Surf Brasil Master 2026

José Junior é destaque em Sergipe

Potiguar José Junior aumenta os recordes da primeira etapa do Surf Brasil Master 2026 em Aracaju.
Surf Brasil Master 2026, Praia dos Náufragos, Aracaju (SE)

O Surf Brasil Master 2026 fecha nesta segunda-feira (20), a primeira das três etapas que decidem os primeiros títulos brasileiros da temporada na capital de Sergipe. Os primeiros campeões na Praia dos Náufragos, em Aracaju, largam na frente dos rankings das categorias dos surfistas com 40 anos ou mais de idade, dos que fizeram 50 anos e a de quem completou 60 anos. No domingo (19), já foram formadas as quartas de final das categorias 40+ e 60+ e o destaque do dia foi o potiguar José Junior, que aumentou os recordes do campeonato para nota 8.50 e 13.83 pontos. As oitavas de final da 50+ vão abrir a segunda-feira, ao vivo pelo Canal Woohoo e pelo Surf Brasil TV no YouTube, que pode ser acessado no site SurfBrasil.org.br.

O potiguar José Junior venceu a etapa do Circuito Brasileiro Master realizada em Sergipe no ano passado, na Praia de Abaís, na cidade Estância. O surfista de Baía Formosa, conhecido por Chupetinha, brigou pelo título brasileiro de 2025 até a última etapa e terminou em segundo no ranking que consagrou o cearense Marcio Farney como campeão. José Junior estreou com vitória no Surf Brasil Master 2026 no sábado e no domingo fez a melhor apresentação do campeonato nas ondas da Praia dos Náufragos. Em uma direita que abriu uma parede sólida, ele mandou uma série de cinco batidas e rasgadas potentes de frontside com velocidade, que valeram nota 8.50. Com ela, também aumentou o maior placar para 13.83 pontos.

“Só tenho que agradecer a Deus por mais uma bateria excelente”, foram as primeiras palavras do novo recordista absoluto do Surf Brasil Master 2026, José Junior. “Eu sou acostumado com as direitas de BF, então optei pra surfar mais as direitas e consegui obter uma nota boa ali, um 8.50, que foi a maior do dia. Estou muito feliz com minhas pranchas e com esse resultado de hoje. Espero que, ao longo do campeonato, eu obtenha mais notas boas e consiga chegar aonde a gente almeja. Quero agradecer a Federação de Surf aqui de Sergipe, ao presidente e amigo Sargento Belo, que me acolhe muito bem, então vamo que vamo”.

José Junior bateu todos os recordes do Surf Brasil Master 2026 no quarto confronto das oitavas de final, contra o baiano Flavio Costa, o cearense Duda Carneiro e o paulista Alexandre Felicio. Na bateria seguinte, o defensor do título brasileiro 40+, Marcio Farney, também manteve a invencibilidade nas ondas da Praia dos Náufragos. A segunda vitória veio na primeira das duas dobradinhas cearenses seguidas no domingo. Farney e Angelino Santos derrotaram o alagoano Klinger Peixoto e o catarinense André Zanini, depois Isaias Silva e Thiago de Sousa despacharam o pernambucano Manoel de Assis e o baiano Wilson Nora.

“Mais uma vez feliz em seguir avançando e o mar está bem difícil, porque vem ondas do fundo, no meio do caminho, então dá uma certa dúvida onde se posicionar”, destacou o número 1 da categoria, Marcio Farney. “Mas, estou feliz com meu equipamento da Havenga Surfboards. O Havenga é um cara incrível e estou focado, cada dia melhor e hoje acordei me sentindo muito bem, rezando, agradecendo. Estou feliz de chegar no último dia dessa primeira etapa e, se Deus quiser, vai dar tudo certo. E gostaria de agradecer aos meus patrocinadores, que estão sempre fortalecendo e me ajudaram a vir aqui para esse evento”.

Cearenses conquistam metade das vagas nas quartas de final da 40+ – Os cearenses ganharam a metade das 16 vagas para as quartas de final do Surf Brasil Master em Aracaju. Além de Marcio Farney, Angelino Santos, Isaias Silva e Thiago de Sousa, também seguem na disputa do primeiro título na Praia dos Náufragos, Edvan Silva, Itim Silva, Rogerio Dantas e Felipe Martins. Edvan Silva vai abrir as quartas de final com o baiano Flavio Costa, o catarinense Adriano Lemos e o paraibano Bruno Padilha. Itim Silva entra na segunda bateria com o novo recordista José Junior, o sergipano Gildeon Reis e o pernambucano Rogerio Galvão.

Na chave de baixo, que vai apontar os dois últimos finalistas, são três cearenses brigando por duas vagas nas semifinais contra um surfista de outro estado em cada bateria. Na terceira, o atual campeão brasileiro 40+, Marcio Farney, compete junto com Thiago de Sousa, Felipe Martins e o catarinense Jeff Toco, que venceu a última etapa de 2025 em Navegantes (SC). E na última quarta de final, os cearenses Rogerio Dantas, Angelino Santos e Isaias Silva, enfrentam o potiguar tricampeão brasileiro Master, Junior Rocha.

Sergipano Tady conquista primeira vaga nas quartas de final da 60+ – As quartas de final da categoria 60+ também foram formadas no domingo, com os resultados da primeira fase. O sergipano Tady, campeão do Abaís Surf Festival em Estância no ano passado, estreou com vitória na primeira bateria da 60+ e vai disputar as duas primeiras vagas nas semifinais do Surf Brasil Master 2026, com o paulista Edson Vieira e o catarinense Rubens Farias. A segunda bateria será entre Paulo Falcon (BA), Jaime Farinha (PE) e Zenato (RJ). Na terceira entram Claudio Marroquim (PE), Francisco Moura (RN) e Carlos Pereira (AL). E na última, estão Cardoso Junior (CE), William Diegues (SP) e Walter Filho (RJ).

“É uma satisfação imensa estar participando de mais um evento aqui em Sergipe e só agradecer muito à Surf Brasil, a Secretaria de Esportes, a nossa secretária Mariana Dantas, o Aquiles Secretário de Esportes da Prefeitura de Aracaju, agradeço a todos eles e o campeonato está em alto nível”, destaca Tady. “No ano passado, eu ganhei o evento e chorei como uma criança. Na verdade, já sou um idoso de 62 anos e agradeço muito a Deus por estar surfando ainda em alto nível. Ver os amigos das antigas, o Claudio Marroquim, Fabio Gouveia, tantos outros, não tem como não se emocionar. Minha filha nunca tinha me visto vencer um campeonato e aconteceu no ano passado, então chorei que nem criança”.

Vitória sobre o ídolo Fabio Gouveia na estreia do campeão brasileiro 50+ – O domingo foi o primeiro dia com baterias das três divisões da categoria Master. Começou com a sequência da primeira fase 50+, depois teve a rodada inicial da 60+ e as oitavas de final da 40+. Na 50+ já foram batidos os recordes do sábado, a nota 7.33 e os 13.33 pontos do cearense Isaias Silva na primeira fase 40+. O potiguar Ivan Medeiros foi o primeiro a se destacar, surfando uma onda que valeu nota 7.00 para carimbar a faixa do atual campeão brasileiro 50+, Fabio Gouveia, em sua estreia no Surf Brasil Master 2026. Mas, o paraibano avançou em segundo lugar para as oitavas de final.

“É uma honra estar competindo com o Fabio Gouveia, pra mim foi maravilhoso e estou feliz demais”, disse Ivan Medeiros, que mora na Paraíba. “É gigante o que senti hoje. Eu sou representante da Mormaii há 26 anos, sempre vejo ele convivendo lá e pra mim é um fenômeno. Para nós, é uma honra gigante estar ao lado de um cara desse, um ídolo nacional, um ídolo mundial e ganhar dele não tem preço. Pedi a Deus pra me mandar uma onda boa e Ele mandou aquela esquerda que foi animal, nota 7 e fiquei feliz demais”.

Recordes do sábado já batidos na categoria 50+ que abriu o domingo – Três baterias depois de Ivan Medeiros e Fabio Gouveia se classificarem para as oitavas de final, o baiano Marcelo Alves também destruiu mais uma boa onda no sábado na Praia dos Náufragos, para estabelecer novos recordes no Surf Brasil Master 2026. Marcelo apresentou um visual diferente, sempre teve cabelos grandes e pelou a cabeça, mas não perdeu a força e aumentou a maior nota do campeonato para 8,00. Ele também subiu o maior placar para 13,00 pontos, marcas só batidas pelo potiguar José Junior na 40+.

“Eu quero agradecer a Deus pelo que tem feito por mim e a minha família e minhas fisioterapeutas”, disse Marcelo Alves, que vive um momento de superação. “Em agosto sofri uma fratura no pé e nem pude ir pras duas últimas etapas do Brasileiro em Santa Catarina. Fiquei de molho esse tempo todo, estou surfando praticamente 1 mês só e, graças a Deus, deu tudo certo nessa primeira bateria. Eu cortei o cabelo, a galera ficou falando que eu tinha perdido a força, mas a força vem do nosso interior e da nossa mente, tudo na paz de Deus”.

Marcelo Alves agora vai ter o privilégio de disputar uma bateria com um dos maiores ídolos de toda a história do surf brasileiro, Fabio Gouveia, um dos pioneiros do Brasil a disputar o Circuito Mundial por completo, junto com Piu Pereira e Teco Padaratz, hoje presidente da Confederação Brasileira de Surf. Os dois estão escalados na sexta bateria, com o catarinense Armando Maciel e Daniel Leça, do Rio de Janeiro. O primeiro confronto fechou o domingo e os primeiros classificados para as quartas de final 50+ do Surf Brasil Master 2026, foram o alagoano Gilberto Araujo e o cabo-friense Victor Ribas, que já tem duas vitórias em etapas desta categoria em Sergipe, em 2023 em Itaporanga D´Ajuda e em 2025 em Estância.

Surf Brasil Master inaugura formato com três etapas em nove dias – O Surf Brasil Master está inaugurando um novo formato para decidir os primeiros campeões brasileiros da temporada em Aracaju. Desde o sábado agora até o domingo da próxima semana, 26 de abril, serão realizadas três etapas com três dias de duração cada. Todos os resultados são computados nos rankings que irão definir a classificação final de 2026 nas três categorias: 40+, 50+ e 60+. Em cada etapa, será dividida uma premiação de 50 mil reais para os semifinalistas e finalistas das três divisões, com a vitória valendo 5.500 Reais. A primeira termina nesta segunda-feira, com os pódios dos finalistas que largarão na frente na corrida dos títulos brasileiros de 2026.

O Surf Brasil Master 2026 é mais uma realização de Surf Brasil e conta com patrocínio da Prefeitura de Aracaju pela Secretaria Municipal da Juventude e do Esporte (SEJESP) e do Governo do Estado de Sergipe através da Secretaria do Esporte e Lazer. O evento tem a Federação Sergipana de Surf (FSS) como parceira na organização e co-patrocínios e apoios de JISK, Arcus Hotel by Atlantica, Rei Beach Lounge Bar, Surfland Garopaba, Só Coco, Suntech e Brazilian Tiger Balm. A competição está sendo transmitida ao vivo pelo Canal Woohoo e pelo Surf Brasil TV no YouTube que pode ser acessado no site SurfBrasil.org.br.

Surf Brasil Master em Sergipe
(entre parênteses o estado que representa nas competições)

Baterias que abrem a segunda-feira
50+ segunda fase = oitavas de final
3º=17º lugar (400 pts) e 4º=25º lugar (360 pts)

1 1-Victor Ribas (RJ), 2-Gilberto Araujo (AL), 3-Alvaro Bacana (SC), 4-Michell Silva (PE)

2 Esdras Santos (BA), Fred Vilela (AL), Crhistiano Spirro (BA), Bruno Grilo (RN)

3 Edson Papagaio (SE), Ayrton Almeida (PB), Romeu Cruz (SE), Alessandro Macedo (RN)

4 Flavio Sukita (CE), Rodrigo Jorge (RN), Cardoso Junior (CE), Mauricio Weyll (BA)

5 Sergio Noronha (RJ), Roni Ronaldo (SC), Ivan Medeiros (PB), Luciano Alemão (SC)

6 Fabio Gouveia (PB), Armando Maciel (SC), Marcelo Alves (BA), Daniel Leça (RJ)

7 Igor Mathey (SP), João Maria (RN), Paulo Germano (PB), Gildeon Reis (SE)

8 Rogerio Dantas (CE), Leonel Brizola (RJ), Fernando Conceição (PE), Augusto Melo (SE)

60+ quartas de final = segunda fase
3º=9º lugar com 500 pontos

1 Tady (SE), Edson Vieira (SP), Rubens Farias (SC)

2 Paulo Falcon (BA), Jaime Farinha (PE), Zenato (RJ)

3 Claudio Marroquim (PE), Francisco Moura (RN), Carlos Pereira (AL)

4 Cardoso Junior (CE), William Diegues (SP), Walter Filho (RJ)

40+ quartas de final
3º=9º lugar (500 pts) e 4º=13º lugar (450 pts)

1 Adriano Lemos (SC), Flavio Costa (BA), Edvan Silva (CE), Bruno Padilha (PB)

2 José Junior (RN), Itim Silva (CE), Gildeon Reis (SE), Rogerio Galvão (PE)

3 Marcio Farney (SC), Jeff Toco (SC), Thiago de Sousa (CE), Felipe Martins (CE)

4 Junior Rocha (RN), Angelino Santos (CE), Rogerio Dantas (CE), Isaias Silva (CE)

Resultados do domingo
50+ primeira fase
3º=33º lugar (320 pts) e 4º=49º lugar (240 pts)
as 2 primeiras baterias fecharam o sábado

3 1-Gilberto Araujo (AL), 2-Fred Vilela (AL), 3-Inaldo Segundo (BA), 4-Alexandre Henrique (PB)

4 1-Crhistiano Spirro (BA), 2-Álvaro Bacana (SC),

5 1-Edson Papagaio (SE), 2-Rodrigo Jorge (RN), 3-Ademar Neto (BA), 4-Jofrey Seibel (SC)

6 1-Mauricio Weyll (BA), 2-Romeu Cruz (SE), 3-Alan Toledo (RJ), 4-Saulo Carvalho (PB)

7 1-Alessandro Macedo (RN), 2-Cardoso Junior (CE), 3-Silvério Jorge (SC), 4-Tadeu Cunha (AL)

8 1-Flavio Sukita (CE), 2-Ayrton Almeida (PE), wº-Pedro Silva (BA)

9 1-Ivan Medeiros (PB), 2-Fabio Gouveia (PB), 3-Jeronimo Bomfim (BA)

10 1-Armando Maciel (SC), 2-Luciano Alemão (SC), 3-Jonatas Rangel (RJ), 4-Carlos Malheiros (PE)

11 1-Sergio Noronha (RJ), 2-Daniel Leça (RJ), 3-Marcelo Resende (SE), 4-Rafael Guimarães (SC)

12 1-Marcelo Alves (BA), 2-Roni Ronaldo (SC), 3-Dalmo Meireles (BA), 4-Helvecio Santos (SE)

13 1-Igor Mathey (SP), 2-Fernando Conceição (PE), 3-Chico Lavigne (BA)

14 1-Leonel Brizola (RJ), 2-João Maria (RN), 3-Edson Vieira (SP), wº-Gutemberg Goulart (RJ)

15 1-Paulo Germano (PB), 2-Augusto Melo (SE), 3-Alexandre Felicio (SP), 4-Sandro Rohden (SC)

16 1-Rogerio Dantas (CE), 2-Gildeon Reis (SE), 3-Wagner Augusto (RN)

60+ primeira fase
3º=13º lugar (450 pts) e 4º=19º lugar (390 pts)

1 1-Tady (SE), 2-Zenato (RJ), 3-Roberto Campos (BA), 4-Jaguaracy Gloria (BA)

2 1-Jaime Farinha (PE), 2-Edson Vieira (SP), 3-Wlamir Reis (SP), 4-Saulo Lyra (SC)

3 1-Rubens Farias (SC), 2-Paulo Falcon (BA), 3-Jorge Bittencourt (BA)

4 1-Claudio Marroquim (PE), 2-William Diegues (SP), 3-Marco Leleu (RN)

5 1-Walter Filho (RJ), 2-Francisco Moura (RN), 3-Angelo Gulea (RS), 4-Davi Filho (SC)

6 1-Carlos Pereira (AL), 2-Cardoso Junior (CE), 3-Gama (SC), 4-Pedro Sobrinho (RN)

40+ segunda fase = oitavas de final
3º=17º lugar (400 pts) e 4º=25º lugar (360 pts)

1 1-Edvan Silva (CE), 2-Gildeon Reis (SE), 3-Claudio Freitas (RJ), 4-Deyvison Ferreira (RJ)

2 1-Itim Silva (CE), 2-Adriano Lemos (SC), 3-Akio Saito (SP), 4-Edson Costa (PE)

3 1-Bruno Padilha (PB), 2-Rogerio Galvão (PE), 3-Saulo Carvalho (PB), 4-Rodrigo Jorge (RN)

4 1-José Junior (RN), 2-Flavio Costa (RJ), 3-Duda Carneiro (CE), 4-Alexandre Felicio (SP)

5 1-Marcio Farney (SC), 2-Angelino Santos (RJ), 3-Klinger Peixoto (AL), 4-André Zanini (SC)

6 1-Isaias Silva (CE), 2-Thiago de Sousa (CE), 3-Manoel de Assis (PE), 4-Wilson Nora (BA)

7 1-Jeff Toco (SC), 2-Rogerio Dantas (CE), 3-Alan Donato (PE), 4-Claudemir Bibi Lima (RJ)

8 1-Junior Rocha (RN), 2-Felipe Martins (CE), 3-Paulo Germano (PB), 4-Sidnei Oliveira (SP)

50+ segunda fase = oitavas de final
3º=17º lugar (400 pts) e 4º=25º lugar (360 pts)

1 1-Victor Ribas (RJ), 2-Gilberto Araujo (AL), 3-Alvaro Bacana (SC), 4-Michell Silva (PE)

Enquanto alguns fotógrafos documentam a história, Fedoca Lima fez diferente: viveu dentro dela enquanto fotografava. Carioca do Posto 5, começou a surfar com 11 anos e a fotografar quase ao mesmo tempo, com uma máquina fotográfica alemã do pai. Aos 14, registrou a Rainha Elizabeth passando de Rolls-Royce aberto pela orla de Copacabana, em frente à casa do Assis Chateaubriand. No mesmo período, fotografou o Mick Jagger dando o dedo do meio no Copacabana Palace. Não era fotógrafo profissional. Era um moleque com olho bom e câmera na mão, sem perceber ainda o tamanho do que estava construindo. O que veio depois é história do surfe brasileiro. O Píer de Ipanema nos anos 70, quando o Rio era o centro do surfe nacional, com Daniel Friedmann, Pepê Lopes, Rico de Souza e Ricardo Bocão dominando o circuito. A Brasil Surf, primeira revista especializada do país, na qual Fedoca jogou em todas as posições: fotógrafo, redator e capa. O Havaí entre 1978 e 1981, surfando e fotografando ao lado de Gerry Lopez, Shaun Tomson e Michael Ho em Pipeline e Waimea. Os shows históricos, de Bob Marley ao ar livre no Havaí até Rolling Stones e Paul McCartney no Maracanã. “A foto que eu não tirei, essa me persegue.” Fedoca Lima Mais de cinquenta anos depois, esse arquivo vira livro. “Surf, Clicks e Rock’n Roll” tem 220 páginas, cerca de 180 fotografias e percorre a transformação do surfe brasileiro desde a era analógica até o digital, passando por Arpoador, Saquarema, Havaí, Califórnia e Macumba. Com captação aprovada de R$ 203 mil via incentivo cultural e apio da Fu Wax, o lançamento está previsto para o segundo semestre de 2026. Conversamos com Fedoca sobre tudo isso. Antes de se consolidar como fotógrafo, você também virou personagem da própria história do surfe brasileiro ao sair na capa da Brasil Surf em 1975. Como foi viver aquele momento por dentro? Saí na capa da Brasil Surf. Na época eu trabalhei na revista de março de 75 até janeiro de 79, só não peguei o primeiro número. Jogava todas as posições: saí na capa, escrevia, tirava foto, ajudava na redação, dava palpite, fazia matéria. Por muito tempo achei que era o único fotógrafo de surfe que tinha saído numa capa. Depois o Bruno Alves me falou que o irmão dele, o Alberto, saiu na capa da Fluir número 1. A história dele bate um pouco com a minha: ele pegava onda, saiu na capa, era fotógrafo. Mas durante anos eu achei que era caso único. Até hoje tem um restaurante aqui que o cara pediu, eu tirei uma foto com a revista na mão, ele botou na parede, eu assinei. A influência continua. A Brasil Surf ajudou a mudar a imagem do surfista no Brasil. Como era ser surfista naquela época, antes dessa mudança de percepção acontecer? O surfe saía no caderno B do Jornal do Brasil, do Globo. Não saía no esporte. E o surfista era tido como vagabundo de praia. Isso, aliás, até hoje tem um pouco, mas na época tinha muito mais. A Brasil Surf não vou dizer que limpou essa imagem completamente, mas ajudou a transformar o surfe em esporte e também a fomentar o mercado de surfwear. Os irmãos Wady e Fuad Mansur, da loja Mansur, em Ipanema, foram dos primeiros anunciantes. Acreditaram na revista, fizeram anúncios de contracapa e página inteira, e as camisetas personalizadas vendidas pelo correio viraram um sucesso. A Brasil Surf acabou impulsionando fabricantes de pranchas, calções, parafinas e diversos outros anunciantes ligados ao surfe. Os fabricantes de prancha tinham um veículo para anunciar. Os fotógrafos ganhavam uma graninha, viajavam. Fui para a América Central, Porto Rico, Barbados, El Salvador, Fernando de Noronha, Peru, várias viagens bancadas pela Brasil Surf de uma forma ou de outra. O Nilton Barbosa foi ao Havaí duas vezes bancado pela revista. No caso dele, eles bancavam os filmes, ele vendia as fotos e a viagem se pagava. Tinha uma diferença entre mim e o Nilton nessa época: ele chegava na praia e ficava na areia fotografando, fotografando, fotografando. Eu chegava e ia para dentro da água. Se não estava o Daniel, não estava o Pepê, não estava o Cauli, não estava o Bocão, não estavam os caras top, eu entrava e surfava. Então tem foto minha na Brasil Surf publicada pelo Nilton Barbosa, pelo Rogério Ehrlich. Eu estava mais dentro da água do que fora. Eu estudava. Primeiro vestibular, depois faculdade. Boa parte dos meus amigos só queria saber de surfar. Eu dividia meu tempo. Chegava na praia, já tinha estudado de manhã, aí ficava naquele dilema: vou pegar onda ou vou fotografar? Por isso tem poucas fotos do Píer. Em três anos não tirei nem metade do que tiro hoje num dia bom na Macumba com o digital. Você viveu o Píer, a Brasil Surf, o Havaí dos anos 70, o nascimento do surfe brasileiro moderno. Em que momento percebeu que estava no meio de uma transformação cultural que iria muito além do esporte? O Píer foi o que fomentou o surfe no Rio de Janeiro. Por dez anos, foi domínio completo do Rio no cenário brasileiro. O Daniel Friedmann, em 77, foi o último carioca a vencer uma etapa do circuito internacional, ganhou no Quebra-Mar, em cima do Pepê Lopes, que tinha ganho em 76. Os dois de Ipanema, meus vizinhos de rua. E esse pessoal do Píer que dominou, o Daniel, o Pepê Lopes, o Cauli Rodrigues, e também o Otávio Pacheco, o Rico de Souza, o Ricardo Bocão. E tinha o Betão, que era o melhor surfista do Brasil na época mas não era competitivo, não corria atrás de patrocinador, acabou saindo cedo. Em 75 ele ganhou o Campeonato de Saquarema e foi saindo, saindo. O Píer influenciou a revista, influenciou os fabricantes de prancha, influenciou o modo de viver. Começaram a ter fábricas em Guaratiba, Vargem Grande, no Recreio, depois em Saquarema. As pessoas foram morar lá. O Penho foi, o Otávio comprou casa,

O que define uma boa onda? Tamanho, força, parede, qualidade da linha, formação e surfabilidade, dentre outros elementos. No oceano, todos esses fatores mudam a cada swell, a cada vento, a cada maré. Em Búzios, a proposta é diferente: construir essas variáveis de forma controlada, repetível e ajustável. A piscina do Brasil Surfe Clube Aretê Búzios opera com a tecnologia Endless Surf, do grupo canadense WhiteWater, com 48 câmaras de ar de alta precisão. O sistema permite criar configurações distintas dentro da mesma estrutura. Dentro de um universo de grandes possibilidades, as cinco primeiras ondas já foram nomeadas e reveladas, cada uma com perfil próprio, e muito mais ainda está por vir. Onda #01: Pointbreak + Junção Linha longa, seções conectadas, tempo de onda que pode ultrapassar 25 segundos. A junção encadeia diferentes partes da onda sem perder velocidade, criando uma das experiências mais difíceis de encontrar no oceano com consistência. Para quem quer mais de 10 manobras na mesma onda ou simplesmente mais tempo de linha para ler e decidir. Onda #02: Manobras + Bowl A parede fica mais íngreme. O bowl abre seções críticas para manobras verticais e aéreos. É o ambiente para quem quer empurrar os limites do que consegue fazer sobre a prancha, com repetição suficiente para transformar cada tentativa em aprendizado real. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Onda #03: Rampa + Tubo Uma onda que combina duas experiências na mesma seção. A rampa prepara o surfista para a manobra e o tubo roda na sequência. Para quem quer encaixar um aéreo e ainda sair do tubo na mesma onda, essa configuração entrega os dois elementos sem precisar escolher. Onda #04: Rampa Nível Intermediário Parede consistente, menor intensidade, mais previsível. A configuração certa para quem está desenvolvendo manobras progressivas e precisa de repetição para consolidar o que está aprendendo. A seção cria a rampa no ângulo certo, com velocidade suficiente para executar sem exigir o nível avançado. Onda #05: Rampa Nível Avançado Mais potência, mais velocidade, mais projeção. A rampa avançada é para quem já chegou em Búzios com manobras no repertório e quer testá-las com pressão real. Com capacidade para gerar até 700 ondas por hora, o intervalo entre uma tentativa e outra é curto o suficiente para transformar cada sessão em treino de alto rendimento. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Para todos os níveis As cinco configurações cobrem desde quem está aprendendo até quem treina em alto rendimento. A piscina ainda opera em dois modos: single peak, com ondas quebrando para um lado e maior extensão de linha, e split peak, com direitas e esquerdas simultâneas, permitindo que surfistas compartilhem a mesma série em direções opostas. Yago Dora, campeão mundial de surfe em 2025, Victor Bernardo, um dos maiores freesurfers da atualidade, e Michelle des Bouillons, referência mundial em ondas gigantes, integram o time do BSC e já testaram a tecnologia na piscina Adrena Red Sea, na Arábia Saudita. “Muito animal esse lance de ter essa variedade de onda também. Um leque de ondas absurdo. Mal posso esperar para Búzios”, disse Victor Bernardo após a sessão. A versão de Búzios será maior: 48 câmaras contra 36 da estrutura do Mar Vermelho, com 13 mil metros quadrados de lâmina d’água. Variedade de ondas para testar, arriscar, aprender e evoluir todos os dias. Com inauguração prevista para o segundo semestre de 2026, é o que o Brasil Surfe Clube Aretê Búzios chega para entregar.

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.