O big rider norte-americano Alessandro Alo Slebir conquistou o prêmio de Maior Onda do Ano no Big Wave Challenge em cerimônia realizada no último dia 13 de setembro em Newport Beach, Califórnia (EUA). A honraria foi concedida por uma onda surfada por Slebir em Mavericks em 23 de dezembro de 2024.
Inicialmente, a onda gerou especulações de que poderia ser a maior já surfada na história, com algumas estimativas atingindo 108 pés (32,9 metros). No entanto, a medição oficial da WSL estabeleceu a altura da onda em 76 pés (23,1 metros). O recorde mundial atual é de 86 pés (26,21 metros), estabelecido pelo surfista alemão Sebastian Steudtner, em uma onda de Nazaré, Portugal, em outubro de 2020.
O episódio ressalta a complexidade e a controvérsia que cercam a medição de ondas gigantes, um processo que ainda não é considerado uma ciência exata. Profissionais experientes como o fotógrafo Frank Quirarte, que registrou Alo em Mavericks, e o legendário shaper, surfista de ondas grandes e organizador de eventos da categoria, Gary Linden destacaram à revista Surfer a subjetividade e as variáveis envolvidas nessas avaliações.
“É importante reconhecer que medir ondas grandes nunca foi e nunca será uma ciência exata. Na melhor das hipóteses, só podemos chegar perto, com uma margem de erro. Existem muitas variáveis que podem afetar a aparência de uma onda em uma imagem ou vídeo: distância focal, posicionamento (do penhasco, da água, usando drone); e a experiência de quem tira a imagem e de quem faz a medição. Todas elas desempenham um papel”, diz Quirarte.
No entanto, Quirarte acrescentou: “Posso dizer, sem sombra de dúvidas, que a onda do Alo foi a maior onda completamente surfada que já vi — sem dúvida. Para ser justo, se Benjamin ‘Sancho’ Sanchis não tivesse sido cortado, os dois estariam empatados na vitória. Faz sentido que ambos tenham sido surfados na mesma ondulação. Uma ondulação de dez anos com leituras de bóias que poderiam ter produzido uma onda de 30 metros.”
Gary Linden, por sua vez, critica os métodos atuais. “Acho que temos um sistema falho. A maneira coletiva de julgar uma onda grande a partir de uma foto é o melhor que já fizemos. Nos reuníamos e compartilhávamos nossas diferentes perspectivas. É bom discutir e formar uma opinião coletiva. Você colocava um cara agachado, e ele tinha mais ou menos o mesmo tamanho do cara na onda. Você media esse tamanho. E então usava um paquímetro (instrumento de medição de alta precisão) para somar quantas dessas ondas compunham o tamanho da onda.”
Mark Sponsler da StormSurf falou sobre da perspectiva científica da tempestade que gerou o swell para Mavericks em dezembro de 2024.
“Quando atingiu a bóia de Point Reyes, que considero o padrão, logo ao norte de Half Moon Bay pela manhã, a leitura era de 4 metros a 23,4 segundos. Isso equivale a uma parede de 9,7 metros em um beachbreak padrão, mas em Mavericks seria o dobro disso. À medida que o dia avançava, a leitura continuou subindo. Nessa bóia, obtive uma leitura de 7,4 metros a 19,5 segundos, o que equivale a uma onda de 14,5 metros, e em Mavericks, uma onda de 29 metros”, explica Mark à revista Surfer.
“Há um ponto ideal para Mavericks. Estava na posição perfeita, no ângulo perfeito, tudo perfeito. A cada 10 anos, acontece uma tempestade como esta. Não sou especialista e não fiz nenhuma medição. Mas posso dizer, pelos dados das boias, que estava entre as maiores das maiores”, acrescenta Sponsler.
Guinness assume validação
A partir de agora, a homologação das maiores ondas surfadas no planeta não será mais responsabilidade da WSL. A entidade anunciou na última semana que a tarefa de verificar e reconhecer oficialmente os recordes mundiais de ondas grandes passa para o Guinness World Records, entidade conhecida globalmente por registrar feitos extraordinários em diferentes áreas.
O Guinness confirma que irá supervisionar o novo sistema de medição e mantém a tradição de documentar realizações únicas em escala mundial.
Segundo a WSL, a decisão faz parte de um reposicionamento estratégico: a liga quer manter o foco exclusivo na realização de campeonatos, deixando para o Guinness a responsabilidade de organizar a medição e a validação das ondas gigantes.
“Foi um privilégio acompanhar momentos históricos do surfe e surfistas que desafiam os limites do possível”, comenta Graham Stapelberg, presidente de Tours e Competições da WSL.
Fonte Surfer