Leitura de Onda

A arte do drible

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Filipe Toledo sobrevoa as ondas francesas; Para Tulio Brandão, surfistas brasileiros precisam, mais uma vez, de criatividade, persistência, talento e, muito, muito estômago. Foto: Jose Rus.
 

Tristes tempos esses do bem contra o mal. O maniqueísmo já tinha sido derrotado até nas histórias infantis, mas ressurge violentamente nas ruas e no que parece ser o principal tribunal da sociedade moderna, o Facebook. Essa radicalização do discurso, que leva a uma porradaria de parte a parte, só interessa a quem não gosta de um bom debate. É a doença da democracia.

Nos tempos de labuta como repórter de um grande jornal brasileiro, um amigo soltava uma frase lapidar sempre que se via diante de uma reportagem difícil de ser aprovada pelo chefe, por conta de possíveis interesses políticos ou corporativos: “A vida é a arte do drible”.

Ele queria dizer, com isso, que é importante driblar as adversidades dentro do campo, sem corromper as regras do jogo. Demos muitos dribles, alguns em parceria. Conseguimos publicar, sem sair de campo, histórias impensáveis para a cultura daquela redação.

Ir para a rua, protestar, questionar, ocupar todos os espaços com coesão, bons argumentos e criatividade é driblar dentro do jogo. Soltar rojão no meio da população é entrar de sola.

Não adianta. Tem gente, que assiste ao jogo da tribuna, louca para ver o couro comer dentro de campo. É a chance de melar a parada, jogar o tabuleiro para o alto, dar fim ao debate.

Também temos que driblar no surfe. Só conquistaremos o primeiro título mundial dando um belo lençol nos saxões, não tem jeito. Nossos atletas precisarão, mais uma vez, de criatividade, persistência, talento e, muito, muito estômago. Esse é o jogo.

O futebol sempre adornou nossos clichês mais baratos. Mas não desisto. Acho o drible, especialmente, a nossa cara, a cara da nossa cultura. Temos que recuperar a arte de vencer o adversário produzindo o inesperado, a surpresa, sem sair das regras.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

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Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

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