El Salvador Pro 2025

João e Yago na terceira fase

Metade dos dez brasileiros do masculino no El Salvador Pro 2025 compete e apenas Yago Dora e João Chianca avançam para Round 3. Alejo Muniz, Edgard Groggia e Samuel Pupo estão na repescagem.
El Salvador Pro 2025, Punta Roca, La Libertad

O primeiro dia do El Salvador Pro 2025 foi curto. Apenas quatro baterias de 35 minutos foram realizadas e metade dos dez brasileiros do masculino foram para água. Yago Dora e João Chianca conquistaram vagas no Round 3, enquanto Alejo Muniz, Edgard Groggia e Samuel Pupo caíram para a repescagem. Quarta-feira (2) teve ondas de até 1 metro mexidas pelo vento maral em Punta Roca.

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As condições para o surfe no pico de La Libertad foram piorando a cada momento, então a WSL decidiu paralisar a etapa após a quarta disputa e aguardar a maré encher. Três chamadas foram feitas até os atletas ganharem folga. Próxima chamada acontece nesta quinta-feira (3), às 6h15 no horário local, 9h15 no horário de Brasília.

João avança em primeiro – A segunda bateria do El Salvador Pro 2025 terminou com um brasileiro em primeiro e outro em último. João Chianca venceu e avançou com o australiano Jack Robinson. Edgard Groggia conquistou a maior nota do confronto e chegou perto da classificação no final, porém terminou na terceira posição e caiu para a repescagem.

Todos os três competidores atuaram de frontside em Punta Roca. João abriu o confronto com três manobras, a última forte e expressiva realizada numa junção. Ele largou com 4.33 pontos. Edgard conquistou 3.17 em sua primeira atuação, que teve como destaque uma batida passando as quilhas por cima da crista. Ele errou um aéreo na apresentação. Jack tentou voar na primeira seção de sua primeira direita, mas não completou a manobra. Edgard tentou voar nas duas ondas seguintes, mas não conseguiu aterrissar em cima da prancha. O australiano entrou no jogo aos dez minutos. Sentado mais pra dentro do pico, Jack surfou com a terceira prioridade e anotou 5.17 pontos com uma batida reverse e outra pancada também chutando a rabeta.

Edgard assumiu a liderança aos 16 minutos. O brasileiro abriu a apresentação com uma rasgada alongada e na borda, depois bateu, rasgou, fez um floater e acertou a junção. Ele anotou 5.33 pontos. Dois minutos depois Jack entrou numa direita, mas João fez o uso da prioridade. O aussie bateu e voou com reverse antes de abandonar a onda para não cometer interferência e voltou para a primeira posição com 4.00 pontos. O brasileiro fez a onda até o final, conquistou 4.67 e foi para o segundo lugar.

João assumiu a primeira posição a nove minuto do fim numa atuação que teve como destaque uma batida passando a rabeta por cima da crista. Ela anotou 4.73 e deixou Jack na busca de 4.23 pontos. Em último, Edgard precisava de 3.84 para evitar a repescagem.

Edgard chegou muito perto da virada a três minutos do fim. O brasileiro usou a prioridade, rasgou, passou uma seção com floater, depois rasgou com força e bateu escalando, porém a nota 3.57 não mudou sua situação no confronto. Logo depois ele entrou numa direita pequena e voou com reverse, mas a nota foi 3.03 pontos. Jack ainda decolou nos segundos finais, mas não saiu do segundo lugar. Ele avançou com João Chianca para o Round 3.


Vice-campeão avança – O atual vice-campeão do El Salvador Pro está garantido na terceira fase da edição 2025 da etapa. Yago Dora saiu da última posição a três minutos do fim e avançou com o havaiano Jackson Bunch, vencedor da bateria. Também surfista de Maui, Ian Gentil terminou em último e caiu para a repescagem.

Ian começou melhor, com uma batida e um aéreo reverse de frontside que valeram 4.00 pontos. Yago não passou da casa dos dois pontos em suas quatro ondas iniciais, e Jackson não saiu da casa de um ponto nas duas primeiras direitas.

Jackson perdeu a prioridade numa onda fechada aos dez minutos. Logo depois Ian e Yago atuaram. O havaiano foi primeiro e com duas rasgadas e duas batidas anotou 4.67 pontos. Yago acelerou e voou de backside com pouca altura, depois bateu para ganhar a seção e acertou forte pancada para fechar a atuação. A nota foi 3.80 pontos.

O havaiano Jackson voltou a usar o direito de escolha de onda aos 17 minutos, dessa vez numa aberta. O atleta fez oito ataques de backside e tomou o lugar do brasileiro com 6.33 pontos, mas Yago respondeu rapidamente com rasgada e aéreo reverse na junção. Ele anotou 4.83 e voltou para o segundo lugar. Ian aumentou a vantagem no placar aos 20 minutos. O havaiano trocou 4.00 por 4.67 e deixou Yago precisando de 4.51 para liderar.

Yago sofreu a virada aos 22 minutos. Jackson precisava de apenas 2.30 para assumir o segundo lugar, mas pegou a liderança com 5.83 conquistados com aéreo reverse e três batidas verticais. Ian passou a buscar 7.49 para vencer e Yago 4.51 para evitar a repescagem.

Ian ficou ativo tentando se distanciar do brasileiro no placar, mas não conseguiu trocar nota. A virada de Yago aconteceu a três minutos do fim. O atleta executou seis ataques, conquistou 5.43 e tomou o segundo lugar do havaiano que caiu para a repescagem.

Derrota na primeira bateria – O El Salvador Pro 2025 não começou bem para o Brasil. Alejo Muniz competiu na primeira disputa da etapa, ficou em último lugar e caiu para a repescagem. O australiano Connor O’Leary reagiu ao longo da disputa e pulou da última para a primeira posição a sete minutos do fim para avançar. O indonésio Rio Waida conquistou a maior nota, ficou em segundo e também garantiu vaga no Round 3.

Alejo abriu a disputa aos três minutos com uma rasgada explosiva de frontside, depois precisou acelerar para ganhar seções até bater numa junção. A nota foi 4.17 pontos. Rio surfou logo depois também de frontside e conquistou 3.17 numa onda menor. Na sequência o indonésio ficou ativo, mas sem encontrar boas seções para manobras.

Uma série apareceu em Punta Roca e os três surfaram. Alejo atuou primeiro e conquistou 3.17 pontos numa atuação que teve duas batidas certas e um aéreo reverse incompleto. Rio andou bastante na sequência e executou dois ataques fortes. A performance valeu 4.43 e a liderança. Connor largou com nota baixa (0.30).

Enquanto Connor surfava, mas não conseguia sair da terceira posição, Alejo foi em busca dos 3.44 pontos que precisava para assumir a liderança. Aos 18 minutos ele bateu na trave com a nota 3.27 conquistada com rasgadas numa direita pequena. Ele seguiu precisando de 3.44 pontos. Connor buscava 5.44 para evitar a repescagem.

A melhor série da bateria entrou a 12 minutos do fim. Alejo tinha a terceira prioridade e atuou primeiro. O brazuca fez uma série de manobras para anotar 4.67 pontos. Rio tinha o direito de escolha de onda e pegou a melhor e maior da disputa. O indonésio fez oito ataques, a maioria forte e bem definido, e disparou na frente com 7.00 pontos. Connor também entrou em ação e com três batidas de backside colocou 5.50 no somatório e passou a buscar 3.34 para pegar o segundo lugar do brasileiro.

Enquanto Rio passou a tentar grandes manobras e cometia erros, Alejo e Connor mexeram no placar a sete minutos do fim. O brasileiro usou a prioridade e com seis manobras trocou 4.17 por 4.27 pontos. O australiano fez seis ataques, sendo quatro batidas verticais, anotou 6.00 e assumiu a liderança. Rio passou a buscar no mínimo de 4.50 para retomar o primeiro lugar e Alejo de 6.77 para evitar a repescagem. O brazuca ainda entrou em duas ondas, mas não chegou perto da nota que precisava.

Samuel também perde – Samuel Pupo estreou no El Salvador Pro 2025 na terceira bateria, ficou em último lugar e caiu para a repescagem. O marroquino Ramzi Boukhiam conquistou as maiores notas do confronto e venceu. Vice-líder do ranking, o havaiano Barron Mamiya finalizou em segundo lugar e também garantiu vaga no Round 3.

A bateria começou quente. Logo nos primeiros minutos Barron conquistou 4.00 e Ramzi 3.93 pontos. Samuel foi melhor que os dois. O brasileiro fez seis ataques de frontside para largar com 4.83 e assumir o primeiro lugar. O havaiano respondeu aos cinco minutos com quatro manobras de frontside que valeram 5.33 e a liderança, mas Ramzi mexeu no placar na sequência. O marroquino castigou uma direita de backside com cinco batidas poderosas. Ele anotou 7.17 e foi para o topo da disputa. Aos nove minutos Ramzi aumentou a diferença para os adversários ao trocar 3.93 por 4.47 pontos.

Samuel chegou perto de sair da última posição aos 12 minutos. O brazuca fez uma direita longa, mas precisava de 4.51 e anotou 4.40 pontos. Ramzi voltou a mexer no placar aos 17 minutos. Ele tinha a segunda prioridade quanto entrou numa direita para realizar seis ataques e trocar 4.47 por 4.67 pontos. Barron usou a prioridade na sequência e trocou nota, porém precisava de 6.52 para assumir a liderança e anotou 5.00 pontos. Samuel passou a precisar de 5.50 para pular a repescagem.

O brasileiro foi em busca da virada a dez minutos do fim. Samuel usou a prioridade, mas após uma rasgada curta, um floater e um aéreo reverse com pouca altura anotou 3.83 e permaneceu em último lugar. Ramzi voltou a encaixar uma sequência de ataques fortes e aumentou a vantagem no placar com a nota 6.60 pontos. O brazuca ficou ativo e voou nas duas ondas seguintes, mas não completou as manobras. O placar não sofreu alterações até o fim e Samuel caiu para a repescagem.

Como assistir ao vivo – O El Salvador Pro 2025 pode ser assistido ao vivo pelo Sportv e Globoplay. A transmissão também pode ser acompanhada pelo WorldSurfLeague.com e pelo Aplicativo da WSL. O Canal da entidade no YouTube também transmite, porém só até o término das oitavas de final.

El Salvador Pro 2025
Round 1 Masculino

1 Connor O’Leary (JAP) 11.50 x Rio Waida (IND) 11.43 x Alejo Muniz (BRA) 8.94

2 João Chianca (BRA) 9.40 x Jack Robinson (AUS) 9.17 x Edgar Groggia (BRA) 8.90

3 Ramzi Boukhiam (MAR) 13.77 x Barron Mamiya (HAV) 10.33 x Samuel Pupo (BRA) 9.23

4 Jackson Bunch (HAV) 12.616 x Yago Dora (BRA) 10.26 x Ian Gentil (HAV) 9.34

5 Ethan Ewing (AUS) x Marco Mignot (FRA) x Levi Slawson (EUA)

6 Italo Ferreira (BRA) x George Pittar (AUS) x Bryan Perez (ESA)

7 Filipe Toledo (BRA) x Ian Gouveia (BRA) x Alan Cleland (MEX)

8 Griffin Colapinto (EUA) x Cole Houshmand (EUA) x Matthew McGillvray (AFR)

9 Kanoa Igarashi (JAP) x Seth Moniz (HAV) x Imaikalani deVault (HAV)

10 Leonardo Fioravanti (ITA) x Liam O’Brien (AUS) x Crosby Colapinto (EUA)

11 Jordy Smith (AFR) x Joel Vaughan (AUS) x Ryan Callinan (AUS)

12 Miguel Pupo (BRA) x Jake Marshall (EUA) x Deivid Silva (BRA)
Round 1 Feminino

1 Molly Picklum (AUS) x Bella Kenworthy (EUA) x Nadia Erostarbe (ESP)

2 Caroline Marks (EUA) x Lakey Peterson (EUA) x Alyssa Spencer (EUA)

3 Caitlin Simmers (EUA) x Bettylou Sakura Johnson (HAV) x Kirra Pinkerton (EUA)

4 Gabriela Bryan (HAV) x Vahine Fierro (FRA) x Sally Fitzgibbons (AUS)

5 Tyler Wright (AUS) x Brisa Hennessy (CRI) x Luana Silva (BRA)

6 Sawyer Lindblad (EUA) x Erin Brooks (CAN) x Isabella Nichols (AUS)

Enquanto alguns fotógrafos documentam a história, Fedoca Lima fez diferente: viveu dentro dela enquanto fotografava. Carioca do Posto 5, começou a surfar com 11 anos e a fotografar quase ao mesmo tempo, com uma máquina fotográfica alemã do pai. Aos 14, registrou a Rainha Elizabeth passando de Rolls-Royce aberto pela orla de Copacabana, em frente à casa do Assis Chateaubriand. No mesmo período, fotografou o Mick Jagger dando o dedo do meio no Copacabana Palace. Não era fotógrafo profissional. Era um moleque com olho bom e câmera na mão, sem perceber ainda o tamanho do que estava construindo. O que veio depois é história do surfe brasileiro. O Píer de Ipanema nos anos 70, quando o Rio era o centro do surfe nacional, com Daniel Friedmann, Pepê Lopes, Rico de Souza e Ricardo Bocão dominando o circuito. A Brasil Surf, primeira revista especializada do país, na qual Fedoca jogou em todas as posições: fotógrafo, redator e capa. O Havaí entre 1978 e 1981, surfando e fotografando ao lado de Gerry Lopez, Shaun Tomson e Michael Ho em Pipeline e Waimea. Os shows históricos, de Bob Marley ao ar livre no Havaí até Rolling Stones e Paul McCartney no Maracanã. “A foto que eu não tirei, essa me persegue.” Fedoca Lima Mais de cinquenta anos depois, esse arquivo vira livro. “Surf, Clicks e Rock’n Roll” tem 220 páginas, cerca de 180 fotografias e percorre a transformação do surfe brasileiro desde a era analógica até o digital, passando por Arpoador, Saquarema, Havaí, Califórnia e Macumba. Com captação aprovada de R$ 203 mil via incentivo cultural e apio da Fu Wax, o lançamento está previsto para o segundo semestre de 2026. Conversamos com Fedoca sobre tudo isso. Antes de se consolidar como fotógrafo, você também virou personagem da própria história do surfe brasileiro ao sair na capa da Brasil Surf em 1975. Como foi viver aquele momento por dentro? Saí na capa da Brasil Surf. Na época eu trabalhei na revista de março de 75 até janeiro de 79, só não peguei o primeiro número. Jogava todas as posições: saí na capa, escrevia, tirava foto, ajudava na redação, dava palpite, fazia matéria. Por muito tempo achei que era o único fotógrafo de surfe que tinha saído numa capa. Depois o Bruno Alves me falou que o irmão dele, o Alberto, saiu na capa da Fluir número 1. A história dele bate um pouco com a minha: ele pegava onda, saiu na capa, era fotógrafo. Mas durante anos eu achei que era caso único. Até hoje tem um restaurante aqui que o cara pediu, eu tirei uma foto com a revista na mão, ele botou na parede, eu assinei. A influência continua. A Brasil Surf ajudou a mudar a imagem do surfista no Brasil. Como era ser surfista naquela época, antes dessa mudança de percepção acontecer? O surfe saía no caderno B do Jornal do Brasil, do Globo. Não saía no esporte. E o surfista era tido como vagabundo de praia. Isso, aliás, até hoje tem um pouco, mas na época tinha muito mais. A Brasil Surf não vou dizer que limpou essa imagem completamente, mas ajudou a transformar o surfe em esporte e também a fomentar o mercado de surfwear. Os irmãos Wady e Fuad Mansur, da loja Mansur, em Ipanema, foram dos primeiros anunciantes. Acreditaram na revista, fizeram anúncios de contracapa e página inteira, e as camisetas personalizadas vendidas pelo correio viraram um sucesso. A Brasil Surf acabou impulsionando fabricantes de pranchas, calções, parafinas e diversos outros anunciantes ligados ao surfe. Os fabricantes de prancha tinham um veículo para anunciar. Os fotógrafos ganhavam uma graninha, viajavam. Fui para a América Central, Porto Rico, Barbados, El Salvador, Fernando de Noronha, Peru, várias viagens bancadas pela Brasil Surf de uma forma ou de outra. O Nilton Barbosa foi ao Havaí duas vezes bancado pela revista. No caso dele, eles bancavam os filmes, ele vendia as fotos e a viagem se pagava. Tinha uma diferença entre mim e o Nilton nessa época: ele chegava na praia e ficava na areia fotografando, fotografando, fotografando. Eu chegava e ia para dentro da água. Se não estava o Daniel, não estava o Pepê, não estava o Cauli, não estava o Bocão, não estavam os caras top, eu entrava e surfava. Então tem foto minha na Brasil Surf publicada pelo Nilton Barbosa, pelo Rogério Ehrlich. Eu estava mais dentro da água do que fora. Eu estudava. Primeiro vestibular, depois faculdade. Boa parte dos meus amigos só queria saber de surfar. Eu dividia meu tempo. Chegava na praia, já tinha estudado de manhã, aí ficava naquele dilema: vou pegar onda ou vou fotografar? Por isso tem poucas fotos do Píer. Em três anos não tirei nem metade do que tiro hoje num dia bom na Macumba com o digital. Você viveu o Píer, a Brasil Surf, o Havaí dos anos 70, o nascimento do surfe brasileiro moderno. Em que momento percebeu que estava no meio de uma transformação cultural que iria muito além do esporte? O Píer foi o que fomentou o surfe no Rio de Janeiro. Por dez anos, foi domínio completo do Rio no cenário brasileiro. O Daniel Friedmann, em 77, foi o último carioca a vencer uma etapa do circuito internacional, ganhou no Quebra-Mar, em cima do Pepê Lopes, que tinha ganho em 76. Os dois de Ipanema, meus vizinhos de rua. E esse pessoal do Píer que dominou, o Daniel, o Pepê Lopes, o Cauli Rodrigues, e também o Otávio Pacheco, o Rico de Souza, o Ricardo Bocão. E tinha o Betão, que era o melhor surfista do Brasil na época mas não era competitivo, não corria atrás de patrocinador, acabou saindo cedo. Em 75 ele ganhou o Campeonato de Saquarema e foi saindo, saindo. O Píer influenciou a revista, influenciou os fabricantes de prancha, influenciou o modo de viver. Começaram a ter fábricas em Guaratiba, Vargem Grande, no Recreio, depois em Saquarema. As pessoas foram morar lá. O Penho foi, o Otávio comprou casa,

O que define uma boa onda? Tamanho, força, parede, qualidade da linha, formação e surfabilidade, dentre outros elementos. No oceano, todos esses fatores mudam a cada swell, a cada vento, a cada maré. Em Búzios, a proposta é diferente: construir essas variáveis de forma controlada, repetível e ajustável. A piscina do Brasil Surfe Clube Aretê Búzios opera com a tecnologia Endless Surf, do grupo canadense WhiteWater, com 48 câmaras de ar de alta precisão. O sistema permite criar configurações distintas dentro da mesma estrutura. Dentro de um universo de grandes possibilidades, as cinco primeiras ondas já foram nomeadas e reveladas, cada uma com perfil próprio, e muito mais ainda está por vir. Onda #01: Pointbreak + Junção Linha longa, seções conectadas, tempo de onda que pode ultrapassar 25 segundos. A junção encadeia diferentes partes da onda sem perder velocidade, criando uma das experiências mais difíceis de encontrar no oceano com consistência. Para quem quer mais de 10 manobras na mesma onda ou simplesmente mais tempo de linha para ler e decidir. Onda #02: Manobras + Bowl A parede fica mais íngreme. O bowl abre seções críticas para manobras verticais e aéreos. É o ambiente para quem quer empurrar os limites do que consegue fazer sobre a prancha, com repetição suficiente para transformar cada tentativa em aprendizado real. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Onda #03: Rampa + Tubo Uma onda que combina duas experiências na mesma seção. A rampa prepara o surfista para a manobra e o tubo roda na sequência. Para quem quer encaixar um aéreo e ainda sair do tubo na mesma onda, essa configuração entrega os dois elementos sem precisar escolher. Onda #04: Rampa Nível Intermediário Parede consistente, menor intensidade, mais previsível. A configuração certa para quem está desenvolvendo manobras progressivas e precisa de repetição para consolidar o que está aprendendo. A seção cria a rampa no ângulo certo, com velocidade suficiente para executar sem exigir o nível avançado. Onda #05: Rampa Nível Avançado Mais potência, mais velocidade, mais projeção. A rampa avançada é para quem já chegou em Búzios com manobras no repertório e quer testá-las com pressão real. Com capacidade para gerar até 700 ondas por hora, o intervalo entre uma tentativa e outra é curto o suficiente para transformar cada sessão em treino de alto rendimento. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Para todos os níveis As cinco configurações cobrem desde quem está aprendendo até quem treina em alto rendimento. A piscina ainda opera em dois modos: single peak, com ondas quebrando para um lado e maior extensão de linha, e split peak, com direitas e esquerdas simultâneas, permitindo que surfistas compartilhem a mesma série em direções opostas. Yago Dora, campeão mundial de surfe em 2025, Victor Bernardo, um dos maiores freesurfers da atualidade, e Michelle des Bouillons, referência mundial em ondas gigantes, integram o time do BSC e já testaram a tecnologia na piscina Adrena Red Sea, na Arábia Saudita. “Muito animal esse lance de ter essa variedade de onda também. Um leque de ondas absurdo. Mal posso esperar para Búzios”, disse Victor Bernardo após a sessão. A versão de Búzios será maior: 48 câmaras contra 36 da estrutura do Mar Vermelho, com 13 mil metros quadrados de lâmina d’água. Variedade de ondas para testar, arriscar, aprender e evoluir todos os dias. Com inauguração prevista para o segundo semestre de 2026, é o que o Brasil Surfe Clube Aretê Búzios chega para entregar.

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.