CBSurf Pro

Herdy é campeão brasileiro

Mateus Herdy e Silvana Lima vencem Brasileiro Profissional no CBSurf Pro 2021, na Praia da Tiririca, Itacaré (BA).
Mateus Herdy, CBSurf Pro 2021, Praia da Tiririca, Itacaré (BA)

Mateus Herdy deu mais um show de surfe nesta quinta-feira (16), para superar nomes de peso do surfe brasileiro e conquistar o título de campeão profissional da CBSurf 2021. Em uma final eletrizante na Praia da Tiririca (BA), o catarinense abusou das suas armas mais letais para encerrar o ano com o seu melhor resultado já conquistado no evento.

“Foi um evento irado. Eu comecei passando as baterias em segundo, mas ontem virou a chave e eu consegui achar um 9,90 que me deu confiança. Hoje eu acordei bem e queria muito ganhar. Estou sem acreditar! Esse ano foi difícil pra mim. Acabei não me classificando (para o CT) e ter vindo para esse último evento e vencido foi muito bom. Foi um evento muito importante para a minha vida nesse momento”, declara o campeão.

Na segunda colocação ficou o atleta Samuel Igo, que comemorou o resultado no melhor estilo.

“Que bateria! Nomes de alto nível no cenário do surfe nacional e mundial. Eu continuei com minha estratégia, acreditando que ia vir a minha onda. Não consegui pegar a última, mas estou muito feliz de ter feito essa final, ainda mais em um campeonato brasileiro, que eu considero um dos mais difíceis do mundo. Estou muito feliz. Vice-campeão brasileiro e me sinto cada vez mais próximo de conquistar meus objetivos”, comenta Samuel Igo.

Na terceira colocação ficou Michael Rodrigues, com Daniel Adisaka em quarto.

Silvana é campeã

Entre as mulheres a grande campeã foi Silvana Lima. Acostumada aos pódios em Itacaré, Silvana lançou mão de toda a experiência reunida em seus 37 anos de praia e vários bons resultados na Praia da Tiririca para conquistar o lugar mais alto do pódio entre as mulheres.

“Tudo certo. Estou superfeliz. Mais um ano que a gente fecha com chave de ouro. Ano passado ganhei a última etapa e estou novamente aqui em Itacaré pra mais uma final e só tenho a agradecer a todos que estavam na torcida”, celebra Silvana logo após o término da bateria.

“Todo mundo ama Itacaré. Competir com essa nova geração que vem chegando com tudo me motiva a treinar ainda mais para continuar competindo, que é a coisa que mais gosto de fazer. Agora, vou com tudo para o QS em busca de recuperar a minha vaga no CT”.

Na segunda colocação ficou a jovem paulista Naire Marquez, que não conteve a alegria com o impressionante resultado conquistado com apenas 15 anos de idade.

“Eu estou muito, muito, muito feliz em ter podido vir pra cá. Foi o meu melhor resultado em um evento profissional da CBSurf. Ainda tenho a Sub 18 e a Sub 16 no Junior, que começa logo mais. É uma inspiração para mim poder surfar com a meninas, a Bela, a Tainá, a Silvana e não só as que chegaram na Final, pois o nível está muito alto. Esse evento foi incrível e eu espero que tenham mais campeonatos assim ano que vem”, diz Naire.

Em terceiro ficou Tainá Hinckel, com Isabelle Nalu completando o pódio na quarta colocação.

CBSurf Junior 2021

Agora chegou a hora de definir o Ranking Brasileiro da CBSurf 2021 nas categorias de base, Sub 18, Sub 16 e Sub 14, Masculino e Feminino..O evento vai de 16 a 19 de dezembro e promete revelar os novos talentos que despontarão no surfe brasileiro e mundial nos próximos anos.

Resultados
Masculino Pro
1 Mateus Herdy (SC)
2 Samuel Igo (PB)
3 Michael Rodrigues (CE)
4 Daniel Adisaka (SP)

Feminino Pro
1 Silvana Lima (CE)
2 Naire Martinez (SP)
3 Tainá Hinckel (SC)
4 Isabella Nalu (SC)

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.