Big Wave Challenge

Fred Pompermayer explica foto campeã

Fotógrafo brasileiro radicado na Califórnia fala da vitória no evento que premiou principais nomes do universo de ondas grandes.

O fotógrafo paulista Fred Pompermayer, nascido em Piracicaba, levou seu décimo prêmio em evento de ondas grandes. Desta vez, o reconhecimento veio durante o Big Wave Challenge realizado em Newport Beach, Califórnia, no último sábado.

Com uma foto absolutamente fantástica do big rider Peter Mel em Mavericks, tirada em 23 de dezembro de 2024, Pompermayer consagra-se como um dos melhores fotógrafos de ondas grandes, não só pela atitude num mar imenso, mas pela técnica apurada para enquadrar o surfista.

“Eu estava num ângulo muito difícil para fazer a foto, ainda mais naquelas condições, o maior mar que presenciei ali. Registrei bem aberto, pra mostrar a dimensão de toda onda”, explica o fotógrafo, premiado juntamente com os brasileiros Michaela Fregonese, Lucas Chumbo e o skimboard Lucas Fink, em suas respectivas categorias.

Em entrevista exclusiva concedida ao Waves, Pompermayer fala de seu trabalho muito admirado no fechado clube do surfe de ondas grandes.

Em primeiro lugar, parabéns por sua décima conquista no tradicional evento de ondas grandes. Qual foi o grande diferencial da vitória neste ano?

Muito obrigado! Apenas fruto de uma longa jornada de duas décadas dedicada à fotografia de ondas grandes.  Esse ano teve essa nova categoria “One Photo Of The Year”, em que o fotógrafo enviaria apenas uma foto mais representativa de sua temporada de 2024-25.  E tivemos uma temporada animal.

Para você ter uma ideia, aquela semana foram sete dias de ondas grandes, uma coisa muito difícil de acontecer, foi como uma ultramaratona, todos os dias do nascer até o pôr do sol na água, do Havaí para Half Moon Bay, na Califórnia.  A questao do diferencial, com certeza foi o ângulo dessa foto. Eu estava pilotando o jet ski e fotografando, no meu limite, sabia que tinha feito algo realmente especial.

Como estava o mar? Você lembra de quem estava na água e porque a foto do Peter Mel acabou sendo selecionada?

Fotografo Mavericks desde 2001, e este foi o maior mar que já presenciei lá, é considerado o maior mar já surfado. Estava muito grande. Geralmente Mavericks é uma onda bem definida, que geralmente quebra no mesmo lugar, tendo como referências o primeiro, segundo e terceiro bowl.

Mas naquele dia essas referências já não existiam. As ondas estavam quebrando muito mais pra fora, difícil de se posicionar ou de fazer uma leitura da onda. Na água, os mais conhecidos eram os locais, Luca Padua / Alo Slebir, Peter e seu filho John Mel / Ryan Augenstein, Jojo Roper. Da Europa, estavam a Justine Dupont, Matt Etxebarne (foil) e os brasileiros eram Lucas Chumbo / Lucas Fink, Willian Santana…

Esse tubo do Peter Mel aconteceu numa escala surreal, gigantesco e eu estava num ângulo muito difícil para fazer a foto, ainda mais naquelas condições, naquele ângulo quando o surfista está passando por cima do lip e olhando pra baixo, sabe? Registrei bem aberto, pra mostrar a dimensão de toda onda.

Qual equipamento utilizou?

Utilizo vários equipamentos no meu dia a dia, tanto Canon como Sony. Mas geralmente no surfe de ondas grandes eu uso a câmera Canon 1Dx Mkii, me adaptei muito com ela, e nunca me deixou na mão.

Depois de tantos anos de trabalho em ondas grandes, como analisa a questão da medição de ondas?

Procuro não me envolver muito sobre isso, acho que sempre vai ser uma questão crítica e com diferentes opiniões, nunca vão ter ângulos iguais para ser comparados. Mas sempre achei que isso tem que ser bem esclarecido, uma decisão bem aberta com clareza para que todos tenham informações e entendam todo o processo utilizado.

Entendo que a medida faz parte, cria esse “buzz” na mídia e até mesmo ajuda o atleta. Mas, no final, o big rider de alma não está se importando com o tamanho da onda e o que as pessoas pensam.

Este ano tivemos vários brasileiros vitoriosos no evento. Conte um pouco desta vibração durante o Big Wave Challenge.

A vibração foi incrível, a comunidade do surfe de ondas grandes é como uma grande família, a maioria dos surfistas se respeitam e comemoram juntos. Foi incrível ver Lucas Chumbo, Lucas Fink. Michaela Fregonese e Michelle des Bouillons representando em alto nível, muito orgulho!

Os brasileiros sempre foram bem-recebidos neste ambiente de big surfe, e em outros tempos houve vitórias de Carlos Burle, Danilo Couto, Maya Gabeira, fotógrafo Bruno Lemos, entre outros. Você considera o big surfe um fator de inclusão do Brasil neste mundo de ondas grandes?

Como falei, a comunidade do big surfe é uma grande família. Ver atletas como Lucas Chumbo em dias gigantes não tem como não apreciar, não interessa sua origem. Vejo também que pelo fato de você estar lidando com condições extremas, o ego não se aflora tanto como em outros esportes.

De que maneira analisa o segmento de fotografia do surfe internacional, depois do fechamento de praticamente todas revistas?

A fotografia mudou muito desde que eu iniciei na era analógica (filme), está sempre em transição. Você tem que se adaptar com o mercado. Mas uma coisa é certa, sem imagem o esporte não existe, sempre alguém vai ter que fazer esse trabalho.

Há quanto tempo você está fora do Brasil e quais foram os melhores momentos de sua carreira no período?

Resolvi sair do Brasil em 2004 atrás do sonho, fotografia de surfe, numa época em que o surfe no Brasil ainda não era visto como uma referência no esporte do país, pouquíssimas pessoas viviam disso.

Não vou falar que foi fácil, foi uma jornada longa de muita dedicação e amor ao esporte, demorou muitos anos para que eu começasse a perceber o reconhecimento. Foram vários momentos marcantes. Ganhar meu primeiro Oscar do surfe de onda grande no Billabong XXL Awards, em 2009, numa onda do Derek Dunfee, na remada em Mavericks, onde recebi o prêmio pelas mãos do Jeff Clark, que até então eu era um fã que tinha com grande referência, foi surreal. Hoje somos grandes amigos.

Outros momentos foram as capas das revistas que fiz no mundo todo, mais de 50 no total. Uma que eu acho especial foi a capa da Surfer, com Koa Rothman em Choppes, revista considerada uma das melhores da época, na edição especial com um formato maior. Outro momento foi ano passado, no Big Wave Awards, em Nazaré, Portugal, onde ganhei com a foto de maior onda na remada com Jojo Roper, em Mavericks, e também recebi uma homenagem especial  “Special Recognition Awards” como fotógrafo do ano.

Além de fotografia, você tem outro trabalho na América?

Como a fotografia de ondas grandes é sazonal tenho bastante tempo livre para outras atividades, como a escalada, mountain biking, snowboarding, estou sempre produzindo imagens para empresas nestes segmentos e também sou embaixador de empresas como SanDisk, ANETIK Performance, VENJENZ, FLATLINE VAN CO, onde tenho ajuda financeira.

Quais fotógrafos te inspiram e quais ondas gostaria de conhecer?
Fotógrafos como Jimmy Chin, Chris Burkard, Ben Thouard, Christian Pondella e outros…
Tem algumas ondas que gostaria de conhecer, como The Right, na Western Australia, Mullaghmore, na Irlanda, e algumas outras.

 

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