Surf Brasil Master 2026

Dez têm chances

Cearenses Edvan Silva e Felipe Martins lutam pelo troféu nacional da categoria 40+, na 50+ restaram 5 candidatos e na 60+ apenas 3 podem ser campeão em Aracaju.
Surf Brasil Master 2026, Praia dos Náufragos, Aracaju (SE)

O Surf Brasil Master chega no domingo decisivo com 10 concorrentes aos primeiros títulos brasileiros da temporada 2026 na capital de Sergipe. Apenas os cearenses Edvan Silva e Felipe Martins lutam pelo troféu da categoria 40+, na 50+ o líder Victor Ribas reduziu para cinco o número de candidatos e só três podem ser campeão na 60+, que continua com o sergipano Tady na dianteira. A batalha final pelos títulos promete ser emocionante e será transmitida ao vivo da belíssima Praia dos Náufragos em Aracaju, pelo Canal Woohoo e pelo Surf Brasil TV no YouTube, que pode ser acessado no site SurfBrasil.org.br.

A lista dos 10 surfistas que vão disputar os primeiros troféus de campeão brasileiro do Surf Brasil em 2026, é iniciada pelos cearenses Edvan Silva e Felipe Martins na categoria principal, dos competidores com 40 anos ou mais de idade. Na 50+ são cinco na briga do título, o cabo-friense Victor Ribas, o sergipano Romeu Cruz, o alagoano Gilberto Araujo, o paraibano e atual campeão Fabio Gouveia e o baiano Marcelo Alves. E os três candidatos na categoria das lendas com 60 anos, são o sergipano Tady, o cearense Cardoso Junior e o paulista Edson Vieira.

O Surf Brasil Master está apresentando a verdadeira rica história do surf brasileiro neste novo formato de competição inaugurado no sábado passado, que reuniu 125 surfistas de 12 estados do país, alguns que formaram o antigo “Brazilian Nuts”, primeira geração de brasileiros que assombraram o cenário internacional, como Fabio Gouveia, Victor Ribas, Neco Padaratz. O sábado já foi adrenalizante na Praia dos Náufragos, com vários confrontos decisivos sendo disputados em alto nível pelos ídolos do passado, que pavimentaram o caminho para o Brasil ser hoje a maior potência do surf mundial.

Fabio Gouveia é o atual campeão brasileiro da categoria 50+ e venceu a primeira das três etapas do Surf Brasil Master 2026 em Aracaju. O líder do ranking agora é Victor Ribas, mas Fabinho ainda está na briga pelo bicampeonato consecutivo. A sua bateria das oitavas de final ficou para abrir o domingo, contra os também campeões brasileiros Rogerio Dantas (CE) e Alvaro Bacana (MA), além do Luciano Alemão (SC). Outro dos cinco concorrentes ao título 50+ é o alagoano Gilberto Araujo, que fecha as oitavas de final com o potiguar Ivan Medeiros e os baianos Ademar Neto e Esdras Santos.

Os outros três candidatos da 50+ já passaram para as quartas de final, nas últimas baterias do sábado na Praia dos Náufragos. Dois deles foram os primeiros a se classificar, com o baiano Marcelo Alves derrotando três sergipanos. O número 3 do ranking, Romeu Cruz, avançou junto com ele e tirou quatro concorrentes ao título brasileiro. Outros dois também competiram juntos, mas o vice-líder Flavio Sukita e Leonel Brizola perderam para o carioca Sergio Noronha e para o paraibano Paulo Germano e também saíram da briga. Já o líder Victor Ribas, acabou com as chances de mais quatro com a vitória na quinta oitava de final.

“Eu troquei a prancha na hora certa e competir aqui não é fácil. Primeiro que tem excelentes atletas, a corrida do título tá difícil pra caramba e o vice-líder tinha acabado de perder antes de mim. Aí fiquei um pouco tenso, mas respirei fundo para ir com calma e deu tudo certo”, contou Victor Ribas. “Eu me concentrei para fazer o que sempre fiz desde criança, que é competir. O mar é difícil aqui, a arrebentação é muito longe e me lembrou os tempos de amador, porque pela distância, não dá pra escutar nada das notas. Graças a Deus, peguei bastante ondas, fiz manobras de borda, rasgadas, cutbacks, um cardápio bem diferenciado pros juízes me darem boas notas”.

Surfistas da geração Brazilian Nuts no Surf Brasil Master – Victor Ribas foi o terceiro melhor do mundo no CT em 1999, melhor posição de um brasileiro antes do Gabriel Medina ganhar seu primeiro título mundial em 2014. Vitinho já foi campeão brasileiro profissional e tenta agora ser campeão brasileiro Master pela primeira vez, para representar o Brasil no Mundial Master da ISA em 2027. O carioca Sergio Noronha tirou dois concorrentes dele duas baterias antes e é de uma geração até anterior a dele. Ele já tem dois títulos no Master, das categorias 50+ e a extinta 55+ e foi o brasileiro mais bem colocado no primeiro Hang Loose Pro Contest da história, em 1986 na Praia da Joaquina, em Florianópolis.

“Eu consegui pegar duas ondas que me levaram a primeira colocação e foi uma bateria dura com atletas muito bons, então estou feliz pela vitória”, disse Sérgio Noronha. “Esse ano é uma configuração nova no Master, achei a ideia do Surf Brasil excelente, de minimizar os custos pros atletas, mas seria muito interessante que essa mesma competição tripla acontecesse em outros locais, com etapas talvez em Saquarema, Ubatuba, Joaquina, Paracuru, Backdoor na Bahia, para engrandecer o esporte”.

Sergio Noronha destacou um ponto importante na sua sugestão: “Nós somos um país de pouca memória, então muitos de nós aqui, o Victor Ribas, Fabio Gouveia, Neco Padaratz, o Teco nosso presidente que não compete mais, foi essa geração que botou o Brasil no mundo. A gente era os Brazilian Nuts, bem antes do Brazilian Storm, então o Brasil precisa conhecer essa geração, precisa saber que nós sedimentamos esse caminho que hoje o Gabriel Medina, Filipe Toledo, estão trilhando. É preciso preservar a história do surf nacional e isso é maravilhoso pra nós surfistas, nos sentirmos valorizados pelo que fizemos lá atrás”.

Categoria master apresenta a rica história do surfe brasileiro – Desde que foi eleito presidente da Confederação Brasileira de Surf pela primeira vez em 2022, uma das metas de Teco Padaratz era resgatar a categoria Master, passando a promover mais campeonatos com boas premiações e isso motivou muitos surfistas a voltarem a competir. Fabio Gouveia, Victor Ribas, Jojó de Olivença, Neco Padaratz e o próprio Sergio Noronha, são alguns exemplos. Incentivou também outros surfistas de gerações mais recentes a alongarem suas carreiras, como os cearenses Edvan Silva e Felipe Martins, que estão na briga pelo título na principal categoria, dos surfistas com 40 anos de idade.

Ambos ainda competem no Campeonato Brasileiro Profissional e participaram da abertura do Surf Brasil Pro 2026, realizada em fevereiro na Praia da Taíba, em São Gonçalo do Amarante, no Ceará. E vão competir também na segunda etapa, que será disputada entre os dias 9 e 17 de maio em Porto de Galinhas, no município do Ipojuca, em Pernambuco. O sábado começou com seis concorrentes ao título brasileiro 40+, até o líder Edvan Silva tirar quatro da briga com a classificação para as quartas de final, aumentando para 10 o seu recorde de baterias vencidas nas ondas da Praia dos Náufragos, desde o sábado passado.

“Eu nem sabia disso, só queria surfar bateria por bateria. Deus está me dando essa oportunidade de ir avançando e estou muito feliz por isso”, disse Edvan Silva. “Estou feliz também pelo Felipe Martins estar na briga do título comigo. Ele é lá da terrinha também e a gente sempre se pega desde os tempos de amador no circuito estadual do Ceará. Mais uma vez, quero agradecer a todos que fizeram essa corrente para eu chegar aqui, minha família, minha esposa, meu filho, o pessoal lá da minha escolinha Edvan Silva Surf School. Estou feliz e eu só quero surfar, me divertir e é isso aí”.

Cearenses dominam a principal categoria do Surf Brasil Master – Edvan Silva ganhou a primeira etapa do Surf Brasil Master na segunda-feira e foi vice-campeão na segunda, vencida por Felipe Martins na quinta-feira. Com a vitória sobre o baiano Wilson Nora, o pernambucano Rogerio Galvão e o sergipano Akma no sábado, Edvan acabou com as chances de quatro concorrentes ao título brasileiro 40+, o atual campeão Marcio Farney, o também cearense Itim Silva, o potiguar José Junior e o baiano Flavio Costa. Na bateria anterior, Felipe Martins já havia passado para as quartas de final em primeiro lugar, contra o pernambucano Alan Donato, o cearense Duda Carneiro e o grande ídolo de toda essa geração, o catarinense Neco Padaratz, que se despediu da competição.

“Eu nem to muito ligado nisso de título ainda, porque sei que tem um longo caminho até a final. Meu foco é fazer a final e, se for da vontade de Deus, se Ele me abençoar, vai dar tudo certo”, disse Felipe Martins. “Eu to confiante, a prancha tá top, tá mágica essa prancha do Joca Secco, realmente é o meu foguete e se encaixou muito bem nessas condições do mar aqui. A gente tá indo aí de bateria em bateria, fazendo nosso trabalho e só eu sei o esforço que to fazendo essa semana toda aqui. Hoje é o oitavo dia de competição, o corpo às vezes bate o cansaço, mas sigo firme e forte na busca por esse título”.

Nas quartas de final, Felipe Martins vai disputar a terceira bateria com os também cearenses Isaias Silva e Thiago de Sousa, além do potiguar José Junior, vice-campeão brasileiro no ano passado. Edvan Silva entra no confronto seguinte com mais dois surfistas do Ceará, o campeão de 2025, Marcio Farney, Angelino Santos e o paulista Akio Saito. Os cearenses conquistaram metade das 16 vagas para as quartas de final. Os outros classificados foram Itim Silva para a primeira bateria e Jeova Rodrigues que está na última.

Tady busca um título inédito para sergipe na categoria 60+ – Enquanto na categoria 40+ só restaram dois concorrentes ao título brasileiro, na 60+ só ficaram três dos seis que estavam na disputa. O sergipano Tady lidera o ranking e tirou metade da briga quando passou a sua primeira bateria nesta terceira e última etapa do Surf Brasil Master 2026 na sua casa. Ela foi vencida pelo carioca Zenato, mas Tady avançou em segundo, eliminando o gaúcho Angelo Gulea. Com isso, acabou com as chances do pernambucano Claudio Marroquim, do alagoano Carlos Pereira e do paulista William Diegues.

Agora, os únicos que podem impedir que Tady se torne o primeiro surfista de Sergipe a ser campeão brasileiro de surf, são o cearense Cardoso Junior e o paulista Edson Vieira. Os dois venceram as suas baterias no sábado e vão se enfrentar na primeira quarta de final, completada pelo catarinense Gama. Tady vai disputar as duas últimas vagas para as semifinais, com o alagoano Carlos Pereira e o potiguar Chicó Moura. Tady foi o campeão da primeira etapa do Surf Brasil Master 2026 na segunda-feira e foi vice-campeão na segunda, encerrada com vitória do cearense Cardoso Junior na quinta-feira.

O Surf Brasil Master 2026 é mais uma realização de Surf Brasil e conta com patrocínio da Prefeitura de Aracaju pela Secretaria Municipal da Juventude e do Esporte (SEJESP) e do Governo do Estado de Sergipe através da Secretaria do Esporte e Lazer. O evento tem a Federação Sergipana de Surf (FSS) como parceira na organização e co-patrocínios e apoios de JISK, Arcus Hotel by Atlantica, Rei Beach Lounge Bar, Surfland Garopaba, Só Coco, Suntech e Brazilian Tiger Balm. A competição está sendo transmitida ao vivo pelo Canal Woohoo e pelo Surf Brasil TV no YouTube que pode ser acessado no site SurfBrasil.org.br.

Baterias que abrem o domingo do Surf Brasil Master
(entre parênteses o estado que representa nas competições)

50+ Oitavas de final
3º=17º lugar (400 pontos) e 4º=25º lugar (360 pts)

As 6 primeiras baterias fecharam o sábado

7 Fabio Gouveia (PB), Rogerio Dantas (CE), Luciano Alemão (SC), Alvaro Bacana (MA)

8 Gilberto Araujo (AL), Ivan Medeiros (RN), Ademar Neto (BA), Esdras Santos (BA)

60+ Quartas de final
3º=9º lugar com 500 pontos

1 Cardoso Junior (CE), Edson Vieira (SP), Gama (SC)

2 William Diegues (SP), Paulo Falcon (BA), Saulo Lyra (SC)

3 Rubens Farias (SC), Jaime Farinha (PE), Zenato (RJ)

4 Tady (SE), Carlos Pereira (AL), Francisco Moura (RN)

50+ Quartas de final
3º=9º lugar (500 pontos) e 4º=13º lugar (450 pts)

1 Marcelo Alves (BA), Crhistiano Spirro (BA), Fernando Conceição (PE), Sergio Noronha (RJ)

2 Romeu Cruz (SE), Paulo Germano (PB), Roni Ronaldo (SC), Fred Vilela (AL)

3 Victor Ribas (RJ), Mauricio Weyll (BA) e mais 2 a definir nas oitavas de final

4 Rodrigo Jorge (RN), Jeronimo Bomfim (BA) e mais 2 a definir nas oitavas de final

40+ Quartas de final
3º=9º lugar (500 pontos) e 4º=13º lugar (450 pts)

1 Itim Silva (CE), Alan Donato (PE), Diego Rosa (SC), Jeff Toco (SC)

2 Felipe Martins (CE), José Junior (RN), Thiago de Sousa (CE), Isaias Silva (CE)

3 Edvan Silva (CE), Marcio Farney (SC), Angelino Santos (RJ), Akio Saito (SP)

4 Klinger Peixoto (AL), Wilson Nora (BA), Rodrigo Jorge (RN), Jeova Rodrigues (CE)

Resultados do sábado na Praia dos Náufragos
50+ Primeira fase
3º=33º lugar (320 pontos) e 4º=49º lugar (240 pts)

As 8 primeiras fecharam a sexta-feira

9 1-Victor Ribas (RJ), 2-Bruno Grilo (RN), 3-Wagner Augusto (RN)

10 1-Igor Mathey (SP), 2-Jeronimo Bomfim (BA), wº-Alexandre Henrique (PB), w.o-Chico Lavigne (BA)

11 1-Alessandro Macedo (RN), 2-Mauricio Weyll (BA), 3-Dalmo Meirelles (BA)

12 1-Rodrigo Jorge (RN), 2-Armando Maciel (SC), 3-Alan Toledo (RJ)

13 1-Fabio Gouveia (PB), 2-Esdras Santos (BA), 3-Ayrton Almeida (PE)

14 1-Ivan Medeiros (RN), 2-Luciano Alemão (SC), 3-Marcelo Resende (SE), 4-Davy Christian (SE)

15 1-Rogerio Dantas (CE), 2-Ademar Neto (BA), 3-Helvecio Santos (SE), 4-Jofrey Seibel (SC)

16 1-Gilberto Araujo (AL), 2-Alvaro Bacana (MA), 3-Michell Pontes (PE)

60+ Primeira fase
3º=13º lugar (450 pontos) e 4º=19º lugar (390 pts)

1 1-Edson Vieira (SP), 2-Paulo Falcon (BA), 3-Roberto Campos (BA), 4-Pedro Sobrinho (RN)

2 1-William Diegues (SP), 2-Gama (SC), 3-Davi Filho (SC), 4-Walter Paes (RJ)

3 1-Cardoso Junior (CE), 2-Saulo Lyra (S), 3-Wlamir Reis (SP)

4 1-Zenato (RJ), 2-Tady (SE), 3-Angelo Gulea (RS)

5 1-Carlos Pereira (AL), 2-Rubens Farias (SC), 3-Marco Leleu (RN), 4-Jaguaracy Gloria (BA)

6 1-Jaime Farinha (PE), 2-Francisco Moura (RN), 3-Claudio Marroquim (PE), w.o-Jorge Bittencourt (BA)

40+ Oitavas de final
3º=17º lugar (400 pontos) e 4º=25º lugar (360 pts)

1 1-Itim Silva (CE), 2-Isaias Silva (CE), 3-Saulo Carvalho (PB), 4-Gildeon Reis (SE)

2 1-José Junior (RN), 2-Jeff Toco (SC), 3-Claudio Freitas (RJ), 4-Deyvison Ferreira (RJ)

3 1-Diego Rosa (SC), 2-Thiago de Sousa (CE), 3-Victor Araujo (CE), 4-Claudemir Bibi Lima (CE)

4 1-Felipe Martins (CE), 2-Alan Donato (PE), 3-Neco Padaratz (SC), 4-Duda Carneiro (CE)

5 1-Edvan Silva (CE), 2-Wilson Nora (BA), 3-Rogerio Galvão (PE), 4-Akma (SE)

6 1-Jeova Rodrigues (CE), 2-Angelino Santos (RJ), 3-Bruno Padilha (PB), 4-Edson Costa (PE)

7 1-Marcio Farney (SC), 2-Rodrigo Jorge (RN), 3-Flavio Costa (RJ), 4-Adriano Lemos (SC)

8 1-Klinger Peixoto (AL), 2-Akio Saito (SP), 3-Rogerio Dantas (CE), 4-Jorge Correa (SC)

50+ Oitavas de final
3º=17º lugar (400 pontos) e 4º=25º lugar (360 pts)

1 1-Marcelo Alves (BA), 2-Romeu Cruz (SE), 3-Edson Papagaio (SE), 4-Gildeon Reis (SE)

2 1-Fred Vilela (AL), 2-Crhistiano Spirro (BA), 3-Silverio Jorge Silver (SC), 4-Edson Vieira (SP)

3 1-Sergio Noronha (RJ), 2-Paulo Germano (PB), 3-Flavio Sukita (CE), 4-Leonel Brizola (RJ)

4 1-Roni Ronaldo (SC), 2-Fernando Conceição (PE), 3-Cardoso Junior (CE), 4-Saulo Carvalho (PB)

5 1-Victor Ribas (RJ), 2-Jeronimo Bomfim (BA), 3-Alessandro Macedo (RN), 4-Armando Maciel (SC)

6 1-Rodrigo Jorge (RN), 2-Mauricio Weyll (BA), 3-Igor Mathey (SP), 4-Bruno Grilo (RN)

Enquanto alguns fotógrafos documentam a história, Fedoca Lima fez diferente: viveu dentro dela enquanto fotografava. Carioca do Posto 5, começou a surfar com 11 anos e a fotografar quase ao mesmo tempo, com uma máquina fotográfica alemã do pai. Aos 14, registrou a Rainha Elizabeth passando de Rolls-Royce aberto pela orla de Copacabana, em frente à casa do Assis Chateaubriand. No mesmo período, fotografou o Mick Jagger dando o dedo do meio no Copacabana Palace. Não era fotógrafo profissional. Era um moleque com olho bom e câmera na mão, sem perceber ainda o tamanho do que estava construindo. O que veio depois é história do surfe brasileiro. O Píer de Ipanema nos anos 70, quando o Rio era o centro do surfe nacional, com Daniel Friedmann, Pepê Lopes, Rico de Souza e Ricardo Bocão dominando o circuito. A Brasil Surf, primeira revista especializada do país, na qual Fedoca jogou em todas as posições: fotógrafo, redator e capa. O Havaí entre 1978 e 1981, surfando e fotografando ao lado de Gerry Lopez, Shaun Tomson e Michael Ho em Pipeline e Waimea. Os shows históricos, de Bob Marley ao ar livre no Havaí até Rolling Stones e Paul McCartney no Maracanã. “A foto que eu não tirei, essa me persegue.” Fedoca Lima Mais de cinquenta anos depois, esse arquivo vira livro. “Surf, Clicks e Rock’n Roll” tem 220 páginas, cerca de 180 fotografias e percorre a transformação do surfe brasileiro desde a era analógica até o digital, passando por Arpoador, Saquarema, Havaí, Califórnia e Macumba. Com captação aprovada de R$ 203 mil via incentivo cultural e apio da Fu Wax, o lançamento está previsto para o segundo semestre de 2026. Conversamos com Fedoca sobre tudo isso. Antes de se consolidar como fotógrafo, você também virou personagem da própria história do surfe brasileiro ao sair na capa da Brasil Surf em 1975. Como foi viver aquele momento por dentro? Saí na capa da Brasil Surf. Na época eu trabalhei na revista de março de 75 até janeiro de 79, só não peguei o primeiro número. Jogava todas as posições: saí na capa, escrevia, tirava foto, ajudava na redação, dava palpite, fazia matéria. Por muito tempo achei que era o único fotógrafo de surfe que tinha saído numa capa. Depois o Bruno Alves me falou que o irmão dele, o Alberto, saiu na capa da Fluir número 1. A história dele bate um pouco com a minha: ele pegava onda, saiu na capa, era fotógrafo. Mas durante anos eu achei que era caso único. Até hoje tem um restaurante aqui que o cara pediu, eu tirei uma foto com a revista na mão, ele botou na parede, eu assinei. A influência continua. A Brasil Surf ajudou a mudar a imagem do surfista no Brasil. Como era ser surfista naquela época, antes dessa mudança de percepção acontecer? O surfe saía no caderno B do Jornal do Brasil, do Globo. Não saía no esporte. E o surfista era tido como vagabundo de praia. Isso, aliás, até hoje tem um pouco, mas na época tinha muito mais. A Brasil Surf não vou dizer que limpou essa imagem completamente, mas ajudou a transformar o surfe em esporte e também a fomentar o mercado de surfwear. Os irmãos Wady e Fuad Mansur, da loja Mansur, em Ipanema, foram dos primeiros anunciantes. Acreditaram na revista, fizeram anúncios de contracapa e página inteira, e as camisetas personalizadas vendidas pelo correio viraram um sucesso. A Brasil Surf acabou impulsionando fabricantes de pranchas, calções, parafinas e diversos outros anunciantes ligados ao surfe. Os fabricantes de prancha tinham um veículo para anunciar. Os fotógrafos ganhavam uma graninha, viajavam. Fui para a América Central, Porto Rico, Barbados, El Salvador, Fernando de Noronha, Peru, várias viagens bancadas pela Brasil Surf de uma forma ou de outra. O Nilton Barbosa foi ao Havaí duas vezes bancado pela revista. No caso dele, eles bancavam os filmes, ele vendia as fotos e a viagem se pagava. Tinha uma diferença entre mim e o Nilton nessa época: ele chegava na praia e ficava na areia fotografando, fotografando, fotografando. Eu chegava e ia para dentro da água. Se não estava o Daniel, não estava o Pepê, não estava o Cauli, não estava o Bocão, não estavam os caras top, eu entrava e surfava. Então tem foto minha na Brasil Surf publicada pelo Nilton Barbosa, pelo Rogério Ehrlich. Eu estava mais dentro da água do que fora. Eu estudava. Primeiro vestibular, depois faculdade. Boa parte dos meus amigos só queria saber de surfar. Eu dividia meu tempo. Chegava na praia, já tinha estudado de manhã, aí ficava naquele dilema: vou pegar onda ou vou fotografar? Por isso tem poucas fotos do Píer. Em três anos não tirei nem metade do que tiro hoje num dia bom na Macumba com o digital. Você viveu o Píer, a Brasil Surf, o Havaí dos anos 70, o nascimento do surfe brasileiro moderno. Em que momento percebeu que estava no meio de uma transformação cultural que iria muito além do esporte? O Píer foi o que fomentou o surfe no Rio de Janeiro. Por dez anos, foi domínio completo do Rio no cenário brasileiro. O Daniel Friedmann, em 77, foi o último carioca a vencer uma etapa do circuito internacional, ganhou no Quebra-Mar, em cima do Pepê Lopes, que tinha ganho em 76. Os dois de Ipanema, meus vizinhos de rua. E esse pessoal do Píer que dominou, o Daniel, o Pepê Lopes, o Cauli Rodrigues, e também o Otávio Pacheco, o Rico de Souza, o Ricardo Bocão. E tinha o Betão, que era o melhor surfista do Brasil na época mas não era competitivo, não corria atrás de patrocinador, acabou saindo cedo. Em 75 ele ganhou o Campeonato de Saquarema e foi saindo, saindo. O Píer influenciou a revista, influenciou os fabricantes de prancha, influenciou o modo de viver. Começaram a ter fábricas em Guaratiba, Vargem Grande, no Recreio, depois em Saquarema. As pessoas foram morar lá. O Penho foi, o Otávio comprou casa,

O que define uma boa onda? Tamanho, força, parede, qualidade da linha, formação e surfabilidade, dentre outros elementos. No oceano, todos esses fatores mudam a cada swell, a cada vento, a cada maré. Em Búzios, a proposta é diferente: construir essas variáveis de forma controlada, repetível e ajustável. A piscina do Brasil Surfe Clube Aretê Búzios opera com a tecnologia Endless Surf, do grupo canadense WhiteWater, com 48 câmaras de ar de alta precisão. O sistema permite criar configurações distintas dentro da mesma estrutura. Dentro de um universo de grandes possibilidades, as cinco primeiras ondas já foram nomeadas e reveladas, cada uma com perfil próprio, e muito mais ainda está por vir. Onda #01: Pointbreak + Junção Linha longa, seções conectadas, tempo de onda que pode ultrapassar 25 segundos. A junção encadeia diferentes partes da onda sem perder velocidade, criando uma das experiências mais difíceis de encontrar no oceano com consistência. Para quem quer mais de 10 manobras na mesma onda ou simplesmente mais tempo de linha para ler e decidir. Onda #02: Manobras + Bowl A parede fica mais íngreme. O bowl abre seções críticas para manobras verticais e aéreos. É o ambiente para quem quer empurrar os limites do que consegue fazer sobre a prancha, com repetição suficiente para transformar cada tentativa em aprendizado real. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Onda #03: Rampa + Tubo Uma onda que combina duas experiências na mesma seção. A rampa prepara o surfista para a manobra e o tubo roda na sequência. Para quem quer encaixar um aéreo e ainda sair do tubo na mesma onda, essa configuração entrega os dois elementos sem precisar escolher. Onda #04: Rampa Nível Intermediário Parede consistente, menor intensidade, mais previsível. A configuração certa para quem está desenvolvendo manobras progressivas e precisa de repetição para consolidar o que está aprendendo. A seção cria a rampa no ângulo certo, com velocidade suficiente para executar sem exigir o nível avançado. Onda #05: Rampa Nível Avançado Mais potência, mais velocidade, mais projeção. A rampa avançada é para quem já chegou em Búzios com manobras no repertório e quer testá-las com pressão real. Com capacidade para gerar até 700 ondas por hora, o intervalo entre uma tentativa e outra é curto o suficiente para transformar cada sessão em treino de alto rendimento. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Para todos os níveis As cinco configurações cobrem desde quem está aprendendo até quem treina em alto rendimento. A piscina ainda opera em dois modos: single peak, com ondas quebrando para um lado e maior extensão de linha, e split peak, com direitas e esquerdas simultâneas, permitindo que surfistas compartilhem a mesma série em direções opostas. Yago Dora, campeão mundial de surfe em 2025, Victor Bernardo, um dos maiores freesurfers da atualidade, e Michelle des Bouillons, referência mundial em ondas gigantes, integram o time do BSC e já testaram a tecnologia na piscina Adrena Red Sea, na Arábia Saudita. “Muito animal esse lance de ter essa variedade de onda também. Um leque de ondas absurdo. Mal posso esperar para Búzios”, disse Victor Bernardo após a sessão. A versão de Búzios será maior: 48 câmaras contra 36 da estrutura do Mar Vermelho, com 13 mil metros quadrados de lâmina d’água. Variedade de ondas para testar, arriscar, aprender e evoluir todos os dias. Com inauguração prevista para o segundo semestre de 2026, é o que o Brasil Surfe Clube Aretê Búzios chega para entregar.

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.