Longboard & SUP Surf

Atalanta e Bahia conquistam Solemar

Atalanta Batista e Carlos Bahia vencem segunda etapa do Longboard & SUP Surf em Solemar, Serra (ES).

No último domingo (25) foram definidos os campões da segunda etapa do Circuito Brasileiro de Longboard e SUP Surf, na Praia de Solemar, em Serra (ES). Carlos Bahia e Atalanta Batista levaram o troféu na longboard pro do evento.

Dois grandes nomes do cenário mundial disputaram o título na longboard masculino pro. Carlos Bahia e Rodrigo Sphaier deram show na bateria que encerrou a competição. Com alto nível técnico, os dois protagonizaram um duelo de encher os olhos. Em suas duas melhores ondas, Bahia fez 7,83 e 8,67 para sair de Jacaraípe com o título. Enquanto Sphaier, campeão da primeira etapa, colocou na conta 5,83 e 7,20 para ser vice-campeão.

“Tenho boas lembranças aqui da praia de Solemar, e hoje vai ser mais uma para ficar na memória. É uma honra muito grande disputar uma final com esse monstro do longboard Rodrigo Sphaier. O nível de surf de todos os atletas é muito alto e é muito gratificante competir com todos eles”, diz Carlos Bahia. “Quero parabenizar e agradecer a CBSurf e a Prefeitura de Serra por mais este evento de alto nível”, finaliza.

A hexacampeã brasileira Atalanta Batista abriu muito bem o confronto com Luana Soares e conseguiu aumentar a vantagem para ser campeã na categoria longboard feminino pro. Luana, que fez boas apresentações durante a prova, não se encontrou na final. Pegou ondas que lhe renderam escores baixos e precisou de uma nota no critério excelente para ultrapassar Atalanta que disparou na liderança do ranking ao vencer duas etapas iniciais do Circuito.

“Quero agradecer a todos que ficaram na torcida, mais uma vitória para honra e glória do Senhor! Quero muito o título de 2023, tenho treinado bastante junto com o Daniel, meu filho. Venho mantendo foco e está dando certo. Estou muito feliz também por dividir o pódio com essas mulheres que a cada dia vem elevando o nível do longboard feminino”, fala Atalanta.

Longboard Masculino 35+ – Gabriel Aguirre (RN) comemorou o título na categoria longboard 35+ após virar em cima de Robson Fraga (SE), que liderou todo o confronto. Já no finalzinho da bateria o potiguar encontrou uma onda onde executou manobras precisas para cravar 8 pontos, virar em cima do sergipano e levantar o troféu de campeão da segunda etapa.

Longboard Masculino 50+ – Na categoria longboard 50+ Daniks Fischer repetiu em Solemar o feito na etapa anterior em Pontal do Ipiranga e subiu ao lugar mais alto do pódio para se manter líder da categoria. Daniks surfou à vontade para se manter na liderança durante todo o confronto e sair do mar com mais um título.

Longboard Feminino Sub-18 – Mais uma atleta que repetiu o resultado da etapa anterior foi a carioca Julia Vianna. Julia se mostrou muito bem adaptada às condições do litoral capixaba para vencer mais uma e permanecer como número um do ranking. Destaque também, na bateria final, para Katellyn Oliveira. A paulista brigou até os minutos finais e, apesar de não conseguir a virada, saltou da quarta para a segunda colocação com manobras bem executadas em sua última chance no confronto. Mesmo com pouca idade as promessas da nova geração do longboard feminino mostram muita perspicácia para traçar as estratégias certas e construir um caminho de sucesso no esporte.

“Na profissional não consegui mostrar meu surfe, mas na sub-18 consegui achar boas ondas, tanto na semi quanto na final, e estou extremamente feliz com as vitórias aqui no Espírito Santo”, conta Julia Vianna.

SUP Surf Feminino Profissional – As atletas de Ubatuba Gabi Sztamfater e Aline Adisaka travaram um duelo duríssimo na final da SUP Surf feminino Pro. Gabi venceu pelo apertado placar de 9,50 a 9,23. Aline tentou a virada até os minutos finais, na última onda a expectativa aumentou, mas o escore não foi suficiente e Gabi venceu mais uma para se manter na ponta do Circuito.

SUP Surf Masculino Profissional – Outros dois paulistas e grandes nomes do esporte nacional e mundial disputaram o título do SUP Surf Masculino Pro. E quem levou a melhor foi Leonardo Gimenes que encontrou as melhores oportunidades e soube aproveitá-las para levar o título da etapa. Luiz Diniz ficou com o vice-campeonato em Solemar.

Geraldo Cavalcanti, diretor institucional da CBSurf, não poupou elogios ao trabalho realizado, com destaque a organização e o comprometimento dos atletas. “Quero agradecer principalmente aos locais do pico que nos cederam espaço para a realização da competição. Quero dizer que é um grande prazer estar aqui no Espírito Santo, agradecer ao meu amigo Manga e a todos da diretoria da Fesurf. Agradecer também ao Prefeito Sérgio Vidigal pelo incentivo ao esporte e pela parceria conosco. Nós esperamos fincar bandeira aqui, esperamos voltar outras vezes. A CBSurf sempre quer voltar aonde é bem recebida”, Expõe.

Resultados da etapa:
Long Masculino Pro 

1 Carlos Bahia (SP)
2 Rodrigo Sphaier (RJ)
3 Alexandre Escobar (ES)
3 João Pedro Rodrigues (CE)

Long Feminino Pro

1 Atalanta Batista (PE)
2 Luana Soares (SP)
3 Kate Brandi (RJ)
3 Jasmim Avelino (SP)

SUP Masculino Pro

1 Leonardo Gimenes (SP)
2 Luiz Diniz (SP)
3 Adriano Trinca Ferro (SC)
3 Kauai Pinheiro (RJ)

SUP Feminino Pro

1 Gabi Sztamfater (SP)
2 Aline Adisaka (SP)
3 Kilvia Cardoso (CE)
3 Kate Brandi (SP)

Longboard Masculino Sub-18

1 Daniel Batista (PE)
2 Antonio Robles (RN)
3 Hideki Duarte (SP)
4 Miguel Ferro (RN)

Longboard Feminino Sub-18

1 Julia Vianna (RJ)
2 Katellyn Oliveira (SP)
3 Melissa Benatti (SP)
4 Sol Tostes (CE)

SUP Masculino Sub-18

1 Pedro Veiga (BA)
2 Vinicius Barbosa (ES)

Longboard Masculino 35+

1 Gabriel Aguirre (RN)
2 Robson Fraga (SE)
3 Jonas Lima (SP)
4 Frederico Medeiros (RN)

SUP Masculino 35+

1 Adriano Trinca Ferro (SC)
2 Jonas Lima (SP)
3 Gilsinho (ES)
4 Ricardo Casselhas (SP)

Longboard Masculino 50+

1 Daniks Fischer (SP)
2 Márcio Costa (PR)
3 Marcelo Bibita (CE)
4 Fabiano Malavasi (SP)

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.

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