O Brasil chegou no último dia do Western Australia Margaret River Pro 2026 com quatro dos oitos surfistas vivos no evento, mas os títulos ficaram com a Austrliana e os Estados Unidos. Gabriel Medina perdeu a decisão para o aussie George Pittar e Luana Silva foi derrotada pela norte-americana Lakey Peterson na final. Com o vice na segunda parada do Championship Tour 2026 da World Surf League, Medina assumiu a liderança do ranking. Luana está em quarto lugar.
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As finais aconteceram neste domingo, após uma semana marcada por vento maral e condições difíceis. O mar apresentou ondas limpas com cerca de 1 metro e séries maiores, sob céu aberto e com grande público presente.
Além dos resultados, a etapa teve impacto direto na disputa do ranking e do GWM Aussie Treble 2026. Com o vice-campeonato, Medina assumiu a liderança do ranking mundial masculino, igualando-se a Gabriela Bryan no topo feminino da corrida especial. Para conquistar o prêmio final — um GWM Tank 300 — será necessário mais um grande resultado na Gold Coast, etapa que começa na próxima quinta-feira (30). Gabriela está empatada em pontos com Lakey Peterson, enquanto menos de 1.000 pontos separam Medina, em primeiro, de Pittar e Miguel Pupo, segundo e terceiro colocados, respectivamente.
Medina chega à 33ª final e volta ao topo do mundo – A campanha de Gabriel Medina marcou seu retorno em alto nível após um ano afastado por lesão. Em sua 13ª temporada no Tour, o brasileiro chegou à 33ª final da carreira e reassumiu a liderança mundial — voltando a vestir a lycra amarela pela primeira vez desde o título de 2021.
“Eu só quero agradecer a Deus pela oportunidade; tem sido incrível”, disse Medina. “Tenho aproveitado minha jornada. O ano passado foi difícil, longe das competições, e agora estou de volta. Me sinto bem vestindo a lycra e dando o meu melhor. Está sendo muito bom aqui. Tenho ido às vinícolas, surfado bastante, curtindo e me divertindo. Eu estava um pouco com medo antes de Bells, porque não sabia como seria, estava preocupado, mas agora me sinto bem. Estou feliz com a lycra amarela. Faz tempo, eu senti falta. Estava com um dos meus melhores amigos, o Miguel (Pupo), antes, então vou pegar ela, valeu, Mig. É só uma lycra, sinto que preciso trabalhar ainda mais. O ano está só começando, então vamos nessa”.
Na final, Medina abriu com duas notas pequenas, enquanto Pittar aguardou para escolher melhor as ondas. O australiano assumiu a liderança com 6.17 e, após um erro de prioridade do brasileiro, ampliou com um 9.00 — a maior nota do evento. Medina seguiu tentando, mas não conseguiu atingir a faixa de excelência necessária para virar o confronto.
Luana lidera final, mas sofre virada no fim – No feminino, Luana Silva voltou a mostrar evolução em ondas fortes e chegou ao terceiro vice-campeonato da carreira no CT. A brasileira protagonizou uma final equilibrada contra Lakey Peterson e chegou a assumir a liderança nos minutos finais.
Após trocar notas intermediárias com a americana, Luana encontrou a maior onda da bateria a cerca de cinco minutos do fim e marcou 6.83, a melhor nota da decisão até então. Precisando de 6.01, Peterson respondeu com um combo de duas manobras que rendeu 6.40 e garantiu o título.
“Tem sido um começo de ano incrível”, disse Luana. “Não posso agradecer o suficiente ao Leandro (Dora) e ao Pinguim (Henrique Pinguim), que estão comigo este ano. Eu queria muito ir um passo além, mas se não fosse eu, tinha que ser a Lakey. Ela divide o Leandro comigo. Trabalhamos juntas, ela é minha parceira de treino. É um momento de ciclo completo. Eu costumava assistir ao filme da Lakey, ‘Zero to 100’, na Netflix, e ‘Leave a Message’ da Nike. As partes dela e da Carissa (Moore) eram minhas favoritas. Estou muito feliz por ela. Estou muito satisfeita com minha performance e muito animada para o próximo ano”.
Brasileiros são superados em campanha histórica de Pittar – O título masculino ficou com George Pittar, que construiu uma campanha marcante ao derrotar todos os campeões mundiais presentes no Tour. O australiano iniciou vencendo Filipe Toledo e depois eliminou Yago Dora e Italo Ferreira, antes de superar Medina na final.
“Eu toquei ‘Walking on a Dream’ outro dia de manhã, e foi exatamente assim que essa semana pareceu”, disse Pittar. “Eu nem acredito. Esses confrontos, essa competição, cada bateria parecia impossível. E mesmo assim as ondas vinham para mim nos momentos certos. Tive três baterias seguidas com ondas no último minuto. É loucura. Ano passado eu fui cortado aqui. Antes da final, sentei no mesmo lugar onde estava quando saí do Tour e pensei como tudo é diferente agora. E enfrentar o Medina na final, alguém que admiro desde criança, um competidor absurdo, um gigante para mim… ganhar dele aqui, não tenho muitas palavras. Mas fazer isso diante de todos aqui, sinto que todo mundo na Austrália Ocidental tem sido incrível comigo desde que comecei a vir para cá, e é um lugar muito especial”.
“Estou tremendo agora, cara, foi um sonho completo lá fora”, continuou. “Não acredito que estou segurando essa bandeira agora. Eu precisava acreditar. Não posso mais pensar que sou apenas mais um número no ranking. Quero estar aqui, quero competir, quero estar no topo. Segurar essa bandeira em um fim de semana especial para todos, como o Anzac… descer aqui, ouvir os trompetes ontem de manhã, foi arrepio. Eu olhei aquelas semifinais ontem e era só brasileiros e eu, e pensei: preciso fazer acontecer. É muito difícil ganhar um desses eventos. Não acredito que consegui”.
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Experiência decide e Lakey vence Luana – Lakey Peterson conquistou sua sétima vitória no CT e a segunda em Margaret River, repetindo o feito de 2019. A norte-americana superou uma nova geração de atletas até chegar à final e usou sua experiência para virar a bateria contra Luana nos minutos decisivos.
“Eu não acredito, de verdade. Simplesmente aconteceu essa semana, tudo se encaixou”, disse Lakey. “Quando o oceano trabalha com você, é algo especial. Eu trabalho muito duro, todas nós trabalhamos, então é bom quando isso dá resultado. Estou fazendo isso há muito tempo, e é legal provar para mim mesma que ainda posso vencer esses eventos. Há muita conversa sobre as meninas mais jovens, e elas são incríveis, me pressionam muito, mas eu ainda estou aqui. Eu amo isso aqui. É lindo, maravilhoso. As pessoas são incríveis. Elas aparecem todas as vezes. Vencer duas vezes aqui é um sonho. Se alguém tivesse me dito isso quando eu tinha 10 anos, eu não acreditaria. Qualquer menino ou menina com sonhos, nunca desistam, porque coisas acontecem na vida que você não espera quando continua trabalhando duro”.
“Foi difícil lá fora. É bonito e tem ondas boas, mas é difícil encontrar uma parede com qualidade”, continuou. “É por isso que a gente faz isso. Esses são os momentos. Eu sabia que ela ia conseguir a nota e sabia que teria menos de cinco minutos para tentar de novo. Toda glória a Deus, foi incrível, ele me mandou a onda certa na hora certa. Um grande salve para a Luana. A gente treina junta o tempo todo e ela fez três finais no último ano. Eu disse a ela que a vitória dela está chegando. Ela está surfando muito bem e é uma pessoa incrível. Estou muito feliz, isso foi muito irado”.
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Com dois vice-campeonatos e a liderança mundial com Medina, o Brasil sai de Margaret River como um dos principais protagonistas do início da temporada 2026 do Championship Tour.
Western Australia Margaret River Pro 2026
Final Masculino
George Pittar (AUS) 15.17 x 12.46 Gabriel Medina (BRA)
Semifinais
1 Gabriel Medina (BRA) 14.77 x 13.34 Samuel Pupo (BRA)
2 George Pittar (AUS) 13.16 x 12.16 Italo Ferreira (BRA)
Final Feminino
Lakey Peterson (EUA) 12.23 x 11.83 Luana Silva (BRA)
Semifinais
1 Lakey Peterson (EUA) 12.50 x 9.50 Sawyer Lindblad (EUA)
2 Luana Silva (BRA) 14.27 x 13.66 Caitlin Simmers (EUA)
Ranking Masculino do CT 2026
1 Gabriel Medina (BRA) – 13.885
2 George Pittar (AUS) – 13.320
3 Miguel Pupo (BRA) – 13.320
4 Yago Dora (BRA) – 12.545
5 Samuel Pupo (BRA) – 10.830
6 Griffin Colapinto (EUA) – 9.405
7 Italo Ferreira (BRA) – 9.405
8 Kanoa Igarashi (JAP) – 8.065
9 Leonardo Fioravanti (ITA) – 8.065
10 Crosby Colapinto (EUA) – 5.745
11 Barron Mamiya (HAV) – 5.745
12 Joel Vaughan (AUS) – 5.745
13 Ethan Ewing (AUS) – 5.745
14 Filipe Toledo (BRA) – 4.320
15 Rio Waida (INA) – 4.320
16 Jordy Smith (AFR) – 4.320
17 Marco Mignot (FRA) – 4.320
18 Joao Chianca (BRA) – 4.320
19 Jake Marshall (EUA) – 4.320
20 Connor O’Leary (JAP) – 4.320
21 Jack Robinson (AUS) – 4.320
22 Alejo Muniz (BRA) – 4.320
23 Liam O’Brien (AUS) – 3.820
24 Kauli Vaast (FRA) – 2.000
25 Eli Hanneman (HAV) – 2.000
26 Seth Moniz (HAV) – 2.000
27 Cole Houshmand (EUA) – 2.000
28 Morgan Cibilic (AUS) – 2.000
29 Alan Cleland (MEX) – 2.000
30 Ramzi Boukhiam (MAR) – 1.500
31 Luke Thompson (AFR) – 1.500
32 Mateus Herdy (BRA) – 1.500
33 Callum Robson (AUS) – 1.000
34 Oscar Berry (AUS) – 1.000
Ranking Feminino do CT 2026
1 Gabriela Bryan (HAV) – 14.745
2 Lakey Peterson (EUA) – 14.745
3 Molly Picklum (AUS) – 12.545
4 Luana Silva (BRA) – 12.545
5 Caitlin Simmers (EUA) – 10.830
6 Isabella Nichols (AUS) – 8.085
7 Alyssa Spencer (EUA) – 7.085
8 Sawyer Lindblad (EUA) – 7.085
9 Carissa Moore (HAV) – 6.745
10 Caroline Marks (EUA) – 6.745
11 Bettylou Sakura Johnson (HAV) – 6.745
12 Erin Brooks (CAN) – 4.000
13 Sally Fitzgibbons (AUS) – 4.000
14 Francisca Veselko (POR) – 4.000
15 Vahine Fierro (FRA) – 3.000
16 Nadia Erostarbe (ESP) – 3.000
17 Anat Lelior (ISR) – 3.000
18 Yolanda Hopkins (POR) – 3.000
19 Tyler Wright (AUS) – 3.000
20 Tya Zebrowski (FRA) – 2.000
21 Bella Kenworthy (EUA) – 2.000
22 Brisa Hennessy (CRC) – 2.000
23 Stephanie Gilmore (AUS) – 2.000


















