Ryan Kainalo

Natureza de campeão

Confira entrevista exclusiva com Ryan Kainalo, surfista da nova geração do surfe brasileiro, que com apenas 17 anos já mostra serviço na divisão de acesso.

Aproveitamos a ocasião do ISA World Junior Surfing Championship 2023, que está sendo disputado na Praia da Macumba, Rio de Janeiro, para conversar com o paulita Ryan Kainalo, – surfista brasileiro com apenas 17 anos, que já disputa o Challenger Series. Na entrevista ele fala sobre suas pranchas, preparação física, julgamento, entre outros assuntos. Vale o drop!

Faça uma análise sobre seu ano até agora.
2023 foi o ano mais importante até agora, foi meu primeiro ano de Challenger Series e algumas conquistas como sul-americano Pro Junior. Ganhei minha primeira bateria como profissional e estou bem feliz. Acho que eu cheguei muito bem na minha melhor fase possível para o ISA e estou bem feliz.
Você é super jovem, e entrou no Challenger Series com 16 para 17 anos, como foi esse processo?
O Challenger sempre foi algo que eu almejava, mas aconteceu praticamente no primeiro ano que eu competi o circuito completo. Entrei, então foi um choque, foi estranho. Tudo foi acontecendo muito rápido e eu talvez não estivesse preparado, mas fui me adaptando conforme o circuito foi se desenvolvendo. De qualquer forma, foi muito importante para a minha carreira, pois cresci e venho crescendo bastante em termos competitivos. Estou em 68 no ranking do CS, mas este ano ainda tem duas etapas, Noronha e Praia Mole, e ainda posso entrar pelo Pro Junior. Então, o sonho segue vivo.
Como você planeja aprimorar seu surfe?
Começo do ano eu estava no Havaí, depois fui para Austrália, Indonésia, mas acabou que as etapas do Challenger deram altas a gente rodou praticamente o mundo inteiro competindo com altas ondas, praticamente uma surf trip.
Como está seu equipamento, como você está desenvolvendo seu quiver?
Não estou com shaper fixo, estou testando várias pranchas. A ideia é testar coisas novas e tentar chegar a algo bom,  que eu me adapte melhor. Faço pranchas no país inteiro e lá fora também.
Em termos de preparação fora da água, como funciona seu cotidiano?
Geralmente, acordo cedo, dou umas três caídas, e à noite faço um trabalho com meu preparador físico.
Qual o ponto forte e o ponto a ser aprimorado?
O ponto forte, sem dúvidas, é a minha constância e o ponto a ser trabalhado são as marolas, conseguir andar melhor em ondas pequenas e algumas manobras que eu venho aprimorando.
Tem algum atleta que te inspira?
Os brasileiros que se deram bem e os que estão chegando são a minha maior inspiração.
Quais são suas ondas preferidas?
Itamambuca, Pipeline e Trestles.
E como é sua relação com Pipe?
A cada ano conseguindo melhorar. Todo ano eu vou e isso tem feito a diferença. Vou continuar treinando, me aperfeiçoando, pois sei que surfar bem no Havaí é primordial para quem almeja uma carreira bem sucedida no circuito mundial.
O que você acha do formato WSL Finals?
Sinceramente, acho que torna algo mais impressionante para o público termos os cinco melhores do ano, ficou algo mais emocionante para o público. Os atletas da elite não gostaram muito porque você pode vir liderando e ali meio que zera pra todo mundo. Mas, eu sinceramente gostei e acho que ficou bem emocionante.
Qual sua opinião sobre o atual critério de julgamento, que cada vez mais valoriza o surfe de borda?
Na real, não acho que eles estão valorizando mais a borda. Penso que eles soltam a nota para o que você executa com perfeição e técnica. Se você executar a manobra bem, eles vão dar nota. Então, eu acho que não tem muito que o atleta achar sobre julgamento, porque a gente não vai conseguir mudar isso do dia pra noite. Quem for esperto e aceitar vai ganhar os campeonatos.
Sobre o evento aqui na Macumba, fale sobre essa experiência de ser um surfista profissional e estar representando seu país em um evento amador.
A real é que a equipe está na mesma vibe, estamos fazendo tudo juntos e tem sido muito legal. Eu estou amando estar aqui, adoro esse tipo de onda mais na beirinha, que dá pra gente dar aéreo, mais curtinha. Acho que até está diferente do que normalmente na Macumba, que a onda vem lá de trás, mais cheia. Tem ondinhas mais no coquinho.

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