CBSurf Xangri-lá Pro

Domingo é dia de decisão

Títulos do CBSurf Xangri-lá Pro Surf serão decididos na manhã do domingo (20) no Rio Grande do Sul.

O campeão e a campeã do CBSurf Xangri-lá Pro Surf serão conhecidos na manhã deste domingo (20) em Xangri-lá, no litoral norte do Rio Grande do Sul. A continuação da penúltima etapa do Circuito Profissional da Confederação Brasileira de Surf foi adiada no sábado (19), que amanheceu com ondas muito baixas e ventos fortes na Praia de Atlântida. A primeira chamada para as quartas de final masculinas, que vão abrir o domingo decisivo, foi marcada para as 8h.

O adiamento da competição no sábado, foi decidido em reunião da comissão técnica do CBSurf Xangri-lá Pro Surf, com os próprios surfistas que iriam competir. Eles fizeram uma votação para chegar a um consenso comum. Com isso, o domingo será iniciado pelas quartas de final masculinas, depois acontecem as semifinais das duas categorias e as decisões do título da etapa gaúcha do Circuito Brasileiro Profissional de 2022.

“Eles decidiram fazer essa transferência do dia de hoje para amanhã e são só quatro baterias a mais, então a gente tem tempo disponível para fazer as quartas de final também no domingo”, confirmou Mauro Rabellé, diretor técnico da Confederação Brasileira de Surf (CBSurf). “A decisão não foi nem pela condição do vento, que vai ficar muito parecido com a de hoje, mas porque a previsão é de que o mar está aumentando. Então, a possibilidade de ter uma escolha de ondas melhores, é mais assertiva para amanhã”.

Palestras da CBSurf – Com o “day-off”, os surfistas puderam se concentrar somente na “Palestra de Capacitação em Arbitragem” promovida pela Confederação Brasileira de Surf na arena do evento na Praia de Atlântida, com apresentação do diretor técnico da entidade, Mauro Rabellé, e pelo “head judge” conceitual e ex-surfista profissional, Guga Arruda. Na sexta-feira, os atletas participaram de outra ação da CBSurf no fim do dia, a “Palestra de Capacitação Técnica” ministrada por Guga Arruda e Karina Abras.

As quartas de final do CBSurf Xangri-lá Pro Surf ganharam importância nesta reta final da temporada 2022. A última bateria pode apontar um novo líder no ranking brasileiro, pois se o paulista Marcos Correa passar para as semifinais, ele já tira a primeira posição do capixaba Krystian Kymerson. Mas, o seu adversário, o paraibano Samuel Igo, também pode assumir a ponta se chegar na grande final na Praia de Atlântida. Aí, ele deixaria Krystian Kymerson na segunda posição e Marcos Correa ficaria em terceiro lugar.

Os outros surfistas que estão nas quartas de final, também preferiram competir em melhores condições, porque vão ganhando posições no ranking a cada classificação. A primeira bateria já vale o quinto lugar, para quem vencer o duelo do recordista absoluto do CBSurf Xangri-lá Pro Surf nas ondas de Atlântida, o cearense Michael Rodrigues, com o jovem potiguar Israel Junior. Michael já subiu de 22º para 12º no ranking e o Israel do 19º para o 10º lugar.

Na segunda quarta de final, outro cearense ex-top da elite mundial do CT, Heitor Alves, alcança o 13º lugar, se passar pela grande surpresa desta etapa, o paulista Matheus Gomes. Heitor chegou nesta penúltima etapa em 34º e está em 15º. Já o Matheus tenta entrar no grupo dos top-50 do ranking, que se classifica para disputar o milionário Dream Tour da CBSurf em 2023. Ele só tinha participado de uma etapa e estava na posição 243, mas já subiu para o 67º lugar e entra nos top-50 se chegar na grande final em Xangri-lá.

Na terceira bateria, tem mais um ex-top da elite mundial, o pernambucano Paulo Moura, que ainda compete mesmo sendo o vice-presidente na nova diretoria da Confederação Brasileira de Surf eleita esse ano, com Teco Padaratz na presidência. Ele estava em 28º no ranking, já subiu para o 13º lugar e pode ir para a sétima posição, se passar pelo também experiente Glauciano Rodrigues. O cearense já saltou do 41º para o 19º lugar e vai para o 14º se passar para as semifinais. E a última quarta de final é a que vale a liderança do ranking.

Só a vitória – Na categoria feminina, somente a vitória no CBSurf Xangri-lá Pro Surf pode mudar a liderança do ranking no Rio Grande do Sul. As únicas que têm chances de tirar o primeiro lugar da catarinense Tainá Hinckel, são a igualmente jovem carioca Julia Duarte e a experiente cearense Silvana Lima. Julia é a vice-líder no ranking e vai enfrentar a cearense Juliana dos Santos na primeira semifinal.

Silvana faz um duelo cearense de campeãs brasileiras com Larissa dos Santos, que precisa chegar na final em Xangri-lá, para ter chances matemáticas de também brigar pelo título de 2022. De qualquer forma, o campeão e a campeã brasileira da temporada, só serão conhecidos na sexta e última etapa do Circuito CBSurf Pro, que será disputada na semana de 12 a 17 de dezembro na Praia da Taiba, em São Gonçalo do Amarante, no litoral norte do Ceará.

CBSurf Xangri-lá Pro 2022
Quartas de final
5º lugar com R$ 7.000 e 5.100 pontos

1ª Michael Rodrigues (CE) x Israel Junior (RN)

2ª Heitor Alves (CE) x Matheus Gomes (SP)

3ª Paulo Moura (PE) x Glauciano Rodrigues (CE)

4ª Marcos Correa (SP) x Samuel Igo (PB)

Semifinais Femininas
3º lugar com R$ 11.000 e 6.500 pontos

1ª Julia Duarte (RJ) x Juliana dos Santos (CE)

2ª Silvana Lima (CE) x Larissa dos Santos (CE)

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.

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