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Entrevista com shaper JC

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Shane pesa de 70 a 72 quilos e é maluco por exercícios. Seu quiver começa pelas T-Rd’s 5’6” x 18.85 x 2.35 e 5’9” x 18.25 x 2.25 para as SD-3 até a 11’6” PBU Conchord. Mas para Jaws ele prefere a 10’6”, por ser mais controlável. Foto: Fred Pompermayer

 

 

Conte um pouco sobre as guns que Dorian usou em Jaws.
Nós chamamos essas pranchas de PBU (Pray Before Use – reze antes de usar), modelo Conchord. Elas têm bicos pontudos como o nosso retro-rockets e são geralmente 10’6” x 21” x 3.85” round pin configuradas como quads. São superpesadas, têm mais de 11 quilos, para terem a capacidade de atravessar os bumps, pois sempre venta em Jaws. Nós demos um glass duplo para obtermos o peso extra, mantendo um pouco de flexibilidade. O “nariz bicudo” me permite usar menos rocker no bico para velocidade. É basicamente um foil invertido, e, se entrar na água, volta sem embicar. Quase todos os veleiros de alta velocidade usam isso, bem como nossas SUP racers e um monte de outros designs nossos. Funciona muito bem. Shane parece estar extremamente feliz com elas. Se ele está feliz, estou feliz.

O que essa prancha tem de diferente das outras? Há alguma magia?
Não acredito em mágica e tento não inventar em nenhuma das pranchas dele. Acho que ele aprendeu a usar o que faço e eu aprendi a fazer o que ele gosta.

Quais são as principais mudanças nessas guns modernas?
O aumento de volume, peso e bico pontudo. São um pouco como o filme “De Volta Para o Futuro”.

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O shaper americano John “JC” Carper começou a esculpir pranchas há 45 anos. Trabalhou na Surfboards Hawaii, Lightining Bolt, Rusty e Hawaiian Island Creations antes de lançar sua própria marca no mercado, em 1995. Foi influenciado por caras como Greg Noll, seu vizinho em Hermosa Beach (CA), Dick Brewer, Ben Aipa e Rick Irons. Foto: Arquivo Fluir 

As pranchas de tow-in têm alguma influência em suas guns e pranchas normais?
Aprendemos o valor do peso para dar impulso e a colocar menos rocker. O tow-in realmente abriu várias portas para o surf em ondas grandes, mostrando o que é possível. Caras como Shane deram um passo à frente e perceberam que poderiam deslizar melhor com esses monstros.

O que o trabalho com pranchas grandes traz de benefício para as outras pranchas?
Todo tipo de prancha que faço, seja pequena, longboard, gun ou SUP, entra no jogo. Aprendo algo novo todo o tempo mantendo minha mente aberta e tentando descobrir o que meu cliente quer. Às vezes me sinto um psiquiatra das pranchas. Deveria colocar um sofá na sala de shape para os pacientes, mas daí acabaria cochilando o dia todo.

Você estão trabalhado com materiais diferentes?
Fazemos muitas pranchas de EPS, que são muito leves e fortes. Elas flutuam mais do que as de PU e as pessoas que gostam delas as amam. No Hawaii tenho feito muitas pranchas que chamamos de “composite”. São totalmente customizadas, diferentes das Surftechs e FireWires. São feitas de espuma de poliuretano e resina de poliéster, por isso são flexíveis e se comportam como pranchas normais, mas são incrivelmente fortes. Usamos sacos de vácuo, espuma prensada no interior… dá muito trabalho. Se descobrir como produzi-las com rapidez e custo mais baixo ficarei muito feliz.

Pode dar algumas dicas de como encomendar uma prancha?
Gosto de me basear no que mais o surfista tem usado ultimamente. Então tento ajudá- -lo a decidir se ele quer mais ou menos de certos atributos, ou seja, mais flutuação, mais remada etc. É sempre melhor deixar os números com o shaper. A maioria dos surfistas, assim como shapers, se perdem completamente com esses coeficientes de volume. Sou muito técnico, mas ainda muito conectado à sensação e visão. O principal é confiar no shaper e abrir a mente para o que ele fizer. Você pode aprender algo novo.

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