378 – Ian Gentil (HAV) 10.64 x Crosby Colapinto (EUA) 9.50 x Dimitri Poulos (EUA) 8.10 x Eli Hanneman (HAV) 4.97 Oitavas de final 1 – Oscar Berry (AUS) 9.67 x Kade Matson (EUA) 5.662 – Charly Quivront (FRA) 12.00 x Joel Vaughan (AUS) 9.963 – Lucca Mesinas (PER) 10.14 x Jackson Bunch (HAV) 9.604 – Ryan Kainalo (BRA) 11.50 x Yago Dominguez (ESP) 10.105 – Alonso Correa (PER) 10.00 x Beyrick De Vries (NED) 7.836 – Kei Kobayashi (JAP) 12.83 x Jett Schilling (EUA) 9.777 – Alister Reginato (AUS) 9.50 x Crosby Colapinto (EUA) 8.338 –

    Banco do Brasil São Sebastião Pro chega ao último dia neste sábado (3), com chamada às 6h30 e possível início às 7h05. Ryan Kainalo é o único brasileiro na disputa e pode assumir a liderança do CS.

    Um dos eventos de base mais tradicionais do surfe está de volta ao Brasil. Depois de 11 anos, o Quiksilver King of the Groms retorna ao país nos dias 10 e 11 de outubro, na Praia de Itamambuca, em Ubatuba (SP). A edição de 2026 também marca uma novidade: a Roxy passa a realizar o evento ao lado da Quiksilver, dando espaço também às meninas no King and Queen of the Groms. A competição será disputada nas categorias Sub-12, Sub-14 e Sub-16, no masculino e feminino, e está aberta a surfistas de até 16 anos. Criado pela Quiksilver entre o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2000, o KOTG nasceu com o objetivo de descobrir e dar visibilidade aos jovens surfistas de alta performance. Ao longo de suas edições, o evento recebeu nomes que posteriormente se destacaram no Circuito Mundial. Entre eles está Gabriel Medina, vencedor da final internacional de 2009, na França, quando conseguiu duas notas 10 e somou 20 pontos. Outros nomes que passaram e venceram o campeonato incluem Filipe Toledo, John John Florence, Jack Robinson, Leonardo Fioravanti e Matt Banting. Retorno ao Brasil O King of the Groms foi realizado cinco vezes no Brasil: Itajaí (SC), em 2010; Itacaré (BA), em 2011; Baía Formosa (RN), em 2012; São Francisco do Sul (SC), em 2013; e Fernando de Noronha (PE), em 2015. Na última edição brasileira, Fernando de Noronha recebeu não apenas uma seletiva regional, mas a própria Final Mundial do evento. Em 2026, a Roxy passa a realizar o evento ao lado da Quiksilver, com disputas também no feminino. “O King of the Groms sempre foi muito importante para a Quiksilver e eu considero esse evento mais do que um campeonato. Ele faz parte da história do surf e ajudou a colocar muitos talentos no radar. E, depois de tantos anos, trazer esse nome de volta ao Brasil, agora também com o feminino (Roxy), tem um significado enorme para nós. Queremos resgatar esse espírito e, ao mesmo tempo, criar novas histórias. Temos uma geração de groms muito forte no Brasil e poder reabrir essa porta e acompanhar de perto quem serão os próximos nomes do surf brasileiro é, sem dúvida, uma das partes mais legais desse projeto”, disse Karol Lopes, gerente de Marketing da Quiksilver e Roxy Brasil. Inscrições abertas As inscrições já estão abertas e custam R$ 150. Os atletas devem se inscrever exclusivamente pelo e-mail [email protected], enviando comprovante de pagamento, documento com foto e os dados do atleta. Quiksilver & Roxy King and Queen of the GromsPraia de Itamambuca – Ubatuba (SP)10 e 11 de outubro de 2026Sub-12 Masculino e FemininoSub-14 Masculino e FemininoSub-16 Masculino e FemininoInscrição: R$ 150

    Meninos e meninas de até 16 anos disputam o Quiksilver King and Queen of the Groms nos dias 10 e 11 de outubro em Itamambuca, Ubatuba (SP), depois de 11 anos da última edição no Brasil.