Surf Brasil Master 2026

Segunda etapa termina quinta

Chuva com ventos fortes voltam a paralisar competição na tarde desta quarta-feira (22) depois de 27 baterias disputadas na Praia dos Náufragos em Aracaju.
Surf Brasil Master 2026, Praia dos Náufragos, Aracaju (SE)

O Surf Brasil Master fecha nesta quinta-feira (23), a segunda das três etapas que decidem os primeiros títulos brasileiros da temporada em Aracaju. A chuva intensa com ventos fortes, voltou a paralisar a competição na tarde da quarta-feira (22) na Praia dos Náufragos, como na terça-feira (21) pela manhã. Para recuperar o tempo, a duração das baterias foi reduzida de 20 para 15 minutos e foi possível realizar 27 até as 15h30, quando desabou outro temporal na capital de Sergipe. A quinta-feira vai começar com a continuação das oitavas de final da categoria 40+, ao vivo pelo Canal Woohoo e pelo Surf Brasil TV no YouTube, que pode ser acessado no site SurfBrasil.org.br.

Essa mesma divisão principal do Surf Brasil Master, dos surfistas com 40 anos ou mais de idade, foi interrompida na terça-feira, com as três últimas baterias da primeira fase ficando para abrir a quarta-feira em Aracaju. O dia amanheceu com boas condições, vento terral e ondas bem formadas na Praia dos Náufragos. Após as três baterias da rodada inicial da categoria 40+, foram realizadas as 16 da primeira fase da 50+, as seis da 60+ e as duas primeiras das oitavas de final da 40+. Todas as 27 baterias rolaram com apenas 15 minutos de duração, como nos tempos dos antigos circuitos brasileiros amadores.

“Estou feliz de ter avançado mais uma bateria. Não foi do jeito que eu planejei, mas o importante era passar”, disse Victor Ribas, após vencer a oitava bateria da 50+. “Choveu muito ontem, aí hoje tava esse vento terral, ficou bonito o mar, a onda lisinha, certinha, só que o vento virou pra ladal e aí mudou tudo, o mar ficou bem ruim. Mas, o importante é estar vivo na competição, porque hoje não foi fácil não se virar nos 15 (minutos). Estava até me sentindo naquela fase de campeonatos amadores. Foi uma volta no tempo, mas seguimos vivos na competição e é isso que importa”.

Victor Ribas é uma das estrelas do Surf Brasil Master que já representaram o país na elite do surf mundial. Ele foi o número 3 do mundo no CT em 1999, melhor posição de um brasileiro antes do primeiro título mundial do Gabriel Medina em 2014. Vitinho já venceu duas etapas da categoria Master em Sergipe, em 2023 em Itaporanga D´Ajuda e no ano passado em Estância. Ele chegou perto do tricampeonato, mas ficou em segundo lugar na vitória do atual campeão brasileiro 50+, Fabio Gouveia, na primeira etapa encerrada na segunda-feira em Aracaju.

Jeronimo Bomfim carimbando a faixa do campeão Fabio Gouveia – O paraibano é um dos grandes ídolos do passado, que pavimentaram o caminho para o Brasil ser hoje a maior potência do surf mundial. Fabinho conquistou seu segundo título de campeão brasileiro Master no ano passado, vencendo as duas últimas etapas realizadas em Santa Catarina, em Itapoá e Navegantes. Ele manteve a invencibilidade na primeira etapa do Surf Brasil Master em Sergipe, mas na quarta-feira teve sua faixa carimbada pelo baiano Jeronimo Bomfim. Mesmo assim, Fabio Gouveia avançou para as oitavas de final em segundo lugar na bateria, eliminando o pernambucano Ayrton Almeida.

“Lá dentro do mar, está muito difícil de achar as ondas. É aquela correria, rema pra cá, rema pra lá, aí peguei uma legal no meio da bateria que fortaleceu minha pontuação”, contou Jeronimo Bomfim, que já venceu uma etapa Master em Sergipe, em 2024 em Itaporanga D´Ajuda, mas tinha perdido para o mesmo Fabio Gouveia em sua estreia na primeira etapa em Aracaju. “No finalzinho da bateria, uma onda subiu pra mim, remei com toda força, aí consegui entrar nela pra fazer meu surfe. Eu forcei o máximo que eu pude e dessa vez consegui virar pro primeiro lugar, graças a Deus”.

Vitórias sergipanas com duas dobradinhas na categoria 50+ – Outro destaque nas baterias de 15 minutos da primeira fase 50+, foi o sergipano Romeu Cruz. Ele foi até as semifinais da primeira etapa do Surf Brasil Master na segunda-feira e está na briga direta pelo título brasileiro, que seria inédito para o estado de Sergipe. Romeu venceu a 13ª das 16 baterias com o maior placar da categoria 50+ até ali, 10,50 pontos, com um dos atletas que ele treina, Gildeon Reis, garantindo uma dobradinha sergipana sobre o baiano Dalmo Meireles.

“É um prazer imenso estar competindo novamente no Surf Brasil Master e, pra mim, é uma honra estar com os melhores surfistas do Brasil que fizeram história no mundo também”, destacou Romeu Cruz. “O mar está um pouco difícil, mas fico feliz em ter passado junto com o Gil Reis, que é meu atleta. Na bateria que eu perdi ontem, fiquei esperando muito pelas ondas boas, mas elas não vieram e isso serviu como lição. Hoje comecei a surfar mais embaixo do pico, a pegar mais ondas e foi uma tática certa. Peguei uma prancha quadriquilha que encaixou bem com esse tipo de onda e deu tudo certo, então estou superfeliz”.

Tady começa a defender a liderança do ranking 60+ com vitória – Outra dobradinha sergipana vencedora na primeira fase 50+, já havia acontecido na quinta bateria, com Edson Papagaio e Marcelo Resende eliminando outro baiano, Esdras Santos. E na categoria 60+, o único representante de Sergipe também estreou com vitória na segunda etapa do Surf Brasil Master na quarta-feira. Tady ganhou a primeira etapa e começou a defender a liderança do ranking derrotando o baiano Paulo Falcon e o único surfista do Rio Grande do Sul no evento, Angelo Gulea. Tady agora vai enfrentar dois catarinenses nas quartas de final, Rubens Farias e Saulo Lyra.

“A primeira bateria do evento, é sempre a mais complicada, porque a gente ainda não está sintonizado no tempo, no pico. Mas depois que o sangue esquenta, tudo funciona dentro da normalidade”, analisou Tady, que também tenta conquistar o primeiro título brasileiro de surfe para o estado de Sergipe. “Fico feliz que já tem uma galera aqui na praia, mesmo em um dia de trampo normal, com colégio. Daqui a pouco chega minha filhona, meu filho que é meu coach já está aqui, então vamos aproveitar bastante e desfrutar das coisas boas que a vida nos proporciona”.

Campeão mundial master vence a última bateria da quarta-feira – Após completar as primeiras fases das categorias 40+, 50+ e 60+, foi iniciada as oitavas de final da 40+, quando os temporais começaram a interromper a competição. A primeira bateria teve que ser interrompida e só depois de mais de meia hora, os atletas retornaram ao mar. A paralisação não mudou as primeiras classificações para as quartas de final, que ficaram com o cearense Felipe Martins e o potiguar Rodrigo Jorge. A segunda bateria acabou sendo a última do dia e o atual campeão mundial Master, Diego Rosa, conseguiu sua primeira vitória, com o cearense Itim Silva avançando junto com o catarinense.

“Eu acabei não indo bem na primeira etapa, mas não fiquei me culpando e tirei isso como um vídeo-game, que tivesse três vidas e perdi a minha primeira”, simplificou Diego Rosa. “Eu continuo vivo na competição e acho que a gente tem que manter a positividade. Eu venho treinando até mais agora, do que em 2024, quando fui campeão brasileiro e campeão mundial. Tenho certeza de que com 44 anos, estou na melhor fase física da minha vida e acredito que os resultados devem aparecer, conforme as oportunidades irem pintando. A primeira etapa já é passado, agora é o presente e já pensando no futuro”.

Surf Brasil promove curso de juízes de surfe na capital de Sergipe – Aproveitando a realização da decisão dos títulos brasileiros da categoria Master na capital de Sergipe, a Surf Brasil está promovendo pela segunda vez no estado, um curso de juízes de surfe ministrado pelo superexperiente e conhecido mundialmente, Jordão Bailo Junior. O objetivo é descobrir, preparar e capacitar novos integrantes para o quadro de árbitros de surfe no país e esse em Aracaju, especialmente para quem mora na Região Nordeste.

A Surf Brasil já realizou um curso de juízes com o mesmo catarinense Jordão Bailo em Sergipe em 2022, igualmente com suas despesas de viagem, hospedagem e alimentação, bem como da organização do evento, custeadas pela entidade máxima do surfe brasileiro. O curso é totalmente gratuito para até 30 pessoas e será realizado nesta quarta-feira e quinta-feira, das 20h00 às 22h00 na Sala Pirambu do Arcus Hotel by Atlantica em Aracaju.

O Surf Brasil Master 2026 é mais uma realização de Surf Brasil e conta com patrocínio da Prefeitura de Aracaju pela Secretaria Municipal da Juventude e do Esporte (SEJESP) e do Governo do Estado de Sergipe através da Secretaria do Esporte e Lazer. O evento tem a Federação Sergipana de Surf (FSS) como parceira na organização e co-patrocínios e apoios de JISK, Arcus Hotel by Atlantica, Rei Beach Lounge Bar, Surfland Garopaba, Só Coco, Suntech e Brazilian Tiger Balm. A competição está sendo transmitida ao vivo pelo Canal Woohoo e pelo Surf Brasil TV no YouTube que pode ser acessado no site SurfBrasil.org.br.

Baterias do Surf Brasil Master em Sergipe
(entre parênteses o estado que representa nas competições)

Baterias que vão abrir a quinta-feira em Aracaju
40+ Oitavas de final
3º=17º lugar (400 pts) e 4º=25º lugar (360 pts)

As 2 primeiras fecharam a quarta-feira

3 Thiago de Sousa (CE), Saulo Carvalho (PB), André Zanini (SC), Fellipe Ximenes (SC)

4 Flavio Costa (RJ), Isaias Silva (CE), Rogerio Galvão (PE), Duda Carneiro (CE)

5 Edvan Silva (CE), Angelino Santos (RJ), Gildeon Reis (SE), Fred Vilela (AL)

6 Alan Donato (PE), Claudio Freitas (RJ), Edson Costa (PE), Jeova Rodrigues (CE)

7 Marcio Farney (CE), José Junior (RN), Bruno Padilha (PB), Marcio Leal (SC)

8 Paulo Germano (PB), Klinger Peixoto (AL), Wilson Nora (BA), Jayme Pereira (SP)

50+ Oitavas de final
3º=17º lugar (400 pts) e 4º=25º lugar (360 pts)

1 Gilberto Araujo (AL), Mauricio Weyll (BA), Leonel Brizola (RJ), Cardoso Junior (CE)

2 Rodrigo Jorge (RN), Ivan Medeiros (RN), Paulo Germano (PB), Silverio Jorge Silver (SC)

3 Edson Papagaio (SE), Fernando Conceição (PE), Ademar Neto (BA), Edson Vieira (SP)

4 Victor Ribas (RJ), Marcelo Alves (BA), Sergio Noronha (RJ), Marcelo Resende (SE)

5 Luciano Alemão (SC), Jeronimo Bomfim (BA), Wagner Augusto (RN), Saulo Carvalho (PB)

6 Fabio Gouveia (PB), Rogerio Dantas (CE), Flavio Sukita (CE), Alessandro Macedo (RN)

7 Romeu Cruz (SE), Roni Ronaldo (SC), Crhistiano Spirro (BA), Fred Vilela (AL)

8 João Maria (RN), Igor Mathey (SP), Armando Maciel (SC), Gildeon Reis (SE)

60+ Quartas de final
3º=9º lugar com 500 pontos

1 Edson Vieira (SP), Cardoso Junior (CE), Davi Filho (SC)

2 Carlos Pereira (AL), Walter Paes (RJ), Francisco Moura (RN)

3 Tady (SE), Rubens Farias (SC), Saulo Lyra (SC)

4 William Diegues (SP), Claudio Marroquim (PE), Paulo Falcon (BA)

Resultados da quarta-feira na Praia dos Náufragos
40+ Primeira fase
3º=33º lugar (320 pts) e 4º=49º lugar (240 pts)

As 13 primeiras baterias aconteceram na terça-feira

14 1-Klinger Peixoto (AL), 2-Marcio Leal (SC), 3-Rogerio Dantas (CE), 4-Igor Mathey (SP)

15 1-Bruno Padilha (PB), 2-Paulo Germano (PB), 3-Victor Araujo (CE), 4-Jonatas Rangel (RJ)

16 1-Jayme Pereira (SP), 2-Marcio Farney (SC), 3-Claudemir Bibi Lima (RJ), 4-Alexandre Henrique (PB)

50+ Primeira fase
3º=33º lugar (320 pts) e 4º=49º lugar (240 pts)

1 1-Gilberto Araujo (AL), 2-Silverio Jorge Silver (SC), 3-Daniel Leça (RJ)

2 1-Paulo Germano (PB), 2-Mauricio Weyll (BA), 3-Rafael Guimarães (SC), 4-Chico Lavigne (BA)

3 1-Leonel Brizola (RJ), 2-Ivan Medeiros (RN), 3-Alexandre Henrique (PB), w.o-Inaldo Segundo (BA)

4 1-Rodrigo Jorge (RN), 2-Cardoso Junior (CE), 3-Jonatas Rangel (RJ)

5 1-Edson Papagaio (SE), 2-Marcelo Resende (SE), 3-Esdras Santos (BA), w.o-Duda Tedesco (RJ)

6 1-Marcelo Alves (BA), 2-Edson Vieira (SP), 3-Michell Silva (PE)

7 1-Fernando Conceição (PE), 2-Sergio Noronha (RJ), 3-Jofrey Seibel (SC), 4-Tadeu Cunha (AL)

8 1-Victor Ribas (RJ), 2-Ademar Neto (BA), 3-Augusto Melo (SE)

9 1-Jeronimo Bomfim (BA), 2-Fabio Gouveia (PB), 3-Ayrton Almeida (PE)

10 1-Alessandro Macedo (RN), 2-Saulo Carvalho (PB), 3-Carlos Malheiros (PE), 4-Bruno Grilo (RN)

11 1-Luciano Alemão (SC), 2-Rogerio Dantas (CE), 3-Robson Vinhas (BA)

12 1-Flavio Sukita (CE), 2-Wagner Augusto (RN), 3-Alvaro Bacana (MA)

13 1-Romeu Cruz (SE), 2-Gildeon Reis (SE), 3-Dalmo Meireles (BA)

14 1-Armando Maciel (SC), 2-Roni Ronaldo (SC), 3-Alexandre Felicio (SP), 4-Sandro Rohden (SC)

15 1-Crhistiano Spirro (BA), 2-Igor Mathey (SP), 3-Davy Cristian (SE), 4-Helvecio Santos (SE)

16 1-João Maria (RN), 2-Fred Vilela (AL), 3-Alan Toledo (RJ)

60+ Primeira fase
3º=13º lugar (450 pts) e 4º=19º lugar (390 pts)

1 1-Cardoso Junior (CE), 2-Walter Paes (RJ), 3-Wlamir Reis (SP), 4-Pedro Sobrinho (RN)

2 1-Carlos Pereira (AL), 2-Davi Filho (SC), 3-Gama (SC), 4-Jaime Farinha (PE)

3 1-Edson Vieira (SP), 2-Francisco Moura (RN), 3-Jorge Bittencourt (BA)

4 1-Tady (SE), 2-Paulo Falcon (BA), 3-Angelo Gulea (RS)

5 1-Claudio Marroquim (PE), 2-Saulo Lyra (SC), 3-Marco Leleu (RN), 4-Zenato (RJ)

6 1-Rubens Farias (SC), 2-William Diegues (SP), 3-Roberto Campos (BA), 4-Jaguaracy Gloria (BA)

40+ Oitavas de final
3º=17º lugar (400 pts) e 4º=25º lugar (360 pts)

1 1-Felipe Martins (CE), 2-Rodrigo Jorge (RN), 3-Adriano Lemos (SC), 4-Akio Saito (SP)

2 1-Diego Rosa (SC), 2-Itim Silva (CE), 3-Manoel de Assis (PE), 4-Cristiano Rosario (SP)

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.