Chegou ao fim na última semana, a expedição brasileira da OCEARCH, que capturou, marcou e soltou de volta ao mar seis tubarões-tigre no país, em parceria com pesquisadores locais. O principal objetivo foi coletar informações para estudar a migração dos tubarões na costa Nordeste do Brasil. A ONG reuniu navegantes profissionais, cientistas especializados e empresas socialmente inovadoras como a Caterpillar, que permitiram a geração de dados críticos para o estudo. Os dados podem ser acompanhados pelo site e aplicativo Global Shark Travel gratuitamente, para que estudantes e interessados tenham acesso a informações que antes estavam disponíveis apenas para pesquisadores.
A rota inicial da expedição incluía as cidades de Recife, Aracaju, Fernando de Noronha e Natal. Entretanto, devido a condições climáticas, a expedição em Aracaju foi cancelada, e a equipe partiu direto para o arquipélago, onde seis tubarões-tigre foram capturados.
Os tubarões capturados foram batizados de Maria Bonita (fêmea, 2,60 metros e 85 quilos), Lampião (macho, 2,40 metros e 124 quilos), Castelo Branco (macho, 1,80 metros e 37 quilos), Noronha (macho, 2,08 metros e 40 quilos), Tupi (macho, 2,5 metros e 81 quilos) e Bezerra (fêmea, 2,45 metros e 145 quilos).
Durante o trabalho de campo, a equipe da OCEARCH também visitou escolas e recebeu a comunidade local a bordo do navio de pesquisa M / V OCEARCH, que foi visitado por mais de 200 crianças só em Fernando de Noronha. A bordo do navio, a comunidade teve a chance de conhecer a equipe de pesquisa e o funcionamento do barco. Em terra, Chris Fischer, fundador da OCEARCH e líder da expedição, apresentou às comunidades locais o resultado de pesquisas anteriores e o impacto dos trabalhos realizados ao redor do mundo.
O trabalho da OCEARCH foi encerrado em Natal, onde o navio permaneceu por três dias.
A expedição contou com a colaboração de 17 pesquisadores brasileiros das UFC (Universidade Federal do Ceará), UFPR (Universidade Federal do Paraná) e UFRPE (Universidade Federal Rural de Pernambuco), coordenados por Fabio Hazin, professor da UFRPE. “As informações coletadas serão importantes para compreender ainda mais a migração desses animais”, destaca o Prof. Hazin. Com as amostras recolhidas e o monitoramento dos tubarões por meio das tags inseridas, os pesquisadores brasileiros continuarão a estudar estes tubarões e seus ciclos migratórios, relacionando-os com os ataques que ocorrem em Recife. A ONG vai acompanhar os trabalhos desses pesquisadores até a publicação dos resultados, o que pode levar três anos.
Para Chris Fischer, o relacionamento com os pesquisadores brasileiros é o maior legado dessa experiência. De acordo com ele, a captura e marcação dos seis tubarões-tigre foram só o início desse projeto no país. “Assim que as pessoas tiverem acesso às informações dos tubarões via site e app, será possível aprender sobre a sua migração e a relação disso com os ataques em Recife, lado a lado com os estudiosos”, destaca Fischer.
Após a partida do Brasil, o barco navegará para a Austrália, onde o governo acaba de autorizar a morte de tubarões que ameaçam banhistas. A OCEARCH pretende iniciar um novo estudo naquele país em janeiro de 2015.
A OCEARCH é uma entidade sem fins lucrativos com alcance global para pesquisas oceânicas inéditas, que apoia os principais cientistas e instituições que procuram obter dados nunca antes disponíveis sobre o movimento, a biologia e a saúde dos tubarões a fim de proteger o futuro destes animais, ao mesmo tempo em que aumenta a segurança do público em geral.




