O especial do Hawaii é que todos respiram esse oxigênio das ondas grandes. Basta um swell grande aparecer nas previsões da web para se tornar o principal assunto da ilha.
Nesta temporada, vim muito instigado no surf de Jaws na remada. Assim que cheguei, aproveitei o primeiro swell no dia 22 de dezembro para fazer meu primeiro treino remando em Peahi.
Embora fosse um swell de Norte, do qual não se ouvia muito falar sobre a possibilidade de boas condições de surf em Jaws, decidi comprar minha passagem na última hora, motivado por ter visto a bóia batendo 20 segundos na noite anterior.
Esse primeiro swell serviu para eu sentir a energia do ambiente, pois com todo respeito que tenho por essa onda, ali pude pegar as minhas primeiras ondas remando.
Eu já havia surfado alguns bons swells de tow-in em Peahi. Mas aquela estava sendo a primeira vez que estava entrando e saindo pelas pedras de gunzeira, a primeira vez que eu estava no outside de Jaws sem crowd de surfistas e de jets e isso foi muito importante para mim.
Naquele dia, usei minha prancha Akiwas 10`2 amarela, que ficou muito boa, mas logo percebi que quando o mar subisse eu precisaria optar por uma prancha maior e mais pesada.
Voltando de Maui para Oahu, onde estou passando a temporada, apareceu uma nova previsão de um big swell para o fim de ano, entre os dias 30 e 31 de dezembro, o que me deixou muito motivado e na expectativa.
Porém, logo em seguida, o evento Red Bull Jaws Paddle at Peahi entrou em alerta para acontecer em uma dessas datas.
Daí em diante, toda galera que pretendia surfar Jaws nesse swell fazia incansavelmente a seguinte pergunta: o campeonato de Jaws vai rolar mesmo, ou não?
Ficamos todos acompanhando as atualizações do evento, dia após dia, hora após hora, até que no dia 28 de dezembro saiu a notícia oficial sobre o cancelamento do alerta.
Enfim, o mistério havia acabado e a onda de Peahi estava liberada para o free surf. Logo em seguida, ainda comemorando a notícia, eu e minha mulher compramos nossas passagens para Maui e partimos rumo ao big swell.
Já em Maui, acordamos na madrugada do dia 30 de dezembro e partimos para o cliff, pois acreditávamos que o swell chegaria nesta data.
Saímos de casa com o tempo estável, que por ironia do destino se transformou em chuva e vento. Estacionamos o carro de frente para onda, e com vista privilegiada ficamos monitorando o swell dentro do carro.
Contudo, para a decepção de todos os surfistas, fotógrafos, cinegrafistas e simpatizantes, aquele dia não foi de ondas boas. A chuva não deu trégua, a lama foi aumentando cada vez mais, e o que nos restou foi voltar para casa e esperar pelo dia seguinte.
O swell no Hawaii tarda, mas não falha… E chegando em casa depois deste plantão cansativo, logo fomos conferir as bóias online. Atualizados, vimos que as ondas já estavam batendo com 18 pés, por 16 segundos em alto mar, e esta informação assegurava que haveria ondas bem grandes para o dia seguinte. Com esta expectativa fomos direto para a cama…
Acordamos às 5 da manhã e retomamos a nossa missão. Minha mulher Aline Cacozzi e Bia Silveira, mulher do Sylvio Mancusi, voltaram para o cliff para fazer as imagens, enquanto eu, o Sylvio “Mauka”, e a Silvia Nabuco fomos para a Maliku Bay Harbor para entrar de jet ski, o que foi muito confortável em vários sentidos.
Primeiro por eu não precisar mais usar a botinha, que seria necessária ao entrar pelas pedras, devido ao corte no meu pé direito que ainda estava aberto, e que ocasionava perda da sensibilidade durante o surfe.
Segundo porque não precisei arriscar quebrar minha prancha (ou quilhas) durante a entrada pelas pedras, o que é muito fácil acontecer. Agradeço ao meu amigo Sylvio por esta parceria. Valeu, Mauka!
E nesse mesmo cenário, nove dias depois, lá estava eu remando novamente no “outside” de Jaws, mas dessa vez com minha maior prancha 10`5 Mendonça e num big swell que cobiçado por todos.
Quando me posicionei no pico e entrou uma série de três ondas, percebi que o mar estava realmente grande. Fiquei durante uns 15 minutos só visualizando o pico sem remar em nenhuma onda, como uma espécie de reconhecimento do local.
Nas primeiras ondas que remei senti confiança no meu equipamento, pois a prancha estava adequada para dropar aquelas ondas. O problema estava mesmo na adrenalina de surfar esse dinossauro de onda praticamente em frente das pedras.
Muito bom quando consegui pegar minha primeira onda para aquecer. Daí em diante, fiquei tentando achar o momento certo para vir numa bomba da série, quando acabei puxando o bico em duas canhotas gigantes.
Acredito que essas ondas que eu acabei puxando o bico me serviram de motivação e assim, logo apareceu outra série grande, que a principio eu pensei que fosse tomar na cabeça. Comecei a fugir remando forte para o outside, mas de repente percebi que a onda estava certa para mim, e sem mais pensar, virei minha prancha e remei com toda minha força…
O resultado foi um drop inesquecível em que fiquei pendurado na onda só com a rabeta da 10`5. Esse foi um daqueles momentos mágicos que fazem tudo valer a pena e satisfazem a alma de quem surfa ondas grandes por amor.
Agradeço a proteção de todos os nossos anjos da guarda e que graças a Deus encerramos o ano num épico dia de big surf.
Muito irada a presença dos amigos big riders brasileiros nessa sessão. Valeu, Sylvio Mancusi, Pedro Manga, Tiago Candelot, Felipe Cesarano, Diego Silva, Gabriel Pastori, Carlos Burle, Alexandre Ferraz, Edson de Paula, Marcio Freire, Pato, Yuri Soledade, o peruano Luis Prato e as meninas Silvia Nabuco, Andrea Moller e Maya Gabeira.
Obrigado também ao Pato e ao Yuri Soledade, que ficaram revezando o jet para fazer o resgate da galera, o que deixou a todos mais seguros e confiantes.
Esse big swell de final de ano foi muito clássico. Ele viajou por todo Oceano Pacífico, originário no Japão e veio direto para o Hawaii, chegando como um swell limpo de Oeste Noroeste sem a influência de ventos fortes como de costume.
Obrigado pelo suporte de todos meus patrocinadores: Wave Giant – Tent Beach – Travel Ace Assisntence – Bullys – Akiwas surfboards – Cameras hd Xtrax – Electric sunglasses.
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