Saquarema Surf Festival

Yago e Sophia vencem em Itaúna

QS Saquarema Surf Festival termina com vitórias de Yago Dora e Sophia Medina nas ondas de Itaúna (RJ). Cauã Costa e Sol Aguirre, do Peru, são os melhores na Pro Junior Sub-20.
Saquarema Surf Festival 2021, Praia de Itaúna (RJ)

Um domingo (21) de Sol, boas ondas e praia lotada, fechou com chave de ouro o Saquarema Surf Festival em memória a Leo Neves, apresentado pela Prefeitura de Saquarema. As quatro decisões foram um espetáculo de surfe na Praia de Itaúna e Yago Dora comandou o show, ganhando até uma nota 10 com seus aéreos. O catarinense venceu a última final, do Quiksilver Pro QS 3000 contra o saquaremense João Chianca.

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No Roxy Pro QS 3000, a jovem Sophia Medina festejou sua primeira vitória, carimbando a faixa da bicampeã sul-americana, Daniella Rosas. Mas, outra peruana, Sol Aguirre, conquistou o tricampeonato Pro Junior derrotando Laura Raupp e Cauã Costa brilhou na disputa pelo outro título sul-americano Sub-20, com Ryan Kainalo.

O resultado do Saquarema Surf Festival fez justiça, com os recordistas de cada categoria se sagrando campeões nas baterias decisivas. O melhor de todos nas boas ondas do domingo, sem dúvidas, foi o cabeça de chave número 1 do Quiksilver Pro QS 3000. O catarinense Yago Dora mostrou a sua variedade de aéreos nas esquerdas de Itaúna, para ganhar as seis maiores notas de toda a semana na etapa masculina do WSL Qualifying Series. A apresentação mais fantástica foi nas semifinais, quando arrancou a única nota 10 dos juízes e totalizou 19.23 pontos de 20 possíveis.

“Acho que vai ser difícil fazer uma bateria melhor do que essa com o Alex (Ribeiro) agora. Mas, o trabalho ainda não está feito, porque falta a final e tem que tirar mais coisas da manga para completar o objetivo”, disse Yago Dora. Nessa bateria, o número 9 do mundo esse ano, ultrapassou até o maior placar do World Surf League Championship Tour 2021, de 18.77 pontos do Gabriel Medina na final da etapa de Sidney, na Austrália. Ele ainda descartou notas 8.73 e 8.00 de outros aéreos completados nesta semifinal, contra outro top do CT 2021, Alex Ribeiro.

O local de Saquarema, João Chianca, o Chumbinho, que já viaja para o Havaí, onde a partir de sexta-feira (26) começa a defender o sexto lugar no ranking que vai classificar doze surfistas para a elite da WSL de 2022, passou pelo baiano Marco Fernandez também dando um show na Praia de Itaúna. No domingo, ele preferiu surfar as direitas, ao contrário de Yago Dora. A última decisão de título do Saquarema Surf Festival em memória a Leo Neves começou assim.

Chumbinho abriu a bateria muito bem, levantando a torcida que lotou a praia no domingo, numa direita destruída por uma série quase interminável de batidas e rasgadas, executadas com pressão e velocidade. Os juízes deram nota 8.83 e logo ele pega outra direita, atacando forte de novo para somar mais uma nota boa, 6.67. Yago só surfa sua primeira onda depois de 15 minutos e foi uma esquerda, para usar sua arma mortal, o aéreo full rotation de frontside. Ele já começou com nota 8.67 e arrisca outro aéreo, porém não completou esse.

Enquanto João segue apostando nas direitas, Yago insiste nas esquerdas e acha outra que forma a rampa para decolar num aéreo reverse com a mão na borda muito alto, aterrissando na base para assumir a ponta com nota 9.17. Chumbinho já passa a precisar de 9.02 para vencer e destrói outra direita, manobrando com muita pressão e vibra na finalização, mas a nota sai 8.03. Yago faz o mesmo numa esquerda, com dois laybacks incríveis que recebem 8.33, nota que é descartada.

Faltando 3 minutos, Yago Dora seguiu dando seu show. Dessa vez numa direita, voando muito alto de backside, fazendo o giro completo no ar e aterrissando com perfeição mais uma vez. Ele abre os braços pedindo nota e os juízes dão 9.80, pelo alto risco da manobra. Com ela, confirma a vitória com o segundo maior placar do Quiksilver Pro QS 3000, 18.97 pontos. João Chianca surfa outra direita boa no minuto final, fazendo batidas, rasgadas e um aéreo para fechar sua grande apresentação também, registrando a terceira maior pontuação do campeonato, 16.86.

“Estou muito feliz e aliviado, pois fiquei com muito medo de perder essa final pro João, porque ele fez altas ondas nas direitas”, fala Yago Dora. “O que eu fiz de diferente agora, acho que foi o full rotation de backside ali no final, porque vi que o vento virou de Sul pra Leste e usei isso a meu favor. Foi animal e parabéns para o João também. Ele é meu parceraço e, vim pra cá ano passado, ficamos surfando juntos uns dez dias, treinando, então estou muito feliz em compartilhar essa final com ele. Espero que ele continue nesse ritmo animal e consiga garantir sua vaga no CT também”.

João Chianca também ficou feliz pelo vice-campeonato no Quiksilver Pro QS 3000: “Eu estou, como se fala em inglês: over the moon (na lua). É muita felicidade, porque o que eu mais queria era botar o meu surfe pra fora, dar o melhor de mim e foi demais fazer a final com o Yago. Ele é um espelho para a próxima geração e um exemplo de como o trabalho e o esforço compensam. Estou feliz em fazer essa final na minha casa, por conseguir surfar bem e ver os aéreos do Yago ali. Foi muito bom”.

Homenagem a Leo Neves – Os dois também falaram sobre a homenagem realizada pela 213 Sports, para o bicampeão brasileiro Leonardo Neves no Saquarema Surf Festival. Ele morava na cidade e faleceu nas mesmas ondas de Itaúna, enquanto disputava uma bateria de uma competição local em 2019. “O Léo foi o primeiro surfista profissional que olhou pra mim e me deu atenção, quando eu era uma criança ainda. Esse é o sonho de qualquer grommet e ele foi a pessoa que acreditou em mim. Estar me tornando o surfista que ele imaginava pra mim, é um sonho se realizando agora. Então essa é para você Léo. Obrigado”, diz João Chianca.

“Eu também dedico esse título ao Leo”, fala o campeão Yago Dora. “Ele foi um cara muito especial. O pouco contato que tive com ele, ele sempre passou uma vibe absurdamente positiva. É um cara que vai fazer falta pra sempre, então é muito legal ter um evento em homenagem a ele e fico feliz de ir pra casa com meu nome escrito como campeão do evento para o Leo Neves”.

O nome de Sophia Medina também foi o primeiro a ser gravado no Troféu Leo Neves do Saquarema Surf Festival, que ficará exposto no Centro de Treinamento de Surf Leo Neves, inaugurado pela Prefeitura de Saquarema no sábado (20). Ela foi a primeira campeã da etapa feminina do WSL Qualifying Series, também encabeçando a lista de recordes do Roxy Pro QS 3000.

Campeã aos 16 anos – Em 2009, o hoje tricampeão mundial Gabriel Medina, se tornou o surfista mais jovem a vencer uma etapa da World Surf League com apenas 15 anos de idade, em Florianópolis. Neste domingo, sua irmã conseguiu sua primeira vitória, aos 16 anos. Somente Sophia Medina disputou duas semifinais no domingo decisivo do Saquarema Surf Festival. Ela perdeu a do Pro Junior para Sol Aguirre, mas derrotou a também peruana Daniella Rosas na decisão do Roxy Pro QS 3000. A vitória valia a liderança no ranking regional da WSL Latin America, classificatório para o WSL Challenger Series de 2022, novo campo de batalha por vagas para a elite do CT.

“Eu nem estou acreditando que acabei de ganhar um QS 3000. Esse sempre foi meu maior sonho, era uma das minhas maiores metas e estou muito feliz”, vibrou Sophia Medina, depois de ser carregada pelo pai e treinador, Charles, do mar até a arena do evento. “É muito difícil passar do amador pro profissional. É um choque de realidade e eu treinei muito para estar aqui hoje. Eu me emociono, porque foi muito trabalho duro para chegar até aqui e Deus é muito bom. Foi Ele que me deu a vitória e estou muito feliz por todo esse trabalho estar sendo recompensado”.

Para chegar na primeira final em etapas do WSL Qualifying Series da sua carreira, Sophia Medina fez o maior placar do Roxy Pro QS 3000 na semifinal contra a cearense Larissa Santos. Foi quando atingiu 15.33 pontos, somando a maior nota do dia entre as meninas, 8.00. Seu ponto forte na Praia de Itaúna foi as direitas, onde pôde mostrar toda a agressividade do seu frontside. A atleta olímpica, Daniella Rosas, começou na frente, com notas 5.67 e 6.67. Sophia errou as manobras nas primeiras ondas, mas depois entrou na sintonia com as séries em Itaúna.

Em três ondas seguidas, ganhou notas 6.47, 7.57 e 6.70, abrindo uma sólida vantagem de 7.60 pontos. A peruana não conseguiu reverter a situação e Sophia Medina festejou a vitória por 14.27 a 12.34 pontos. Mas, Daniella Rosas também recebeu um troféu de campeã no pódio do Saquarema Surf Festival, pelo segundo título sul-americano da WSL Latin America consecutivo, da temporada 2020/2021, encerrada nas duas etapas disputadas em junho no Equador. No masculino, o campeão foi o paulista Wiggolly Dantas.

Títulos sul-americanos – No domingo, foram decididos mais dois títulos sul-americanos de 2021, da categoria Pro Junior Sub-20. A final feminina foi a primeira a entrar no mar, as 11h30 na Praia de Itaúna lotada. Foi a primeira das duas decisões entre Brasil e Peru das meninas no Saquarema Surf Festival. Nessa, o desenvolvimento e o resultado foram ao contrário da do Roxy Pro QS 3000. A brasileira Laura Raupp, com seus apenas 15 anos, largou na frente e liderou até os últimos minutos, quando Sol Aguirre conseguiu a virada.

A peruana tinha feito os recordes femininos da categoria Pro Junior, na semifinal contra Sophia Medina. Ela igualou a nota 8.17 da Nairê Marquez na sexta-feira (19) e somou um 7.17, para totalizar 15.34 pontos. Na grande final, a vencedora da outra etapa da WSL Latin America encerrada no domingo passado em Florianópolis, Laura Raupp, já começou com 7.50 na primeira onda, mas o máximo que conseguiu depois foi 4.93.

Sol Aguirre demorou para surfar e falhava na escolha. A maioria fechava rápido, mas enfim mostrou o seu surfe numa esquerda, com dois arcos e um batidão de backside na junção, que valeram 5.27. Depois, pegou outra esquerda e mandou três manobras de backside, recebendo 6.30. Laura seguia na frente, mas Sol achou uma direita há 5 minutos do fim, fez uma rasgada e atacou a junção com um layback muito forte, vibrando com a manobra.

Tricampeonato igualado – Os juízes deram nota 7.93 e a peruana virou o placar para 14.23 a 12.43 pontos. A brasileira passou a precisar de 6.74 para vencer, porém não entraram mais ondas com potencial para isso e Sol Aguirre ficou com o título do Saquarema Surf Festival Junior Pro. A peruana igualou um feito até então único da brasileira Diana Cristina, a índia Tininha da Paraíba, que foi tricampeã sul-americana Pro Junior em 2008, 2009 e 2010. Sol Aguirre tinha sido bicampeã em 2017 e 2018 e com o terceiro título já confirmou sua classificação para o Mundial Pro Junior de 2022.

“Não estou nem acreditando. As ondas estão muito boas, mas não comecei bem a bateria. Só que eu estava tranquila, porque sabia que ia vir mais ondas boas para mostrar o meu surfe”, diz Sol Aguirre. “Eu confiei em mim, na minha estratégia e consegui vencer. Nem consigo acreditar que sou tricampeã sul-americana agora e será um título que vou lembrar por toda a vida”.

Novo campeão – Na categoria masculina, o Saquarema Surf Festival Junior Pro incluiu um novo surfista na lista de campeões sul-americanos Pro Junior da WSL Latin America, junto com nomes como Italo Ferreira, Filipe Toledo, os irmãos Miguel e Samuel Pupo, Deivid Silva, Mateus Herdy, entre outros. O paulista Ryan Kainalo vinha sendo o destaque do evento para competidores com até 20 anos de idade, mas o cearense Cauã Costa não deu qualquer chance para ele na grande final.

A batalha aconteceu nas direitas de Itaúna e Cauã pegou as melhores para fazer uma combinação mortal de três manobras potentes de frontside, abrindo grandes leques de água, com a última delas sempre mais explosiva na junção. Ryan Kainalo largou na frente com nota 6.33, mas Cauã Costa já conseguiu 7.33 na segunda dele, 8.17 na terceira e 9.17 na quarta, se tornando o recordista absoluto do Saquarema Surf Festival Junior Pro com 17.34 pontos. Desde 2014, quando Pablo Paulino conquistou o título, que um surfista do Ceará não era campeão sul-americano Pro Junior.

“Estou muito feliz por ter conseguido ganhar esse título sul-americano e nem tenho palavras para descrever a emoção”, fala Cauã Costa, que já garantiu seu nome para o Mundial Pro Junior de 2022 da World Surf League. “Esse é o resultado do trabalho que venho fazendo com o meu pai, treinando todos os dias e estou muito feliz por ter ganhado. É um grande feito para mim. Deu tudo certo, graças a Deus, e vamos continuar no foco para as próximas competições”.

51 ICE Expression Session – Entre as semifinais as finais do Saquarema Surf Festival em memória a Leo Neves, aconteceu a 51 ICE Expression Session. A primeira bateria foi só para as meninas tentarem a manobra mais radical e a vencedora foi Silvana Lima, duas vezes vice-campeã mundial que por muitos anos defendeu o Brasil na elite do CT. A cearense completou um aéreo reverse para faturar o prêmio de R$ 2.500.

Entre os homens, o primeiro aéreo bom foi o do filho do homenageado, Leo Neves, o Valentim Neves. Mas, Samuel Pupo fez um mais incrível depois para ganhar R$ 2.500 também, pois todas as competições do Saquarema Surf Festival foram realizadas com o princípio da igualdade na premiação para homens e mulheres.

O Saquarema Surf Festival apresentado pela Prefeitura Municipal de Saquarema, foi um evento licenciado pela WSL Latin America para a 213 Sports realizar uma etapa do WSL Qualifying Series e seletivas sul-americanas para os mundiais das categorias Pro Junior e Longboard, todas para homens e mulheres competirem na Praia de Itaúna. O evento teve patrocínio da Quiksilver, ROXY, 51 ICE, Corona, apoio da Orthopride, Stanley Brasil, Monster Energy e parceria da Federação de Surf do Estado do Rio de Janeiro (FESERJ), Associação de Surf de Saquarema (ASS), MegAçaí e do Waves.

Domingo decisivo do Saquarema Surf Festival
Decisão do Quiksilver Pro QS 3000

Campeão: Yago Dora (BRA) por 18.97 pts (9.80 + 9.17) – US$ 8.000 e 3.000 pts

Vice: João Chianca (BRA) com 16.86 (8.83 + 8.03) – US$ 4.000 e 2.400 pts

Semifinais
3º lugar com 1.950 pontos e US$ 1.000

1ª Yago Dora (BRA) 19.23 x 14.50 Alex Ribeiro (BRA)

2ª João Chianca (BRA) 16.04 x 12.60 Marco Fernandez (BRA)

Decisão do Título do Roxy Pro QS 3000

Campeã: Sophia Medina (BRA) por 14.27 pts (7.57 + 6.70) – US$ 8.000 e 3.000 pts

Vice: Daniella Rosas (PER) com 12.34 pts (6.67 + 5.67) – US$ 4.000 e 2.400 pts

Semifinais
3º lugar com 1.950 pontos e US$ 1.000

1ª Daniella Rosas (PER) 12.77 x 9.66 Arena Rodriquez Vargas (PER)

2ª Sophia Medina (BRA) 15.33 x 6.90 Larissa Santos (BRA)

Decisão do título sul-americano Pro Junior Sub-20

Campeão: Cauã Costa (BRA) por 17.34 pts (9.17 + 8.17) – US$ 1.000

Vice-campeão: Ryan Kainalo (BRA) com 12.63 pts (6.33 + 6.30) – US$ 400

Semifinais
3º lugar com 650 pontos e US$ 250

1ª Ryan Kainalo (BRA) 15.33 x 14.73 Diego Aguiar (BRA)

2ª Cauã Costa (BRA) 15.86 x 14.30 Daniel Templar (BRA)

Decisão do Título Sul-americano Pro Junior Sub-20

Tricampeã: Sol Aguirre (PER) por 14.23 pontos (7.93 + 6.30) – US$ 1.000

Vice-campeã: Laura Raupp (BRA) com 12.43 pontos (7.50 + 4.93) – US$ 400

Semifinais
3º lugar com 650 pontos e US$ 250

1ª Laura Raupp (BRA) 13.27 x 12.80 Julia Duarte (BRA)

2ª Sol Aguirre (PER) 15.34 x 12.87 Sophia Medina (BRA)

Top-20 do ranking reginal da WSL Latin America – 2 etapas

1 Yago Dora (BRA) – 4.950 pontos
2 Willian Cardoso (BRA) – 3.450
3 Eduardo Motta (BRA) – 3.200
4 João Chianca (BRA) – 3.000
4 Alex Ribeiro (BRA) – 3.000
6 Michael Rodrigues (BRA) – 2.580
7 Wesley Leite (BRA) – 2.550
8 Marco Fernandez (BRA) – 2.450
9 Raoni Monteiro (BRA) – 2.385
10 Samuel Pupo (BRA) – 2.100
10 Robson Santos (BRA) – 2.100
12 Matheus Navarro (BRA) – 1.700
12 Santiago Muniz (ARG) – 1.700
14 Jessé Mendes (BRA) – 1.650
15 Thiago Camarão (BRA) – 1.550
15 Victor Bernardo (BRA) – 1.550
17 José Francisco (BRA) – 1.500
18 Alonso Correa (PER) – 1.385
19 Renan Pulga (BRA) – 1.250
19 José Gundesen (ARG) – 1.250
19 Ryan Kainalo (BRA) – 1.250

Top-10 do ranking regional da WSL Latin America

1 Sophia Medina (BRA) – 3.500 pontos
2 Daniella Rosas (PER) – 2.900
3 Arena Rodriguez Vargas (PER) – 2.600
4 Laura Raupp (BRA) – 2.500
5 Summer Macedo (BRA) – 2.150
6 Larissa Santos (BRA) – 2.025
7 Isabelle Nalu (BRA) – 2.000
8 Sol Carrion (BRA) – 1.500
9 Melanie Giunta (PER) – 1.400
9 Tainá Hinckel (BRA) – 1.400

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.

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