Margaret River Pro 2026

Seis brasileiros nas oitavas

Samuel Pupo é destaque na abertura do Margaret River Pro 2026 e avança com outros cinco brasileiros às oitavas de final. Próxima chamada nesta quinta-feira (16) às 19h50 (de Brasília).

O Margaret River Pro 2026 começou nesta quinta-feira (16) com ondas que chegaram a 3 metros. Como a previsão indicava que este poderia ser o melhor dia de toda a janela, que vai até 26 de abril, a WSL optou por realizar o máximo de baterias possível. No total, foram 28 disputas do Round 1 feminino e das fases 1 e 2 do masculino. Todos os nove brasileiros competiram e seis avançaram às oitavas de final, com destaque para Samuel Pupo. Luana Silva folgou. Ela estreia no segundo round.

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As baterias foram realizadas de maneira simultânea e com duração de 40 minutos. Samuel abriu a segunda fase. A melhor apresentação da bateria aconteceu aos 16 minutos. O brasileiro iniciou a onda com uma boa rasgada, seguida de outra curva menos expressiva e de um forte layback. A atuação valeu 8.10 pontos. O norte-americano Cole Houshmand passou a buscar 9.83 para vencer, mas o máximo que conseguiu foi 6.43, sendo eliminado. Samuel venceu com o maior somatório do dia, 15.50 pontos, contra 11.60 de Cole.

“Foi uma bateria muito boa para começar o evento”, contou Samuel. “Sinto que tudo o que eu planejei funcionou, aconteceu. Meu plano era conseguir uma nota antes da disputa pela prioridade, e eu consegui fazer duas notas altas antes disso começar. Estou feliz por ter um bom início de ano em Bells. Nos últimos anos, tive começos ruins, e isso acabou me colocando em uma sequência negativa de resultados, sem surfar no meu melhor nível. Estou muito amarradão pelo momento do meu irmão Miguel, com a segunda vitória dele. Isso realmente me deixou ainda mais motivado para mostrar o meu melhor surfe. Espero também passar essa energia pra ele e que a gente siga se puxando”.

 

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Os finalistas da etapa anterior, realizada em Bells Beach, também avançaram no dia. O campeão Miguel Pupo venceu o australiano Morgan Cibilic na 16ª bateria da segunda fase, e, no mesmo round, Yago Dora superou Jacob Willcox, também da Austrália.

Os outros brasileiros que avançaram no dia foram Gabriel Medina, Italo Ferreira e João Chianca.


Baixas brasileiras – O Brasil sofreu três baixas no dia. O campeão da prova em 2021, Filipe Toledo, caiu para George Pittar. O aussie chegou aos seis minutos finais da bateria buscando 7.14 para vencer. Ele surfou e, com três ataques, anotou 8.00 e assumiu a liderança. Filipe ainda tentou reagir na sequência, mas precisava de 7.61 e conquistou apenas 4.83 pontos. As outras derrotas brasileiras aconteceram com Alejo Muniz, que perdeu para o australiano Ethan Ewing, e com Mateus Herdy, eliminado ainda na primeira fase pelo convidado da etapa, Jack Thomas, também da Austrália.

 

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“Eu vi o chaveamento da bateria e pensei: ‘meu Deus, de novo vou pegar esses caras’, disse George. “Eu assisto ao Filipe Toledo há anos, desde que eu era mais novo. Ele é incrível nessa onda. É incrível em qualquer lugar e com certeza é um dos meus surfistas favoritos. Eu sabia que seria uma montanha enorme para escalar nessa bateria. Na primeira vez que eu vim aqui, foi o melhor lugar do mundo. Eu me diverti demais, foi incrível em todos os sentidos. E aí, no ano seguinte, eu caí aqui e foi muito difícil. São emoções totalmente contrastantes para mim. Mas voltando agora, eu prefiro me conectar com aquele primeiro ano e, quem sabe, ir um passo além”.

Feminino – Yolanda Hopkins foi a melhor surfista entre as mulheres. A portuguesa venceu a costa-riquenha Brisa Hennessy com o maior somatório da categoria: 12.67 pontos, contra 9.33 da adversária.

“Tem sido uma longa jornada, mas sinto que esse caminho me trouxe até aqui e não acho que exista alguém mais feliz do que eu por chegar ao Tour dos Sonhos”, disse Yolanda. “É o meu sonho desde que comecei a surfar, então estar aqui e realmente vencer uma bateria é incrível. Fiquei muito chateada com Bells, porque adoro aquela onda e ela combina muito com o meu surfe. Foi muito bom voltar e ter ondas sólidas de verdade para mostrar do que sou capaz”.

 

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Próxima chamada e previsão das ondas – A próxima chamada para o Margaret River Pro 2026 acontece nesta quinta-feira, às 19h50 (de Brasília). A previsão indica que as ondas diminuirão para até 1,5 metro e que o vento deve soprar de maral com forte intensidade. As disputas podem recomeçar apenas na manhã de sábado (18) na Austrália, noite de sexta (17) no Brasil, devido ao fuso horário, quando as direitas podem novamente chegar aos 3 metros de altura e o vento deve soprar maral, porém com intensidade fraca a moderada.

Western Australia Margaret River Pro 2026
Round 1 Masculino

1 Jacob Willcox (AUS) 14.93 x 12.40 Oscar Berry (AUS)

2 Jack Thomas (AUS) 15.33 x 12.96 Mateus Herdy (BRA)

3 Liam O’Brian (AUS) 13.83 x 10.10 Callum Robson (AUS)

4 Ramzi Boukhiam (MAR) 13.83 x 11.17 Luke Thompson (AFR)

Round 2

1 Samuel Pupo (BRA) 15.50 x 11.60 Cole Houshmand (EUA)

2 Kanoa Igarashi (JAP) 15.23 x 11.67 Eli Hanneman (HAV)

3 Liam O’Brian (AUS) 14.00 x 9.47 Jordy Smith (AFR)

4 Joel Vaughan (AUS) 12.67 x 11.66 Barron Mamiya (HAV)

5 Crosby Colapinto (EUA) 14.37 x 12.03 Marco Mignot (FRA)

6 Griffin Colapinto (EUA) 14.10 x 10.94 Jack Thomas (AUS)

7 Gabriel Medina (BRA) 13.16 x 8.50 Alan Cleland (MEX)

8 Jack Robinson (AUS) 13.97 x 13.60 Kauli Vaast (FRA)

9 Yago Dora (BRA) 13.67 x 12.93 Jacob Willcox (AUS)

10 Connor O’Leary (JAP) 13.34 x 10.80 Rio Waida (IDN)

11 George Pittar (AUS) 14.90 x 14.03 Filipe Toledo (BRA)

12 Leonardo Fioravanti (ITA) 12.00 x 11.34 Seth Moniz (HAV)

13 Italo Ferreira (BRA) 13.47 x 13.33 Ramzi Boukhiam (MAR)

14 João Chianca (BRA) 12.70 x 12.00Jake Marshall (AUS)

15 Ethan Ewing (AUS) 11.64 x 7.93 Alejo Muniz (BRA)

16 Miguel Pupo (BRA) 12.83 x 6.90 Morgan Cibilic (AUS)

Oitavas de final

1 Samuel Pupo (BRA) x Kanoa Igarashi (JAP)

2 Liam O’Brian (AUS) x Joel Vaughan (AUS)

3 Crosby Colapinto (EUA) x Griffin Colapinto (EUA)

4 Gabriel Medina (BRA) x Jack Robinson (AUS)

5 Yago Dora (BRA) x Connor O’Leary (JAP)

6  George Pittar (AUS) x Leonardo Fioravanti (ITA)

7 Italo Ferreira (BRA) x João Chianca (BRA)

8 Ethan Ewing (AUS) x Miguel Pupo (BRA)
Round 1 Feminino

1 Sally Fitzgibbons (AUS) 11.67 x 10.93 Tya Zebrowski (FRA)

2 Yolanda Hopkins (POR) 12.67 x 9.33 Brisa Hennessy (CRI)

3 Francisca Veselko (POR) 10.00 x 9.50 Bella Kenworthy (EUA)

4 Vahine Fierro (FRA) 11.17 x 9.76 Nadia Erostarbe (ESP)

5 Sawyer Lindblad (EUA) 11.93 x 10.83 Anat Lelior (ISR)

6 Carissa Moore (HAV) 12.50 x 10.24 Alyssa Spencer (EUA)

7 Erin Brooks (CAN) 12.50 x 12.24 Stephanie Gilmore (AUS)

8 Sophie McCulloch (AUS) 8.03 x 7.84 Bronte Macaulay (AUS)

Round 2

1 Gabriela Bryan (HAV) x Yolanda Hopkins (POR)

2 Bettylou Sakura Johnson (HAV) x Sawyer Lindblad (EUA)

3 Caroline Marks (EUA) x Francisca Veselko (POR)

4 Lakey Peterson (EUA) x Erin Brooks (CAN)

5 Molly Picklum (AUS) x Sally Fitzgibbons (AUS)

6 Luana Silva (BRA) x Sophie McCulloch (AUS)

7 Caitlin Simmers (EUA) x Vahine Fierro (FRA)

8 Isabella Nichols (AUS) x Carissa Moore (HAV)

Ranking Masculino
1 Miguel Pupo (BRA) 10.000 pontos
2 Yago Dora (BRA) 7.800
3 Gabriel Medina (BRA) 6.085

4 Griffin Colapinto (EUA) 6.085

5 Samuel Pupo (BRA) 4.745

6 Kanoa Igarashi (JAP) 4.745

7 Barron Mamiya (HAV) 4.745

8 Leonardo Fioravanti (ITA) 4.745

9 George Pittar (AUS) 3.320

10 Filipe Toledo (BRA) 3.320
11 Italo Ferreira (BRA) 3.320

12 Jordy Smith (AFR) 3.320

13 Rio Waida (IND) 3.320

14 Marco Mignot (FRA) 3.320

15 Jake Marshall (EUA) 3.320

16 Alejo Muniz (BRA) 3.320

17 Luke Thompson (AFR) 1.000

18 Ethan Ewing (AUS) 1.000

19 Mateus Herdy (BRA) 1.000

20 Joel Vaughan (AUS) 1.000

21 Connor O’Leary (JAP) 1.000

22 Kauli Vaast (FRA) 1.000

23 Morgan Cibilic (AUS) 1.000

24 João Chianca (BRA) 1.000

25 Crosby Colapinto (EUA) 1.000

26 Eli Hanneman (HAV) 1.000

27 Seth Moniz (HAV) 1.000

28 Cole Houshmand (EUA) 1.000

29 Jack Robinson (AUS) 1.000

30 Alan Cleland (MEX) 1.000

31 Liam O’Brien (AUS) 500

32 Ramzi Boukhiam (MAR) 500

33 Callum Robson (AUS) 500

34 Oscar Berry (AUS) 500

Ranking Feminino

1 Gabriela Bryan (HAV) 10.000

2 Molly Picklum (AUS) 7.800

3 Isabella Nichols (AUS) 6.085

4 Alyssa Spencer (EUA) 6.085

5 Caitlin Simmers (EUA) 4.745

6 Luana Silva (BRA) 4.745

7 Lakey Peterson (EUA) 4.745

8 Bettylou Sakura Johnson (HAV) 4.745

9 Erin Brooks (CAN) 2.000

10 Tyler Wright (AUS) 2.000

11 Carissa Moore (HAV) 2.000

12 Caroline Marks (EUA) 2.000

13 Nadia Erostarbe (ESP) 2.000

14 Anat Lelior (ISR) 2.000

15 Sally Fitzgibbons (AUS) 2.000

16 Francisca Veselko (POR) 2.000

17 Vahine Fierro (FRA) 1.000

18 Tya Zebrowski (FRA) 1.000

19 Bella Kenworthy (EUA) 1.000

20 Yolanda Hopkins (POR) 1.000

21 Brisa Hennessy (CRI) 1.000

22 Sawyer Lindblad (EUA) 1.000

23 Stephanie Gilmore (AUS) 1.000

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.