Open J-Bay

Brasileiros chegam às quartas

Três brasileiros estão garantidos nas quartas de final do Open J-Bay. Vaga na fase classifica Filipe Toledo para o WSL Finals. Pior notícia é a lesão de Italo Ferreira.
Open J-Bay 2023, Jeffreys Bay, África do Sul

Três brasileiros estão nas quartas de final do Open J-Bay. Filipe Toledo, Yago Dora e Gabriel Medina avançaram nesta terça-feira (18) de ondas clássicas na Baía de Jeffreys, África do Sul. Vaga na fase classificou Filipe para o WSL Finals. Brasil perdeu quatro surfistas no dia. Derrota de Italo Ferreira foi a mais dolorosa, já que o surfista lesionou o joelho, saiu da água antes do término da bateria e foi direto para o hospital.

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O terceiro dia de ação da etapa sul-africana do CT teve direitas espetaculares, que nos melhores momentos chegaram a 2 metros nas séries. Nesse cenário foram realizadas 22 baterias e as quartas de final das categorias masculina e feminina estão formadas. A primeira feminina teve 35 minutos de duração. As quartas das mulheres e a repescagem masculina foram realizadas em disputas simultâneas de 44 minutos. Já as oitavas masculinas tiveram o aumento de dois minutos.

Filipe Toledo competiu pelas oitavas de final contra Rio Waida e deu show com direito a nota 9.63 pontos. O indonésio cometeu erros nas suas duas ondas iniciais. Ele caiu no terceiro ataque na primeira atuação (3.27), e na segunda fez uma linha diferente na direita, perdeu algumas seções e caiu na finalização (4.50). O líder do ranking também atuou logo no início e foi melhor. O campeão mundial da última temporada executou cinco manobras, algumas expressivas, como uma rasgada ampla e outra potente, e conquistou 7.17 pontos.

Filipe surfou sua segunda direita na bateria aos 17 minutos. O brasileiro começou com três rasgadas diferentes, todas muito fortes. Na sequência ele executou um cutback, rasgou e fechou a atuação com batida passando as quilhas por cima do lip. A nota foi a maior do Open J-Bay até o momento ao lado da norte-americana Caroline Marks, 9.63 pontos.

Após mais uma onda fraca de Rio, o brasileiro marcou 7.10 pontos, mas a nota não entrou no somatório. O indonésio então conseguiu sua primeira boa participação no confronto. Ele marcou 7.17 e passou a precisar de 9.64 para vencer.

Filipe voltou a se distanciar no somatório aos 39 minutos. O brazuca executou cinco manobras e anotou 7.93 pontos. Rio tentou dar o troco na mesma série, mas não melhorou sua situação. Ele precisava de duas ondas para reverter o resultado (17.56). O tempo acabou e Rio terminou a etapa em nono lugar. Já Filipinho partiu para as quartas e é o primeiro surfista masculino da elite confirmado no WSL Finals, evento que definirá os campeões mundiais da temporada em Tresltes, Caliórnia (EUA), no mês de setembro.

“Eu estava muito ansioso para ouvir essa notícia (risos). É o resultado de muito trabalho, de sacrifício com longas viagens de avião e muitos gastos, então é gratificante saber que não foi em vão”, vibrou Filipe Toledo. “Estou muito feliz e agradeço a WSL por realizar eventos incríveis. J-Bay é um lugar especial para mim, é a minha etapa preferida e foi difícil ficar vendo essas ondas perfeitas o dia todo, porque minha bateria era só agora a tarde. Eu consegui surfar bem, usar a minha estratégia e quero conquistar mais um bom resultado aqui”.


Medina garantido nas quartas – Gabriel Medina foi o primeiro brasileiro classificado para as quartas de final do Open J-Bay. Ele ficou com uma vaga após dura batalha de ateltas de base Goofy contra o australiano Ryan Calllinan. O tricampeão mundial apresentou seu forte ataque de backside e conseguiu se impor com duas notas no critério excelente.

Os atletas ficaram ativos no início da segunda bateria da fase. No primeiro minuto Ryan fez três rasgadas e uma batida antes de cair na tentativa de acertar outra pancada. Ele largou com 6.33 pontos. Medina começou com uma nota fraca, mas aos dois minutos executou cinco batidas fortes, além de uma rasgada, e anotou 7.83.

Não demorou muito e Ryan voltou a atuar. O australiano bateu, rasgou, acertou mais três batidas seguidas, quase caindo na última, e fechou a apresentação com outra pancada. Ele conquistou 7.10 e deixou Medina precisando de 5.60 pontos. O brasileiro segurou a prioridade e não trocou de nota quando atuou.

Uma nova série entrou aos 28 minutos. Ryan usou a prioridade e surfou primeiro. O aussie rasgou e depois fez três batidas contundentes. Medina surfou a direita seguinte. Ele começou com uma batida poderosa, depois rasgou, bateu, subiu na crista num floater, executou mais duas pancadas e botou pra dentro, achando a saída por baixo do lip. Ryan marcou 7.33 e Medina assumiu a liderança com 8.23.

O australiano foi em busca dos 8.73 pontos que precisava quatro minutos depois. Ryan entrou numa direita grande e, depois de três manobras pouco expressivas, acertou duas pancadas muito fortes. Ele chegou muito perto da virada com 8.70, e passou a necessitar de 7.36 para vencer.

Sem a prioridade, Ryan pegou uma direita menor aos 38 minutos. O surfista executou três batidas, uma rasgada, acertou o lip mais uma vez e quase caiu, porém completou a manobra. A nota 6.17 pontos não mudou o placar. Medina usou a prioridade dois minutos depois. O surfista acertou uma batida forte, rasgou com amplitude, depois executou outra pancada, rasgou mais duas vezes e fechou a apresentação com batida. Medina conquistou 8.60 e aumentou a diferença para 8.13.

Ryan usou a prioridade quase no minuto final. O atleta rasgou duas vezes, mas na sequência caiu na cavada. Ele não teve mais oportunidades e se despediu da competição. Medina avançou e enfrenta o havaiano Ian Gentil nas quartas.

“As ondas estão incríveis hoje (terça-feira) e está sendo um dia ótimo para competir”, destacou Gabriel Medina. “Mesmo assim, é necessário escolher bem as ondas, com paredes mais longas para fazer mais manobras. Estou feliz que deu tudo certo, porque quero continuar passando as baterias, para ter mais oportunidades de surfar essas ondas só com mais uma pessoa na água. Eu já conheço o sabor da vitória aqui e tem um gosto ótimo, é muito saborosa (risos), então quero sentir isso novamente”.


Yago também na fase dos oito melhores – Yago Dora foi o terceiro brasileiro classificado para as quartas de final. O atleta eliminou o havaiano Barron Mamiya e enfrentará o japonês Kanoa Igarashi de olho numa vaga na semi.

O duelo entre eles foi o último das oitavas de final e aconteceu ainda em altas ondas com cerca de 1,5 metro em Jeffreys Bay, porém em séries demoradas. Yago tentou atuar logo no início, porém Kanoa, que estava na outra bateria, fez o uso da prioridade e o brasileiro precisou desistir da direita.

A primeira atuação pra valer de Yago aconteceu aos 12 minutos. Ele fez duas rasgadas e duas batidas até entrar no tubo e não sair. Ele marcou 6.17 pontos. Dois minutos depois Barron pegou sua segunda onda. Ele que tinha 4.33, fez uma rasgada, um cutback, outra curva e duas batidas para adicionar 5.33 ao somatório.

O brasileiro assumiu a liderança aos 20 minutos. Yago bateu, executou um snap, uma rasgada e outra pancada para anotar 6.67 pontos. Barron passou a necessitar de 7.51 para vencer, mas foi o brazuca que trocou de nota mais uma vez. Aos 27 minutos entrou uma série e Yago surfou a primeira onda sem a prioridade. Ele rasgou, bateu duas vezes, fez outra duas curvas e mais uma pancada para adicionar 7.33 ao somatório.

O havaiano fez duas tentativas para virar o resultado ou pelo menos diminuir a diferença, que naquele momento era de 8.67 pontos, porém não teve sucesso. Yago usou a prioridade quando faltavam oito minutos. O brasileiro marcou 6.60 e não mudou o placar. Barron então ficou com o direito de escolha de ondas nos minutos finais. O havaiano ainda teve mais uma chance, porém não conseguiu chegar no critério excelente e foi eliminado.


Baixas brasileiras – Nesta terça-feira o Brasil perdeu surfistas. O atual quarto colocado no ranking, João Chianca optou por esperar pelas séries, mas elas ficaram escassas e o brasileiro foi superado pelo japonês Kanoa Igarahi.

João começou melhor a sétima disputa do Round. O surfista executou três rasgadas e depois bateu, mas não completou a manobra. Ele largou com 6.00 pontos. Kanoa teve boa performance aos oito minutos, depois de uma nota fraca. O japonês rasgou quatro vezes e fechou a apresentação com uma batida. A nota foi 7.67 pontos.

Nove minutos depois o japonês deu mais um passo rumo à fase dos oito melhores da etapa. Kanoa fez duas curvas antes de passar por dentro de um tubo curto. Logo depois ele rasgou, bateu pra ganhar a seção e executou um layback forte. Ele conquistou 6.07 pontos e deixou João precisando de 7.74 para vencer.

O brasileiro chegou nos 11 minutos finais tendo surfado apenas duas ondas, uma delas muito fraca. Aos 35 minutos ele entrou em ação e marcou 6.67 pontos. Com isso ele passou a precisar de 7.08 para vencer. Kanoa segurou a prioridade e surfou quando restavam três minutos. O japonês não trocou de nota. O brasileiro ficou sozinho no pico, porém nenhuma outra onda apareceu até o fim da bateria e ele foi eliminado.

Quedas na repescagem – Tatiana Weston-Webb foi a única brasileira a competir duas vezes no dia. Ela perdeu as duas. Pela primeira fase a surfista que defendia o título da etapa enfrentou a vice-campeã de 2022, a australiana Tyler Wright, e a francesa Johanne Defay.

Tyler abriu a bateria aos dois minutos. Ela executou seis manobras e anotou 6.00 pontos. Johanne começou com uma onda fraca, e Tati, aos seis minutos, chegou perto do critério excelente. A brasileira bateu, rasgou três vezes seguidas e executou uma pancada vertical pra fechar a apresentação. A nota foi 7.83. A bateria seguiu ativa, e aos dez minutos Johanne fez sua primeira onda completa. A francesa executou seis rasgadas e caiu dentro do tubo para marcar 6.17.

A brasileira aumentou a diferença para as adversárias aos 12 minutos. Tati fez três manobras, uma rasgada e duas pancadas, e anotou 6.53 pontos para se distanciar das adversárias. Precisando de 8.36 para vencer, Tyler entrou em ação na metade do confronto e fez quatro curvas e uma batida para marcar 8.07. Johanne e Tati também surfaram na mesma série. A francesa fez oito manobras para anotar 6.93. Tati marcou 5.73 e não alterou seu somatório.

A bateria entrou nos dez minutos finais com Tyler precisando de 6.29 e Johanne de 7.44 pontos. A australiana usou a prioridade aos 26 minutos numa direita da série. Ela rasgou de forma mais lenta, depois executou duas curvas mais agressivas, fez um cutback e caiu na tentativa do layback. A francesa pegou a direita seguinte da mesma série, rasgou duas vezes e executou um layback. Tyler assumiu a liderança com a nota 6.83. Johanne não alterou seu somatório (5.50) e continuou em terceiro lugar.

A brasileira usou a prioridade e foi em busca dos 7.08 pontos que precisava quando restavam três minutos para o fim. Tati rasgou na parte mais cheia da onda, depois conseguiu fazer uma curva mais agressiva, porém a direita correu e ela ficou pra trás da seção. A bateria chegou ao fim, Tyler venceu e garantiu vaga nas quartas de final. Tati (2ª) e Johanne (3ª) caíram para a repescagem.

Tati cai na repescagem – A adversária da brasileira na repescagem foi Stephanie Gilmores. A australiana comandou as ações na primeira metade da bateria de 44 minutos. Stephanie abriu o duelo logo no início com 6.17 pontos, nota conquistada com uma rasgada, um layback e uma batida incompleta. A brasileira atuou pela primeira vez na disputa aos oito minutos. Tati rasgou e caiu no segundo ataque.

A aussie ampliou a diferença aos dez minutos. Stephanie entrou na direita e acelerou de frontside para executar uma rasgada com amplitude, depois fez outra curva forte e surfou um tubo longo, porém sem ficar muito fundo. A atuação valeu 7.67 pontos. Com isso a brasileira passou a precisar de 13.84 para chegar nas quartas de final.

A brasileira seguia ativa, porém continuava cometendo erros. Já a australiana conseguia melhorar seu somatório. Aos 20 minutos Stephanie executou uma rasgada curta, depois acelerou e fez outras três curvas para colocar mais 6.33 pontos no placar. Tati marcou 4.40 e saiu da necessidade de duas ondas para reverter o resultado, mas ainda precisava de 9.60 para vencer.

A bateria ficou morna por uns minutos, até que aos 34 a australiana usou a prioridade. Stephanie fez um cutback, um snap e duas rasgadas expressivas, uma alongada e outra invertendo a direção da prancha. Com mais 6.70 pontos ela deixou Tati precisando de 9.97. A brasileira usou a prioridade na sequência, novamente numa direita sem potencial para nota alta. Ela até melhorou sua pontuação (3.67), mas não alterou sua situação no confronto.

A melhor atuação da brasileira aconteceu no minuto final. Tati pegou uma onda boa e surfou até o fim. A surfista executou cinco manobras, três expressivas, e marcou 8.00 pontos, nota que foi insuficiente para a virada.


Caio é eliminado por Jordy – A primeira eliminação brasileiro no dia entre homens aconteceu na sexta disputa da repescagem. Caio Ibelli até começou bem, porém o bicampeão da etapa, o sul-africano Jordy Smith, cresceu no duelo, marcou duas notas no critério excelente e avançou às oitavas de final.

Caio iniciou forte a sexta bateria da repescagem masculina. O brasileiro anotou 7.33 pontos depois de surfar um tubo longo e profundo, executar uma rasgada, bater reto e não encontrar a saída do segundo canudo da direita. Jordy entrou em ação pela segunda vez no duelo no minuto seguinte. Após uma onda fraca ele também chegou na casa dos sete pontos. O sul-africano fez uma curva forte com pressão na rabeta, um cutback, uma batida, um layback, outra rasgada e botou pra dentro, saindo meio embolado com o lip. A nota foi 7.17.

Jordy voltou a atuar logo depois. Ele entrou numa direita intermediária, fez seis manobras e passou por dentro de um tubo. A atuação valeu 8.50 pontos. Caio tentou dar o troco logo depois, porém caiu no primeiro ataque. Aos 16 minutos o brasileiro tentou a virada. Ele precisava de 8.34 para assumir a liderança e marcou 7.70 após performance que teve rasgada, tubo pouco profundo, outra rasgada, layback, cutback, mais um canudo curto e duas batidas. Ele passou a necessitar de 7.98 para chegar nas oitavas de final.

Jordy deu mais um duro golpe no brasileiro aos 26 minutos. O surfista da África do Sul rasgou, executou um layback forte, fez mais duas curvas e bateu mais duas vezes antes de cair no ataque à junção. A performance valeu 8.17 pontos. Com isso o brasileiro passou a necessitar de 8.97 para vencer.

Caio tentou reagir, mas foi Jordy que trocou de nota. O sul-africano rasgou duas vezes, executou um cutback, fez mais duas curvas, uma batida e entrou no tubo. Ele saiu rápido, mas logo botou pra dentro novamente pra ficar mais tempo. Jordy saiu e anotou 9.00 pontos. Com os ataques, o sul-africano deixou o brazuca na necessidade de 9.80. O brasileiro foi para o tudo ou nada, fez mais duas tentativas, mas perdeu e se despediu do Open J-Bay na 17ª posição.

Italo sofre lesão e é eliminado – A outra eliminação brazuca na repescagem aconteceu na bateria seguinte a de Caio. Italo Ferreira liderava o confronto até o início da segunda metade, quando se lesionou na volta de um floater e abandonou a bateria. O havaiano Ian Gentil surfou perto do ocorrido, virou o resultado, venceu e escreveu seu nome nas oitavas de final.

Italo e Ian começaram com notas parecidas, mas com pequena vantagem para o brasileiro (6.17 e 3.10 contra 5.00 e 3.83). Aos 11 minutos o brazuca cresceu no duelo. Ele executou uma rasgada curta, acelerou pra ganhar a seção, depois bateu, rasgou duas vezes e acertou a junção para anotar 7.93 pontos. Ian surfou logo em seguida, e com sete manobras marcou 6.77.

A bateria seguiu e aos 23 minutos Italo fez três manobras para ampliar a diferença com 6.30 pontos. Aos 26 minutos o brasileiro sofreu uma lesão. Ele subiu no lip num floater e caiu no impacto da aterrissagem. O atleta pediu auxílio do jet ski, abandonou o duelo e foi direto para o hospital. Ian então pegou outra direita, bateu forte, fez três rasgadas e mais duas pancadas. O havaiano precisava de 6.70 e marcou 7.93 para assumir a liderança.

Ian permaneceu dentro d’água e repetiu a nota 6.77 pontos, mas não alterou seu somatório. Com a vitória por 14.70 a 13.47 ele garantiu vaga nas oitavas de final.

Melhor do dia – O melhor surfista do dia foi Connor O’Leary. O australiano venceu pela repescagem com o maior somatório do dia, 18.24 pontos. No total ele marcou quatro notas no critério excelente, duas em cada bateria que disputou nesta terça-feira.

Connor superou Callum Robson sem dificuldade na repescagem. O duelo ficou morno até os 26 minutos. Naquele momento Connor fez sete manobras, sendo algumas batidas verticais, rasgadas e cutbacks. A nota foi 8.67 pontos.

Connor liderava com folga até praticamente garantir a vitória quando restavam sete minutos para o fim. O surfista bateu muito forte, depois foi vertical mais uma vez, rasgou com pressão, exeucutou outra pancasa, mais duas rasgadas se fechou a apresentação com nova batida. A apresentação valeu 9.57 e ele venceu com o somatório de 18.24 pontos.

Nas oitavas o duelo foi contra John John Florence. O havaiano começou acelerado na quarta bateria da fase. O havaiano anotou 9.23 pontos aos cinco minutos. Na atuação ele executou duas rasgadas, antes de ficar fundo num tubo longo e acertar um layback agressivo na saída. Connor não desistiu e seguiu trabalhando. Os dois colocaram notas na casa dos sete pontos no somatório, e o australiano encostou com 8.77.

Connor tentou a virada quando restavam oito minutos. O australiano bateu reto, rasgou com pressão, depois acelerou e executou outras duas pancadas verticais. Ele precisava de 7.54 e chegou muito perto com 7.37 pontos. A virada não aconteceu e John John colocou mais 8.00 no somatório, aumentando a diferença para 8.47.

Connor ainda teve mais uma chance. Quase no minuto final ele usou a prioridade e fez quatro ataques verticais para assumir a liderança com 8.70 pontos e vencer a bateria.


Próxima chamada e previsão das ondas – A próxima chamada para o Open J-Bay acontece nesta quarta-feira (19), às 2h15 (de Brasília). A previsão oficial das ondas, feita pelo Surfline, indica que Jeffreys Bay continuará bombando séries de até 10 pés de face. O vento esperado é o terral, que pode dar lugar ao lateral durante a tarde.

Open J-Bay 2023
Round 1 Feminino
Baterias disputadas na segunda-feira (17)

1 Gabriela Bryan (HAV) 12.67 x Molly Picklum (AUS) 6.90 x Caitlin Simmers (EUA) 6.03

2 Sarah Baum (AFR) 9.50 x Carissa Moore (HAV) 6.20 x Lakey Peterson (EUA) 5.93

Baterias disputadas nesta terça-feira (18)

3 Tyler Wright (AUS) 14.90 x Tatiana Weston-Webb (BRA) 14.36 x Johanne Defay (FRA) 13.10

4 Carolime Marks (EUA) 17.80 x Bettylou Sakura Johnson (HAV) 15.00 x Stephanie Gilmore (AUS) 7.03

Repescagem

1 Carissa Moore (HAV) 16.27 x 13.63 Johanne Defay (FRA)

2 Lakey Peterson (EUA) 13.67 x 8.33 Caitlin Simmmers (EUA)

3 Molly Picklum (AUS) 14.90 x 12.74 Bettylou Sakura Johnson (HAV)

4 Stephanie Gilmore (AUS) 14.37 x 12.40 Tatiana Weston-Webb (BRA)
Quartas de final

1 Tyler Wright (AUS) x Gabriela Bryan (HAV)

2 Caroline Marks (EUA) x Lakey Peterson (EUA)

3 Carissa Moore (HAV) x Sarah Baum (AFR)

4 Molly Picklum (AUS) x Stephanie Gilmore (AUS)

Repescagem Masculino

1 Ethan Ewing (AUS) 14.73 x 8.50 Adin Masencamp (AFR)

2 Connor O’Leary (AUS) 18.24 x 10.33 Callum Robson (AUS)

3 Jack Robinson (AUS) 13.00 x 12.76 Kelly Slater (EUA)

4 Barron Mamiya (HAV) 11.33 x 11.23 Mattew McGilivray (AFR)

5 Ryan Callinan (AUS) 15.60 x 12.73 Seth Moniz (HAV)

6 Jordy Smith (AFR) 17.50 x 15.03 Caio Ibelli (BRA)

7 Ian Gentil (HAV) 14.70 x 13.47 Italo Ferreira (BRA)

8 Kanoa Igarashi (JAP) 15.73 x 14.90 Liam O’Brien (AUS)

Oitavas de final

1 Ian Gentil (HAV) 15.43 x 14.30 Grifin Colapinto (EUA)

2 Gabriel Medina (BRA) 16.83 x 16.03 Ryan Callinan (AUS)

3 Ethan Ewing (AUS) 16.23 x 14.37 Jordy Smith (AFR)

4 Connor O’Leary (AUS) 17.47 x 17.23 John John Florence (HAV)

5 Filipe Toledo (BRA) 17.56 x 11.67 Rio Waida (IDN)

6 Jack Robinson (AUS) 14.00 x 13.54 Leonardo Fioravanti (ITA)

7 Kanoa Igarashi (JAP) 13.74 x 12.67 João Chianca (BRA)

8 Yago Dora (BRA) 14.00 x 11.03 Barron Mamiya (HAV)

Quartas de final

1 Ian Gentil (HAV) x Gabriel Medina (BRA)

2 Ethan Ewing (AUS) x Connor O’Leary (AUS)

3 Filipe Toledo (BRA) x Jack Robinson (AUS)

4 Kanoa Igarashi (JAP) x Yago Dora (BRA)

Enquanto alguns fotógrafos documentam a história, Fedoca Lima fez diferente: viveu dentro dela enquanto fotografava. Carioca do Posto 5, começou a surfar com 11 anos e a fotografar quase ao mesmo tempo, com uma máquina fotográfica alemã do pai. Aos 14, registrou a Rainha Elizabeth passando de Rolls-Royce aberto pela orla de Copacabana, em frente à casa do Assis Chateaubriand. No mesmo período, fotografou o Mick Jagger dando o dedo do meio no Copacabana Palace. Não era fotógrafo profissional. Era um moleque com olho bom e câmera na mão, sem perceber ainda o tamanho do que estava construindo. O que veio depois é história do surfe brasileiro. O Píer de Ipanema nos anos 70, quando o Rio era o centro do surfe nacional, com Daniel Friedmann, Pepê Lopes, Rico de Souza e Ricardo Bocão dominando o circuito. A Brasil Surf, primeira revista especializada do país, na qual Fedoca jogou em todas as posições: fotógrafo, redator e capa. O Havaí entre 1978 e 1981, surfando e fotografando ao lado de Gerry Lopez, Shaun Tomson e Michael Ho em Pipeline e Waimea. Os shows históricos, de Bob Marley ao ar livre no Havaí até Rolling Stones e Paul McCartney no Maracanã. “A foto que eu não tirei, essa me persegue.” Fedoca Lima Mais de cinquenta anos depois, esse arquivo vira livro. “Surf, Clicks e Rock’n Roll” tem 220 páginas, cerca de 180 fotografias e percorre a transformação do surfe brasileiro desde a era analógica até o digital, passando por Arpoador, Saquarema, Havaí, Califórnia e Macumba. Com captação aprovada de R$ 203 mil via incentivo cultural e apio da Fu Wax, o lançamento está previsto para o segundo semestre de 2026. Conversamos com Fedoca sobre tudo isso. Antes de se consolidar como fotógrafo, você também virou personagem da própria história do surfe brasileiro ao sair na capa da Brasil Surf em 1975. Como foi viver aquele momento por dentro? Saí na capa da Brasil Surf. Na época eu trabalhei na revista de março de 75 até janeiro de 79, só não peguei o primeiro número. Jogava todas as posições: saí na capa, escrevia, tirava foto, ajudava na redação, dava palpite, fazia matéria. Por muito tempo achei que era o único fotógrafo de surfe que tinha saído numa capa. Depois o Bruno Alves me falou que o irmão dele, o Alberto, saiu na capa da Fluir número 1. A história dele bate um pouco com a minha: ele pegava onda, saiu na capa, era fotógrafo. Mas durante anos eu achei que era caso único. Até hoje tem um restaurante aqui que o cara pediu, eu tirei uma foto com a revista na mão, ele botou na parede, eu assinei. A influência continua. A Brasil Surf ajudou a mudar a imagem do surfista no Brasil. Como era ser surfista naquela época, antes dessa mudança de percepção acontecer? O surfe saía no caderno B do Jornal do Brasil, do Globo. Não saía no esporte. E o surfista era tido como vagabundo de praia. Isso, aliás, até hoje tem um pouco, mas na época tinha muito mais. A Brasil Surf não vou dizer que limpou essa imagem completamente, mas ajudou a transformar o surfe em esporte e também a fomentar o mercado de surfwear. Os irmãos Wady e Fuad Mansur, da loja Mansur, em Ipanema, foram dos primeiros anunciantes. Acreditaram na revista, fizeram anúncios de contracapa e página inteira, e as camisetas personalizadas vendidas pelo correio viraram um sucesso. A Brasil Surf acabou impulsionando fabricantes de pranchas, calções, parafinas e diversos outros anunciantes ligados ao surfe. Os fabricantes de prancha tinham um veículo para anunciar. Os fotógrafos ganhavam uma graninha, viajavam. Fui para a América Central, Porto Rico, Barbados, El Salvador, Fernando de Noronha, Peru, várias viagens bancadas pela Brasil Surf de uma forma ou de outra. O Nilton Barbosa foi ao Havaí duas vezes bancado pela revista. No caso dele, eles bancavam os filmes, ele vendia as fotos e a viagem se pagava. Tinha uma diferença entre mim e o Nilton nessa época: ele chegava na praia e ficava na areia fotografando, fotografando, fotografando. Eu chegava e ia para dentro da água. Se não estava o Daniel, não estava o Pepê, não estava o Cauli, não estava o Bocão, não estavam os caras top, eu entrava e surfava. Então tem foto minha na Brasil Surf publicada pelo Nilton Barbosa, pelo Rogério Ehrlich. Eu estava mais dentro da água do que fora. Eu estudava. Primeiro vestibular, depois faculdade. Boa parte dos meus amigos só queria saber de surfar. Eu dividia meu tempo. Chegava na praia, já tinha estudado de manhã, aí ficava naquele dilema: vou pegar onda ou vou fotografar? Por isso tem poucas fotos do Píer. Em três anos não tirei nem metade do que tiro hoje num dia bom na Macumba com o digital. Você viveu o Píer, a Brasil Surf, o Havaí dos anos 70, o nascimento do surfe brasileiro moderno. Em que momento percebeu que estava no meio de uma transformação cultural que iria muito além do esporte? O Píer foi o que fomentou o surfe no Rio de Janeiro. Por dez anos, foi domínio completo do Rio no cenário brasileiro. O Daniel Friedmann, em 77, foi o último carioca a vencer uma etapa do circuito internacional, ganhou no Quebra-Mar, em cima do Pepê Lopes, que tinha ganho em 76. Os dois de Ipanema, meus vizinhos de rua. E esse pessoal do Píer que dominou, o Daniel, o Pepê Lopes, o Cauli Rodrigues, e também o Otávio Pacheco, o Rico de Souza, o Ricardo Bocão. E tinha o Betão, que era o melhor surfista do Brasil na época mas não era competitivo, não corria atrás de patrocinador, acabou saindo cedo. Em 75 ele ganhou o Campeonato de Saquarema e foi saindo, saindo. O Píer influenciou a revista, influenciou os fabricantes de prancha, influenciou o modo de viver. Começaram a ter fábricas em Guaratiba, Vargem Grande, no Recreio, depois em Saquarema. As pessoas foram morar lá. O Penho foi, o Otávio comprou casa,

O que define uma boa onda? Tamanho, força, parede, qualidade da linha, formação e surfabilidade, dentre outros elementos. No oceano, todos esses fatores mudam a cada swell, a cada vento, a cada maré. Em Búzios, a proposta é diferente: construir essas variáveis de forma controlada, repetível e ajustável. A piscina do Brasil Surfe Clube Aretê Búzios opera com a tecnologia Endless Surf, do grupo canadense WhiteWater, com 48 câmaras de ar de alta precisão. O sistema permite criar configurações distintas dentro da mesma estrutura. Dentro de um universo de grandes possibilidades, as cinco primeiras ondas já foram nomeadas e reveladas, cada uma com perfil próprio, e muito mais ainda está por vir. Onda #01: Pointbreak + Junção Linha longa, seções conectadas, tempo de onda que pode ultrapassar 25 segundos. A junção encadeia diferentes partes da onda sem perder velocidade, criando uma das experiências mais difíceis de encontrar no oceano com consistência. Para quem quer mais de 10 manobras na mesma onda ou simplesmente mais tempo de linha para ler e decidir. Onda #02: Manobras + Bowl A parede fica mais íngreme. O bowl abre seções críticas para manobras verticais e aéreos. É o ambiente para quem quer empurrar os limites do que consegue fazer sobre a prancha, com repetição suficiente para transformar cada tentativa em aprendizado real. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Onda #03: Rampa + Tubo Uma onda que combina duas experiências na mesma seção. A rampa prepara o surfista para a manobra e o tubo roda na sequência. Para quem quer encaixar um aéreo e ainda sair do tubo na mesma onda, essa configuração entrega os dois elementos sem precisar escolher. Onda #04: Rampa Nível Intermediário Parede consistente, menor intensidade, mais previsível. A configuração certa para quem está desenvolvendo manobras progressivas e precisa de repetição para consolidar o que está aprendendo. A seção cria a rampa no ângulo certo, com velocidade suficiente para executar sem exigir o nível avançado. Onda #05: Rampa Nível Avançado Mais potência, mais velocidade, mais projeção. A rampa avançada é para quem já chegou em Búzios com manobras no repertório e quer testá-las com pressão real. Com capacidade para gerar até 700 ondas por hora, o intervalo entre uma tentativa e outra é curto o suficiente para transformar cada sessão em treino de alto rendimento. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Para todos os níveis As cinco configurações cobrem desde quem está aprendendo até quem treina em alto rendimento. A piscina ainda opera em dois modos: single peak, com ondas quebrando para um lado e maior extensão de linha, e split peak, com direitas e esquerdas simultâneas, permitindo que surfistas compartilhem a mesma série em direções opostas. Yago Dora, campeão mundial de surfe em 2025, Victor Bernardo, um dos maiores freesurfers da atualidade, e Michelle des Bouillons, referência mundial em ondas gigantes, integram o time do BSC e já testaram a tecnologia na piscina Adrena Red Sea, na Arábia Saudita. “Muito animal esse lance de ter essa variedade de onda também. Um leque de ondas absurdo. Mal posso esperar para Búzios”, disse Victor Bernardo após a sessão. A versão de Búzios será maior: 48 câmaras contra 36 da estrutura do Mar Vermelho, com 13 mil metros quadrados de lâmina d’água. Variedade de ondas para testar, arriscar, aprender e evoluir todos os dias. Com inauguração prevista para o segundo semestre de 2026, é o que o Brasil Surfe Clube Aretê Búzios chega para entregar.

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.