Hoje acordei sonhando com o Noel (maior tube rider de Puerto Escondido de todos os tempos), e mais uma vez ele estava sereno e sorrindo, sonho rápido no qual constatei que ele está bem e feliz.
Até achei legal, pois no sonho, ele estava num parquinho tipo playground, onde tem aqueles escorregadores que passamos por dentro de um túnel.
Minha cabeça deu mil giros, comecei a rezar e tentei dormir. Foi quando me veio o pensamento de o quão banal pode ser um acidente surfando para quem está assistindo de fora, e o quão grave pode ser para aquele que está surfando.
Recordo bem, eu com minha família sentados nas areias de Pipeline, Hawaii, assistindo ao Pipe Masters. Lembro bem de uma onda do Mick
Lowe (ex-top do WT), na qual ele fez um drop animal e depois de acelerar muito dentro do tubo, caiu no final junto com o spray (baforada).
Uma onda nota 10 em potencial, mas se tornou uma nota 2. Sempre aquele julgamento me passava pela cabeça como injusto.
Não é nada fácil o ato de dropar atrasado e ver aquela parede quase fechando em sua frente, às vezes derrapar na parede e ter que se projetar na busca de uma saída no final daquele túnel.
O ato de dropar é importantíssimo em tal circunstância. Tendo minha bagagem de conhecimento em campo e me colocando como juiz, com certeza, ao analisar um surfista depois de um drop animal, uma acelerada daquelas e somente perdendo o controle da prancha na baforada, seria injusto dar menos de 6 pontos, pois o drop é o mais importante e define como será a onda.
Um drop atrasado, daqueles em que a certeza e a incerteza estão presentes e o coração quase sai pela boca de tão acelerado que fica.
Ao meu ver, esses merecem um outro julgamento, talvez no quesito exclusivo “atitude”, e seria no meu ponto de vista a nota máxima, o 10.
Analisando bem alguns acidentes fatais recentes, o drop foi o momento crucial que levou os nossos amigos para outra dimensão da vida, a morte.
Relembrando Mark Foo em Mavericks, Travis Musleman em Pipeline, Malik Joyeux em Pipeline e Noel Robinson em Puerto Escondido.
Todos esses faleceram depois de um erro no drop. A morte é destino para todos nós. Que eles descansem em paz com todo meu respeito, carinho e admiração.
Nesse tempo de copa e com o hino sendo tocado, esse refrão casa bem para os surfistas de alma e kamikazes que remam por prazer íntegro ao surf, com sangue nos olhos para demonstrar coragem.
(…) “Em teu seio, ó liberdade, desafia o nosso peito a própria morte” (…)
Paz a todos, aloha e boas ondas!
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