Surf Brasil 2026

Parasurf abre o show

Os campeões mundiais Luciano Nem Silveira, Dijackson Santos, Davizinho Radical e Rafael Lueders, foram os destaques da sexta-feira no Surf Brasil Parasurf 2026, em Ipojuca.
Surf Brasil Parasurf 2026, Praia do Borete, Porto de Galinhas, Ipojuca (PE)

O Surf Brasil Parasurf 2026 abriu o show de emoções na sexta-feira em Porto de Galinhas, no município do Ipojuca, litoral sul de Pernambuco. A disputa pelos títulos brasileiros das 13 categorias, começou com os campeões mundiais Luciano Nem Silveira (SC), Dijackson Santos (BA), Davizinho Radical (RJ) e Rafael Lueders (SC), sendo os destaques do primeiro dia. O bicampeão mundial e brasileiro, Luciano Nem, da categoria PS-S3, foi o recordista absoluto de nota – 9,40 – e placar – 18,15 pontos – nas boas ondas da sexta-feira na Praia do Borete. A quarta edição do Campeonato Brasileiro de Parasurf em Ipojuca, registra um recorde de 68 inscritos e o show das estrelas da modalidade continua neste sábado, ao vivo pelo canal Surf Brasil TV no YouTube e pelos canais Woohoo na TV.

O Surf Brasil Parasurf 2026 começou na quarta-feira com a recepção dos competidores na arena do evento em Porto de Galinhas. A quinta-feira foi o dia dos paratletas passarem pela avaliação médica para a categorização nas 13 classes funcionais, com os campeões e campeãs em nove delas se classificando para representar o Brasil no Mundial de Parasurf da ISA (International Surfing Association). São três divisões para quem surfa em pé na prancha, PS-S1, PS-S2 e PS-S3. Tem ainda a PS-Kneel / Upright para quem surfa de joelhos, a PS-Sit para quem pega ondas sentado e a PS-Prone 1 e PS-Prone 2 para quem surfa deitado de bruços na prancha, além das duas categorias para deficientes visuais, a PS-VI 1 e PS-VI 2.

O catarinense Luciano Nem Silveira compete na PS-S3, dos atletas com deficiência na perna acima do joelho. Ele é o atual bicampeão brasileiro e bicampeão mundial de 2024 e 2025 e lidera o ranking do Circuito Mundial de 2026, com vitórias nas duas primeiras etapas que rolaram na Austrália e Havaí. Nem estreou na quinta bateria do Surf Brasil Parasurf 2026 na sexta-feira e conseguiu as maiores notas com seu ataque agressivo de backside nas esquerdas da Praia do Borete. O catarinense somou notas 9,40 e 8,75 na vitória por 18,15 pontos, jogando fora outra nota excelente, 8,10, além de um 7,90 e um 7,50.

“Estou feliz da vida em conseguir ir aumentando minhas notas. Foi uma conexão com o mar e com Deus incrível”, disse Luciano Nem Silveira. “Eu orei muito antes de entrar na água, pedindo que Ele me guiasse e guiou, mandando essas ondas espetaculares. Eu tava muito solto, muito à vontade, porque tenho treinado bastante aqui. Eu cheguei bem antes do campeonato e o resultado é esse aí do trabalho duro, consistente e to querendo muito esse título, para ir representar o Brasil novamente na Califórnia. Agora a meta é fazer um 10. Esse é o meu sonho, de conseguir um 10 na bateria e vou na busca dele”.

No Surf Brasil Parasurf 2026, cada atleta disputa duas baterias e o resultado computa as duas maiores notas conseguidas nas duas participações. No caso do Luciano Nem Silveira, ele praticamente confirmou o tricampeonato brasileiro e a vaga para representar o país mais uma vez na categoria PS-S3 do Mundial de Parasurf da ISA, que ainda não tem data e local confirmados. O título não está oficialmente garantido, porém dificilmente seus adversários, os cearenses Gilmario Guimarães e Estenio Araujo e o gaúcho Claudio Brum, conseguirão superar os 18,15 pontos que Luciano Nem atingiu na sexta-feira em Ipojuca.

Catarinenses bicampeões mundiais se destacam na sexta-feira – O surfista criado nas ondas da Joaca, bateu os recordes que outro catarinense e igualmente bicampeão mundial tinha registrado no segundo confronto do dia. Rafael Lueders conquistou os títulos de 2022 e 2023 na categoria PS-S2, dos paratletas com deformidade em membro inferior abaixo do joelho, oposto ao do Luciano Nem, que é acima do joelho. Rafael foi campeão brasileiro no ano passado nas mesmas ondas da Praia do Borete e conseguiu uma nota 8,75 na melhor onda que surfou contra o sergipano Ygor Almeida no segundo confronto do dia. Com ela, ganhou a bateria por 15,25 pontos.

“Estou muito feliz, gosto muito de surfar aqui nessa praia, a onda aqui do Borete é muito boa e o evento está de parabéns”, destacou Rafael Lueders. “A galera toda da organização é muito bacana e o Parasurf, se Deus quiser, vai cada vez mais ganhando reconhecimento no Brasil. Esse ano teve recorde de inscritos, com Santa Catarina, por exemplo, vindo com 19 atletas, então a modalidade está crescendo cada vez mais. A gente fica feliz de ver que tá dando certo, com nossas vitórias motivando outros atletas a competirem”.

Campeão mundial mais jovem da história abre o Surf Brasil Parasurf – Um destaque de uma já nova geração do Parasurf, ganhou a bateria que inaugurou oficialmente o Surf Brasil Parasurf 2026, logo após a emocionante cerimônia de abertura do Campeonato Brasileiro e da Seletiva Mundial, na manhã da sexta-feira em Porto de Galinhas. O potiguar Davi Lima estreou na modalidade no ano passado, conquistou o título brasileiro na Praia do Borete e se tornou o campeão mundial mais jovem da história do Parasurf também em 2025, com 16 anos de idade. Davi nasceu com uma deformidade no braço e compete na categoria PS-S1. Ele é um dos paratletas que recebem suporte do Instituto Aldemir Calunga, ex-surfista profissional que trouxe uma equipe do Rio Grande do Norte.

“Eu pedi muito a Deus, que enviasse uma onda boa para eu fazer a nota que precisava, porque o mar está muito difícil”, contou Davi Lima. “Eu to com uma prancha muito boa, a gente está aqui com uma estrutura muito boa também e quero agradecer a rapaziada que tá aqui na praia e quem tá assistindo o campeonato em casa. É isso aí, tamo junto e quero buscar o bicampeonato brasileiro, então vamo simbora pra próxima”.

Davizinho Radical quer nota 10 e o pentacampeonato brasileiro – Outro Davi, mas bem mais famoso, o Davi Aguiar, ou Davizinho Radical, também começou muito bem no Surf Brasil Parasurf 2026. O já tetracampeão brasileiro e tetracampeão mundial da categoria PS-Prone 2, que surfa deitado de bruços na prancha com assistência para pegar as ondas, conseguiu notas 8,00 e 7,00 nas suas duas melhores apresentações na Praia do Borete na sexta-feira. Com os 15,00 pontos que totalizou, ganhou fácil do também carioca Marcos Azevedo e do catarinense Daniel Ramos.

“A bateria foi sensacional, muito maneira. O mar tá bem difícil, mas me conectei muito bem com as ondas, consegui tirar duas notas boas, um 7,0 e um 8,0, mas eu to mirando no 10. Todo campeonato eu quero fazer o 10, pra pelo menos achar que eu fui excelente”, disse Davizinho Radical. “As minhas expectativas para esse evento, são ganhar o evento para ir pra Califórnia mais uma vez, como parte da seleção brasileira e ajudar nossa equipe a reconquistar a nossa tão sonhada medalha de ouro. Eu vi a previsão que vai ter altas ondas aqui nesse lugar maravilhoso, então é só curtir ao máximo e lapada na beiça dela”.

Dijackson Santos consegue a segunda nota na casa dos 9 pontos – Depois do Davizinho Radical, quem também brilhou em sua estreia no Surf Brasil Parasurf 2026, foi o baiano Dijackson Santos. Ele foi quem chegou mais perto dos recordes do Luciano Nem Silveira, ganhando sua bateria por 15,50 pontos, somando uma nota 9,00 da sua melhor onda surfada contra dois catarinenses, João Energia e Eduardo Merlin. Dijackson é mais conhecido por “Gato de Botas” e tem um título mundial conquistado em 2023 na categoria PS-S3. Mas, no ano passado foi campeão brasileiro na PS-Kneel, dos paratletas que surfam de joelhos na prancha.

“Está muito difícil pra vir ondas, fiquei ali esperando, remava prum lado, remava pro outro, mas as ondas sumiram na minha bateria”, disse Dijackson Santos. “Aí veio uma direita, eu peguei, dei uma rasgada e acabei caindo. Peguei outra direita, consegui dar uma batida e depois não vinha ondas lá dentro. Tava muito difícil, então desci mais pra baixo, peguei uma onda e já fui com tudo pra dar uma cacetada pra puxar nota e foi isso. Tirei um 9,00 e to muito feliz com essa nota e por ter passado a bateria em primeiro”.

Fellipe Kizu e Derek Rabelo estreiam no primeiro confronto do sábado – Um total de 54 paratletas estrearam nas 16 baterias da sexta-feira em Porto de Galinhas. Mais 10 competidores vão fazer suas primeiras apresentações no Surf Brasil Parasurf 2026, nos 3 confrontos que ficaram para abrir o sábado na Praia do Borete. No primeiro do dia, entram três grandes estrelas do campeonato, o hexacampeão mundial Fellipe Kizu Lima da categoria PS-Sit que compete sentado no waveski com auxílio do remo e os deficientes visuais Derek Rabelo e Figue Diel. Depois tem a estreia dos quatro atletas do Espectro Autista, os dois do Baixa Estatura da família Roberto Pino e André Menezes da Surdo.

O Surf Brasil Parasurf 2026 é uma realização do Surf Brasil e conta com patrocínio do Ministério do Esporte do Governo Federal do Brasil, da Lei de Incentivo ao Esporte do Governo do Estado de Pernambuco pela Secretaria de Esportes, da Copergás e da Prefeitura do Ipojuca através da Secretaria de Turismo, também tem apoio de JISK, Suntech, Brazilian Tiger Balm, Shopee, Rodas da Liberdade, UNINASSAU e da Federação Pernambucana de Surf. A competição é transmitida ao vivo pelo canal Surf Brasil TV no YouTube e pelo Canal Woohoo.

Categorias do mundial de Parasurf da ISA

PS-S1: atletas com deficiência na parte superior do corpo ou baixa estatura que surfam em pé

PS-S2: atletas com comprometimento da parte inferior abaixo do joelho que surfam em pé

PS-S3: atletas com comprometimento da parte inferior acima do joelho que surfam em pé

PS-Sit: surfam sentados com auxílio de remo no waveski

PS-Kneel / Upright: surfam de joelhos na prancha

PS-Prone 1: surfam em decúbito ventral ou de bruços na prancha

PS-Prone 2: surfam em decúbito ventral precisando de assistência

PS VI-1: surfistas com deficiência visual com cegueira total

PS VI-2: surfistas com deficiência visual com cegueira parcial

Resultados sa sexta-feira na Praia do Borete
Ps-S1 Masculino

1º- Davi Lima (RN) por 12,15 pontos = 6,50+5,65

2º- Miguel Junior (SC) com 11,90 pontos = 6,00+5,90

3º- Fidel Lopes (SC) com 5,75 pontos = 3,75+2,00

4º- Josilmar Junior (PE) com 2,45 pontos = 1,35+1,10

Ps-S2 Masculino – Bateria 1

1º- Rafael Lueders (SC) por 15,25 pontos = 8,75+6,50

2º- Ygor Almeida (SE) com 3,30 pontos = 1,70+1,60

Ps-S2 Masculino – Bateria 2

1º- Lucas Cruz (BA) por 7,50 pontos = 5,00+2,50

2º- Rafael Saraiva (CE) com 2,80 pontos = 2,05+0,75

3º- Jamerson Mancio (PE) com 2,65 pontos = 1,50+1,15

Ps-Vi 2 Masculino

1º- Janio Silva (RN) por 8,05 pontos = 4,75+3,30

2º- Rafael Giguer (RS) com 3,80 pontos = 2,40+1,40

3º- Adriano Alves (SC) com 3,60 pontos = 2,25+1,35

Ps-S3 Masculino

1º- Luciano Nem Silveira (SC) por 18,15 pontos = 9,40+8,75

2º- Gilmario Guimarães (CE) com 11,10 pontos = 6,00+5,10

3º- Claudio Brum (RS) com 5,35 pontos = 2,70+2,65

4º- Estenio Araujo (CE) com 4,50 pontos = 2,40+2,10

Ps-Prone 1 Masculino – Bateria 1

1º- Cleuson Soares (PB) por 9,75 pontos = 6,00+3,75

2º- Iel (RN) com 8,70 pontos = 4,45+4,25

3º- Paulo Loreto (RS) com 7,15 pontos = 5,00+2,15

w.o- Sergio Aguiar (PB)

Ps-Prone 1 Masculino – Bateria 2

1º- Paulo Souza (RS) por 10,75 pontos = 6,25+4,50

2º- Thiago Carvalho (RJ) com 8,55 pontos = 4,65+3,90

3º- Ezequiel Geraldo (SC) com 5,55 pontos = 3,00+2,55

4º- Emerson Melo (SP) com 1,70 pontos = 0,90+0,80

Ps-S2 Feminino

1ª- Malu Mendes (SP) por 10,40 pontos = 6,00+4,40

2ª- Maryele Cardoso (SC) com 5,50 pontos = 3,00+2,50

Ps-Prone 2 Masculino – Bateria 1

1º- Davi Aguiar (RJ) por 15,00 pontos = 8,00+7,00

2º- Marcos Azevedo (RJ) com 7,50 pontos = 3,80+3,70

3º- Daniel Ramos (SC) com 6,65 pontos = 3,35+3,30

Ps-Prone 2 Masculino – Bateria 2

1º- Gabriel Santos (RJ) por 10,25 pontos = 5,75+4,50

2º- Arthur Medeiros (ES) com 9,80 pontos = 5,50+4,30

3º- Muriel Souza (ES) com 5,00 pontos = 2,75+2,25

Ps-Kneel / Upright Masculino

1º- Dijackson Santos (BA) por 15,50 pontos = 9,00+6,50

2º- João Energia (SC) com 4,00 pontos = 2,40+1,60

3º- Eduardo Merlin (SC) com 3,80 pontos = 2,05+1,75

Ps-Kneel / Upright Feminino

1ª- Vera Quaresma (SC) por 9,00 pontos = 5,00+4,00

2ª- Sol (SC) com 3,00 pontos = 3,00+0,00

3ª- Janaina Sousa (CE) com 1,55 pontos = 0,95+0,60

Ps-Prone 1 E 2 Feminino

1ª- PRONE 1 – Vitoria Diehl (RJ) com 8,95 pontos = 5,00+3,95

1ª- PRONE 2 – Monique Oliveira (RJ) por 9,80 pontos = 5,00+4,80

2ª- PRONE 2 – Vitoria Regina (PE) com 6,60 pontos = 3,60+3,00

3ª- PRONE 2 – Maria Santos (RJ) com 5,90 pontos = 3,10+2,80

Baixa Estatura / Ps-Vi 1 / Ps-Vi 2 Feminino

1ª- PS-VI 2 – Mariana Busnello (SC) por 5,75 pontos = 3,00+2,75

2ª- PS-VI 2 – Cecilia Silva (SP) com 4,15 pontos = 2,35+1,80

1ª- PS-VI 1 – Ingrid Medina (AL) com 2,30 pontos = 1,20+1,10

1ª- BE – Lara Pino (PE) com 3,95 pontos = 2,15+1,80

Down Masculino

1º- Noah dos Anjos (SP) por 10,75 pontos = 6,00+4,75

2º- Gabriel Paiva (RJ) com 9,60 pontos = 5,10+4,50

3º- Thiago Adad (SP) com 4,85 pontos = 2,85+2,00

4º- Henrique Sommer (SC) com 1,40 pontos = 0,70+0,70

Espectro Autista / Down / Surdo Feminino

1ª- DOWN – Jade Lie (SP) por 10,75 pontos = 5,75+5,00

2ª- DOWN – Larissa Costa (PE) com 6,25 pontos = 3,50+2,75

1ª- SURDO – Aline Lopes (ES) com 3,40 pontos = 1,75+1,65

1ª- AUTISTA – Ana Cordeiro (CE) com 2,75 pontos = 2,75+0,00

Baterias que vão abrir o sábado
Ps-Sit E Ps-Vi 1 Masculino

PS-SIT: Fellipe Kizu Lima (SC)

PS-VI 1: Derek Rabelo (SC)

PS-VI 1: Figue Diel (SC)

Espectro Autista Masculino

Kauã Caldas (RJ)

Gustavinho (PE)

João Lessa (BA)

Tiago Albino (SC)

Baixa Estatura / Surdo Masculino

BE: Roberto Pino (PE)

BE: Otavio Pino (PE)

SURDO: André Menezes (RJ)

Enquanto alguns fotógrafos documentam a história, Fedoca Lima fez diferente: viveu dentro dela enquanto fotografava. Carioca do Posto 5, começou a surfar com 11 anos e a fotografar quase ao mesmo tempo, com uma máquina fotográfica alemã do pai. Aos 14, registrou a Rainha Elizabeth passando de Rolls-Royce aberto pela orla de Copacabana, em frente à casa do Assis Chateaubriand. No mesmo período, fotografou o Mick Jagger dando o dedo do meio no Copacabana Palace. Não era fotógrafo profissional. Era um moleque com olho bom e câmera na mão, sem perceber ainda o tamanho do que estava construindo. O que veio depois é história do surfe brasileiro. O Píer de Ipanema nos anos 70, quando o Rio era o centro do surfe nacional, com Daniel Friedmann, Pepê Lopes, Rico de Souza e Ricardo Bocão dominando o circuito. A Brasil Surf, primeira revista especializada do país, na qual Fedoca jogou em todas as posições: fotógrafo, redator e capa. O Havaí entre 1978 e 1981, surfando e fotografando ao lado de Gerry Lopez, Shaun Tomson e Michael Ho em Pipeline e Waimea. Os shows históricos, de Bob Marley ao ar livre no Havaí até Rolling Stones e Paul McCartney no Maracanã. “A foto que eu não tirei, essa me persegue.” Fedoca Lima Mais de cinquenta anos depois, esse arquivo vira livro. “Surf, Clicks e Rock’n Roll” tem 220 páginas, cerca de 180 fotografias e percorre a transformação do surfe brasileiro desde a era analógica até o digital, passando por Arpoador, Saquarema, Havaí, Califórnia e Macumba. Com captação aprovada de R$ 203 mil via incentivo cultural e apio da Fu Wax, o lançamento está previsto para o segundo semestre de 2026. Conversamos com Fedoca sobre tudo isso. Antes de se consolidar como fotógrafo, você também virou personagem da própria história do surfe brasileiro ao sair na capa da Brasil Surf em 1975. Como foi viver aquele momento por dentro? Saí na capa da Brasil Surf. Na época eu trabalhei na revista de março de 75 até janeiro de 79, só não peguei o primeiro número. Jogava todas as posições: saí na capa, escrevia, tirava foto, ajudava na redação, dava palpite, fazia matéria. Por muito tempo achei que era o único fotógrafo de surfe que tinha saído numa capa. Depois o Bruno Alves me falou que o irmão dele, o Alberto, saiu na capa da Fluir número 1. A história dele bate um pouco com a minha: ele pegava onda, saiu na capa, era fotógrafo. Mas durante anos eu achei que era caso único. Até hoje tem um restaurante aqui que o cara pediu, eu tirei uma foto com a revista na mão, ele botou na parede, eu assinei. A influência continua. A Brasil Surf ajudou a mudar a imagem do surfista no Brasil. Como era ser surfista naquela época, antes dessa mudança de percepção acontecer? O surfe saía no caderno B do Jornal do Brasil, do Globo. Não saía no esporte. E o surfista era tido como vagabundo de praia. Isso, aliás, até hoje tem um pouco, mas na época tinha muito mais. A Brasil Surf não vou dizer que limpou essa imagem completamente, mas ajudou a transformar o surfe em esporte e também a fomentar o mercado de surfwear. Os irmãos Wady e Fuad Mansur, da loja Mansur, em Ipanema, foram dos primeiros anunciantes. Acreditaram na revista, fizeram anúncios de contracapa e página inteira, e as camisetas personalizadas vendidas pelo correio viraram um sucesso. A Brasil Surf acabou impulsionando fabricantes de pranchas, calções, parafinas e diversos outros anunciantes ligados ao surfe. Os fabricantes de prancha tinham um veículo para anunciar. Os fotógrafos ganhavam uma graninha, viajavam. Fui para a América Central, Porto Rico, Barbados, El Salvador, Fernando de Noronha, Peru, várias viagens bancadas pela Brasil Surf de uma forma ou de outra. O Nilton Barbosa foi ao Havaí duas vezes bancado pela revista. No caso dele, eles bancavam os filmes, ele vendia as fotos e a viagem se pagava. Tinha uma diferença entre mim e o Nilton nessa época: ele chegava na praia e ficava na areia fotografando, fotografando, fotografando. Eu chegava e ia para dentro da água. Se não estava o Daniel, não estava o Pepê, não estava o Cauli, não estava o Bocão, não estavam os caras top, eu entrava e surfava. Então tem foto minha na Brasil Surf publicada pelo Nilton Barbosa, pelo Rogério Ehrlich. Eu estava mais dentro da água do que fora. Eu estudava. Primeiro vestibular, depois faculdade. Boa parte dos meus amigos só queria saber de surfar. Eu dividia meu tempo. Chegava na praia, já tinha estudado de manhã, aí ficava naquele dilema: vou pegar onda ou vou fotografar? Por isso tem poucas fotos do Píer. Em três anos não tirei nem metade do que tiro hoje num dia bom na Macumba com o digital. Você viveu o Píer, a Brasil Surf, o Havaí dos anos 70, o nascimento do surfe brasileiro moderno. Em que momento percebeu que estava no meio de uma transformação cultural que iria muito além do esporte? O Píer foi o que fomentou o surfe no Rio de Janeiro. Por dez anos, foi domínio completo do Rio no cenário brasileiro. O Daniel Friedmann, em 77, foi o último carioca a vencer uma etapa do circuito internacional, ganhou no Quebra-Mar, em cima do Pepê Lopes, que tinha ganho em 76. Os dois de Ipanema, meus vizinhos de rua. E esse pessoal do Píer que dominou, o Daniel, o Pepê Lopes, o Cauli Rodrigues, e também o Otávio Pacheco, o Rico de Souza, o Ricardo Bocão. E tinha o Betão, que era o melhor surfista do Brasil na época mas não era competitivo, não corria atrás de patrocinador, acabou saindo cedo. Em 75 ele ganhou o Campeonato de Saquarema e foi saindo, saindo. O Píer influenciou a revista, influenciou os fabricantes de prancha, influenciou o modo de viver. Começaram a ter fábricas em Guaratiba, Vargem Grande, no Recreio, depois em Saquarema. As pessoas foram morar lá. O Penho foi, o Otávio comprou casa,

O que define uma boa onda? Tamanho, força, parede, qualidade da linha, formação e surfabilidade, dentre outros elementos. No oceano, todos esses fatores mudam a cada swell, a cada vento, a cada maré. Em Búzios, a proposta é diferente: construir essas variáveis de forma controlada, repetível e ajustável. A piscina do Brasil Surfe Clube Aretê Búzios opera com a tecnologia Endless Surf, do grupo canadense WhiteWater, com 48 câmaras de ar de alta precisão. O sistema permite criar configurações distintas dentro da mesma estrutura. Dentro de um universo de grandes possibilidades, as cinco primeiras ondas já foram nomeadas e reveladas, cada uma com perfil próprio, e muito mais ainda está por vir. Onda #01: Pointbreak + Junção Linha longa, seções conectadas, tempo de onda que pode ultrapassar 25 segundos. A junção encadeia diferentes partes da onda sem perder velocidade, criando uma das experiências mais difíceis de encontrar no oceano com consistência. Para quem quer mais de 10 manobras na mesma onda ou simplesmente mais tempo de linha para ler e decidir. Onda #02: Manobras + Bowl A parede fica mais íngreme. O bowl abre seções críticas para manobras verticais e aéreos. É o ambiente para quem quer empurrar os limites do que consegue fazer sobre a prancha, com repetição suficiente para transformar cada tentativa em aprendizado real. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Onda #03: Rampa + Tubo Uma onda que combina duas experiências na mesma seção. A rampa prepara o surfista para a manobra e o tubo roda na sequência. Para quem quer encaixar um aéreo e ainda sair do tubo na mesma onda, essa configuração entrega os dois elementos sem precisar escolher. Onda #04: Rampa Nível Intermediário Parede consistente, menor intensidade, mais previsível. A configuração certa para quem está desenvolvendo manobras progressivas e precisa de repetição para consolidar o que está aprendendo. A seção cria a rampa no ângulo certo, com velocidade suficiente para executar sem exigir o nível avançado. Onda #05: Rampa Nível Avançado Mais potência, mais velocidade, mais projeção. A rampa avançada é para quem já chegou em Búzios com manobras no repertório e quer testá-las com pressão real. Com capacidade para gerar até 700 ondas por hora, o intervalo entre uma tentativa e outra é curto o suficiente para transformar cada sessão em treino de alto rendimento. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por BSC (@brasilsurfeclube) Para todos os níveis As cinco configurações cobrem desde quem está aprendendo até quem treina em alto rendimento. A piscina ainda opera em dois modos: single peak, com ondas quebrando para um lado e maior extensão de linha, e split peak, com direitas e esquerdas simultâneas, permitindo que surfistas compartilhem a mesma série em direções opostas. Yago Dora, campeão mundial de surfe em 2025, Victor Bernardo, um dos maiores freesurfers da atualidade, e Michelle des Bouillons, referência mundial em ondas gigantes, integram o time do BSC e já testaram a tecnologia na piscina Adrena Red Sea, na Arábia Saudita. “Muito animal esse lance de ter essa variedade de onda também. Um leque de ondas absurdo. Mal posso esperar para Búzios”, disse Victor Bernardo após a sessão. A versão de Búzios será maior: 48 câmaras contra 36 da estrutura do Mar Vermelho, com 13 mil metros quadrados de lâmina d’água. Variedade de ondas para testar, arriscar, aprender e evoluir todos os dias. Com inauguração prevista para o segundo semestre de 2026, é o que o Brasil Surfe Clube Aretê Búzios chega para entregar.

Pedro Bettencourt Müller nasceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de julho de 1966, num ambiente familiar que respirava praia. Seu pai, Guilherme Xavier de Brito Müller, economista e morador do Leblon, cresceu frequentando a Zona Sul. Sua mãe, Maria Isabel Bettencourt Müller, criada em Santa Teresa, compartilhava da mesma paixão pelas praias. Para o casal, fim de semana e férias tinham destino certo: areia, sol e mar. Foi assim que Pedro e o irmão, Guilherme, passaram a infância seguindo os pais para o meio da Barra ou para São Conrado, ainda de estradas de terra, sem prédios, calçadões ou qualquer urbanização. Nesse cenário quase intocado, Pedro foi se encantando pelas ondas. Lembra-se de observar alguns surfistas solitários no meio da Barra e sentir-se hipnotizado pela habilidade deles. O mar, desde cedo, era o lugar onde queria estar. Ele recorda também a rotina da infância: ia para as aulas de natação no Clube de Regatas Flamengo e, depois, caminhava até o judô, no Leblon, um trajeto longo para uma criança de 12 anos. Antes de entrar no tatame, sentava-se no calçadão para olhar o mar quebrando, entregue à mesma fascinação que o acompanharia por toda a vida. O mar lhe transmitia paz, calma e propósito. Ali, ainda menino, já entendia que queria se tornar surfista. A mudança para São Conrado, por volta dos 14 ou 15 anos, foi decisiva. Morando ao lado do Pepino, Müller muitas vezes cabulava a aula pra ir surfar. As ondas triangulares, rápidas e pesadas da região se transformaram no seu campo de treinamento permanente. Ali, guiado pela referência de Rony Lima e pela evolução proporcionada pelas pranchas dos shapers Rico e Pedro Battaglin, deu um salto técnico marcante. A “biquilha mágica” 5’4″ de Battaglin é lembrada até hoje como uma das grandes viradas em seu surfe, época em que adotou o apelido de “o Águia”, pela tatuagem no braço. Uma nova mudança, motivada pelo desemprego do pai, levou a família para a Barra. Para Müller, foi a oportunidade perfeita: entre o Postinho, o meio da Barra e o Quebra-Mar, encontrou três ondas consistentes e acessíveis a pé, permitindo treinos diários que aceleraram ainda mais sua evolução. Nessa fase, destacou-se nos campeonatos da ASBT – Associação de Surf da Barra da Tijuca – e entrou para a promissora equipe da Cristal Graffiti. Antes disso, havia vencido seu primeiro campeonato no Leblon, organizado por Marcelo Peninha, vitória que marcou sua confiança rumo ao profissionalismo. Os resultados na categoria Júnior renderam um prêmio decisivo: uma passagem para o Havaí. Aos 18 anos, Müller viveu sua primeira temporada no North Shore (1984/85), dividindo casa com surfistas brasileiros experientes. Pipeline, logo no primeiro dia, foi seu batismo de fogo: mar pesado, adrenalina no limite e a certeza de que o treino no Pepino o havia preparado para aquele cenário. De volta ao Brasil, enfrentou dificuldades para manter regularidade como profissional. A grande virada veio com o curso de meditação transcendental feito ao lado de Rodolfo Lima. O impacto competitivo foi imediato: venceu a etapa profissional do Quebra-Mar no circuito carioca, em 1986, e passou a frequentar pódios de forma consistente. A regularidade, marca registrada de sua carreira, nasceu ali. Em 1987, tornou-se vice-campeão do primeiro Circuito Brasileiro de Surf Profissional. Liderou boa parte da temporada, foi vice-campeão na etapa da Lightning Bolt e, depois, campeão no Fico Festival. Só perdeu o título na penúltima bateria do Circuito, por apenas 20 pontos, uma diferença mínima para quem tinha 850 pontos de vantagem sobre o terceiro colocado. Na época, era visto como o surfista mais consciente e estratégico do país. Nos anos seguintes, acumulou resultados expressivos: vitórias importantes na Abrasp e uma vitória significativa no QS de Florianópolis, superando Barton Lynch, Jojó e Julio Adler. Em 1995, viria um dos grandes destaques internacionais de sua carreira: o nono lugar em Pipeline, substituindo de última hora o australiano Damien Hardman. Ondas entre 10 e 15 pés confirmaram sua capacidade técnica em um dos palcos mais desafiadores do mundo. Pedro Müller seguiria competindo por mais de duas décadas. Em Ubatuba, já aos 38 anos, conquistou sua última vitória no Circuito Super Surf 2004, num dos triunfos mais marcantes de sua trajetória. Hoje, vive do surfe como treinador, comentarista da Sportv e um dos proprietários da @escola_pedromuller, na Barra da Tijuca, administrada pelo sócio Adelmo Noite. Acompanhe ns publicações nas redes sociais @museudosurfesantos. Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi, o Pardhal.

Como uma prancha largamente usada por surfistas fora do circuito mundial profissional pode ganhar atenção? Coloque a dita cuja nos pés de um bicampeão mundial. Quer um destaque ainda maior? Filipe Toledo vence o tricampeão Gabriel Medina. Pronto. Vamos por partes. Na etapa do Championship Tour, na Nova Zelândia (Maio 2023), Filipe acabou não vencendo a disputa da quarta de final contra Griffin Colapinto, mesmo obtendo a melhor nota da bateria. Faltou uma onda. Mas o assunto aqui é outro, ou quase. Em um universo dominado por triquilhas, desde 1981, a diversidade de pranchas, no século 21, começou a ganhar espaço fora das competições. No meio de antigas novidades, biquilhas com trailer fin (estabilizador central) se mostraram mais controláveis e amistosas, levando muita gente a adotá-las no quiver. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Filipe Toledo (@filipetoledo) O modelo de biquilha com estabilizador central já havia sido testado mas ganhou vida nova em 2003, com as Super Twins do shaper, tetracampeão mundial (79, 80, 81 e 82), Mark Richards. Ele trouxe de volta suas Twin Fins do início dos anos 80, adicionando uma “quilhinha” central. Daí, de repente, Filipe Toledo coloca no jogo do circuito mundial o modelo Modern 2, da Sharp Eye Surfboards. Vence Gabriel Medina nas esquerdas de Raglan e deixa muito mais gente antenada sobre as possibilidades de uma twin com trailer fin. Filipe não foi o primeiro a fazer algo que eu esperava há tempos. Kelly Slater inovou, diminuindo o tamanho das pranchas e competindo, em algumas situações, com o que eram mais bi do que triquilhas, na primeira década do século 21. Dane Reynolds também fez isso, mas vamos combinar que esses dois não são parâmetros de surf normal. Deivid Silva também ousou. Abiquilhou-se numa etapa. Mandou bem, mas não chamou tanta atenção. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Sharp Eye Surfboards (@sharpeyesurfboards_au) Quando se trata de altíssima performance pesa sempre o fato dos atletas da elite não terem muito tempo para experiências fora da casinha das triquilhas. Mas, pela primeira vez, Filipe, além de seu ano sabático, em 2024, teve, como todos os Tops, os mesmos raros sete meses de folga antes da temporada 2026. Isso parece ter criado espaço para lidar com pranchas diferentes, memória física e jogo mental para se arriscar com um equipamento não muito convencional na Nova Zelândia. Sim, pranchas realmente diferentes pedem ajustes na maneira de usá-las e isso requer tempo e, claro, talento. Duas coisas chamaram a minha atenção. Impressionante como podemos e devemos comparar os melhores do surf competitivo profissional com pilotos da Fórmula 1. É com eles que a indústria das pranchas evolui mais e melhor. Detalhes sutis, milimétricos, que essa turma sente no funcionamento de uma prancha podem ser incorporados aos modelos que a maioria dos surfistas não conseguiria detectar ou explicar. Eles dão o caminho do que será usado pelos consumidores “normais”. Shapers são mais teoria, estudo. Tops são prática. As mudanças surgem daí. Segunda, e mais curiosa. Um esporte que durante tanto tempo teve uma aura de vanguarda e ousadia leva muito tempo para propor ou acertar mudanças mais drásticas, seja na construção ou desenvolvimento de design. Não creio que seja culpa dos fabricantes, já que essa indústria nunca gerou dinheiro suficiente para que se desenvolvesse como deveria. Ainda por cima a competição tem um formato onde há pouco espaço para o diferente quanto à performance. Mas isso é conversa para outro texto. Por agora fica a dica. Mesmo ideias estranhas à normalidade podem resultar em bons resultados. Teste tudo que é prancha que você puder. Não tenha medo, você não depende de notas dos juízes para ser feliz.