Lennox Head

Crowd em rota de colisão

Já fui criticado por divulgar certos picos chamados secretos. Não vejo problema nisso. Se eles forem de difícil acesso, ficarão sozinhos. São picos sozinhos, não picos secretos.

A maioria dos surfistas não surfa muito longe do estacionamento. Restaram poucos surfistas com a vibe original, aqueles que se aventuravam em busca do desconhecido. O surfe não é mais alternativo, virou parte da sociedade.
E a sociedade é o centro da desordem do Universo, na qual o ego, a inveja e o medo se concentram.

Estou na Austrália, talvez o país mais surf do mundo. Um certo dia, as condições se encaixaram. Ondulação de qualidade e vento terral. O crowd foi em busca de ondas e sobraram picos sozinhos, já que todos se concentraram em poucos lugares e a tendência geral da sociedade é a aglomeração.

 

Muitas ondas quebraram vazias enquanto muitos se estressavam. Brigas por onda foram constantes, pois todos vão sempre na mesma direção, mas os surfistas originais estavam na contra-mão. O surfe era apenas a busca pelo prazer e o ego estava longe, eles não estavam no automático e buscavam algo novo.

Surfistas de alma ainda existem. Não é a roupa nem a profissão. Não é a cidade nem a nação. O que define um surfista de alma é o amor pela divina sensação, de encontrar Deus ao deslizar sobre a onda. Talvez não Deus, mas a plenitude, independente da onda, independente dos outros.

O surfista de verdade não vive a moda! O surfista de alma ainda vive! O surfista de alma sempre viverá!

 

Carlos Portella Conta com o apoio da escola QIBA. Para curtir mais viagens do autor, visite o site Umas Viagens.

 

Foto da reportagem Douglas Cominski / Shotspot.com.au .

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)