Vocês surfistas devem ter um botão interno no cérebro que é ativado quando chega uma ondulação. A partir daí dá um reset em todo resto.
Acredito que não foi diferente na espera do swell do dia 11 de agosto, que chegou varrendo toda costa brasileira em especial a praia do Cardoso, no Farol de Santa Marta (SC).
Sintomas da espera: pensamentos longe, olhos ligados a todo instante na previsão e no celular – que não para de receber mensagens em todos os grupos de surf do WhatsApp. Logo começa a surgir as mais diversas questões: “quem vai, quando vamos?”, “equipamento: leash, long, colete…”, “qual gunzeira vou levar, a 9’9”, a 8’6?”.
Isso durará no mínimo cinco dias antes do grande dia, o que me faz acreditar que para entender o que é o amor pelo surf, só sendo surfista mesmo.
No grande dia quando os surfistas que eu acompanhava – David Nagamini, big rider que tinha acabado de voltar do Peru e Daniel Knijnik, que corre o Circuito da ASF (Associação de Suf da Ferrugem) – entraram com suas guns naquele mar pra pegar na remada aquelas monstras, eu já estava posicionada estrategicamente para captar algumas imagens desse dia inesquecível.
Fabinho Gouveia entrou logo depois e já pegou uma onda cabulosa, destaque também merecido para Thiago Jacaré, João Baiuka, Faísca, Tissot, Fernando Feba e um louco que eu não sei o nome, mas que entrou com uma 7’0” na remada e saiu ileso, entre outros que pegaram altas ondas.
Mas a galera do tow-in se deu melhor dessa vez, o vento forte de nordeste jogava a galera que estava na remada para fora do pico do surf, dificultando muito a entrada na onda.
Acabei me perguntando muitas vezes o porquê desse dia ter sido único e fui bater um papo com um amigo geógrafo e surfista, Julio Fernandes que explicou melhor o que proporcionou essa ondulação.
A presença do ciclone extratropical (característico nessa época do ano por trazer tempestades ao continente) juntamente com um anticiclone não usual (ar mais quente, trazendo ventos nordestes intensos e persistentes) fez com que esses ventos nordestes persistentes associados ao anticiclone e ao fenômeno das marés de lua cheia aumentassem o tamanho da ondas e “jogassem” toda essa água para a costa, resultando nas monstruosidades do dia 11 de agosto.
Conclusão: esperamos que esse encontro de gigantes se repita, sejam os fenômenos meteorológicos, sejam os corajosos surfistas que adentraram no mar nesse dia épico.
Agradecimento ao David Nagamini, pelo empréstimo da lente fotográfica que me permitiu alcançar esses “monstros” nessas “monstras”, e ao Daniel Knijnik, que me deu a oportunidade de ver de perto esse fenômeno único.
Flora Cezimbra é estudante de geologia e fotógrafa amadora.