Fernando Moura

Histórias de Desert

Um dos maiores prazeres do surf está no ato de viajar atrás da onda perfeita. Não existe um surfista de verdade que não sonha em encontrar um pico isolado da sociedade, cheio de natureza, tubos perfeitos rolando e sem ninguém por perto para disputar a preferência. Foi assim que o pequeno vilarejo de Bangko-Bangko, no noroeste de Lombok, Indonésia, passou de um fim de mundo perdido no mapa para um paraíso do surf.

Pelas ondas perfeitas e o baixíssimo número de habitantes, o pico foi batizado como Desert Point. Desde então, foi se tornando cada vez mais popular entre surfistas do mundo inteiro. O freesurfer da Hot Buttered – HB, Fernando Fanta, visitou o lugar no mês de setembro e fez a cabeça: “Sempre foi meu foco principal de quando vou para Indonésia”, revelou o surfista. “Sem dúvida é uma das melhores ondas do mundo e quem pega uma das boas garante a viagem.”

Hoje em dia, a situação encontra-se um pouco diferente. O pequeno grupo de crianças que era visto correndo e brincando entre as cabanas de palha cresceu e se transformou em um time de monstros do surf. Nascidos no paraíso de qualquer surfista, foram abençoados com a chance de surfar todo o dia uma das ondas mais cobiçadas do mundo. Outros grupos de crianças nasceram e também irão crescer. Por isso, Fanta conta que o pico já não é tão “desert” assim: “Antigamente, era bem mais fácil surfar em Desert. Hoje em dia, os locais cresceram e começaram a surfar melhor. O crowd também aumentou relativamente e faz eles terem posturas um pouco desnecessárias dentro d’água. Eles vivem de maneira muito simples e, apenas quando entra swell, têm chances de se relacionar com as demais pessoas”.

Apesar de as estradas terem melhorado muito em relação a antigamente e de a Indonésia ter crescido, chegar em Desert Point ainda é uma missão difícil. Na maioria dos casos, o ponto de partida é Kuta, Lombok, um dos lugares onde rola maior turismo e comércio na ilha. De lá, o surfista terá no mínimo quatro horas de viagem pela frente. Isso, se não tiver nenhum perrengue como casamentos indonésios bloqueando as estradas e se o carro tiver um ótimo 4×4. Quanto mais perto do pico, piores são as estradas e reduzir (e muito) a velocidade é inevitável.

O desafio final é subir uma lomba de terra cheia de buracos. Se o carro passar, boa sorte na volta! Se não passar, você estará numa grande roubada! Melhor deixar ali mesmo, caminhar os dois quilômetros finais e torcer pra ele estar lá na volta. Fernando Fanta passou no desafio, mas os perrengues ficaram na memória: “É um lugar inóspito e de difícil acesso, mas de beleza exuberante. Este ano, passei uma roubadinha em relação aos horários que escolhi para começar a jornada pra lá. Peguei a balsa que sai de Bali por volta das 10 horas da noite e, como a função dura 5 horas, cheguei em Lombok de madrugada.”

Só tem um detalhe: – “Essa ilha é bem perigosa pra viajar nesse horário por causa dos nativos, que fazem barreiras de pedras nas estradas para roubar quem passa. Mas, se fosse só isso, ok! Na saída da balsa, meu carro começa a ferver e eu, sem entender nada de mecânica, fiquei apavorado. Enfim, acabou dando tudo certo com o carro e com a estrada.”

Outro costume que não é novidade para quem conhece a Indonésia, mais especificamente na ilha de Lombok, são as rezas nas caixas de som. Não é incomum que os locais te surpreendam de madrugada com uma espécie de canto em volume altíssimo ecoando por toda a cidade. E, assim, se deu a última surpresa de Fanta, antes de finalmente poder cair nas esquerdas de Desert: “Cheguei na pousada às 4 da manhã e não tinha ninguém na recpeção. Mais meia-hora de espera e, na hora de estar deitado, por volta de 4:30 da manhã, outra surpresa. A reza nos microfones instalados nas ruas começou, impedindo aquele tão sonhado sono”.

Não tem jeito, você só percebe que está em Desert quando sua visão estabelece o primeiro contato com as ondas. Para quem chega pela estrada, o momento é inesquecível. Depois de horas de viagem, finalmente pode-se entender a dimensão das coisas. O lugar é perfeito e, quando funciona, as esquerdas oferecem tubos que muitos consideram os mais longos do mundo. E, assim, Fanta termina seu relato: “No final de tudo, vale a pena aproveitar esse tal deserto e aquelas ondas que pode nos oferecer.”

Fonte HB.com.br

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)