Nova ordem mundial

Taiu Bueno protesta contra as novas autoridades que governam o surfe profissional.

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Na opinião de Taiu Bueno, Gabriel Medina foi “garfado” em Trestles 2016 e Pipe 2017.

Para nós, simples torcedores e amantes do surfe, outra vez fechamos mais um ano de competições contemplando resultados “polêmicos”, para não falar a verdade: “garfados”.

O mundo caminha para um totalitarismo global, onde um poder ditatorial irá governar o planeta, assim está escrito em Apocalipse. Um exemplo antecipado deste autoritarismo ditatorial já está acontecendo, podendo ser observado, pelos que acompanham, no universo do esporte surfe, agora sob o domínio da WSL. Seriam estes os “Iluminatis” do surfe?

O circuito mundial foi criado pela pioneira IPS (International Professional Surfers), e que nasceu oficialmente em 1977. A partir de 1983, a IPS se transformou em ASP (Association of Surf Professionals). Algumas décadas passaram com o circuito mundial comandado pela ASP. Até então o surfe estava sendo controlado e patrocinado pelas principais marcas de surfwear, em que muitos dos donos eram antigos pioneiros do esporte e também sempre houve a participação de alguns surfistas contemporâneos.

Em 2012 o surfe optou pelo crescimento e se curvou ao poder! A ASP e o controle do circuito mundial foram vendidos para um “poder” estranho chamado WSL. Hoje este controle e interesse está nas mãos de alguns destes não-surfistas, seres que na verdade são alienígenas do universo surfe.

Dirigentes profissionais, importados de outros esportes, CEOs que deram certo em outras empresas de nível global, mas sem nenhum feeling do surfe na alma, ou ainda, nenhuma tradição com o esporte dos reis. Hoje são estas pessoas, agora autoridades, que ditam o rumo e todos os interesses, principalmente o financeiro do esporte.

No início, o que era apenas um esporte dos antigos reis polinésios, evoluiu. O surfe se propagou pelo mundo durante o século passado. A princípio foi apresentado para algumas partes do mundo pelo campeão olímpico de natação, o beach boy de Waikiki Duke Kahanamoku. Posteriormente o surfe foi levado para outros lugares por diversos surfistas, sempre na busca de novas ondas.

O surfe sempre foi e será um esporte único em suas diversas regiões e diferentes culturas do planeta. O esporte é conhecido também pela selvageria de alguns, pelo espírito de aventura de muitos e pelas diferentes personalidades que marcaram épocas.

Desde as antigas pranchas de madeira aos longboards de fibra; da revolução das mini-models ao surfe como contracultura pós-guerra do Vietnã; dos épicos invernos havaianos na década de 70, quando Pipeline e Gerry Lopez marcaram época, à evolução do surfwear e das pranchas nos anos 80. Dos diferentes ritmos e designs e da consolidação dos aéreos nos anos 90 até a mudança do critério de julgamento para o power surf valorizado no inicio do novo milênio, tudo era muito roots e com muito feeling independente das diferentes fases. Mas no final do ano 2011 embarcamos em águas estranhas!

Segundo o colunista, é melhor para a WSL ter um JJ Florence bicampeão do que um Medina tri ou um Mineiro campeão.

O big business chegou em 2012. Entramos na época das grandes marcas fora do business surfe avançarem, e dos businessmen CEOs pilotarem! Os interesses do novo conglomerados seguem o quê? Eis a questão…

A realidade é que todas as principais competições profissionais do mundo hoje, inclusive a de imagens XXL, estão centralizadas pelo “grande poder” chamado WSL. A nova ordem do surfe mundial está a todo vapor.

Analisando pela razão, é óbvio que para uma organização global não existe nenhum interesse em ter múltiplos campeões mundiais da América Latina.

É claro que o Gabriel Medina não estava nos planos da WSL, assim como o ataque fulminante do capitão Adriano de Souza em 2015, que foi o atleta mais massacrado pelo sistema internacional durante quase 10 anos pelo simples fato de ser brasileiro “matador dos heróis” deles. Ele ainda conseguiu conquistar na raça um título mundial, com tudo conspirando contra.

Também não estava nos planos da WSL esse ataque massivo da Brazilian Storm, que só cresce, e em 2018 o Brasil vai ter mais jogadores em campo do que o time do Brasil! O pior ainda é assistir tantas injustiças diretas e indiretas acontecendo recentemente contra Gabriel Medina. Todo mundo viu estas injustiças! Descarado é a definição.

Foi nítida a garfada que ele tomou em Trestles 2016. Todo mundo viu, e até os gringos comentaram. Barton Lynch e Ross Willians, por demonstrarem indignação, tomaram puxão de orelha da WSL! Um episódio destes atrasa geral a corrida do que poderia ser o bicampeonato de Medina em 2016.

Mas e este agora, no Pipe Masters 2017? Agora chutaram geral o pau da barraca. Foi um “guenta” absurdo, e gerou polêmica.

O esporte dos reis aspira por liberdade e justiça.

A bateria no terceiro round entre JJ Florence x Ethan Ewing foi claramente manipulada em favor de Florence. Todos viram que o justo seria perder, o que o deixaria em décimo terceiro na etapa. Com a quinta colocação no dia seguinte conquistada por Gabriel Medina significaria a conquista de mais um título mundial. Mas a real todos sabem qual foi… Parabéns à WSL, missão dada é missão cumprida!

E isso não é um “mimimi”, é uma real que muitos envolvidos tem que engolir a seco sem poder falar nada para não se ferrarem ainda mais. Ladrão e desonestidade tem no mundo todo!

JJ Florence é espetacular, mas talvez ele não seja tão determinado competitivamente como o Medina. Sou fã do surfe dele, mas nem ele se sente bem quando essas coisas acontecem. A rivalidade existe, e é sadia para o esporte. Mas qual interesse para a WSL ter multicampeões mundiais do Brasil?

A conclusão é que para a WSL o melhor é ter um JJ Florence bicampeão do que um Medina tri, um Mineiro campeão e os últimos quatro anos de “brazilian dominance”.

Outra questão que também incomoda qualquer um é esse “politicamente correto” nas transmissões, onde não se pode falar o que pensa. Todos ficam travados, repetindo os mesmos termos: “me diverti”, “estava legal”, “vou me preparar para o próximo”. Estão todos monitorados, e se soltarem um “peido” durante a entrevista estarão arriscados pagar multa e tomar suspensão, caso seja um surfista, ou perder o emprego caso essa pessoa seja juiz ou comentarista.

Entendo que existem as regras e os bons costumes, e que devem ser mantidos. Mas travar rigorosamente o livre discurso é ditatorial. E um sistema travado, e que está engessando personalidades, o que faz parte da essência dos melhores surfistas do mundo!

Deixem o surfe fluir! Chega de interferir seja em resultados ou nas ideias. O esporte aspira por liberdade e justiça: deixem os garotos livres pra falar, e parem de manipular!

Aloha.