#Caetano Veloso fez dois shows no Anfiteatro John Anson Ford em Los Angeles, nos dias 3 e 4 de julho, que deixaram delirando a platéia e os críticos americanos.
Essa foi a segunda vez que o compositor baiano se apresentou em Los Angeles. Cantou músicas de seu penúltimo CD “Prenda Minha”, como “Terra” e “Jorge da Capadócia”, mas se concentrou mais no CD atual “Livro”.
Segundo expressou à imprensa americana, sua intenção neste projeto era combinar a percussão da Bahia aos ritmos jazzísticos das composições de Miles Davis e Gil Evans dos anos 50 e 60. Com a ajuda dos arranjadores Jacques Morelenbaum e Luiz Brasil, Caetano e sua banda fizeram apresentações brilhantes de “Manhattan”, “Livros” e “Doideca”, uma fusão de tecno-pop e música dodecafônica.
Até o cantor americano Beck, que compôs e gravou uma bossa-nova no seu mais recente CD “Mutations”, homenageou Caetano, cantando com ele duas músicas em inglês e se esforçando para falar o português dos refrões. A dupla transcontinental que formaram, apesar de beirar o surrealismo, emocionou e foi muito aplaudida.
Beck juntou-se ao público bem dividido entre brasileiros e americanos depois de deixar o palco, e ali permaneceu até o final do show, prestando muita atenção a tudo que Caetano fazia. A um certo ponto, a multidão não resistiu e se levantou dos assentos para dançar.
Músicas como “Odara”, “Meditação”, “Sozinho” e “A Luz de Tieta” levaram a platéia à loucura, para o desespero da segurança do teatro, que achou que o palco seria invadido.
Ao perceber que o público queria apenas se divertir, a segurança se tranqüilizou e ficou apenas observando, sem interferir.
As críticas do show nos jornais locais foram muito positivas, com Caetano sendo considerado um artista maduro, criativo, charmoso e sofisticado, transcendendo suas raízes brasileiras para se transformar num músico de alcance internacional.

BECK TROCA IDÉIA COM REPÓRTER WAVES

O repórter Marcelo Torok estava sentado ao lado do Beck, que também assistia ao show, e quando se ligou, aproveitou para fazer uma rápida entrevista com o cantor.

#Waves – Fiquei muito surpreso ao ouvir na K-Roq, uma rádio de Los Angeles que só toca rock, a bossa-nova que você compôs e gravou no CD Mutations. Como você, um artista da nova geração de roqueiros americanos, foi se interessar pelo Tropicalismo, um movimento musical sul-americano dos anos 60?
Beck – Apesar de ser meio incomum para um adolescente americano, cresci ouvindo bossa-nova e sempre admirei a sofisticação simplificada de suas notas e a tranqüilidade que ela me inspira.

Waves – O seu pai era um músico famoso de estúdio que colocava os discos na vitrola?
Beck – (Risos) Não, na verdade era minha mãe. Ela adora música brasileira.

Waves – Você era a última pessoa que eu esperava ver cantando com o Caetano. Como isso aconteceu?
Beck – Admiro demais a música dele, sua criatividade e influência em gerações de brasileiros. Quando soube que viria para Los Angeles, o contactei. Ele é gente muito boa e um grande artista!

Waves – O que você achou do Caetano tentando cantar sua música no show? (Caetano cantou só uma parte da bossa-nova de Beck, improvisando enquanto lia a letra em inglês).
Beck – Foi emocionante para mim. Imagine você, como brasileiro, tendo um blues seu cantado por BB King? Foi isso que senti! Foi uma honra!

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