
Um dia histórico marcou a abertura do New Zealand Pro 2026, nesta sexta-feira (15), em Manu Bay, Raglan. Pela primeira vez, baterias combinadas de homens e mulheres do Championship Tour foram concluídas em solo neozelandês, na quarta etapa da temporada 2026 da World Surf League (WSL). Com ondas limpas com cerca de 1 metro, por vezes demoradas, mas com paredes de alta performance, os melhores surfistas do mundo se apresentaram para um grande público que se alinhou no point para acompanhar a conclusão da primeira fase masculina e feminina, além das oito primeiras baterias da segunda fase masculina.
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O grande destaque ficou para os brasileiros, especialmente Gabriel Medina e Filipe Toledo, que avançaram com domínio e vão se enfrentar novamente na terceira fase, repetindo o duelo recente na Gold Coast.

Medina aproveitou a oportunidade de surfar de frontside e se manteve extremamente ativo na bateria contra Eli Hanneman. O brasileiro surfou 12 ondas, o dobro do havaiano, demonstrando disposição para entrar em qualquer oportunidade em busca de nota, com aéreos reverse em praticamente todas as tentativas. Sua melhor nota foi um 7.67, em uma versão ajustada da manobra, além de outra nota na casa dos sete pontos (7.53) com um layback, fechando com 15.20 no somatório.
“Tem tanta gente aqui, isso é muito bom para o surfe. Ter pessoas ao redor, gritando seu nome, é muito bom”, disse Medina. “As crianças são a melhor parte desse mundo, eu acho. Elas são tão puras. Elas gostam de você porque gostam de você; é um sentimento verdadeiro. Eu sei que é especial porque não viemos aqui com frequência, então é bom retribuir um pouco de amor a elas. Estou feliz de ver todo mundo feliz aqui hoje. É especial estar na Nova Zelândia. Esta é minha segunda vez aqui, então me sinto ótimo por ter o apoio. Eu estava pegando ondas, apenas me mantendo ativo. Ir para a esquerda é sempre divertido. Estou feliz de estar surfando hoje.”
Já Filipe Toledo registrou a maior nota individual do dia, 8.83 pontos. Utilizando uma prancha totalmente diferente do restante do circuito, uma biquilha larga, com pouco rocker e estabilizador, o bicampeão mundial manteve sua velocidade característica em todas as ondas. Foi em uma das maiores do dia que ele alcançou a melhor nota, conectando seções importantes até a área da rampa de barcos. Com um 6.83 na abertura, deixou o compatriota João Chianca precisando de quase a perfeição durante boa parte da bateria.
“João (Chianca) e eu somos bons amigos. Estou morando no Rio agora, e temos surfado juntos”, disse Filipe. “É o que acontece quando há muitos brasileiros no Tour, e o mesmo com os australianos e todos, você com certeza vai acabar surfando contra um amigo. É aí que você precisa realmente se concentrar. Eu escolhi um equipamento diferente para essa bateria, surfando com uma Modern 2. É um modelo que o Marcio (Zouvi) trabalhou por alguns anos, e chegamos a esse modelo. A prancha está muito, muito boa, e aquela onda abriu até o fim, esse é o Raglan que queremos, a onda que queremos”.
Quem também deu show no dia foi Alejo Muniz. O brazuca venceu a última bateria do dia, contra o campeão da etapa de Margaret River, o australiano George Pittar, com o somatório de 15.20 pontos.
Entre os goofy-footers, que tiveram na etapa a primeira esquerda da temporada, Medina liderou as ações no masculino, enquanto Vahine Fierro, Erin Brooks e Alyssa Spencer aproveitaram as condições no feminino.
Erin, em sua segunda temporada no Tour, vinha de um início fraco, com apenas uma bateria vencida nos três eventos anteriores, mas reagiu com 14.20 pontos. Após perder a troca inicial para a portugues Yolanda Hopkins, respondeu com 7.50 e assumiu a liderança.
“Eu estava realmente ansiosa para surfar para a esquerda. Esse pico não poderia ter chegado mais rápido”, disse Erin. “Eu estava apertando os dedos dos pés o mais forte que podia lá fora para garantir que ficaria na prancha. Eu estava super, super nervosa. Eu realmente não tive o melhor começo de ano, então era muito importante para mim passar essa bateria. Espero que tenhamos condições diferentes para que eu possa tentar alguns aéreos, porque sei que muitas pessoas estão me mandando mensagens e é isso que elas querem ver de mim. Espero poder mostrar esse lado do meu surfe”.
A primeira bateria do evento foi vencida pela Vahine Fierro, que superou a australiana Sally Fitzgibbons. A francesa construiu sua atuação gradualmente até encontrar seções abertas para manobras fortes, somando 6.83 como melhor nota. Criada no Taiti, Fierro destacou sua conexão com as raízes polinésias da Nova Zelândia, evidenciada na cerimônia tradicional Powhiri.
“É uma honra estar na primeira bateria da história aqui em Raglan para o CT e dividir isso com a Sally foi muito especial para mim”, disse Vahine. “A cerimônia de abertura, acho que se chama Powhiri aqui, e foi arrepiante. A forma como todos cantaram juntos. Eles fizeram a apresentação Maori e depois nos sentaram, foi muito poderoso, muito intenso. Eles são como nossos irmãos e irmãs de outra ilha. Somos o triângulo polinésio, Nova Zelândia, Havaí e Taiti e todas as ilhas no meio. Foi uma grande honra fazer parte dessa cerimônia e compartilhar um pouco da nossa cultura polinésia. Foi um grande lembrete para sermos fiéis a quem somos, de onde viemos e compartilhar isso com a próxima geração”.

Carissa Moore começou a etapa na Nova Zelândia em alto nível e ditou o ritmo entre as mulheres, somando 16.34 pontos (de um máximo de 20), seu primeiro total excelente na temporada, impulsionado por uma nota 8.67 — a maior onda do dia no feminino. A cinco vezes campeã mundial e medalhista de ouro olímpica superou a norte-americana Bella Kenworthy.
Carissa reforçou sua ligação especial com o país, onde venceu pela primeira vez no CT em 2010, ainda como novata, ocasião em que doou toda a premiação para um clube local, e destacou o peso emocional do retorno ao pico. “É muito bom estar de volta. A Nova Zelândia sempre teve um lugar especial no meu coração e sempre terá. Eu estava realmente com dificuldades no meu ano de novata. Comecei com dois últimos lugares e, então, vim para cá e encontrei um senso de comunidade, de lar, de amor e de aloha, e conquistei minha primeira vitória no CT. É muito especial estar de volta aqui e poder trazer minha filha. Eu também não tive o melhor começo de temporada este ano. Tem algo neste lugar que te reconecta com o que é mais importante e significativo. O sentimento de amor e aloha aqui é muito forte, então me lembra um pouco de casa. Também quero mandar um grande abraço para a Bella (Kenworthy). Foi uma bateria muito especial. Conheço ela desde que era bem pequena e adoro a família dela. Gosto muito deles”.

Entre as novidades, a francesa Tya Zebrowski conquistou sua primeira vitória em bateria no CT ao superar Nadia Erostarbe, com 14.60 pontos, a segunda maior soma da fase.
“Finalmente consegui passar a primeira fase, e é incrível finalmente dar uma entrevista sem estar sempre perdendo”, disse Tya. “Leo (Fioravanti) me disse que é muito mais difícil do que o Challenger Series, como um clima completamente diferente entre os outros surfistas e os juízes e apenas o surfe. Nos três primeiros eventos, eu estava tentando me acostumar, e também cometi alguns erros, e estou aprendendo, e é assim que eu cresço. É meio difícil no começo, mas acho que a máquina está começando, então espero continuar assim”.

Outro a vencer sua primeira bateria na temporada foi o havaiano Seth Moniz, que superou o marroquino Ramzi Boukhiam e agora enfrenta o campeão mundial de 2019, Italo Ferreira, na segunda fase.
“Todo mundo no Tour este ano é muito forte”, disse Seth. “Eu não fiquei muito feliz em começar nessa fase, mas é quase bom para mim apenas surfar e pegar ondas e aquecer antes do evento principal. Se o corte fosse aqui, eu provavelmente já estaria fora do Tour. É o evento número quatro. Eu ainda não tinha vencido uma bateria, mas estou muito animado. Temos um longo ano pela frente, muitos eventos que estou ansioso. Nunca estive aqui antes, é minha primeira vez, mas me sinto muito centrado, e as pessoas aqui foram muito receptivas comigo. É incrível ver como a cultura é vibrante e viva. Me deixa orgulhoso de ser polinésio e compartilhar um pouco disso”.

O indonésio Rio Waida também chamou atenção ao vencer o japonês Connor O’Leary com 15.20 pontos, igualando a terceira maior pontuação do evento, reforçando sua força nas esquerdas, característica desenvolvida nas ondas de Bali.
Os convidados neozelandeses também tiveram seu momento. Alani Morse, Tom Butland e Billy Stairmand competiram em sequência, mas não avançaram. Alani, de 15 anos, enfrentou a havaiana Bettylou Sakura Johnson e recebeu grande apoio do público local.
“Foi uma honra dividir o lineup com essas meninas, Steph (Gilmore), Bettylou (Sakura Johnson), Anat (Lelior), não consigo pensar em nada mais especial, honestamente”, disse Alani. “Representar a bandeira kiwi com orgulho é muito especial para mim. Eu amo esse esporte, estou super animada por estar aqui, que oportunidade. Meu coração está cheio. Essa comunidade é incrível. O apoio é incrível tanto de Raglan quanto da Nova Zelândia. Não consigo nem explicar como esse apoio tem sido para mim. Esse sucesso não é só meu, é de todos, e é muito legal compartilhar essa jornada e essa experiência com eles. Na praia, todos estavam torcendo, e senti como se estivessem lá comigo. Acho que isso é a melhor coisa do mundo e provavelmente uma das melhores experiências da minha vida”.

Billy, duas vezes olímpico e local de Raglan, também destacou a experiência de competir em casa.
“Enfrentar qualquer um nessa competição sempre será uma tarefa difícil, mas honestamente, senti muito amor durante toda a semana”, disse Billy. “Obviamente, eu queria muito ir bem neste evento, e acreditava que poderia, mas infelizmente a natureza não colaborou no final. Estou feliz, estou saudável. Tenho meus amigos e família aqui, e há muito amor e apoio ao redor. Agora posso sentar, aproveitar o espetáculo e retribuir às crianças de alguma forma e simplesmente me divertir”.

Próxima chamada e previsão das ondas – A próxima chamada para o New Zealand Pro 2026 acontece nesta sexta-feira (15), às 16h20 (de Brasília). A previsão indica ondas de 0,5 a no máximo 1 metro em Manu Bay.
Como assistir ao vivo – O New Zealand Pro 2026 pode ser assistido ao vivo pelo Sportv e Globoplay. A transmissão também pode ser acompanhada pelo WorldSurfLeague.com e pelo Aplicativo da WSL. O Canal da entidade no YouTube também transmite, porém só até o término das oitavas de final.
New Zealand Pro 2026
Round 1 Masculino
1 Luke Thompson (AFR) 12.50 x 10.10 Tom Butland (NZL)
2 Morgan Cibilic (AUS) 14.50 x 12.97 Billy Stairmand (NZL)
3 Eli Hanneman (HAV) 13.50 x 13.33 Oscar Berry (AUS)
4 Seth Moniz (HAV) 12.10 x 11.40 Ramzi Boukhiam (MAR)
Round 1 Feminino
1 Vahine Fierro (FRA) 12.60 x 10.60 Sally Fitzgibbons (AUS)
2 Erin Brooks (CAN) 14.20 x 11.30 Yolanda Hopkins (POR)
3 Tyler Wright (AUS) 12.50 x 10.27 Francisca Veselko (POR)
4 Carissa Moore (HAV) 16.34 x 12.43 Bella Kenworthy (EUA)
5 Alyssa Spencer (EUA) 14.10 x 11.74 Brisa Hennessy (CRI)
6 Tya Zebrowski (FRA) 14.60 x 10.73 Nadia Erostarbe (ESP)
7 Stephanie Gilmore (AUS) 12.80 x 5.87 Anat Lelior (ISR)
8 Bettylou Sakura Johnson (HAV) 14.16 x 8.30 Alani Morse (NZL)
Round 2 Masculino
1 Crosby Colapinto (EUA) 10.70 x 9.40 Jordy Smith (AFR)
2 Griffin Colapinto (EUA) 14.17 x 10.50 Alan Cleland (MEX)
3 Gabriel Medina (BRA) 15.20 x 10.06 Eli Hanneman (HAV)
4 Filipe Toledo (BRA) 15.66 x 10.84 Joao Chianca (BRA)
5 Liam O’Brien (AUS) 11.97 x 11.46 Jake Marshall (EUA)
6 Morgan Cibilic (AUS) 14.33 x 10.00 Ethan Ewing (AUS)
7 Rio Waida (IND) 15.20 x 13.44 Connor O’Leary (JAP)
8 Alejo Muniz (BRA) 15.50 x 14.84 George Pittar (AUS)
Próximas baterias
9 Yago Dora (BRA) x Luke Thompson (AFR)
10 Barron Mamiya (HAV) x Marco Mignot (FRA)
11 Samuel Pupo (BRA) x Cole Houshmand (EUA)
12 Leonardo Fioravanti (ITA) x Mateus Herdy (BRA)
13 Italo Ferreira (BRA) x Seth Moniz (HAV)
14 Kanoa Igarashi (JAP) x Joel Vaughan (AUS)
15 Jack Robinson (AUS) x Kauli Vaast (FRA)
16 Miguel Pupo (BRA) x Callum Robson (AUS)
Round 2 Feminino
1 Gabriela Bryan (HAV) x Erin Brooks (CAN)
2 Caitlin Simmers (EUA) x Alyssa Spencer (EUA)
3 Luana Silva (BRA) x Tyler Wright (AUS)
4 Sawyer Lindblad (EUA) x Stephanie Gilmore (AUS)
5 Molly Picklum (AUS) x Vahine Fierro (FRA)
6 Isabella Nichols (AUS) x Bettylou Sakura Johnson (HAV)
7 Lakey Peterson (EUA) x Carissa Moore (HAV)
8 Caroline Marks (EUA) x Tya Zebrowski (FRA)