2016 foi a no em que, em tese, Bárbara Brazil iria dar início a uma transição em sua carreira, tirando o foco das competições para dar mais atenção a seus trabalhos como treinadora. De fato, quem acompanha a “baiana arretada” em sua página no Facebook notou que sua atuação junto à Equipe Babi Brazil tornou-se intensa.
No entanto, muita gente se perguntava se ela ainda não poderia continuar dando trabalho para a mulherada da Elite do SUP race nacional, principalmente agora em que Lena Guimarães está no auge da carreira, e novas feras estão vindo com força, como Ariani Theóphilo, Aline Abad, Jessika Moah, Mara Prado, Mel Figueiredo e Raquel Daoud (sem falar de Aline Adisaka, que mesmo não focada no SUP race, quando entra pra uma competição, dá muito trabalho).
Babi conheceu o stand up paddle durante uma sessão de pesca com amigos em 2011. Na época ela remava de paddleboard e vislumbrou ali, um novo brinquedo para suas pescarias.
Mas o SUP, no entanto, logo se tornou muito mais do que apenas um grande aliado na pesca. No final do mesmo ano, a atleta baiana já era campeã brasileira de SUP Race no primeiro ano do circuito. Pioneira entre as mulheres, Babi mudou alguns hábitos, buscou suporte para melhorar seus treinos e encontrou o seu caminho para conseguir, com muita luta, se sustentar com o esporte.
De 2011 a 2015 ela reinou absoluta no SUP race feminino. Cinco títulos nacionais e a alcunha de maior campeã do SUP race nacional. Babi também brilhou em provas internacionais, como a M2O, onde conquistou a 5ª colocação geral, e no Mundial da ISA, na qual se mantém como a maior medalhista do Brasil na história do evento.
Em 2016, porém, em parte desmotivada pela falta de apoio para as competições, ao mesmo tempo em que viu aumentar a demanda de pessoas e atletas interessados em treinar a seu lado, Babi decidiu tirar o foco das provas e passou a trabalhar nos passeios de canoa polinésia e no treinamento de promessas como Robson “Feijão” e Paloma Sapucaia.
E, após reinar absoluta por cinco anos, Babi passou a coroa do race nacional para sua amiga, Lena Guimarães, que assumiu com muitos méritos, diga-se, o topo do ranking brasileiro em 2016.
Já era certo que 2017 seria um ano menos competitivo ainda para a baiana, até que sua convocação para o Mundial da ISA reacendeu a chama de competidora.
Treinador da equipe brasileira, Marcelo Esquilo, comenta que ficou impressionando como Babi é respeitada pelos gringos: “Todo mundo vinha falar com ela, tirar foto”, comenta. Esse carinho dos atletas parece ter feito a guerreira repensar sua “aposentadoria”.
Esquilo disse que durante o Mundial da ISA passou a admirar ainda mais Babi:
“Ela é um ícone do Stand Up Paddle e a cada sessão de treino me faz entender o porque é pentacampeã brasileira dessa modalidade. Sua determinação é o sonho de qualquer treinador. E por trás da atleta tem uma pessoa de grande caráter e sensibilidade”, revelou o treinador durante uma conversa que tivemos recentemente.
Sua participação esse ano, com um 13º na longa distância, e um 11º, na prova técnica, não lhe renderam o pódio que já subiu tantas vezes, mas mostrou que ela ainda tem muita lenha pra queimar no circuito.
No último final de semana encontrei Babi na 3ª etapa do Brasileiro, realizada em Avaré. Lena, infelizmente não pode participar pois estava participando da 11 City Tour (na qual foi campeã), mas a briga com Ariani Theóphilo pela primeira colocação foi incrível e as duas chegaram empatadas até a areia, quando Ariani, na corrida, conseguiu chegar em primeiro.
Vi em Babi novamente aquele brilho no olhar de competidora nata. Fiquei feliz, pois, acho que o SUP race feminino está atualmente em um nível muito alto e as competidoras bastante engajadas em melhorar as condições competitivas para as mulheres no Tour.
Acho que vai ser difícil superar a Lena Guimarães esse ano, mas, acredito que todos ganham se o maior nome do SUP race feminino voltar com força total para as competições. O esporte agradece.