O fotógrafo italiano Alessandro Olocco esteve em Maresias, São Sebastião nos dias 19 e 20 de novembro, acompanhando a etapa decisiva do Circuito local de São Sebastião, o Medina ASM.
Na ocasião, ele fotografou alguns momentos da família Medina na areia e escreveu um texto sobre sua percepcão do entrosamento dos membros:
“O surfe é um esporte solitário. É o que dizem, e muitas vezes realmente é. O surfista, sua prancha, os bodyboarders, todos numa corrente solitária, lutando para chegar no lineup. Muitas vezes, tem outros surfistas competindo com vocè para pegar as ondas, buscando uma leitura do pico e as prioridades e, em outras, há adversários na baterias, se você é de competir e, desta maneira, haverá um treinador, sua família e os torcedores, todos na praia, te olhando e gritando, mas no fim, lá fora mesmo, você está sozinho.
Agora, imagine ser uma menina de 12 anos, carregando um sobrenome bastante, digamos, “pesado” como Medina, e e todos os olhos voltados para você.
No sábado (19/11), a corrente era tão forte que, ao fim da bateria, os bombeiros têm que te retirar da água de jet ski. Você chora, mas sabe que tem que ter coragem para tão nova estar ali, naquelas ondas.
No dia seguinte, chegou a grande final. Você joga em casa. Na praia, está seu pai, Charles Saldanha, te filmando e aguardando o fim do evento para te levar pra casa. Sua mãe, Simone Medina, vibra como sua primeira grande torcedora. Estão todos lá, os tios, a família toda, torcendo por você.
Sim, toda a família esta lá, seu irmão Gabriel Medina, o primeiro brasileiro campeão mundial, chega à bordo de um jet ski, ninguém vê-lo chegar e, com o fim da bateria, vai embora como veio, novamente, sem ninguém vê-lo. Como um super-herói, some, sem roubar um segundo sequer um minuto da atenção de sua irmãzinha.
Era dia de Sophia e Gabe só estava ali pra isso, para ajudá-la. E assim ele faz, a cada onda, ele fica próximo, aconselha, instrui sobre quais as melhores ondas, estimula a remar forte nas boas e a segue com os olhos.
Sophia sai da água, o treinador/pai a ajuda com a prancha. A mãe corre ao lado, torcendo.
Quando retorna, lá está Gabriel novamente, ao lado dela, chegam quase juntos ao lineup. Na final, ela não vence, mas não importa, quem ganha é a família. Vitória da família Medina, mas não só dela, de todas as famílias que, quando o Oceano ou a vida são fortes, lembram que não estam sós e se unem, mostrando que com apoio, chega-se onde quiser”
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