Rei do Peixe

Grande sucesso de Ubatuba

Prato de peixe, camarão e catupiry faz bombar restaurante Rei do Peixe em Ubatuba (SP).
Itaguá, Ubatuba (SP).

Quem rolou o feed das redes sociais nos últimos tempos, deve ter sido impactado com uma porção de vídeos de um certo peixe frito, de crosta dourada e crocante, com recheio farto e cremoso, feito de camarão e catupiry.

Embora tenha uns 30 anos que a receita faz parte do cardápio d’O Rei do Peixe, um clássico restaurante de pescados e de frutos do mar localizado no bairro Itaguá em Ubatuba (SP), no litoral norte paulista, foi somente no final do ano passado que ela ganhou fama nas redes sociais.

E quem abriu caminho para esse fenômeno foi a influenciadora mineira de moda, beleza e lifestyle Livia Koeler. Frequentadora assídua do restaurante há muitos anos, em outubro passado ela postou um vídeo no qual falava sobre a receita.

Além de uma descrição de dar água na boca, na gravação Livia mostra o peixe em detalhes, destacando o recheio que esbanja cremosidade.

Bastou isso para que o prato clássico do restaurante, inaugurado há quatro décadas em Ubatuba, se tornasse um sucesso instantâneo.

“Ficamos muito surpresos com a repercussão. No final de semana seguinte ao vídeo, tinha fila de espera na porta e chegamos a atender mil pessoas em um único dia. A maioria dos clientes pediram ‘o peixe da moça do TikTok’ “, lembra o proprietário do restaurante, Jurandiau Lovizaro, o Jura.

Com o nome de peixe à moda do chefe (280 reais) no cardápio, a receita elaborada pelo chef da casa, Joel Ferreira Araújo, tem como base um filé de abadejo, que é batido até ficar bem fininho, e, depois, recheado com camarão sete barbas pré-cozido e o queijo cremoso.

Empanado em ovos e farinhas de trigo e de rosca, é frito por imersão e chega à mesa em porção generosa – para quatro pessoas – na companhia de arroz à grega e batatas fritas.

O segredo está no peixe

Mas a história do restaurante começa muito antes da receita viralizar. Em 1984, Jura inaugurou O Rei do Coco, uma barraca onde vendia pastéis, caldo de cana e – como o próprio nome sugere – água de coco. Enquanto na alta temporada era um sucesso, no resto do ano Jura amargava um período de vacas magras. Foram dois anos nesse sobe e desce, até que, certo dia, o empresário recebeu um conselho que mudou a direção de seu negócio.

“Estava conversando com um garçom que trabalhava na região e ele me sugeriu: ‘por que você não monta um restaurante de comida caseira?'”, lembra Jura.

À primeira vista, lhe pareceu uma boa ideia. Afinal, a casa atrairia não apenas os turistas da alta temporada como a população local. No entanto, na prática, a empreitada não foi o sucesso que Jura esperava.

“Durante seis anos, éramos somente eu, minha esposa e minha sogra para dar conta do restaurante. Era muito trabalho para pouco retorno e estava quase desistindo”, lembra ele.

Naquela altura, o local ainda se chamava O Rei do Coco. De um amigo, veio a sugestão de, simplesmente, substituir a palavra coco por peixe.

Em 1992, o restaurante foi rebatizado como O Rei do Peixe e “desde então, esse nome abriu as portas do sucesso”, como Jura costuma dizer.

Desde o início, o restaurante sempre fez a linha mais tradicional e mantém até hoje uma clientela cativa, formada por famílias atraídas pelos pratos servidos em porções fartas, e pelo atendimento dos garçons “das antigas” – muitos deles acumulam mais de duas décadas de casa.

Além do peixe à moda do chefe, o vasto cardápio reúne outras sugestões como o peixe à caiçara (a partir de 220 reais), filé grelhado (peixe do dia ou o abadejo) com camarão e alcaparras na manteiga, além da caldeirada completa (278 reais), elaborada com polvo, lula, mexilhão e peixe do dia, que é servida com pirão feito de farinha de mandioca e o próprio caldo do peixe.

Até hoje, se multiplicam postagens sobre a receita, em que usuários das redes sociais e influenciadores provam (e aprovam!) a receita.

“Teve uma cliente que viajou mais de 800 quilômetros só para comer o prato”, conta Jura, impressionado pelo alcance das redes sociais.

Porém, mesmo com a chegada de um público mais jovem, Jura garante que vai preservar a identidade clássica do restaurante.

“O que tem de bom a gente mantém. Os pratos fazem parte da memória gustativa dos clientes”, ressalta.

Receita do peixe à moda do chef

Tempo de preparo: 1 hora
Rendimento: 2 porções
Dificuldade: fácil

Ingredientes

500 g de filé de abadejo
150 g de camarão sete barbas descascado cozido e resfriado
150 g de catupiry
1/2 colher (chá) de sal
1 colher (sopa) de suco de limão
2 colheres (chá) de shoyu
3 colheres (sopa) de azeite
1 colher de chá de alho picado
200 g de farinha de trigo
2 ovos batidos
300 g de farinha de rosca
Óleo para fritar

Modo de preparo

Abra os filés de abadejo e bata-os com um martelo até que fiquem bem finos. Tempere com azeite, alho, sal, limão e shoyu. Reserve.

À parte, misture o camarão já cozido e resfriado com o catupiry. Coloque a mistura no centro do filé de abadejo batido e dobre-o como se fosse um envelope. Feche as pontas com palitos de dente.

Empane o filé recheado na farinha de trigo, depois nos ovos batidos e, por último, na farinha de rosca.

Depois de empanado, frite em óleo a uma temperatura branda até que fique dourado e bem cozido internamente. Sirva a seguir. Se preferir, com os acompanhamentos do restaurante: arroz à grega e batatas fritas.

Fonte UOL

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.

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