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Maldivas, de paraíso desconhecido a sonho de consumo

Descoberta das Ilhas Maldivas, nos anos 1970, mudou mapa das expedições do surfe mundial. Conheça história. O resort Adaaran Select Hudhuran Fushi é um dos destaques na estrutura voltada para o turismo de surfe implantada no arquipélago.

A história do turismo de surfe nas Maldivas começou nos anos 1970, quando o australiano Tony Hinde, após um naufrágio em 1973, descobriu as ondas do arquipélago e decidiu permanecer no país.

Convertido ao Islã e casado com uma local, ele encontrou picos perfeitos e desertos, como Pasta Point e Sultans, que manteve em segredo por cerca de 15 anos junto ao amigo Mark.

Hinde, que não apenas revelou ao mundo as ondas das Maldivas, mas ajudou a popularizar picos lendários como Sultans, Pasta Point, Jails e Ninjas.

No fim da década de 1980, o segredo veio à tona quando Hinde fundou, ao lado da esposa, a Atoll Adventures, primeira empresa a estruturar viagens de surfe na região A partir daí, a indústria cresceu de forma contínua.

Nos anos 1990, já surgiam barcos fretados e escolas de surfe voltadas a estrangeiros, enquanto a criação da Maldives Surfing Association, em 2001, consolidou o esporte com regulamentação e projeção internacional

Dentro desse conceito, surge o Adaaran Select Hudhuran Fushi. Inaugurado em 2006, foi construído em uma ilha que já tinha história no surfe: a antiga Lohifushi.

Antes de se tornar resort, a ilha era reverenciada no cenário internacional pelas suas ondas, especialmente a esquerda perfeita de Lohis, que se consolidou como uma das joias do surfe mundial.

Hoje Lohis é considerada um dos diferenciais mais fortes do resort. A onda é exclusiva para hóspedes, com acesso limitado a apenas 45 surfistas por dia, mediante a compra de um pacote de surfe que inclui passes diários.

Esse modelo de acesso controlado garante qualidade na experiência e mantém a essência da exclusividade.

As Maldivas oferecem um cenário que vai além do luxo dos resorts e da beleza natural das ilhas: suas ondas são verdadeiros convites para surfistas de todos os níveis.

Do iniciante que busca um ambiente seguro para as primeiras manobras, ao intermediário em busca de consistência para evoluir sua técnica, até o avançado que procura tubos perfeitos e desafiadores, o arquipélago entrega opções para cada perfil.

Mais do que um resort, o Adaaran se posiciona como um espaço que integra a cultura do surfe à sofisticação da hotelaria de luxo. É o ponto de encontro entre a tradição de um esporte que transformou as Maldivas em ícone global e a promessa de uma experiência inesquecível à beira do oceano Índico.

Outro destaque é a equipe que conduz a experiência do surfe no Adaaran. Entre os instrutores está Ismail Rasheed, conhecido como Smiley, referência no surfe das Maldivas e membro da seleção nacional.

O time também conta com a brasileira Maju, que além de ensinar no resort, lidera o Surf Her Story , um projeto que incentiva meninas maldivas a se aproximarem do esporte em um ambiente ainda marcado pela predominância masculina.

O primeiro evento reuniu surfistas de diferentes idades, algumas com apenas cinco anos, e já há novas edições programadas, consolidando a iniciativa como um movimento transformador.

Mais sobre as Maldivas
Localização e Geografia
Arquipélago no Oceano Índico, ao sudoeste do Sri Lanka e da Índia.
Composto por 1.192 ilhas de corais, distribuídas em 26 atóis.
Apenas cerca de 200 ilhas são habitadas.

Surfe nas Maldivas Descoberta do surfe: anos 1970, por australianos como Tony Hinde e Mark Scanlon.

Melhores épocas
Março a outubro – época dos swells do sul, com ondas consistentes.
Junho a agosto – maior força, mas mais vento.

Picos de surfe:
Atol Norte de Malé – mais acessível, ondas como Cokes, Chickens, Sultans e Jailbreaks.
Atol Central – menos crowd, acessível por barco.
Atóis do Sul – mais remotos, ondas poderosas, ideais para surfistas experientes.
Estilo de onda: direitas e esquerdas em reef breaks cristalinos, tubos e paredes longas. Infraestrutura: resorts exclusivos, barcos charter (surfari) e guesthouses locais.

Turismo
Principal motor econômico do país.
Famoso por resorts de luxo em ilhas privadas, mas também com guesthouses acessíveis em ilhas locais.
Atividades populares: mergulho, snorkeling, pesca, iatismo e surfe.

Meio Ambiente
País mais baixo do mundo, com média de 1,5 m acima do nível do mar.
Vulnerável às mudanças climáticas e ao aumento do nível do oceano.
Iniciativas: preservação de corais e proibição de plásticos de uso único em alguns resorts.

População e Cultura
População: cerca de 521 mil habitantes.
Religião oficial: Islã.
Idioma: Dhivehi (inglês amplamente falado em áreas turísticas).
Cultura ligada à pesca, hospitalidade e tradições marítimas.

Estrutura e experiência O Adaaran Select Hudhuran Fushi combina luxo e aventura. O sistema all inclusive oferece gastronomia variada, bares à beira-mar e atividades extras para quem quer dar um tempo do surfe: mergulho, spa, passeios de barco e sunsets inesquecíveis.

Em resumo Se o seu sonho é fazer uma surf trip para as Maldivas sem abrir mão de conforto, exclusividade e custo-benefício, o Adaaran Select Hudhuran Fushi é o destino certo.

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Fontes Surfline, Visite Maldives

 

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.

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