As pranchas de stand up apresentam diferentes combinações na parte do fundo e outlines (formato). É importante entender conceitos básicos sobre essas variáveis, que definem o tipo de remada ou surfe que deseja praticar. A seguir, vou falar um pouco sobre essas duas medidas.
FUNDOS
Muita gente não presta atenção, mas o fundo da prancha, por se manter todo tempo em contato com a água, tem grande influencia no desempenho e agilidade do SUP. Cada modelo tem características distintas.
Nas pranchas híbridas, que variam de 10 a 11 pés e são muito utilizadas para remadas recreativas e surfe de ondas pequenas, a opção mais comum é pela combinação de um fundo reto (flat), garantindo maior estabilidade, com a saída (na parte das quilhas) em formato de “V”, conhecido como “v-bottom”, que ajuda no direcionamento da prancha.
Já nos modelos específicos para o surfe, há uma variedade maior de combinações, sempre visando projeção e facilidade para manobrar a prancha. São pranchas menores e mais sensíveis. Neste caso são utilizados fundos côncavos os chamados “concaves” e também o v-bottom. Uma combinação bastante utilizada é o duplo concave com a saída em v bottom. O duplo concave canaliza o fluxo de água e também o divide em duas partes, gerando projeção.
Essa variação de fundos é mais restrita quando as pranchas são de race, que na sua maioria apresentam um fundo bem especifico. O bico da prancha se assemelha a um v bottom, porém, mais acentuado e com grande importância.
Suas finalidades englobam o corte fluxo e resistência da água, auxiliando no direcionando, velocidade e desempenho. Na parte central, o fundo normalmente é bem flat e em alguns casos com um concave suave.
Quanto menos ondulação, mais eficientes as pranchas de fundo “flat” serão. Pois, em um ambiente estável, ou seja, no “flat water”, fica muito mais fácil canalizar e concentrar a energia da remada.
Já no caso de mares mais abertos, onde movimentação da água é mais intensa, pranchas com mais curvatura de fundo são indicadas por conseguirem canalizar a energia produzida por essa oscilação.
OUTLINES
As pranchas híbridas (Fun Race) apresentam, em sua grande maioria, a largura entre 28 a 32 polegadas com bico e rabeta bem largos para proporcionar estabilidade e segurança à remada.
O formato do bico da prancha pode ser mais “pontudo”, parecido a uma prancha de surf, ou “arredondado” se assemelhando a uma prancha de “longboard”. Neste caso, quanto maior a área de outline da prancha, maior será a estabilidade.
RABETAS
O formato da rabeta da prancha pode variar também. Os formatos mais utilizados são o “square”, que é bem quadrada, o “squash”, também quadrada, mas com as pontas arredondadas, o “Diamond”, em formato de “v”, como a ponta de um diamante e o “round”, que é um formato bem arredondado.
A largura da rabeta também interfere na estabilidade e na direção. Quanto mais larga, mas estável, porém menos controle da direção.
Como acontece com os fundos, os modelos de surf também apresentam muitas variações de outlines. A constante redução no tamanho desse tipo de SUP impõe ao shaper o desafio de criar um modelo que proporcione estabilidade para a remada e agilidade para a execução de manobras. Nessa hora o outline vai ser um dos artifícios do shaper para equilibrar o volume da prancha.
LARGURA
As medidas de largura geralmente variam entre 24 e 29 polegadas. Isso depende muito do tipo físico do surfista. A variação maior também está no formato da rabeta desse modelo de SUP, que pode se alternar entre os modelos descritos a cima, incluindo a rabeta “swalow” com duas pontas e a utilização de “wings” nas extremidades inferiores da prancha, que estreitam bruscamente a largura da rabeta, deixando-a mais direcional.
Nas pranchas de Race, cujos tamanhos mais comuns são 12’6” e 14’, medidas de largura mais comuns ficam na faixa de 24 a 27 polegadas, mas as de competição feitas especificamente para águas paradas podem chegar à largura de 24 polegadas, ou até menos, dependendo do tipo físico e da habilidade do remador. Quanto mais estreita a prancha, maior velocidade e menor estabilidade.
É necessário achar o equilíbrio para ter um outline veloz e que proporcione equilíbrio na remada.
* Alzair Russo é competidor e shaper pioneiro. Hoje ele produz as pranchas da Tangaroa.
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