Finals do Longboard

Chloé garante vaga

Chloé Calmon avança para quartas de final do El Salvador Classic, terceira etapa do mundial da modalidade. Resultado a garante no Finals do Longboard.

A carioca Chloé Calmon confirmou seu nome entre as top-8 do ranking do World Surf League (WSL) Longboard Tour 2023 e vai disputar o título mundial em Malibu Beach, na Califórnia. A vaga foi garantida com a classificação para as quartas de final do Surf City El Salvador Longboard Classic apresentado por Corona, nesta quinta-feira (21) em La Libertad, El Salvador. Chloé agora tem uma disputa direta por posição no ranking com a havaiana Sophia Culhane nas quartas, que serão iniciadas às 8h desta sexta-feira (22) em El Salvador, 11h no Brasil, ao vivo pelo WorldSurfLeague.com.

“É um alívio saber que já estou qualificada para Malibu”, diz Chloé Calmon. “É para isso que treino tanto e estou muito feliz, porque esse era o objetivo principal aqui em Salvador. Mas, não quero parar por aqui. Ainda tenho bastante combustível pra queimar e já estou ansiosa para as quartas de final”.

O próximo desafio é com a havaiana com quem divide o quinto lugar no ranking, Sophia Culhane. Então, além da última vaga para as semifinais do evento, este duelo pode valer para escapar da primeira bateria do Original Sprout Malibu Longboard Championships na Califórnia, entre a 6ª, 7ª e 8ª colocadas no ranking. A decisão dos títulos mundiais masculino e feminino, acontece no melhor dia de ondas em Malibu Beach, na janela de 3 a 13 de outubro.

Será a estreia deste formato inspirado no WSL Finals, que vem definindo os campeões mundiais desde 2021, com grande sucesso em Lower Trestles. Malibu também fica na Califórnia e é um palco histórico e tradicional dos pranchões, um dos berços do esporte nos Estados Unidos. A diferença é que são oito classificados para o Finals do Longboard. As duas primeiras baterias são entre três competidores. O caminho para o título mundial, inicia com um confronto entre o 6º, 7º e 8º colocados no ranking e só o vencedor segue na briga.

Quem passar pela primeira bateria, pega o 4º e 5º do ranking das três etapas. O primeiro colocado neste segundo confronto, avança para desafiar o número 3, abrindo os confrontos diretos no Original Sprout Malibu Longboard Championships. O vencedor do primeiro duelo homem a homem, ou mulher a mulher, disputa com o vice-líder, a chance de decidir o título mundial na melhor de 3 baterias com o número 1 do ranking, que está sendo finalizado em El Salvador.

Única representante – A única representante da América do Sul será Chloé Calmon, que já chegou perto de um inédito título mundial feminino do Brasil e do continente no Longboard. A carioca foi vice-campeã três vezes, em 2016, 2017 e 2019. Na quinta-feira, foi utilizado o sistema “overlapping heats” em El Suzal, com dois confrontos acontecendo simultaneamente.

A duração da bateria foi aumentada para 42 minutos, mas Chloé competiu numa hora ruim do mar, com poucas ondas. Calmon só surfou uma boa, que valeu 5,93 e praticamente confirmou a vitória sobre a norte-americana Kaitlin Mikkelsen, por 9,66 a 9,27 pontos.

“A bateria não foi nada tranquila. Na verdade, foi o oposto”, destaca Chloé Calmon. “Com as baterias simultâneas, você passa mais tempo na água, então espera pegar mais ondas. Mas, foi bem na troca da maré e ficou muito tempo sem entrar nada de ondas. Então, acabou sendo uma bateria de notas baixas, mas sinto que foi mais um aprendizado. Essa onda é perfeita, então você quer fazer um show, mas as vezes é necessário lidar com o que o oceano apresenta. Fico feliz por ter passado a bateria e, especialmente, pela confirmação da minha vaga no Finals em Malibu”.

A peruana Maria Fernanda Reyes chegou a dividir o line-up com Chloé Calmon, pois as sul-americanas competiram nas últimas baterias femininas do dia. Maria Fernanda ainda tinha chance de entrar no grupo das top-7 e até conseguiu a maior nota do duelo contra a surfista que dividia o quinto lugar no ranking com a brasileira. Mas, o 7,60 recebido pela peruana na última onda, foi insuficiente para virar o resultado, encerrado em 14,27 a 12,93 pontos para a havaiana Sophia Culhane.

Quartas de final – Antes de Chloé disputar a última vaga para as semifinais da etapa com Sophia Culhane, já terá acontecido uma verdadeira batalha pela liderança do ranking. A primeira posição agora vale entrar na decisão do título mundial em Malibu direto na melhor de 3 baterias que definirá a campeã. As três melhores da temporada estão numa briga quase a fase a fase e vão abrir as quartas de final contra surfistas que tentam vaga nas top-8.

A número 3 do ranking, Kelis Kaleopaa, do Havaí, está na primeira bateria com Mason Schremmer, que divide a sétima posição com a também norte-americana Rachael Tilly. As duas estão fechando a lista e são ameaçadas pela francesa Zoe Grospiron, que vai pegar a tricampeã mundial e vice-líder do ranking, Honolua Blomfield, na segunda quarta de final. Na terceira, Rachael Tilly encara a bicampeã mundial Soleil Errico, que defende a primeira posição no ranking. A vencedora desse duelo, enfrenta quem passar do confronto da brasileira Chloé Calmon, com a havaiana Sophia Culhane.

Semifinalistas – Na categoria masculina já foram definidos os semifinalistas do Surf City El Salvador Longboard Classic na quinta-feira. O novo líder do ranking, Kaniela Stewart, que vai buscar seu primeiro título mundial entrando direto na melhor de 3 baterias da decisão em Malibu. Kaniela disputará a primeira vaga na grande final em El Salvador com o inglês Ben Skinner, que barrou seu último concorrente pela liderança nas quartas de final, o também havaiano Kai Sallas.

Na segunda semifinal, se enfrentam os dois últimos com chances de entrar no G-8. O sul-africano Steven Sawyer já despachou um concorrente direto na bateria que fechou a quinta-feira, o norte-americano Cole Robbins. Agora, confirma sua classificação para Malibu se derrotar o havaiano John Michael Van Hohenstein, que só consegue entrar no G-8 com a vitória em El Salvador. Ou seja, terá que passar essa e ainda ganhar a grande final.

Liderança do ranking – Praticamente todas as baterias dos homens, desde as oitavas de final, eram decisivas na briga por vaga nos top-8, ou pela liderança do ranking. Os havaianos Kaniela Stewart e Kai Sallas, dividiam a segunda posição e deram um show nas primeiras baterias masculinas do dia, nas longas direitas de El Sunzal. Kaniela bateu todos os recordes, somando nota 8,70 na vitória por 17,10 pontos sobre Kai Ellice-Flint. O australiano foi o primeiro a sair da disputa pelas últimas posições nos top-8.

Kai Sallas acabou com as chances do norte-americano Kaimana Takayama. Com a passagem para as quartas de final, Kaniela e Sallas já ultrapassavam o líder do ranking, Taylor Jensen. O tricampeão mundial competiu duas baterias depois e foi surpreendido por outro havaiano, John Michael Van Hohenstein, que venceu por uma pequena vantagem de 16,27 a 16,10 pontos. O californiano então já caiu para terceiro no ranking e ainda pode perder essa posição, se Ben Skinner vencer o campeonato.

O inglês Ben Skinner foi o único que entrou nos top-8 na quinta-feira, tirando o japonês Taka Inoue da briga pelo título mundial no Finals do long. Ben Skinner primeiro passou pelo norte-americano Richie Cravey, depois barrou o vice-líder do ranking, Kai Sallas, surfando uma onda de forma espetacular. Os juízes deram a maior nota do ano para ele, 9,40, que decidiu a vitória sobre o havaiano por uma pequena diferença de 16,40 a 16,00 pontos.

Dia final em El Salvador
Quartas de final – Derrota=5.o lugar com US$ 1.000 e 4.745 pontos:
1 Kelis Kaleopaa (HAV) x Mason Schremmer (EUA)
2 Honolua Blomfield (HAV) x Zoe Grospiron (FRA)
3 Soleil Errico (EUA) x Rachael Tilly (EUA)
4 Chloé Calmon (BRA) x Sophia Culhane (HAV)

Semifinais – 3.o lugar com US$ 1.300 e 6.085 pontos:
1 Kaniela Stewart (HAV) x Ben Skinner (ING)
2 Steven Sawyer (AFR) x John Michael Van Hohenstein (HAV)

Resultados
Oitavas de final feminina – Derrota=9.o lugar com US$ 750 e 3.320 pontos:
1 Kelis Kaleopaa (HAV) 14,17 x 10,53 Maya Glasenapp (FRA)
2 Mason Schremmer (EUA) 12,43 x 11,97 Avalon Gall (EUA)
3 Honolua Blomfield (HAV) 15,60 x 13,17 Natsumi Taoka (JPN)
4 Zoe Grospiron (FRA) 13,43 x 10,00 Alice Lemoigne (FRA)
5 Soleil Errico (EUA) 13,27 x 8,90 Roisin Carolan (AUS)
6 Rachael Tilly (EUA) 15,33 x 11,80 x Tully White (AUS)
7 Sophia Culhane (HAV) 14,27 x 12,93 Maria Fernanda Reyes (PER)
8 Chloé Calmon (BRA) 9,66 x 9,27 Kaitlin Mikkelsen (EUA)

Oitavas de final masculina – Derrota=9.o lugar com US$ 750 e 3.320 pontos:
1 Kaniela Stewart (HAV) 17,10 x 15,50 Kai Ellice-Flint (AUS)
2 Kevin Skvarna (EUA) 15,06 x 10,86 Edouard Delpero (FRA)
3 Kai Sallas (HAV) 15,33 x 12,73 Kaimana Takayama (EUA)
4 Ben Skinner (ING) 13,53 x 12,26 Richie Cravey (EUA)
5 John Michael Van Hohenstein (HAV) 16,27 x 16,10 Taylor Jensen (EUA)
6 Rogelio Jr Esquievel (PHL) 14,57 x 13,33 Taka Inoue (JPN)
7 Steven Sawyer (AFR) 10,96 x 10,73 Declan Wyton (AUS)
8 Cole Robbins (EUA) 14,67 x 13,30 Tony Silvagni (EUA)

Quartas de final masculina – Derrota=5.o lugar com US$ 1.000 e 4.745 pontos:
1 Kaniela Stewart (HAV) 15,67 x 13,90 Kevin Skvarna (EUA)
2 Ben Skinner (ING) 16,40 x 16,00 Kai Sallas (HAV)
3 John Michael Van Hohenstein (HAV) 15,67 x 13,03 Rogelio Jr Esquievel (PHL)
4 Steven Sawyer (AFR) 16,00 x 15,10 Cole Robbins (EUA)

Enquanto alguns fotógrafos documentam a história, Fedoca Lima fez diferente: viveu dentro dela enquanto fotografava. Carioca do Posto 5, começou a surfar com 11 anos e a fotografar quase ao mesmo tempo, com uma máquina fotográfica alemã do pai. Aos 14, registrou a Rainha Elizabeth passando de Rolls-Royce aberto pela orla de Copacabana, em frente à casa do Assis Chateaubriand. No mesmo período, fotografou o Mick Jagger dando o dedo do meio no Copacabana Palace. Não era fotógrafo profissional. Era um moleque com olho bom e câmera na mão, sem perceber ainda o tamanho do que estava construindo. O que veio depois é história do surfe brasileiro. O Píer de Ipanema nos anos 70, quando o Rio era o centro do surfe nacional, com Daniel Friedmann, Pepê Lopes, Rico de Souza e Ricardo Bocão dominando o circuito. A Brasil Surf, primeira revista especializada do país, na qual Fedoca jogou em todas as posições: fotógrafo, redator e capa. O Havaí entre 1978 e 1981, surfando e fotografando ao lado de Gerry Lopez, Shaun Tomson e Michael Ho em Pipeline e Waimea. Os shows históricos, de Bob Marley ao ar livre no Havaí até Rolling Stones e Paul McCartney no Maracanã. “A foto que eu não tirei, essa me persegue.” Fedoca Lima Mais de cinquenta anos depois, esse arquivo vira livro. “Surf, Clicks e Rock’n Roll” tem 220 páginas, cerca de 180 fotografias e percorre a transformação do surfe brasileiro desde a era analógica até o digital, passando por Arpoador, Saquarema, Havaí, Califórnia e Macumba. Com captação aprovada de R$ 203 mil via incentivo cultural e apio da Fu Wax, o lançamento está previsto para o segundo semestre de 2026. Conversamos com Fedoca sobre tudo isso. Antes de se consolidar como fotógrafo, você também virou personagem da própria história do surfe brasileiro ao sair na capa da Brasil Surf em 1975. Como foi viver aquele momento por dentro? Saí na capa da Brasil Surf. Na época eu trabalhei na revista de março de 75 até janeiro de 79, só não peguei o primeiro número. Jogava todas as posições: saí na capa, escrevia, tirava foto, ajudava na redação, dava palpite, fazia matéria. Por muito tempo achei que era o único fotógrafo de surfe que tinha saído numa capa. Depois o Bruno Alves me falou que o irmão dele, o Alberto, saiu na capa da Fluir número 1. A história dele bate um pouco com a minha: ele pegava onda, saiu na capa, era fotógrafo. Mas durante anos eu achei que era caso único. Até hoje tem um restaurante aqui que o cara pediu, eu tirei uma foto com a revista na mão, ele botou na parede, eu assinei. A influência continua. A Brasil Surf ajudou a mudar a imagem do surfista no Brasil. Como era ser surfista naquela época, antes dessa mudança de percepção acontecer? O surfe saía no caderno B do Jornal do Brasil, do Globo. Não saía no esporte. E o surfista era tido como vagabundo de praia. Isso, aliás, até hoje tem um pouco, mas na época tinha muito mais. A Brasil Surf não vou dizer que limpou essa imagem completamente, mas ajudou a transformar o surfe em esporte e também a fomentar o mercado de surfwear. Os irmãos Wady e Fuad Mansur, da loja Mansur, em Ipanema, foram dos primeiros anunciantes. Acreditaram na revista, fizeram anúncios de contracapa e página inteira, e as camisetas personalizadas vendidas pelo correio viraram um sucesso. A Brasil Surf acabou impulsionando fabricantes de pranchas, calções, parafinas e diversos outros anunciantes ligados ao surfe. Os fabricantes de prancha tinham um veículo para anunciar. Os fotógrafos ganhavam uma graninha, viajavam. Fui para a América Central, Porto Rico, Barbados, El Salvador, Fernando de Noronha, Peru, várias viagens bancadas pela Brasil Surf de uma forma ou de outra. O Nilton Barbosa foi ao Havaí duas vezes bancado pela revista. No caso dele, eles bancavam os filmes, ele vendia as fotos e a viagem se pagava. Tinha uma diferença entre mim e o Nilton nessa época: ele chegava na praia e ficava na areia fotografando, fotografando, fotografando. Eu chegava e ia para dentro da água. Se não estava o Daniel, não estava o Pepê, não estava o Cauli, não estava o Bocão, não estavam os caras top, eu entrava e surfava. Então tem foto minha na Brasil Surf publicada pelo Nilton Barbosa, pelo Rogério Ehrlich. Eu estava mais dentro da água do que fora. Eu estudava. Primeiro vestibular, depois faculdade. Boa parte dos meus amigos só queria saber de surfar. Eu dividia meu tempo. Chegava na praia, já tinha estudado de manhã, aí ficava naquele dilema: vou pegar onda ou vou fotografar? Por isso tem poucas fotos do Píer. Em três anos não tirei nem metade do que tiro hoje num dia bom na Macumba com o digital. Você viveu o Píer, a Brasil Surf, o Havaí dos anos 70, o nascimento do surfe brasileiro moderno. Em que momento percebeu que estava no meio de uma transformação cultural que iria muito além do esporte? O Píer foi o que fomentou o surfe no Rio de Janeiro. Por dez anos, foi domínio completo do Rio no cenário brasileiro. O Daniel Friedmann, em 77, foi o último carioca a vencer uma etapa do circuito internacional, ganhou no Quebra-Mar, em cima do Pepê Lopes, que tinha ganho em 76. Os dois de Ipanema, meus vizinhos de rua. E esse pessoal do Píer que dominou, o Daniel, o Pepê Lopes, o Cauli Rodrigues, e também o Otávio Pacheco, o Rico de Souza, o Ricardo Bocão. E tinha o Betão, que era o melhor surfista do Brasil na época mas não era competitivo, não corria atrás de patrocinador, acabou saindo cedo. Em 75 ele ganhou o Campeonato de Saquarema e foi saindo, saindo. O Píer influenciou a revista, influenciou os fabricantes de prancha, influenciou o modo de viver. Começaram a ter fábricas em Guaratiba, Vargem Grande, no Recreio, depois em Saquarema. As pessoas foram morar lá. O Penho foi, o Otávio comprou casa,

O que define uma boa onda? Tamanho, força, parede, qualidade da linha, formação e surfabilidade, dentre outros elementos. No oceano, todos esses fatores mudam a cada swell, a cada vento, a cada maré. Em Búzios, a proposta é diferente: construir essas variáveis de forma controlada, repetível e ajustável. A piscina do Brasil Surfe Clube Aretê Búzios opera com a tecnologia Endless Surf, do grupo canadense WhiteWater, com 48 câmaras de ar de alta precisão. O sistema permite criar configurações distintas dentro da mesma estrutura. Dentro de um universo de grandes possibilidades, as cinco primeiras ondas já foram nomeadas e reveladas, cada uma com perfil próprio, e muito mais ainda está por vir. Onda #01: Pointbreak + Junção Linha longa, seções conectadas, tempo de onda que pode ultrapassar 25 segundos. A junção encadeia diferentes partes da onda sem perder velocidade, criando uma das experiências mais difíceis de encontrar no oceano com consistência. Para quem quer mais de 10 manobras na mesma onda ou simplesmente mais tempo de linha para ler e decidir. Onda #02: Manobras + Bowl A parede fica mais íngreme. O bowl abre seções críticas para manobras verticais e aéreos. É o ambiente para quem quer empurrar os limites do que consegue fazer sobre a prancha, com repetição suficiente para transformar cada tentativa em aprendizado real. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Onda #03: Rampa + Tubo Uma onda que combina duas experiências na mesma seção. A rampa prepara o surfista para a manobra e o tubo roda na sequência. Para quem quer encaixar um aéreo e ainda sair do tubo na mesma onda, essa configuração entrega os dois elementos sem precisar escolher. Onda #04: Rampa Nível Intermediário Parede consistente, menor intensidade, mais previsível. A configuração certa para quem está desenvolvendo manobras progressivas e precisa de repetição para consolidar o que está aprendendo. A seção cria a rampa no ângulo certo, com velocidade suficiente para executar sem exigir o nível avançado. Onda #05: Rampa Nível Avançado Mais potência, mais velocidade, mais projeção. A rampa avançada é para quem já chegou em Búzios com manobras no repertório e quer testá-las com pressão real. Com capacidade para gerar até 700 ondas por hora, o intervalo entre uma tentativa e outra é curto o suficiente para transformar cada sessão em treino de alto rendimento. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Para todos os níveis As cinco configurações cobrem desde quem está aprendendo até quem treina em alto rendimento. A piscina ainda opera em dois modos: single peak, com ondas quebrando para um lado e maior extensão de linha, e split peak, com direitas e esquerdas simultâneas, permitindo que surfistas compartilhem a mesma série em direções opostas. Yago Dora, campeão mundial de surfe em 2025, Victor Bernardo, um dos maiores freesurfers da atualidade, e Michelle des Bouillons, referência mundial em ondas gigantes, integram o time do BSC e já testaram a tecnologia na piscina Adrena Red Sea, na Arábia Saudita. “Muito animal esse lance de ter essa variedade de onda também. Um leque de ondas absurdo. Mal posso esperar para Búzios”, disse Victor Bernardo após a sessão. A versão de Búzios será maior: 48 câmaras contra 36 da estrutura do Mar Vermelho, com 13 mil metros quadrados de lâmina d’água. Variedade de ondas para testar, arriscar, aprender e evoluir todos os dias. Com inauguração prevista para o segundo semestre de 2026, é o que o Brasil Surfe Clube Aretê Búzios chega para entregar.

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.