Entrevista Jair Bortoleto

Jair Bortoleto fala sobre as suas principais inspirações na carreira como fotógrafo de surfe.

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Jair Bortoleto é natural de Santos.

A segunda entrevista da collab The Line Up Project, feita pela Green Minds com cinco fotógrafos de surfe brasileiros, é com o Jair Bortoleto, fotógrafo local da Baixada Santista.

Bortoleto já trabalhou como editor da The Surfer’s Journal Brasil, foi editor e curador da Almasurf, além de ter lançado três livros, sendo o mais recente A Primeira Palavra, com exibições na Toscana, Itália, e Nova Iorque, nos EUA.

Quando e como você começou a trabalhar com fotografia?

Em 2005 eu tinha acabado de casar, estava duro, mas cheio de ideias. A principal delas era documentar o surfe em Santos, mas não a ação, e sim as pessoas. Encontrei meu grande amigo Herbert Passos Neto por acaso perto da Faculdade Santa Cecília, eu de bicicleta e ele de carro.

Entre um assunto e outro, falei do projeto, mas comentei que não tinha grana. Ele me ofereceu pagar os filmes e revelação. Daí começou meu primeiro projeto que culminou no livro Alma Santista, publicado em 2007 pela Almasurf.

Quais foram os seus primeiros trabalhos?

Fotografar os ícones do surfe santista foi a primeira empreitada.

Até hoje, teve algo que não gostou de fotografar?

Eventos. Fiz alguns, mas realmente não é pra mim.

Qual a sua foto favorita ou a que considera a foto da sua vida?

Tenho algumas. A foto da capa do meu livro A Primeira Palavra, que também foi capa do Layers lançado em Nova Iorque para minha exposição, e capa do disco Fast Relief, do Garage Fuzz, é talvez minha favorita.

Foto de capa do livro A Primeira Palavra.

Quem te inspira, seja nas lentes ou fora delas?

Normalmente não busco inspiração em fotógrafos de surfe. Admiro o trabalho de todos, mas minha inspiração vem de fotógrafos documentais, que não tem nada a ver com surfe. Gosto muito do trabalho do Christopher Anderson, Alec Soth, Alex Majoli…

Me contradizendo um pouco, gosto do trabalho do que pra mim podemos chamar os três pilares da fotografia moderna relacionada com surfe, Andrew Kidman, Patrick Trefz e Thomas Campbell. Coisa fina.

Tem alguma foto que ainda não fez e gostaria de fazer?

Tem muita coisa que ainda não fiz que tenho vontade de fazer. Sempre quis fazer uma viagem longa de carro, ou van, fotografando.

Quais imagens atualmente gosta mais de trabalhar?

Gosto de fazer retratos, o mais orgânico possível.

Havaí é um dos lugares preferidos do fotógrafo.

Viagem que marcou sua carreira.

Havaí. É o berço do surfe e onde mais me sinto em casa.

Quais conselhos daria para quem está iniciando ou pensando em seguir a carreira de fotógrafo?

Fotografia de surfe como profissão não existe mais, o que não impede ninguém de documentar seus amigos, shapers, pranchas, praias… Daqui um tempo tudo muda e você tem um baita material em mãos. Fotografar o mesmo lugar por muitos anos, já é um bom começo. Estudar fotografia documental. Todos os fotógrafos da agência Magnum.

Quais são as atitudes e pensamentos “Green Minds” que todo fotógrafo deveria ter?

Lixo no lugar certo e gentileza sempre.

Eddie Rothman, North Shore de Oahu, Havaí.