
Ídolo do surf baiano nos anos 80, Olimpio Batista interropeu sua carreira como surfista profissional devido à falta de investimento no surf da Bahia. Incentivado por amigos, seguiu para o Rio Janeiro para novamente tentar a sorte no surf.
Lá, começou a trabalhar e morar numa fábrica de prancha de um conhecido, porém a renda era pouca e Olimpinho mal tinha tempo para surfar, esporte ao qual dedicou a sua vida.
Olimpinho voltou a se encontrar como o surf quando começou a trabalhar na escolinha de Rico de Souza. Ali, tinha mais contato com o mar e pôde voltar a treinar.

Baiano carismático, era fácil se encantar com Olimpinho. Várias alunos foram iniciados pelo surfista, até então um shortboarder.
Um dos alunos, o empresário Ari Svartsnaider, começou a ajudá-lo depois de ter aulas particulares com o baiano. Ari insistia que Olimpinho deveria migrar para o pranchão, mas Olimpinho relutou até o dia que foi presenteado pelo mesmo com um longboard e uma viagem para a Costa Rica.
Naquele momento iniciava-se uma grande amizade e os primeiros passos de Olimpio
sobre um pranchão. Sua adaptação foi rápida, afinal, Olimpinho era um surfista
de mão cheia.

Ao perceber a evolução e talento de Olimpio, Ari decidiu investir mais na carreira do longboarder. “Olimpinho, tenta obter o visto para os Estados Unidos que nós vamos para o Hawaii no final do ano”, afirmou Ari.
Olimpinho estava pronto para realizar o sonho de todo surfista, ir ao Hawaii.
“Como um baiano, negro e sem um tostão no bolso vai conseguir um visto para o
Estados Unidos? Mesmo com uma declaração de Ari, como vão acreditar que eu
não vou decidir ficar por lá”, pensou o baiano. Mas contra todas as probabilidades, ele conseguiu o visto.

Olimpinho conseguiu vaga num campeonato local na praia de Haleiwa graças à
uma desistência. Olimpinho supreendeu vencendo bateria após bateria até
a final.
Era clara a vitória do baiano na final, mas o evento terminou sem um
resultado. Divulgaram o resultados e a vitória do mais novo campeão do longboard
apenas 15 dias depois.
Retornando ao Brasil, Olimpinho tinha de volta a carreira de surfista profissional, agora como longboarder.

Ainda pouco conhecido na modalidade, Olimpinho surpreendeu novamente ao derrotar o tricampeão mundial Colin McPhillips no Red Bull Longboard International 1999, disputado na Barra da Tijuca.
Esta vitória rendeu o título de campeão brasileiro de longboard e o dinheiro que faltava para terminar de construir sua casa na praia da Macumba.
Casa que acolhia diversos amigos conquistados ao viajar pelo Brasil e o mundo em busca do título mundial de longboard.
Olimpinho me contou esta história há sete anos,

quando fomos para o mundial da Austrália. Achava o relato tão bom que não queria contá-lo rapidamente.
Combinei então que escreveria quando chegasse ao Brasil. Fiz dois filmes com o baiano e, pela correria do dia-a-dia, nunca pude escrever como pretendia. Infelizmente, chegou o deadline.
Como para maioria dos amigos, ainda não caiu a ficha da morte dele. Espero que seja vitorioso nesta nova vida como foi aqui, meu amigo baiano.
Confira galeria de fotos da carreira do campeão
Confira abaixo Olipinho em vídeo:
Entrevista e barca para Taguaiba (Hang with us)
Vitória na Macumba (Petrobras Longboard Classic)
Barca para Moçambique (Longboard 2000)