Banalidades Frutíferas

25 anos de mídia

Noite inesquecível no Circo Voador, quando Regina Casé e outros integrantes do Asdrúbal Trouxe o Trombone prestigiaram a estreia de Mandrix Joe. Foto: Arquivo Pessoal.

A vida andava meio chata e monótona no Galeão. Final de 1984 e o Rio de Janeiro continuava lindo como sempre.

 

E eu tinha dois empregos no aeroporto. Trabalhava no balcão de informações da Infraero e ganhava um salário que não dava pra nada.

 

E era estagiário da agência de notícias Airpress, não ganhava nada, mas me divertia demais.

 

Era um estágio legal e eu me virava sob orientação do grande jornalista Ismael Santos, o cara que me ensinou a ser repórter e que também trabalhava na sucursal do Estadão.

 

Eu não ganhava um tostão na Airpress, mas publiquei algumas reportagens bacanas com o então senador Tancredo Neves, craque Zico, ministro Helio Beltrão, ex-presidente da Venezuela Andrés Perez…

 

Com minha mulher Celia Almudena e Claujones durante o Sundek Classic, 1987, Ubatuba (SP). Foto: Arquivo Pessoal.

Estagiava pela manhã e, à tarde, ia para o balcão do desembarque doméstico com um uniforme nada a ver para dar informação e levar desaforo pra casa.

 

Ficava vendo o povo indo e voltando e eu ficando ali feito idiota. Eu era casado com uma ex-lizabeth e sentia que o casamento estava com os dias contados porque eu ficava paquerando uma Maristela que trabalhava na Flumitur e ficava no balcão atrás do meu com aquele olhar de “você não soube me amar”.

 

Então, eu ficava lá meio de saco cheio da vida, fumando e tragando, trabalhando e esperando por dias melhores que nunca chegavam a não ser quando estava de folga e ia surfar na Barra ou Ipanema.

 

Enquanto isso, eu fazia uns audiovisuais com meu brother Marcelo Torok, um paulista como eu que morava no Rio, colega no curso de jornalismo da Estácio de Sá e que fazia altas fotos.

 

A gente produziu Conflito de Gerações Às Avessas, a história de Lsdéia e sua filha careta; Paranópera Urbana, que contava a vida de um cara que morava dentro de um saco de sonho; e Mandrix Joe, um maluco que gostava de tocar guitarra imaginária, um precursor do air guitar e que nem imaginava que um dia isto iria virar moda.

 

Chegamos a exibir os áudios na Funarte e no Circo Voador numa noite de Lobão e os Ronaldos.
A gente tava montando a história do homem que virou alga-marinha, que nunca chegou a ser exibido, e, durante rolê pelo bairro do Flamengo, onde moravam meus pais, vi um amigo na capa da revista Veja exposta numa banca de jornal.

 

Não acreditei, era o Claujones na capa da revista, irmão do meu brother Ado, parceiro do surf junto com o Nelsinho quando eu ainda morava em São Paulo nos anos 70.

 

Claudio Martins, de bigode, tava na capa com outros caras e umas minas, segurando um adesivo da Fluir na altura do peito. Peguei a revista para ler e vi que a reportagem da capa se referia a uma pesquisa sobre comportamento de jovens, algo então inédito no Brasi. E o Claudio era um dos personagens por ser dono da Fluir, lançada um ano antes.

 

Aquilo alegrou meu dia. Afinal, eu nunca tinha visto um amigo na capa de revista nenhuma, quanto mais na Veja, principal revista do país na época.

 

No dia seguinte, de volta ao balcão redondo do aeroporto, eu tinha acabado de comentar com meu colega Carlinhos a respeito do Alemão na capa da revista quando ouvi alguém chamar meu nome: “Juninho, Juninho!”.

 

Olhei para o lado e não acreditei: era o Claujones em pessoa desembarcando no aeroporto! “Brother, acabei de falar de você para o meu amigo, que loucura você aparecer por aqui justamente agora!”.

 

Claudio sacou as três primeiras edições da Fluir de uma maleta e falou que estava na cidade para vender anúncios. Conversamos um pouco e falei que estava cursando jornalismo e pedi para ele me arrumar um emprego na revista.

 

“Claro, Juninho! Mas escreva alguma coisa para o editor conhecer o seu trabalho. Se ele gostar, fica mais fácil arrumar um emprego pra você”, disse.

 

Fiquei admirado com a coincidência de ver o Claudio na capa da revista num dia e dar de cara com ele no aeroporto no outro. Interpretei aquilo como um presságio de dias melhores, porque eu gostava de morar no Rio, mas me achava sem muitas perspectivas profissionais na cidade e tinha um certo medo de me tornar parte integrante daquele balcão para sempre.

 

Aí, fiquei pensando no que escrever para enviar à Fluir. Eu nunca tinha escrito pra revista de surf e peguei minha coleção de Brasil Surf para me inspirar. Enquanto folheava uma BS, comecei a pensar na Maristela, a garota da Flumitur.

 

Era uma gatinha maneira e eu queria impressioná-la. Como era uma mina que gostava de Frank Zappa e era metida a intelectual, tanto que citava Sartre e outros chatos durante meus xavecos sem futuro, pensei em escrever uma história meio sem noção de um surfista sustentado pela tia que ia de São Paulo pra Camburi pegar umas ondas e transar com Sharlene e Sharlina, gêmeas meio doidas que tinham cabelo, olhos e pele cor de mel, clones legítimas de minha colega Francine, a gata mais linda do Galeão.

 

Passei um tempo rabiscando aquela tranqueira intitulada Banalidades Frutíferas, uma crônica que falava de “estereotipadas bonecas cremosas romanticamente mecânicas”, até tomar coragem de mostrar pra Maristela antes de enviar pra Fluir.

 

Ela achou legal e deu a maior força para eu mandar pra revista. Também mostrei a crônica ao meu pai e para o Torok. Eles também curtiram e só aí eu me animei para colocar no correio.

 

Os dias se passaram e já era janeiro de 1985 quando peguei uma pneumonia depois do Rock in Rio, como todo mundo que dormiu na lama depois do show inesquecível do AC/DC. Enquanto me recuperava em casa viajando de febre, recebi um telegrama de Alexandre Andreatta, editor da Fluir.

 

Entrei em transe e telefonei no ato. Ele queria me conhecer e pediu para eu ir a São Paulo. Peguei o primeiro ônibus e tudo saiu do jeito que eu imaginava: recebi um convite para ser redator da revista.

 

Nossa, era tudo que eu queria, sair do Galeão, onde estava desde 1980, para trabalhar com o surf. Voltei ao Rio, pedi demissão, entreguei o apartamento e me mandei de volta a SP, para começar meu trabalho na Fluir na primeira semana de março de 1985. E no primeiro dia de trabalho fiquei chocado ao ver o Banalidades na Fluir 9, meu primeiro texto assinado. 

 

##

Com Dadá Figueiredo, personagem da minha melhor entrevista publicada na Fluir. Foto: Agobar Júnior.

Meu casamento logo foi pro espaço porque a minha ex achava que este negócio de escrever em revista de surf não tinha futuro. E o meu romance com a Maristela também não passou de um sonho de verão e de uma fantasia platônica. Eu tinha uma mulher e cobiçava outra. Resultado, fiquei sem nenhuma nem outra, o que não deixou de ser interessante para quem estava largado na paulicéia do Rose Bom Bom.

Mas, não demorou muito para eu me encantar pela primeira garota que eu conheci na volta a São Paulo, minha colega de redação Celia Almudena, mãe dos meus três filhos maravilhosos: Daniel, Caio e Luiza.

 

Bem, minha passagem pela Fluir foi bastante conturbada. Fui demitido três vezes até voltar recentemente, desta vez como colunista, convidado por Kiko Carvalho, atual diretor de redação.

 

Damien Hobgood em Pipe numa foto que fiz com Mavica 1.0. Foto: Juninho.

Mas pude escrever algumas matérias que eu gostei bastante, como uma entrevista com o Dadá Figueiredo, que até hoje é comentada porque o cara mostrava todo seu lado polêmico e contestador de uma forma muito autêntica e agressiva para os padrões da época.

 

Também escrevi Cardápio Imaginário do Surfista Laricado, juntamente com meu brother Marcelo Barros, hoje um dos meus sócios do Waves. Era um troço totalmente sem sentido sobre delícias como couve-floater, torta de neocreme, pão de morey-burger, lenquilha, frango ao molho curren e outras porcarias.

 

Até recebi e publiquei uma carta que dizia ser aquele o pior texto da história da Fluir, o que me deixou bastante orgulhoso da façanha.

 

Dei sorte ao pegar Kelly Slater saindo do mar em Pipe e consegui uma entrevista exclusiva para o Waves. Foto: Maria Pugliese.

Bem, o tempo passou e fui trabalhar em outras mídias do surf como a revistas Inside (onde publiquei Swell de lata invade o litoral), Hardcore (Manobras Impussyveis), Venice… E também fiz alguns frilas para a Folha de S. Paulo, Folha da Tarde (atual Agora), revista Imprensa (20 anos de Playboy; Ricardo Teixeira, carrasco de jornalistas)…

 

Publiquei um artigo pesado sobre heavy-metal na Trip, isso quando o Sepultura ainda não havia saído das trevas do underground brasileiro. E também fui empresário do Ratos de Porão. Até escrevi algumas letras em parceria com o João Gordo – Video Macumba, C.R.A.C.K., Satanic Bullshit e Suposicollor. Outro lance legal foi uma reportagem sobre futebol no Carandiru para a revista Placar – A bola corre solta na cadeia.

 

Uma outra entrevista que eu fiz e me marcou foi com Dr. Know, guitarrista do Bad Brains, feita por telefone e publicada no Folhateen. Fiquei muito surpreso quando o cara disse que gostava de Frank Zappa e de Wes Montgomery, dois mestres do rock e do jazz, justamente ele, um punk genial, criador do crossover entre reggae e hardcore.  

 

Só que eu nunca fui muito disciplinado para trabalhar na grande imprensa e também não dava muito certo nestes empregos muito formais, ao contrário de minha linda Mudeninha, que passou mais de dez anos na Folha e tornou-se uma editora muito moderna e ótima em tudo.

 

Até que em 1998, recebi do Claudio um convite para editar o Waves e aqui estou até hoje. Enfim, são 25 anos nesta mídia bacana e descontraída do surf. E por conta deste trabalho no esporte, fui ao Hawaii, Califórnia e México.

 

Ganhei sem merecer um prêmio de melhor repórter do surf em 2003, pois eu nunca me considerei um bom repórter, oferecido pela Assembléia de São Paulo. E também participei de duas premiações pela melhor cobertura do circuito mundial pela ASP na categoria revista (Best Print Media), pela Fluir e pela Hardcore. E nas duas vezes ganhamos o prêmio com meu parceiro editor Reinaldo Andraus, o famoso Dragão das antiguidades guarujinas. 

 

Não peguei muita onda boa no período porque nunca surfei legal. Mas conheci Kelly Slater, entrevistei o shaper Dick Brewer… publiquei colunas do Picuruta Salazar, do Dadá Figueiredo e do Tulio Brandão. Lancei novos nomes do jornalismo-surf como Ricardo Macario, hoje editor-chefe da Fluir, Nancy Geringer, atualmente no marketing da Hang Loose, Gerson Filho, Steven Allain, Ader Oliveira (o grande Adernalina), Sylvio Mancusi, Fernando Iesca (Infernando), Lucas Conejero e a nova revelação Alexandre Versiani.

 

E também dei sorte de trabalhar com o melhor webmaster do surf interplanetário: Rafael Sobral, que além de dominar toda a tecnologia que envolve um site, é alvinegro praiano, o que o torna uma pessoa ainda mais espacial.

 

Entre outros grandes momentos de minha carreira simples e modesta, que não tem muito a ver com o grande público, mas que eu gostei de ter vivido no mundo do surf, conheci o shaper havaiano Ben Aipa durante um banquete da ASP no Hawaii. E aproveitei para contar que no verão de 1976, em Unamar (RJ), surfei com uma stinger-swallow feita por ele e que até dei um cutback sem querer.

Já ia esquecendo, mas também entrevistei Dick Dale para a Venice. Pai da surf music, avô do punk rock e tiozinho gente boa, não resisti e pedi um autógrafo durante uma balada na Star Point.

 

Nestes 25 anos, vivi intensamente o sonho do surf, com todos os altos e baixos, alegrias e decepções. Mas, assim é a vida e me considero um privilegiado por ainda estar aqui neste meio, me divertindo e aproveitando as ondas que abriram para mim, principalmente nos últimos anos com o Waves e o seu ambiente interativo.

 

Claudio, às vezes penso em como é que teria sido sem o teu apoio em tantos momentos de minha vida. Por isso, valeu por tudo, pela oportunidade, pela amizade durante tantos anos e pela confiança na minha intuição virtual e real. Valeu também meus outros sócios Marcelo “Marcelones” Barros, Rafinha Sobral, Jorge Heck e Marcelo Lacerda – este último sobretudo pelo upgrade intelectual, psicológico, moral e cívico que nos oferece em cada reunião que equivale a um intensivão na FGV, incluindo pós-graduação em algum lugar bem conceituado do show-business empresarial. 

 

Obrigado também a todos que me deram apoio, minha família e grandes amigos e amigas que admiro e são inspiração como Marcelo Torok, Fernando “Grilão” Mesquita, Marcelo Bueno, Romeu e Xan Andreatta, Bruno Alves, Agobar Junior, Felipe Fernandes, Alberto “Cação” Sodré, Motaury Porto, João Benedan, Fred d’Orey, Mariangela Nicolellis, Francine Arruda, Debora Bresser, Erika Li, Cristiane de Vicq, Alessandra Nahra, Caroline Keller, Ana Busch, Cinthia Lira, Ricardo Cruz, Charles Varani, Cícero Lehman, Fábio Ruy, Bruno Lemos, Aleko Stergiou, Fernando Costa Netto, Sidão Tenucci, Roberto Price, Edilson Grão, Roberto Leite, Reinaldo Andraus, Maurício Moreira, Zé Lúcio Cardim, Mano Ziul, Antonio Ricardo, Ricardo Bocão, Luciano Ferrero, Fabinho Gouveia, Felipe Dantas, João Carvalho, Fabio Maradei, Dadá Figueiredo, Picuruta, Lequinho e Almir Salazar, Carlos Burle, Serginho Monaco, Cândido Neto, Wanderlei Romano, Luciano Coruja, Alexandre Piza, Arnaldo Hase, Levy Paiva, Nilton Pavin, Ari Schneider, Tulio Brandão… e tantos outros como Kiko “Lord K”, shaper de minha primeira prancha em 1976 e parceiro na produção de um jingle maluco de rádio gravado para uma Fluir de agosto.

 

Agradeço também, de coração, aos fiéis usuários que curtem o Waves, incluindo aqueles que também gostam de clicar para descer a lenha quando publicamos alguma mancada ou quando a matéria é bem lamentável – acontece… 

 

E, acima de tudo e de todos, Modena, minha espanhola morena de olhos verdes e de coração ardente, meu amor, minha musa e minha deusa, porque sem ela nada teria sentido e significado nesta minha vida de surfista que não deu muito certo nas ondas. Tanto que eu não tenho uma foto decente para colocar nesta matéria, pois eu só surfo legal na imaginação.

 

 

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    Próxima chamada para o possível Finals Day do MEO Rip Curl Pro Portugal, em Peniche, acontece nesta quinta-feira (21) às 4h da manhã (horário de Brasília). Assista ao vivo e participe dos debates em nosso fórum. Clique aqui para assistir ao vivo no site da WSL Clique aqui para ver a previsão das ondas em Supertubos A previsão aponta uma nova subida das ondas na terça-feira e outra mais forte perto de quinta, embora a qualidade do vento seja mais incerta nesse período. Na véspera da abertura, a equipe da BestProImages acompanhou de perto os treinos em Supertubos e registrou alguns dos melhores momentos de ação de Gabriel Medina, Italo Ferreira, Yago Dora e Miguel Pupo, além de outros nomes do Championship Tour que aproveitaram a sessão para os últimos ajustes antes do início da etapa: Masculino Round 1 1 – Connor O’Leary (JAP) 11.33 x 10.66 Callum Robson (AUS)2 – Morgan Cibilic (AUS) 8.17 x 5.10 Marco Mignot (FRA)3 – Jack Robinson (AUS) 13.33 x 5.10 João Chianca (BRA)4 – Seth Moniz (HAV) 10.67 x 8.80 Cole Houshmand (EUA)5 – Filipe Toledo (BRA) 14.43 x 12.93 Liam O’Brien (AUS)6 – Kauli Vaast (FRA) 12.27 x 3.40 Jake Marshall (EUA)7 – Guilherme Ribeiro (POR) 11.16 x 5.57 George Pittar (AUS)8 – Frederico Morais (POR) 13.00 x 8.27 Samuel Pupo (BRA) Round 2 1 – Morgan Cibilic (AUS) 15.43 x 11.90 Leonardo Fioravanti (ITA)2 – Gabriel Medina (BRA) 12.00 x 2.30 Filipe Toledo (BRA)3 – Italo Ferreira (BRA) 15.00 x 10.43 Jack Robinson (AUS)4 – Guilherme Ribeiro (POR) 10.33 x 5.00 Kanoa Igarashi (JAP)5 – Yago Dora (BRA) 13.66 x 11.67 Connor O’Leary (JAP)6 – Ethan Ewing (AUS) 15.73 x 11.17 Frederico Morais (POR)7 – Seth Moniz (HAV) 12.80 x 12.60 Miguel Pupo (BRA)8 – Griffin Colapinto (EUA) 17.17 x 13.27 Kauli Vaast (FRA) Quartas de final 1 – Morgan Cibilic (AUS) 10.00 x 10.60 Gabriel Medina (BRA)2 – Italo Ferreira (BRA) 12.83 x 6.84 Guilherme Ribeiro (POR)3 – Yago Dora (BRA) 15.84 x 3.00 Ethan Ewing (AUS)4 – Seth Moniz (HAV) 14.17 x 14.50 Griffin Colapinto (EUA) Semifinais 1 – Gabriel Medina (BRA) x Italo Ferreira (BRA)2 – Yago Dora (BRA) x Griffin Colapinto (EUA) Round 1 1 – Bettylou Sakura Johnson (HAV) 11.33 x 3.53 Luana Silva (BRA)2 – Francisca Veselko (POR) 8.54 x 7.90 Sawyer Lindblad (EUA)3 – Caitlin Simmers (EUA) 14.16 x 7.93 Nadia Erostarbe (ESP)4 – Carissa Moore (HAV) 12.33 x 6.76 Johanne Defay (FRA)5 – Teresa Bonvalot (POR) 11.40 x 10.93 Gabriela Bryan (HAV)6 – Lakey Peterson (EUA) 11.17 x 7.10 Caroline Marks (EUA)7 – Molly Picklum (AUS) 15.74 x 11.10 Yolanda Hopkins (POR)8 – Erin Brooks (CAN) 12.50 x 7.27 Tyler Wright (AUS) Quartas de final 1 – Bettylou Sakura Johnson (HAV) 7.43 x 7.34 Francisca Veselko (POR)2 – Caitlin Simmers (EUA) 11.50 x 8.93 Carissa Moore (HAV)3 – Teresa Bonvalot (POR) 5.10 x 10.00 Lakey Peterson (EUA)4 – Molly Picklum (AUS) 11.33 x 6.83 Erin Brooks (CAN) Semifinais 1 – Bettylou Sakura Johnson (HAV) x Caitlin Simmers (EUA)2 – Lakey Peterson (EUA) x Molly Picklum (AUS)

    Próxima chamada para possível Finals Day do MEO Rip Curl Pro Portugal, em Peniche, acontece nesta quinta-feira (22) às 4h da manhã (horário de Brasília). Assista ao vivo e participe dos debates.

    A temporada entra em uma nova fase nesta sexta-feira (16). O MEO Rip Curl Pro Portugal abre a sequência decisiva do Championship Tour depois do corte realizado em Trestles e coloca os principais candidatos ao título mundial diante de uma das ondas mais imprevisíveis do circuito. O palco é Supertubos, em Peniche. E, ao contrário de algumas edições recentes, a previsão indica que a famosa bancada portuguesa pode mostrar serviço já nos primeiros dias da janela. A ondulação gerada no Atlântico Norte começa a atingir a costa portuguesa antes mesmo da abertura da competição e deve manter ondas consistentes durante sexta-feira e sábado. O swell permanece na faixa de 1 a 1,5 metro durante boa parte dos três primeiros dias, acompanhado por ventos do quadrante norte. Os modelos analisados em Portugal também apontam para ondulação de oeste-noroeste, com períodos entre 12 e 14 segundos na sexta-feira e vento norte fraco a moderado, combinação favorável para a formação dos tubos que fizeram a fama do pico. Sexta e sábado no radar A sexta-feira aparece como uma das melhores oportunidades para colocar a competição na água. Caso a neblina que tem aparecido nos últimos dias não atrapalhe e as condições previstas se confirmem, não há motivos para adiar o início do evento. No sábado, o cenário deve permanecer semelhante, com ondas na altura da cabeça ou maiores e vento ainda predominantemente de norte. Domingo apresenta uma combinação diferente. O vento tende a virar para nordeste e ficar mais alinhado como terral, mas a ondulação deve perder força ao longo do dia. A previsão indica ondas menores, próximas de 1 metro e perdendo força, o que pode pesar na decisão da organização sobre avançar ou não com as fases finais. A possibilidade de uma etapa rápida existe. Com o quadro reduzido depois do corte, são apenas 38 baterias previstas entre masculino e feminino. São 23 confrontos entre os homens e 15 entre as mulheres. Caso a WSL não consiga aproveitar toda a primeira sequência, novos pulsos de swell aparecem na previsão para a semana seguinte. Uma nova subida das ondas na terça-feira e outra mais forte perto de quinta, embora a qualidade do vento seja mais incerta nesse período. Yago chega de amarelo Peniche coloca novamente o Brasil no centro da disputa masculina. Atual campeão mundial, Yago Dora chega a Portugal na liderança do ranking e volta a Supertubos para defender a vitória conquistada no evento em 2025. Depois do terceiro lugar em Trestles, o brasileiro retomou a primeira posição e inicia o pós-corte novamente com a lycra amarela. A temporada para os brasileiros também ganhou força com Miguel Pupo. Campeão em Bells Beach e novamente vencedor em Trestles, Miguel ocupa a quarta posição do ranking e chega a Portugal vivendo uma das melhores fases de sua carreira. Gabriel Medina aparece logo atrás, em quinto, ainda dentro da disputa pelo quarto título mundial. No feminino, Gabriela Bryan chega a Peniche na liderança depois de recuperar a primeira posição em Trestles. A havaiana foi vice-campeã em Supertubos na temporada passada e terá entre as principais adversárias a canadense Erin Brooks, embalada por três vitórias consecutivas no Tour. Treino com ondas e neblina Nesta quinta-feira (15), os atletas tiveram a última oportunidade de testar os bancos de areia antes do início oficial da janela. A WSL transmitiu a sessão de treinamento ao vivo diretamente de Supertubos. O treino serviu para ajustes de equipamento e leitura do pico, especialmente diante da chegada da nova ondulação. Supertubos é conhecida pela velocidade e força dos tubos, e pequenas mudanças nos bancos de areia podem alterar completamente as melhores posições no lineup. A janela do MEO Rip Curl Pro Portugal vai de 16 a 25 de outubro. A primeira chamada está prevista para 3h30 desta sexta-feira, no horário de Brasília, com possibilidade de início da competição às 4h.

    Primeira chamada nesta sexta-feira (16) às 3h30 (de Brasília). Etapa portuguesa da WSL promete swell consistente e vento favorável. Yago Dora chega como líder do ranking e defensor do título da etapa.

    O tradicional King of the Groms voltou ao Brasil depois de 11 anos e encerrou no último domingo (11) uma edição com seis campeões definidos nas categorias Sub-12, Sub-14 e Sub-16, masculinas e femininas, na Praia de Itamambuca, em Ubatuba (SP). Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku ficaram com os títulos da edição 2026 do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms. As finais aconteceram no domingo, com ondas que chegaram até 1 metro nas séries. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Virada decide Sub-12 Feminino A primeira decisão foi a Sub-12 Feminino. Maria Clara Borges começou na frente com uma nota 4.00 e permaneceu na liderança durante boa parte da bateria. Laura Kanagusiku, porém, conseguiu a virada nos minutos finais. Depois de marcar 3.25, a surfista de Praia Grande (SP) encontrou uma onda de 4.75, maior nota da categoria, para assumir a ponta e conquistar o título. Maria Clara terminou em segundo, seguida por Naima Mathey e Anahi Botelho. Rafael Miranda vence em casa Na Sub-12 Masculino, Rafael Miranda aproveitou o conhecimento das ondas de Itamambuca para decidir a bateria logo nas primeiras oportunidades. O surfista de Ubatuba abriu com 5.00 e depois acrescentou 4.40 ao somatório, garantindo o título. Bernardo Pires, que havia conseguido uma nota 8.00 ainda na primeira fase do evento, terminou como vice-campeão. Gabriel Medeiros ficou em terceiro e Thomaz Monteiro em quarto. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Quiksilver Brasil (@quiksilverbrasil) Gabriela Rigo leva a Sub-14 Ubatuba também ficou com o título da Sub-14 Feminino. Gabriela Rigo somou 8.40 pontos nas duas melhores ondas e terminou na primeira colocação. Catarina Kobayashi foi vice-campeã, enquanto Anahi Botelho ficou em terceiro e Maria Clara Borges encerrou a final na quarta posição. Izau domina decisão Na Sub-14 Masculino, Izau Signorini liderou a decisão do começo ao fim. Ele abriu a bateria com 6.00 pontos depois de uma sequência de batidas e rasgadas e, em sua última onda, acrescentou 5.90 para confirmar a vitória. Bernardo Pires ficou em segundo, Matheus Jhones terminou em terceiro e Narciso Inácio em quarto. Maeva conquista Sub-16 A decisão da Sub-16 Feminino teve disputa entre Maeva Guastalla e Carol Bastides. Carol assumiu a liderança inicialmente, mas Maeva passou à frente a partir da segunda onda e não deixou mais a primeira colocação. Ela terminou com 11.90 pontos, contra 10.65 da adversária de Praia Grande. Mariana Elias ficou na terceira posição e Eduarda Stefani terminou em quarto. Homsi fecha evento com título Felipe Homsi venceu a última final do King and Queen of the Groms e ficou com o título da Sub-16 Masculino. Em uma decisão equilibrada, o paraibano conseguiu a melhor nota da bateria, 7.00, para garantir a vitória. Vini Palma reagiu durante a disputa e saiu da quarta para a segunda colocação. Izau Signorini, que disputava sua segunda final do dia depois da vitória na Sub-14, terminou em terceiro. Bernardo Brizola ficou em quarto. “A praia de Itamambuca é um lugar especial, ideal para esse retorno do King and Queen of the Groms, após 11 anos sem ser realizado no Brasil. Esse evento é uma parceria com a Action Brands, empresa que detém os direitos da Quiksilver e Roxy no país, juntamente com a AUS (Associação Ubatubense de Surf). Nossa ideia é fazer o melhor possível e proporcionar para a criançada um final de semana muito legal”, diz Luiz Henrique Pinga, organizador do evento. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Associação Ubatuba de Surf (@associacaoubatubadesurf) Resultados Sub-16 Masculino1 – Felipe Homsi2 – Vini Palma3 – Izau Signorini4 – Bernardo Brizola Sub-16 Feminino1 – Maeva Guastalla2 – Carol Bastides3 – Mariana Elias4 – Eduarda Stefani Sub-14 Masculino1 – Izau Signorini2 – Bernardo Pires3 – Matheus Jhones4 – Narciso Inácio Sub-14 Feminino1 – Gabriela Rigo2 – Catarina Kobayashi3 – Anahi Botelho4 – Maria Clara Borges Sub-12 Masculino1 – Rafael Miranda2 – Bernardo Pires3 – Gabriel Medeiros4 – Thomaz Monteiro Sub-12 Feminino1 – Laura Kanagusiku2 – Maria Clara Borges3 – Naima Mathey4 – Anahi Botelho

    Felipe Homsi, Maeva Guastalla, Izau Signorini, Gabriela Rigo, Rafael Miranda e Laura Kanagusiku vencem as seis categorias do Quiksilver & Roxy King and Queen of the Groms, realizado em Ubatuba (SP).

    A World Surf League suspendeu um competidor do Championship Tour Masculino de 2026 depois de tomar conhecimento de “alegações de natureza extremamente grave” relacionadas a um encontro privado realizado no Taiti, em agosto. A entidade não revelou oficialmente o nome do atleta nem detalhou a natureza das acusações. O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como sendo o mexicano Alan Cleland Jr., O surfista foi identificado pela revista australiana Surfing World como o mexicano Alan Cleland Jr., campeão mundial da ISA em 2023 e competidor do Championship Tour de 2026. Segundo a apuração do jornalista Nick Carroll, o episódio teria ocorrido depois do último dia do Tahiti Pro e envolvido uma surfista australiana adolescente e pelo menos três homens. Ainda de acordo com a publicação australiana, a polícia de New South Wales teria sido informada sobre as alegações e entrado em contato com autoridades do surfe. Não estava claro se a polícia da Polinésia Francesa havia iniciado procedimentos para formalizar acusações. Sobre a suspensão No comunicado, a WSL informou que sua Comissão Disciplinar agiu após tomar conhecimento das alegações e determinou a suspensão provisória do competidor de todos os eventos da entidade. A liga destacou que todos os competidores estão sujeitos, a todo momento, às normas de conduta estabelecidas em seu regulamento. A WSL afirmou ainda que continua conduzindo seus procedimentos internos e que ofereceu assistência às autoridades competentes. A entidade não estabeleceu prazo para o fim da suspensão. Cleland não passou pela linha de corte da temporada e já não disputaria as etapas de Portugal e Filipinas. O próximo evento para o qual o mexicano estaria elegível seria o Pipe Masters, no Havaí, em dezembro. Como a suspensão vale para todos os eventos da WSL, sua participação permanece em dúvida. Situação com patrocinadores Cleland não aparece mais na página de atletas da Quiksilver. O BeachGrit também informou que o mexicano teria deixado Quiksilver e Monster, mas, até a publicação desta matéria, as marcas não haviam confirmado publicamente o encerramento dos contratos. Noah Klapp faz acusações públicas Nesta segunda-feira (12), a surfista profissional alemã Noah Klapp, de 23 anos e campeã mundial Júnior da ISA, publicou um longo relato nas redes sociais no qual acusa Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos durante o relacionamento entre os dois. Noah afirma que tinha 17 anos durante o relacionamento com Cleland e diz que permaneceu em silêncio por medo de não receber apoio, de não ser acreditada e do impacto que uma denúncia pública poderia causar. Noah diz que decidiu tornar sua história pública depois de tomar conhecimento das novas alegações envolvendo Cleland e uma adolescente. Em tradução do Waves, Noah escreveu: “Mantive a boca fechada sobre os abusos aos quais ele me submeteu. […] Acordei com a notícia de acusações de agressão sexual contra ele e outros homens envolvendo uma garota menor de idade. É por isso que estou escrevendo este post”. Em outro trecho do depoimento, ela afirma: “Alan Cleland Jr. abusou de mim durante a maior parte do nosso relacionamento”. No restante da publicação, Noah descreve episódios de violência física, controle e agressões sexuais que afirma ter sofrido durante a relação. As declarações são acusações feitas publicamente por Noah e, até o momento, não foram objeto de conclusão judicial. O Waves noticia essas acusações com atribuição às fontes e não apresenta as alegações como fatos comprovados. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por ❀ noah lia klapp ❀ (@noahklapp) Episódios distintos As acusações apresentadas por Noah dizem respeito ao relacionamento que ela manteve com Cleland anos atrás. Já a suspensão aplicada pela WSL está relacionada às alegações envolvendo um encontro privado ocorrido no Taiti em agosto de 2026. Embora Noah diga que decidiu falar depois de saber das novas alegações, não há elementos que permitam tratar os dois episódios como parte de um mesmo caso ou investigação. Repercussão no circuito A publicação recebeu manifestações públicas de apoio de diversos nomes do surfe profissional. Gabriel Medina, Filipe Toledo, Miguel Pupo, Luana Silva, Tyler Wright e Kelly Slater estão entre os atletas que comentaram o relato de Noah. Gabriel Medina escreveu: “Deus te abençoe.” Filipe Toledo destacou a coragem da alemã: “É preciso muita coragem. Sinto muito que você tenha passado por tudo isso. Deus te abençoe.” Miguel Pupo também manifestou apoio: “Sinto muito que você tenha passado por isso. É preciso muita coragem para falar. Nós apoiamos você, não importa o que aconteça.” Luana Silva escreveu: “Obrigada por ter coragem de falar. Sinto muito que você tenha passado por isso.” Tyler Wright foi mais enfática: “Obrigada pela sua bravura e pela coragem necessária para compartilhar sua história. Estupradores e abusadores nunca deveriam ser idolatrados. Espero que você esteja cercada de amor e luz.” Kelly Slater afirmou que, independentemente das novas alegações envolvendo Cleland, o relato de Noah já seria grave por si só: “Sua própria história já seria demais. Sinto muito por saber disso. É uma questão enorme. Fiquei enojado ao ler tudo isso. Parabéns por ter tido força para falar e tornar isso público.” As manifestações representam apoio público a Noah e não constituem, por si só, comprovação das acusações relatadas. Waves tenta contato O Waves procurou Alan Cleland Jr. por mensagem direta no Instagram para ouvir sua versão sobre as acusações feitas por Noah Klapp. Até o momento, não houve retorno. Caso ele se manifeste, seu posicionamento será acrescentado. A WSL afirmou que não fornecerá outras informações neste momento enquanto seus procedimentos relacionados ao caso continuam em andamento. O Waves seguirá acompanhando os desdobramentos do caso.

    Surfista profissional alemã de 23 anos, Noah Klapp acusa Alan Cleland de abusos físicos, sexuais e psicológicos; Surfing World identificou o mexicano como atleta suspenso pela WSL após caso no Taiti.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos em Honolulu após complicações de um ataque cardíaco; ícone dos anos 70 ajudou a transformar o surfe progressivo e influenciou gerações dentro e fora da água. O surfe perdeu neste sábado (10) um de seus personagens mais revolucionários. O havaiano Larry Bertlemann morreu aos 71 anos, em Honolulu, após complicações decorrentes de um ataque cardíaco. A morte foi confirmada pela família ao Hawaii News Now. Conhecido como “Rubberman”, Bertlemann foi um dos pioneiros do surfe moderno e uma das figuras mais influentes da transformação vivida pelo esporte durante a década de 1970. Seu estilo baixo, veloz, agressivo e extremamente criativo rompeu com muitas das linhas tradicionais da época e abriu caminho para uma abordagem muito mais progressiva sobre as ondas. A história de Larry já havia sido retratada aqui no Waves. Em uma reportagem publicada originalmente em 2023, definimos ele foi como um surfista capaz de marcar uma ruptura entre o surfe clássico e aquilo que viria a ser entendido como a modernidade do esporte. Bertlemann chamava atenção não apenas pelas manobras, mas pela maneira como enxergava a onda. Drops atrasados, cutbacks extremos, rasgadas no limite e mudanças inesperadas de direção faziam parte de um repertório que parecia estar algumas décadas à frente de seu tempo. Ao lado do shaper Ben Aipa, encontrou nas pranchas cada vez mais curtas e rápidas o equipamento ideal para transformar aquela imaginação em movimento. Bertlemann conseguia levar sua abordagem das ondas menores de Ala Moana até os tubos de Pipeline, sempre com uma leitura própria e pouco previsível. Influência no surfe e no skate A influência de Larry ultrapassou as ondas. Seu estilo de curvas baixas e radicais também ajudou a inspirar nomes do skate como Tony Alva e os Dogtown Z-Boys, numa época em que surfe e skate trocavam referências quase diariamente. No surfe, sua progressividade atravessou gerações. Traços de seu estilo podem ser encontrados posteriormente em surfistas tão diferentes quanto Christian Fletcher, Kelly Slater, Tinguinha e Gabriel Medina. Bertlemann esteve também entre os primeiros surfistas a experimentar movimentos aéreos e mudanças de base com naturalidade. Sua ligação com o skate foi tão profunda que um movimento ficou conhecido como “Bert”, referência direta ao havaiano e à maneira como suas curvas foram reinterpretadas sobre o concreto. “Seu legado continuará vivo” Em comunicado divulgado ao Hawaii News Now, a família lembrou não apenas o surfista, mas também o artista e o homem por trás da figura pública: “Seu legado, dentro e fora da água, continuará vivo por meio de sua família, da comunidade do surfe e das muitas vidas que ele tocou.” Larry deixa a mãe, cinco irmãs, três filhos, oito netos e nove bisnetos. Poucos surfistas deixaram uma assinatura tão reconhecível. Em texto publicado pelo Waves, Bertlemann foi descrito como alguém que ajudou a dividir o esporte entre um antes e um depois de sua passagem. Larry Bertlemann deixa exatamente esse legado: o de um surfista que não apenas executava manobras diferentes, mas imaginava possibilidades que o restante do esporte ainda não enxergava. Leia também Um divisor de águas Poucos surfistas em todos os tempos foram tão influentes quanto Larry Bertlemann, pioneiro da progressividade no esporte. Visionário e inspirador O Waves revisitou em 2024 a transformação promovida pelo estilo revolucionário do havaiano nos anos 70.

    Havaiano conhecido como “Rubberman”, Larry Bertlemann morre aos 71 anos após ataque cardíaco; ícone dos anos 70 revolucionou o surfe progressivo e influenciou gerações.

    A mesma edição do Big Wave Challenge que colocou Rodrigo Koxa novamente no topo das ondas gigantes também premiou um nome da nova geração. Aos 16 anos, Ian Pegoraro, surfista nascido e criado em Maui, no Havaí, venceu a categoria Young Gun (Under 18 Performer), destinada a atletas com menos de 18 anos. A conquista veio depois de Ian encarar Jaws, em Peʻahi, na remada. Desta vez, sem o auxílio de jet ski, o jovem surfista entrou na onda usando apenas a própria força para ganhar velocidade e descer uma das paredes mais respeitadas do surfe de ondas grandes. “Entrar em Jaws na remada era algo que eu queria muito fazer. É um desafio diferente e mostra o quanto estou evoluindo. Ganhar o Young Gun torna esse momento ainda mais especial”, afirma Ian. A relação do garoto com Jaws, porém, começou antes. Em uma experiência anterior no pico havaiano, Ian foi rebocado para uma onda pelo brasileiro Yuri Soledade, enquanto o pai, Laerte Pegoraro, o Nena, acompanhava e orientava o filho dentro da água. Raízes brasileiras Apesar de ter nascido e crescido em Maui, Ian mantém forte ligação com o Brasil. Os pais nasceram em São Paulo e foram criados na Praia do Tombo, no Guarujá (SP), onde os avós do surfista continuam morando. “Ele cresceu no Havaí, mas sempre teve essa ligação com o Brasil. A Praia do Tombo faz parte da nossa história e é muito legal ver o Ian levando um pouco dessa história para o surfe de ondas grandes”, diz Nena. Ian atualmente treina com o brasileiro Alex Blau, big rider de Mavericks, e com Daniel Hardam, ex-surfista profissional. A preparação inclui trabalho específico para ondas grandes e também atividades como skate e jiu-jitsu brasileiro. No skate, o jovem já conquistou pódios no CASL National Championships. No jiu-jitsu, é faixa amarela e disputou competições como Hawaii Triple Crown, NAGA Hawaii e IBJJF. No surfe competitivo, aparece atualmente na 12ª colocação do Ohana Surf Circuit. Noite brasileira Ian recebeu o prêmio no mesmo evento em que Rodrigo Koxa, do Guarujá, foi anunciado vencedor da categoria Men’s Biggest Wave. O brasileiro levou o troféu pela onda surfada em Nazaré, Portugal, em dezembro de 2025, com medição preliminar de 29,15 metros, marca que ainda passa pelo processo de homologação. Para Ian, a vitória no Young Gun reforça justamente a conexão entre os dois lugares presentes em sua trajetória. “Eu sou de Maui, foi onde cresci e aprendi a surfar, mas o Brasil sempre esteve presente na minha família. Quero continuar evoluindo, surfar ondas maiores e representar os dois lugares”, afirma.

    Aos 16 anos, Ian Pegoraro entra em Jaws na remada e conquista o prêmio sub-18 do Big Wave Challenge; surfista de Maui tem raízes na Praia do Tombo (SP).

    O surfe brasileiro tem mais um representante confirmado na elite mundial. Nesta sexta-feira (9), Ryan Kainalo garantiu matematicamente sua classificação para o Championship Tour (CT) de 2027 ao avançar da rodada dos 64 do EDP Ericeira Pro, em Portugal. O surfista de Ubatuba (SP) é o primeiro atleta do Challenger Series 2026 a assegurar uma vaga para a próxima temporada.  A conquista chega menos de uma semana depois de Ryan vencer o Banco do Brasil São Sebastião Pro, em Maresias (SP), e assumir a liderança do ranking do Challenger Series. A vitória no litoral paulista foi decisiva para colocar o brasileiro em posição privilegiada na corrida pelo CT, e o avanço em Portugal confirmou matematicamente a classificação.  Sequência de vitórias Ryan chega à elite mundial embalado por dois títulos consecutivos. Em agosto, venceu o Pantín QS 6000, na Espanha. Na sequência, conquistou o São Sebastião Pro, sua primeira vitória em uma etapa do Challenger Series. Em Maresias, o brasileiro teve um Finals Day perfeito. Superou Lucca Mesinas nas quartas de final, dominou Oscar Berry na semifinal e derrotou Alister Reginato na decisão por 14.50 a 5.83. Com o título, assumiu a liderança do ranking e ficou muito perto de garantir sua vaga no CT. A confirmação veio nesta sexta-feira, durante a quarta etapa do Challenger Series, em Ericeira. O resultado encerra a espera do brasileiro e garante sua estreia na principal divisão do surfe mundial em 2027. Da base à elite mundial A trajetória de Ryan Kainalo no surfe profissional começou a ganhar força ainda na adolescência. Aos 15 anos, em 2022, passou a disputar o Circuito Banco do Brasil de Surfe, competição que acompanhou seu desenvolvimento ao longo dos últimos cinco anos. Nesse período, participou de 19 das 22 etapas realizadas pelo circuito, acumulando experiência e resultados que ajudaram a construir seu caminho até a elite. Ryan também conquistou dois títulos consecutivos do Pro Junior da WSL South America, em 2023 e 2024, consolidando-se como um dos principais nomes da nova geração brasileira. Aos 20 anos, completa a trajetória pelas categorias de base, pelo Qualifying Series (QS) e pelo Challenger Series (CS) até alcançar o Championship Tour. “No começo da temporada o foco era a classificação, mas não sabia que ela viria assim. De um jeito tão bom. Tenho certeza que isso vai ser muito importante pra mim, estou realmente sem acreditar, estou muito feliz. Queria agradecer muito a minha equipe, meus patrocinadores, minha família, meus treinadores, meu psicólogo. Agora é continuar o trabalho que está só começando”, comemora Ryan Kainalo.  Nova geração brasileira A classificação de Ryan representa mais um passo na renovação do surfe brasileiro na elite mundial. O atleta de Ubatuba chega ao CT depois de uma trajetória construída nas competições nacionais e internacionais, com títulos nas categorias de base e nas divisões de acesso da WSL. O brasileiro agora se prepara para disputar sua primeira temporada entre os melhores surfistas do planeta, em 2027. Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por Waves (@waves.com.br)

    Primeiro atleta a confirmar classificação pelo Challenger Series 2026, Ryan Kainalo avança no EDP Ericeira Pro, em Portugal, e garante presença na elite mundial aos 20 anos.

    O jornalismo de surfe brasileiro perdeu um de seus pioneiros. Castro Pereira morreu na última quarta-feira (7), em Porto Alegre (RS). Figura conhecida e respeitada no surfe gaúcho desde o final dos anos 1970, o jornalista dedicou boa parte de sua trajetória à divulgação do esporte, acompanhando competições, revelando personagens e registrando histórias que ajudaram a construir a memória do surfe no Sul do Brasil. Castro também fez parte da história do Waves, onde assinou matérias e contribuiu para a cobertura do surfe brasileiro. Sua passagem pelo site integra uma trajetória dedicada à comunicação do esporte, especialmente à valorização dos atletas, competições e personagens do surfe gaúcho. Sua atuação na comunicação começou muito antes da popularização da internet. Durante os anos 1980, Castro produzia boletins sobre as condições do tempo e do mar diretamente das praias de Torres, no litoral norte gaúcho, para a Rádio Ipanema FM, de Porto Alegre. As informações chegavam aos ouvintes por telefone público, numa época em que acompanhar as ondas à distância era um desafio. Também trabalhou na Rádio Atlântida FM e colaborou com jornais, revistas e publicações especializadas. Além das previsões e notícias, acompanhava campeonatos e ajudava a dar visibilidade a surfistas que despontavam no cenário regional. Entre os atletas daquela geração estavam Rodrigo “Pedra” Dornelles, seu irmão Fogo, Cupim, Sandro Neto, Adrian Trials, Felipinho e Tuca Gianotti, nomes que ajudaram a consolidar o surfe gaúcho nas décadas de 1980 e 1990. O jornalista Máurio Borges, que também foi colunista do Waves e tem uma longa trajetória na cobertura do surfe brasileiro, recordou a história do amigo em uma homenagem publicada nas redes sociais. Entre as lembranças, destacou a final do SuperSurf na Praia da Joaquina, em Florianópolis (SC), disputada entre os gaúchos Daison Pereira e Rodrigo “Pedra” Dornelles. “Lembro da sua alegria durante a final do SuperSurf, na Praia da Joaquina, quando dois gaúchos, Daison Pereira e Rodrigo ‘Pedra’ Dornelles, decidiram o título. Ele dizia que aquele era o melhor momento do surfe dos Pampas”, escreveu Máurio. Castro também acreditava no potencial de Pedra para competir no circuito mundial, previsão que acabou se concretizando. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda a paixão do amigo pela leitura e as boas lembranças de uma viagem que fizeram juntos até o Chuí para produzir material para o Surf Guia 2000. Além do trabalho jornalístico, Castro participou da organização de eventos e de iniciativas voltadas à preservação ambiental das praias. Ligado à cidade de Guaíba (RS), manteve vínculos com a imprensa local, onde colaborou com diversos jornais e também incentivou a divulgação do skate. Em sua homenagem, Máurio destacou ainda o lado pessoal do amigo, descrito como alguém de fala calma, bem-humorado, apaixonado por livros e sempre disposto a compartilhar histórias. Castro enfrentava um câncer de próstata, segundo relato de Rodrigo “Pedra” Dornelles a Máurio Borges. A causa oficial da morte não foi informada. Sua partida deixa uma lacuna entre os profissionais que ajudaram a construir a comunicação do surfe brasileiro, especialmente em uma época em que o esporte ainda tinha pouco espaço na mídia tradicional. O Waves lamenta a morte de Castro Pereira e presta solidariedade aos familiares, amigos e colegas. Fica o reconhecimento a um jornalista que ajudou a contar a história do surfe e que também deixou sua contribuição registrada nas páginas do nosso site.

    Jornalista e ex-colaborador do Waves, Castro Pereira morreu na quarta-feira (7). Pioneiro da comunicação do surfe no Sul do Brasil, ajudou a registrar a história do esporte desde os anos 1970.