Museu do Surfe

Santos, portal do Brasil

Coluna Museu do Surfe, de Diniz Iozzi e Gabriel Pierin, apresenta história do Porto de Santos (SP), onde a modalidade nasce no Brasil.

O Porto de Santos é um portal do Brasil e desempenha um papel fundamental na história
econômica, social e cultural do país. Tudo começou no início da ocupação do território com a extração e exportação do pau-brasil e a partir da colonização portuguesa, a produção e
escoamento do açúcar pelo mar transformaram o povoado em Vila do Porto de Santos.

No século XIX, o Porto ganhou importância com o comércio de café, que se manteve como o principal produto exportado ao longo do século seguinte, entre outros produtos e comodities líderes de exportação, consolidando a cidade como um centro vital para os negócios internacionais.

Além do transporte de produtos e cargas, o porto foi crucial para a transformação social e
cultural no Brasil ao receber imigrantes de diversas partes do mundo, especialmente da Europa, África e Ásia. Esses imigrantes trouxeram suas tradições, culinária e novas perspectivas, enriquecendo a diversidade cultural de Santos e do Brasil como um todo.

O Porto também foi palco de intercâmbios esportivos. Um exemplo marcante dessa influência é a chegada do surfe ao Brasil, uma prática que começou pela tradição dos povos nativos da Polinésia e se popularizou nos Estados Unidos. A introdução do surfe no Brasil ocorreu por meio de uma revista estrangeira que chegou ao porto pelas mãos de um imigrante norte-americano que já vivia no Brasil.

Após passar férias nos Estados Unidos, em 1933, ao que tudo indica pelas pesquisas, Thomas Rittscher trouxe o volume 10 da revista norte-americana Modern Mechanix and Inventions, do mês de junho, que mostrava um passo a passo para construir uma tábua havaiana, modelo Tom Blake. Instruído por essa planta, ele decidiu levar adiante o projeto da prancha oca.

Assim, após dedicar quase dois anos na construção do protótipo, Thomas, nascido em 1917, e sua irmã Margot, em 1915, surfaram as primeiras ondas do Brasil na praia do Canal 3, em Santos, seguido por Jua Hafers e Osmar Gonçalves, nascidos em 1922, tornando-os pioneiros do surfe no Brasil, marcando o início de uma nova cultura de praia no Brasil.

Portanto, o Porto de Santos não é apenas um ponto de comércio e imigração, mas também um catalisador de trocas culturais e esportivas. A chegada do surfe, por exemplo, simboliza como as conexões no mundo podem influenciar e transformar a cultura de um povo, trazendo novas práticas, culturas e estilos de vida.

Hoje, Santos é reconhecida como um dos principais points de surfe do Brasil, comunidade de surfistas consagrados, um verdadeiro templo da cultura do surfe. Essa história de inovação e intercâmbio reforça a importância do porto como um espaço de conexão global, que promove não só o desenvolvimento econômico, mas também a difusão de culturas que enriquecem a identidade brasileira.

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Coordenador de pesquisas históricas do surfe @diniziozzi – o Pardhal.

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