
O segundo dia do Western Australia Margaret River Pro 2026 foi marcado pela definição dos classificados para as quartas de final em condições desafiadoras no Main Break e com forte presença brasileira. Gabriel Medina, Yago Dora, Italo Ferreira, Samuel Pupo e Luana Silva garantiram vaga entre os oito melhores de suas categorias.
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A competição foi retomada neste domingo (19), com mar mexido, vento maral e ondas entre 4 e 6 pés. Com a chegada de um forte sistema de tempestade, a etapa foi colocada em espera, com próxima chamada prevista somente para terça-feira (21) às 20h (de Brasília).
O Brasil teve papel de destaque principalmente no masculino, colocando quatro surfistas nas quartas de final, cada um em uma bateria. Samuel Pupo protagonizou uma das melhores performances do dia ao vencer o japonês Kanoa Igarashi por 14.00 a 13.80, somando a única nota excelente das disputas masculinas no dia: 8.00 pontos.
“Sabia que seria uma bateria difícil. No papel já era um confronto pesado”, contou Samuel. “O Kanoa é um surfista incrível. Os erros que cometi mostraram o quanto ele é bom na leitura do mar e o quão focado ele é. Ele enxergou ondas que eu não vi e conseguiu grandes notas. Isso mostra pontos que ainda preciso melhorar para evoluir no futuro. É muito bom estar aqui sem todo aquele estresse e pressão que eu tive nos últimos anos. Conseguir dar essa virada é algo muito importante para mim mentalmente, para me deixar mais forte para baterias maiores e momentos decisivos”.
Na sequência, Gabriel Medina levou a melhor no duelo de ex-campeões da etapa contra o australiano Jack Robinson. Em uma bateria disputada em condições difíceis, o tricampeão mundial venceu por 11.90 a 10.63 pontos.
“O Jack é um dos melhores aqui”, disse Gabriel. “É sempre bom vencer uma bateria como essa. Ele é um surfista e uma pessoa incríveis. Sou um grande fã dele e estou feliz com a vitória. É difícil com esse vento, parece até que estamos fazendo snowboard ou algo assim — até a neve é mais lisa. Espero que tenhamos condições melhores para poder apresentar um bom surfe. Mas também precisamos passar por essas condições difíceis. Já é um bom resultado, mas eu quero mais”.
Yago Dora, atual campeão mundial, também avançou ao bater o japonês Connor O’Leary com 10.34 a 7.03, enquanto Italo Ferreira venceu o confronto brasileiro contra João Chianca por 13.40 a 12.80.
Fechando a participação brasileira no Round 3, Miguel Pupo acabou superado por Ethan Ewing (11.40 x 10.73) e se despediu da etapa em nono lugar.
No feminino, Luana Silva garantiu o Brasil nas quartas ao vencer a australiana Sophie McCulloch em uma bateria equilibrada: 10.97 a 10.07 pontos. A brasileira agora encara a atual campeã mundial, a também surfista da Austrália, Molly Picklum.
Molly, aliás, foi o grande nome do dia entre as mulheres. A australiana registrou o maior somatório: 15.50, incluindo a nota excelente 8.50, na vitória sobre a aussie Sally Fitzgibbons.
“Lá fora é quase uma batalha no mar, e quando aparece uma seção, você precisa se comprometer com ela”, disse Molly. “Me perguntaram sobre a minha comemoração. Você solta tudo porque é a melhor sensação — você está batendo na onda e colocando tudo ali, em cada seção, em cada momento, como se fossem momentos mágicos. Muitas coisas estão encaixando agora, e algumas delas são até incontroláveis. Então, quando isso acontece, você só aproveita e segue o fluxo. Eu estou indo nessa vibe. Vou aproveitar com certeza. Vamos ver se continua dando certo para mim”.
As campeãs mundiais restantes na chave feminina ditaram o ritmo no Round 2. A norte-americana Caroline Marks avançou com 12.27 ao derrotar Francisca Veselko. “Sinto que em Bells eu nem cheguei a surfar de verdade. Hoje finalmente tive algumas oportunidades de me soltar, então fiquei muito feliz com isso”, disse Caroline. “Está bem difícil lá fora. Margaret River não está nada definido, as ondas estão meio espalhadas, e você também acaba sendo levado pela corrente o tempo todo, então vira um jogo de gato e rato. Fico feliz por ter encontrado algumas boas ondas. Tentei não pensar demais e simplesmente surfar bastante. Que bom que deu certo. Tenho feito ótimos free surfs, então espero que na próxima bateria eu consiga me soltar ainda mais”.
A norte-americana Caitlin Simmers (11.40) e a havaiana Carissa Moore (9.16) também venceram suas baterias. Simmers superou a francesa Vahine Fierro apostando em ondas na faixa dos cinco pontos.
“Eu só quero surfar”, falou Caitlin. “Sinto que no último evento eu nem tive tantas oportunidades de surfar. Então, nesse aqui, pensei: tem muitas ondas lá fora, mas não estão bem definidas. Você meio que precisa ir e torcer para que tenha uma seção no final para conseguir um 5. É isso que você tenta fazer, dar o seu melhor com o que tem. Isso vai além do surfe ou das ondas, mas hoje fico feliz por ter conseguido mandar alguns laybacks. Queria ter passado de cinco. Ainda não consegui nenhuma nota acima de cinco esse ano, então isso me incomoda um pouco. Mas próxima bateria, próxima bateria”.

Carissa teve mais dificuldades e venceu a australiana Isabella Nichols por uma margem apertada (9.16 x 8.47). “Acho que nem eu nem a Bella (Isabella Nichols) gostaríamos de repetir apresentações como essa muitas vezes”, disse Carissa. “Felizmente, eu fiquei do lado certo dessa vez e avancei, mas estive muito perto de sair da água sem nem sorrir. Então, só posso agradecer por ter dado certo e por Margaret River ter estado ao meu lado hoje. Estou realmente curtindo muito esse lugar, é um dos meus favoritos no mundo inteiro. Sou uma grande fã do surfe da Caity (Simmers) e também dela como pessoa. Poder acompanhar de perto como fã nos últimos dois anos foi muito legal. Ela é campeã mundial e alguém que tem me inspirado e me feito evoluir. Me sinto muito honrada e sortuda por poder vestir a lycra ao lado dela novamente”.

Outro destaque do dia foi o confronto norte-americano entre os irmãos Colapinto. A bateria foi decidida nos minutos finais, com Crosby virando para 13.67 a 13.43, diferença de apenas 0.24.
“É uma situação muito louca, porque eu acredito que estou aqui hoje, no Tour, competindo nesse nível, por causa do Griffin”, disse Crosby. “Ele é meu irmão mais velho, meu maior ídolo, meu maior fã. Ele sempre me apoia, está sempre ao meu lado. Até em Bells, ele foi a primeira pessoa com quem falei na escada, e a gente analisou tudo junto. Entrar nessa bateria foi uma sensação estranha, porque sabíamos que um de nós iria perder, sendo que os dois queriam seguir em frente e se encontrar na final. Mas é assim que funciona. Ele me venceu em Bells, eu venci aqui, então agora está 1 a 1”.
Já o australiano George Pittar garantiu a vitória sobre o italiano Leonardo Fioravanti em uma bateria decidida após a sirene. Com um 7.33, ele retomou a liderança e avançou às quartas.
Western Australia Margaret River Pro 2026
Oitavas de final Masculino
1 Samuel Pupo (BRA) 14.00 x 13.80 Kanoa Igarashi (JAP)
2 Joel Vaughan (AUS) 9.33 x 6.34 Liam O’Brian (AUS)
3 Crosby Colapinto (EUA) 13.67 x 13.43 Griffin Colapinto (EUA)
4 Gabriel Medina (BRA) 11.90 x 10.63 Jack Robinson (AUS)
5 Yago Dora (BRA) 10.34 x 7.03 Connor O’Leary (JAP)
6 George Pittar (AUS) 13.53 x 12.46 Leonardo Fioravanti (ITA)
7 Italo Ferreira (BRA) 13.40 x 12.80 João Chianca (BRA)
8 Ethan Ewing (AUS) 11.40 x 10.73 Miguel Pupo (BRA)
Quartas de final
1 Samuel Pupo (BRA) x Joel Vaughan (AUS)
2 Crosby Colapinto (EUA) x Gabriel Medina (BRA)
3 Yago Dora (BRA) x George Pittar (AUS)
4 Italo Ferreira (BRA) x Ethan Ewing (AUS)
Oitavas de final Feminino
1 Gabriela Bryan (HAV) 9.67 x 8.44 Yolanda Hopkins (POR)
2 Sawyer Lindblad (EUA) 9.60 x 7.60 Bettylou Sakura Johnson (HAV)
3 Caroline Marks (EUA) 12.27 x 10.17 Francisca Veselko (POR)
4 Lakey Peterson (EUA) 10.10 x 8.34 Erin Brooks (CAN)
5 Molly Picklum (AUS) 15.50 x 9.30 Sally Fitzgibbons (AUS)
6 Luana Silva (BRA) 10.97 x 10.07 Sophie McCulloch (AUS)
7 Caitlin Simmers (EUA) 11.40 x 7.40 Vahine Fierro (FRA)
8 Carissa Moore (HAV) 9.16 x 8.47 Isabella Nichols (AUS)
Quartas de final
1 Gabriela Bryan (HAV) x Sawyer Lindblad (EUA)
2 Caroline Marks (EUA) x Lakey Peterson (EUA)
3 Molly Picklum (AUS) x Luana Silva (BRA)
4 Caitlin Simmers (EUA) x Carissa Moore (HAV)
Ranking Masculino
1 Miguel Pupo (BRA) 10.000 pontos
2 Yago Dora (BRA) 7.800
3 Gabriel Medina (BRA) 6.085
4 Griffin Colapinto (EUA) 6.085
5 Samuel Pupo (BRA) 4.745
6 Kanoa Igarashi (JAP) 4.745
7 Barron Mamiya (HAV) 4.745
8 Leonardo Fioravanti (ITA) 4.745
9 George Pittar (AUS) 3.320
10 Filipe Toledo (BRA) 3.320
11 Italo Ferreira (BRA) 3.320
12 Jordy Smith (AFR) 3.320
13 Rio Waida (IND) 3.320
14 Marco Mignot (FRA) 3.320
15 Jake Marshall (EUA) 3.320
16 Alejo Muniz (BRA) 3.320
17 Luke Thompson (AFR) 1.000
18 Ethan Ewing (AUS) 1.000
19 Mateus Herdy (BRA) 1.000
20 Joel Vaughan (AUS) 1.000
21 Connor O’Leary (JAP) 1.000
22 Kauli Vaast (FRA) 1.000
23 Morgan Cibilic (AUS) 1.000
24 João Chianca (BRA) 1.000
25 Crosby Colapinto (EUA) 1.000
26 Eli Hanneman (HAV) 1.000
27 Seth Moniz (HAV) 1.000
28 Cole Houshmand (EUA) 1.000
29 Jack Robinson (AUS) 1.000
30 Alan Cleland (MEX) 1.000
31 Liam O’Brien (AUS) 500
32 Ramzi Boukhiam (MAR) 500
33 Callum Robson (AUS) 500
34 Oscar Berry (AUS) 500
Ranking Feminino
1 Gabriela Bryan (HAV) 10.000
2 Molly Picklum (AUS) 7.800
3 Isabella Nichols (AUS) 6.085
4 Alyssa Spencer (EUA) 6.085
5 Caitlin Simmers (EUA) 4.745
6 Luana Silva (BRA) 4.745
7 Lakey Peterson (EUA) 4.745
8 Bettylou Sakura Johnson (HAV) 4.745
9 Erin Brooks (CAN) 2.000
10 Tyler Wright (AUS) 2.000
11 Carissa Moore (HAV) 2.000
12 Caroline Marks (EUA) 2.000
13 Nadia Erostarbe (ESP) 2.000
14 Anat Lelior (ISR) 2.000
15 Sally Fitzgibbons (AUS) 2.000
16 Francisca Veselko (POR) 2.000
17 Vahine Fierro (FRA) 1.000
18 Tya Zebrowski (FRA) 1.000
19 Bella Kenworthy (EUA) 1.000
20 Yolanda Hopkins (POR) 1.000
21 Brisa Hennessy (CRI) 1.000
22 Sawyer Lindblad (EUA) 1.000
23 Stephanie Gilmore (AUS) 1.000